quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sesc Belenzinho traz religiosidade afro, racismo, colonialidade, arte e o pulsante convívio em comunidade na Mostra Motumbá


A curadoria de espetáculos escolhidos para o calendário de fevereiro da mostra Motumbá - Memórias e Existências Negras é apenas uma demonstração do vasto e rico material da produção de raízes africanas ou periféricas. Realizado no Sesc Belenzinho desde novembro do ano passado, o evento tem reunido apresentações, shows, exposições, debates e oficinas que abrangem diversos segmentos da cena cultural e artística.

Para começar, uma entre duas peças transformadoras: Grajaú Conta Dandaras, Grajaú Conta Zumbis(14 a 23/2). Nesse espetáculo, a Cia Humbalada de Teatro envolve o público com narrativas intensas sobre o bairro localizado no extremo sul da capital paulista. Os nomes dos líderes do combate à escravidão não fazem parte do título por mera coincidência. É como se eles, escondidos e empurrados para a margem da sociedade, fizessem parte da voz dos personagens que contam essas histórias com emoção, paixão e muita poesia.

A outra peça teatral, Exu - A Boca do Universo (17 a 19/2), do grupo NATA - Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas,coloca em cena um esclarecimento, uma obra de desmistificação do orixá que acabou sendo visto com maus olhos pela sociedade ocidental. Em uma narração sem ordem cronológica, com uma linguagem músico-poética que entrelaça o humano e o divino, Exu aparece como aquele que valoriza o movimento da vida, em seu papel de orixá que rege a comunicação e a liberdade no candomblé.

Com uma mensagem transmitida de forma ainda mais contundente, Motumbá também apresentará duas performances. Em Merci Beaucoup, Blanco! (11 e 14/2),a atriz Michelle Mattiuzzi aparece com o corpo todo pintado de branco,munida de palavras que propõem uma discussão sobre o embranquecimento social e as ideias que ecoam em silêncio ou não pela cidade de São Paulo. Por sua vez, numa mistura de arte e política,o performer Jota Mombaça apresenta A Ferida Colonial Ainda Dói (18 e 21/2)e discorre sobre os efeitos atuais da colonialidade. Cada apresentação é única, mas em todas há sempre o debate geopolítico e histórico davida nas ex-colônias.

A mostra Motumbá - Memórias e Existências Negras integra diversas linguagens artísticas e ações culturais com o objetivo de apresentar um panorama das poéticas, estéticas e temáticas produzidas e interpretadas por grupos e artistas negras, negros e periféricos. Segue até março com programação variada, oficinas, debates, apresentações de teatro, performance, dança, shows musicais, saraus literários e muito mais.

PROGRAMAÇÃO TEATRO, CINEMA E PERFORMANCE

Espetáculo

GRAJAÚ CONTA DANDARAS, GRAJAÚ CONTA ZUMBIS
Com Cia Humbalada de Teatro
Narradores, catadores de histórias e andarilhos das vielas chegam da rua para contar histórias e narrativas do Grajaú. Dandaras e Zumbis da periferia de São Paulo. Grajaú que pulsa vida, calor, bares, varais, poesia. Cenas que vão do despencar das estruturas machistas, mães solos, mulheres pretas que se acolhem, meninos pretinhos que nadam na represa, travestis, pássaros e voos. As Dandaras e Zumbis que foram escondidos da história, empurrados para beira da cidade e fazedores de potência nas margens da sociedade. 
Direção: Tatiana Monte; dramaturgia: Tatiana Monte e artistas do Grajaú conta Dandaras, Grajaú conta Zumbis. Preparação corporal: Vanessa Rosa. Produção: Liliane Rodrigues e Mallu Chrisostomo. Sonoplastia: Gabriela Barbara. Criador e técnico de iluminação-criação: Diego F. F. Soares. Assistente de iluminação-criação: Tatiane Ursolino. Direção Musical: Luciano Carvalho. Músico: Leandro Sequelle. Elenco: Carmen Soares, Cristiane Rosa, Fabiana Pimenta, Fernanda Pimenta, Fernanda Nunes, Janaína Soares, Vanessa Rosa, Bruno César Lopes, Carlos Lourenço, Daniel Silva, Felippe Peneluc, Lucas Bernardo, Paulo Araújo, Paulo Henrique Sant'Anna.
Duração: 2h30
Quando: 14/2 a 16/2 e 21/2 a 23/2, terça a quinta, às 20h
Local: Galpão Multiuso
Ingressos: R$ 20 / R$ 10 / R$ 6
Não recomendado para menores de 16 anos 

EXU - A BOCA DO UNIVERSO
Com NATA - Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas
Exu em suas várias facetas se mostra no espetáculo como alguém que valoriza o movimento da vida, do falar ao agir, do pensar ao sentir. O espetáculo narra, sem compromisso cronológico, momentos em que Exu se mostra diferente daquilo que tanto se pregou na cultura ocidental sobre o orixá que rege a comunicação e a liberdade no candomblé. Optando por uma dramaturgia músico-poética, a encenação traz atores que se personificam sobre as diversas concepções do orixá: o humano e o divino se entrelaçam na celebração à condição de estar vivo.
Direção: Fernanda Júlia. Texto: Daniel Arcades. Coautoria texto: Fernanda Júlia. Assistência de direção: Sanara Rocha. Elenco: Antônio Marcelo, Daniel Arcades, Fabíola Júlia, Fernando Santana e Thiago Romero. Instrumentista: Sanara Rocha. Direção musical: Jarbas Bittencourt. Letras das músicas: Daniel Arcades. Operação de Som: Eduardo Santiago. Assist. Produção: Francisco Xavier. Produção: Susan Kalik, NATA e Modupé Produtora.
Duração: 70 minutos
Quando: 17, 18 e 19/2, sexta e sábado, às 21h30; domingo, às 18h30
Local: Sala de Espetáculos I
Ingressos: R$ 20 / R$ 10 / R$ 6
Não recomendado para menores de 18 anos 

Performance

MERCI BEAUCOUP, BLANCO!
Com Michelle Mattiuzzi
A artista se apropria da cor branca e faz uma trajetória que propõe a discussão sobre o embranquecimento social a partir de experiências que marcam a racialidade de seu corpo na cidade de São Paulo. MerciBeaucoup, Blanco! é um fragmento de um gesto mínimo, um ruído constante que incomoda e marca o tempo de repetir. E esse gesto vai ganhando sentido intensamente, até se multiplicar. 
Duração: cerca de 1h
Quando: 11 e 14/2, sábado e terça, às 19h 
Local: Hall do 1º Pavimento
Ingresso: grátis
Não recomendado para menores de 18 anos

A FERIDA COLONIAL AINDA DÓI 
Com Jota Mombaça
Ferida Colonial Ainda Dói é uma plataforma aberta de criação em performance arte e politização dos efeitos políticos da atualização indefinida da colonialidade no presente. A primeira performance foi apresentada em novembro de 2015, em Veneza (Itália), por ocasião do evento Brecha Democrática e da residência nomádicaTransnational Dialogues. Outras performances foram realizadas em Natal (Rua, maio-2016), Rio de Janeiro (Capacete, julho-2016) e Buenos Aires (III Congreso de Estúdios Poscoloniales, dezembro-2016). As performances ganham novos contornos e são reconfiguradas a partir dos contextos em que são apresentadas e dos materiais disponíveis para a sua realização. O que se mantém em todas as apresentações é a apropriação do sangue como dispositivo de inscrição do corpo no debate geopolítico, trazido à cena por meio de mapas, bandeiras ou publicações que evoquem a configuração colonial do mundo contemporâneo e suas relações com a história da colonialidade. Nessa ação, a artista propõe um discurso crítico das narrativas contemporâneas acerca dos corpos, vidas e sensibilidades situadas nas ex-colônias, uma reflexão sobre as intersecções entre performance e descolonialidade. 
Duração: 45 minutos 
Quando: 18 e 21/2, sábado e terça, às 19h
Local: Hall do 1º Pavimento
Ingresso: grátis
Não recomendado para menores de 18 anos

M O T U M B Á – Memórias e Existências Negras
Data: até março de 2017
Local: Sesc Belenzinho  
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo (SP)
Agendamento de grupos: pelo email agendamento@belenzinho.sescsp.org.br  ou (11) 2076-9704. Atendimento das 10h às 17h.
Estacionamento: Credencial Plena - Primeira hora: R$ 4,50. Adicional por hora: R$ 1,50.
Outros - Primeira hora: R$ 10,00. Adicional por hora: R$ 2,50. Preço promocional para espetáculos – Credencial Plena:  R$ 5,50. Outros: 11,00.
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