sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Dançarino de break de Sertãozinho é finalista em festival mundial



Reprodução
B-Boy Ratin durante a batalha que o consagrou campeão da etapa latino-americana de street dance (Foto: Reprodução)
Ratin ataca novamente. O dançarino de break de Sertãozinho – ou b-boy, na gíria do movimento hip hop – já está em Roma, na Itália, para participar, no sábado, da final mundial do Red Bull BC One, um dos maiores festivais do estilo no mundo.
O b-boy de 23 anos venceu a etapa latino-americana do evento realizada no dia 30 de outubro no Peru. Disputou com 16 dos melhores dançarinos de break da América Latina. Após duas horas de batalhas “homem a homem”, o sertanezino foi coroado campeão.
“Eu já venho participando de grandes competições, mas essa (final) vai ser uma experiência única. Grandes b-boys estarão competindo, mas eu vou entrar pra ganhar”, afirma o dançarino, em entrevista por e-mail direto de Roma.
Morador do Jardim Shangri-La, na periferia de Sertãozinho, o jovem - que recebeu o nome de batismo de Gustavo Henrique Cabral - participou de seu primeiro torneio internacional em 2013, em Atenas, na Grécia. Desde então, tornou-se destaque no mundo.
Ratin acumula quase 30 títulos em mais de uma década de carreira. “O interior leva o hip hop muito a sério como movimento e vivemos isso. Tenho a responsabilidade de passar isso adiante e nunca deixar se perder”, filosofa.
Pilares
A dança de rua, ou ‘break’, é um dos pilares do movimento hip hop, assim como o rap, o DJ e o grafite. Ratin descobriu seu talento ainda cedo, com 8 anos de idade, quando começou a dançar no projeto municipal SOS Bombeiros. Sem dinheiro para investir na formação, tornou-se autodidata na marra. 
Apesar do sucesso, o dinheiro demorou a chegar na conta do dançarino. Para participar de vários campeonatos, chegou a dormir em rodoviária, viajar na carona de uma moto e comer muito sanduíche de mortadela. Mas as coisas melhoraram.

“Estou com patrocínio de uma marca de roupas da Europa. Comecei essa parceria há pouco tempo. E também sobrevivo de trabalhos com a dança, jurado em campeonatos, workshops, etc”, informa. 
Porém, o b-boy afirma que ainda passa por poucas e boas para poder viver de sua arte na cidade onde mora. Comenta que, mesmo levando o nome de Sertãozinho para o mundo todo, não conta com apoio da administração pública.

“Parece que eles não veem a tamanha importância do hip hop na vida das pessoas, principalmente da periferia. Pra você ter uma ideia, estamos até sem lugar para treinar no momento”, diz. 
Mesmo assim, Ratin não pretende deixar a região tão cedo. O rapaz afirma que, para o ano que vem, já está com grandes projetos em Ribeirão Preto com o seu grupo, Killa Rockers.

“A Cultura é desvalorizada no país inteiro. Somos bons dançarinos, grafiteiros, DJs e MCs, mas só os estrangeiros enxergam isso. Por enquanto tenho foco no Brasil, mas se aparecer melhores trabalhos para fora, com certeza eu vou”, conclui.
A final do sábado vai ser exibida pela Red Bull TV e poderá ser vista no site.

FONTE: Jornalacidade.com.br
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