segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ATENÇÃO: ESTRÉIA DOS CRESPOS MUDA DE 13 PARA 15 DE OUTUBRO!!!!


"Alguma coisa a ver com uma missão", da Cia. Os Crespos, convida espectador a revisitar lutas negras no Brasil.
"Cada um de nós precisa ser frio como uma faca. Nada como uma lâmina bem afiada. Corta até o cheiro do sangue"
Tendo o centro da cidade de São Paulo como cenário, o espetáculo tem início nas escadarias do Theatro Municipal onde o público é abordado por seis personagens e conduzido a Praça Ramos de Azevedo. Nesta abordagem, as pessoas recebem um questionamento. Os atores perguntam: "Vocês vieram para o levante?". A partir deste encontro têm início "Alguma coisa haver com uma missão", novo espetáculo da Cia. Os Crespos, que leva o público a revisitar fragmentos das lutas e da presença negra no Brasil, acompanhando duas personagens - uma Gari e uma auxiliar de enfermeira - que recebem um convite para descortinar o passado, em meio a imagens de revoltas, revoluções e levantes negros, todos, fatos invisibilizados pela história oficial. A temporada será de 15 de outubro a 06 de novembro de 2016, quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 19h, na Praça Ramos de Azevedo, no centro da cidade de São Paulo.
"Alguma coisa haver com uma missão" investiga as evoluções locais e revoluções políticas latino-americanas a partir dos levantes negros no Brasil e no Caribe, tendo em vista a construção imaginária de uma revolução poética a favor da abolição do racismo. O espetáculo é a última etapa do projeto "De Brasa e Pólvora - Zonas Incendiárias, panfletos poéticos", uma releitura do texto "A Missão: Lembrança de uma revolução" de Heiner Müller. A Cia. Os Crespos realizou duas intervenções urbanas na cidade de São Paulo - "Ninhos e revides, mirando o Haiti" e "De Brasa e Pólvora". O processo criativo dos Crespos sempre acontece de forma contínua e cada intervenção serve como uma espécie de "laboratório" onde os atores colhem informações, reciclam ideias, tecem as cenas a partir das experiências vividas no espetáculo e com o público. "Alguma coisa a ver com uma missão" é o resultado desses estudos.
"Com este espetáculo queremos resgatar as pequenas e grandes conquistas do dia-a- dia daqueles que, inversamente ao que até hoje se supôs, resistiam a se tornar meras engrenagens do sistema que os escravizara. Esse é o ponto de partida para uma verdadeira mudança de ponto de vista numa possível reestruturação social" explica Lucélia Sérgio, uma das fundadoras dos Crespos, ao lado do ator Sidney Santiago.

O espetáculo

Duas mulheres - Uma auxiliar de enfermagem e uma gari - são convidadas pela barqueira dos mortos a visitar o passado. A barqueira - uma figura mítica e carregada de simbologia umbandista dos orixás e entidades - leva as personagens através da calunga grande, palavra de origem bantu, que significa o grande cemitério (os africanos viam o mar como morte em vida, o caminho onde irmãos, filhos e pais eram levados para longe, para a escravidão, levando-lhes as crenças, a religião, a dignidade). Por intermédio desta alegoria, Os Crespos transportam o público para uma viagem que remonta as revoltas e os levantes negros responsáveis pela formação e espírito de luta de um povo.

Musicalidade do espetáculo baseia-se no Vissungo, canto escravo extinto com o fim da escravidão

Os VISSUNGOS são cantos afro-brasileiros originais de Minas Gerais e cantados por descendentes de escravos. Eles viviam em comunidades mais isoladas e que, desta forma, preservaram por mais a tempo a lingua nativa devido a esta manifestação cultural no dia-a-dia do trabalho escravo.
Era utilizado como meio de comunicação entre os escravos, ou então, para a saudar a lua ou a religião. Durante o trabalho nas minas e no trabalho dos terreiros, nas brincadeiras ou no cortejo dos enterros, os negros escravizados preservavam sua cultura à revelia dos senhores através da música. E também através da língua, uma vez que esses cantos ainda hoje mantêm muitas palavras originárias de línguas africanas. Nos dias de hoje estas canções não existem mais, pois eram realizadas durante o trabalho no campo. Ao fim da escravidão, as cantigas sucumbiram junto com o fim deste processo.



Quem são Os Crespos

Os Crespos é um coletivo teatral de pesquisa cênica e audiovisual, debates e intervenções públicas, composto por atores negros. Formo-se na Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP e está em atividade desde 2005. A Cia. trabalha, há nove anos, a construção de um discurso poético que debata a sociabilidade do indivíduo negro na sociedade contemporânea e seus desdobramentos históricos, aliado a um projeto de formação de público. Seu percurso parte da experiência disseminada do TEN – Teatro Experimental do Negro, idealizado e gerido por Abdias do Nascimento, que de 1948 ao fim dos anos de 1960, construiu um projeto teatral popular revolucionário, que teve como objetivo central o combate ao racismo e às desigualdades raciais, aliado a uma formação intelectual, lírica e dramática para seus artistas.


Ficha Técnica

Direção - Os Crespos Atores Criadores - Lucélia Sergio, Sidney Santiago, Dani Nega, Dani Rocha, Joyce Barbosa, William Simplício Direção Musical: Giovani Di Ganzá Criadora Musical: KáNêga Santos e Gisah Silva Direção de Vídeo: Cibele Apes Direção de Som - Edu Luz Cenotécnico - Wanderley Wagner da Silva Aderecista - Cleydson Catarina Direção de Arte - Maya Mascarenhas Direção de arte (assistente) Gui Funari Equipe de Criação - Lena Roque Orientação - José Fernando Peixoto de Azevedo e Kenia Dias Direção de Produção - Adriano José, Ivy Souza Produção Executiva - Felipe Dias Contra-regra - Rogério Aparecido e Frederico Peixoto de Azevedo Financeiro - Ramon Zago Dramaturgia - Allan da Rosa Assistência de Dramaturgia - Christian Moura Preparação Musical - Mauá Martins Preparação Corporal - Alexandre Paulain/ James Turpin/ Dagoberto Feliz/ Inês Aranha/ Kenia Dias Preparação Teórica - Saloma Salomão e Allan da Rosa Assessoria de Imprensa - Lau Francisco (7 Fronteiras Comunicação) Designer Gráfico - Rodrigo Kenan Fotografia - Roniel Felipe

Serviço

Temporada - De 15 de outubro a 06 de novembro de 2016
Horários - quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 19h
Local - Praça Ramos de Azevedo, região central de São Paulo
** O espetáculo tem início nas escadarias do Theatro Municipal e o público será
direcionado por atores da Cia. Os Crespos até a Praça Ramos de Azevedo
Classificação etária: Livre
Espetáculo Gratuito
Duração: 60 min
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