quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Rafael Braga foi preso novamente,enquanto ia comprar pão para sua mãe




PRENDERAM RAFAEL BRAGA VIEIRA NOVAMENTE
Dois anos depois, a arbitrariedade se repete. Rafael Braga Vieira foi preso hoje, às 09:00 da manhã, enquanto ia na padaria comprar pão à pedido da mãe. Estava em casa, em liberdade, mas utilizando a tornolezeleira que permite que o Estado controle seus passos. Cada passo.
Há revelia disso, foi abordado por policiais, o acusaram de trabalhar para o “movimento”. Os vizinhos se mobilizaram, mas impedidos de se aproximar. Sua mãe implorou que o deixassem, que ele não saía de casa, mas foi ignorada. Rafael apanhou, foi ameaçado com um fuzil (FUZIL!!) apontado pro peito, e ouviu dos policiais que se não dissesse “quem eram os meliantes do movimento iriam comer ele". E mais uma vez só valeu o depoimento dos policiais, e nenhuma testemunha foi aceita. Nem vizinhos, nem a mãe.
Há mais ou menos um mês eu, junto com mais um amigo e duas amigas, da Campanha Pela Liberdade dele, passamos uma tarde com o Rafael Braga e a família. Ele semi analfabeto, e na família, ninguém sabe ler e escrever. Família marcada pela dupla exclusão. Há um mundo letrado que lhes rechaça, é hostil e impenetrável. E há uma vida social que lhes é negada, pela pobreza e a precariedade de um lado, e pelo racismo e a arrogância do Estado de outro. Uma das razões da nossa ida lá era articular acompanhamento psicológico para ele e para a família e a educação (alfabetização) dele e da família. Embora cada hora que eu olhava para aquela tornozeleira eu tivesse ódio do Estado, por tudo o que fizeram com ele, e consequentemente com a família, foi preciso vislumbrar juntos ali novas possibilidades para eles.
Mas o RAFAEL BRAGA VIEIRA foi preso novamente. Humilhado novamente. E eu fico me perguntando: "qual é a tara do Estado nesse muleque"? É um recado para os manifestantes que começam a se mobilizarem para 2016? É só pra cumprir a cartilha da cada vez mais racista política de guerra às drogas que só prende preto pobre e favelado na cidade? É desejo de vingança dos membros da campanha e de movimentos que tem transformado a causa do Rafael numa bandeira contra o racismo, o extermínio da juventude negra e a criminalização da pobreza?
Os policiais que tentaram forjar para ele um flagrante com drogas e um rojão não são apenas dois policiais. Eles são a expressão desse Estado (e sua Instituição Polícia Militar) que a cada dia que passa não faz mais nada além de comprimir o ódio da população pobre e periférica, até o dia (e eu espero que seja logo), que isso explodir em reivindicação e fúria, exigindo direitos e derrubando o poder de cada um desses assassinos que se escondem por detrás da caneta.
LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA VIEIRA.
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