sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O grupo Retângulo de Ouro se apresenta com o single "Águas calmas"


Retângulo de Ouro é uma forma etérea. O grupo, formado por Alamim, Marcê e ¥€£ Aβ§trato (Daniel), explora as arestas e retas dos polígonos da nossa existência em batidas Lo-Fi e rimas afiadas. "Águas Calmas", seu primeiro single, reflete as angústias e as esperanças de quem navega diariamente nas águas nem sempre tão claras e calmas dos rios da vida em São Paulo. 
Produzido por Blackbird e lançado via Carranca Records (selo da cantora Larinu e do trio ATTICA!), "Águas Calmas" vem pra mostrar que o Retângulo de Ouro veio pra ficar.

Ouça o som do grupo e aproveite para conferir a troca de ideias que tivemos com eles.


NP: Por que o Nome Retângulo de Ouro?
¥€£ Aβ§trato - Daniel
Quando eu vi a primeira vez falar do retângulo de ouro foi em um vídeo, Pato Donald na terra da matemágica, fiquei perplexo ao mesmo tempo impressionado porque o retângulo não era só apenas uma forma geométrica ele estava presente em todo lugar e está até hoje. Fiquei com aquilo na cabeça, que uma forma podia estar em vários lugares sem ser aquela forma de fato. Ela poderia ser o que ela quisesse então para mim, o retângulo é você ser o que você quiser mesmo que você seja posto em algum rótulo, mesmo que as pessoas  tentem te moldar, você é quem você quer e o que você quiser ser! Esse é o retângulo, podemos ser o que a gente quiser basta a gente querer. 

NP: Vai lá, diz pra gente quem é o Retângulo de Ouro? Falem sobre suas vivências, dia a dia, correria.
Retângulo de Ouro é um trio da ZL formado por Alamim, Marce e ¥€£ Aβ§trato - Daniel

Alamim
Sou um preto, periférico, de 22 anos e resido na Parada XV de novembro (sou muito bairrista hahah).
Meu dia a dia, eu trampo o dia todo, porém sou sonhador e quero ter uma qualidade de vida melhor, até então sou formado em educação física.

Marce
Marcelino, tenho 24 anos, eu estou terminando a faculdade de Geografia, com o objetivo final de ser diretor de escola pública e dar aula em faculdade, amo ambiente escolar e sei que não é tarefa fácil com os gestores que temos.

¥€£ Aβ§trato - Daniel
Eu sou Daniel, tenho 20 anos, moro no bairro Prestes Maia que fica no extremo leste que, em Tiradentes. O meu  dia a dia não é nada excepcional creio eu, seja aqui em casa ou andando pelo bairro ou de busão, é de sempre tentar ver o mundo com os meus olhos, de diferentes maneiras possíveis e impossíveis.

NP: Qual o contato de vocês  com o Rap? Suas referências mais importantes.
Alamim
Meu primeiro contato com o rap foi quando eu era pivete de tudo, ganhei um CD do Racionais e do Ndee Naldinho e fiquei maravilhado, pois me identifico com aquilo. 
Totalmente diferente de ir assistir um filme e só ver branco, história pode ser até legal mas não tem nada que me representa ali, entende?
Eu gosto de música boa, minha paixão é o rap e a cultura hip-hop mas eu ouço de tudo um pouco para fazer meu rap mais autêntico.
Se eu parar pra falar todas as referências vou ficar a vida toda aqui hahaha 
Prefiro que vcs ouçam a nossas músicas para entender e sacar as referências tanto nos instrumentais como nos versos.

Marce
Desde pequeno já escutava, meu irmão mais velho meu ex cunhado na época escutávamos bastante, Racionais, Facção Central, SNJ, 509-E. Eu ultimamente  venho sendo bem eclético, minhas influências vem do rap, MPB e rock mesmo, escuto muito Foo Fighters, Maria Rita, e no rap escuto bastante Baco pós esse último álbum dele, Yzalu e Emicida também escuto muito, entre outros.

¥€£ Aβ§trato - Daniel
O meu contato com rap foi meio que tardio sabe, até porque nos meus 14 pra 15  anos, era época do Black Charm   (que por sinal amo pra caramba), mas ali naquela época, eu nem pensava em nada a respeito de rap nem sabia muito sobre. Nos anos seguintes mergulhei de cabeça no gênero. Minhas
referências são meio que difícil listar, ouço muita coisa e acredito que quanto mais referências melhor pra pessoa. Eu vou de Katinguelê, Raça Negra a Fundo de Quintal, Carlos Dafé a  Jimmy Hendrix, The Doors, Roberta Flack ,Bee Gees, A-ha, Jackson 5, Kool & The Gang e ao mesmo tempo cresci ouvindo Furacão 2000, até o funk ostentação e cheguei sem esquecer na galera old, Wu Tang, 2Pac , Biggie, Athalyba e a Firma, Sampa Crew (que pra mim é rap, o que o Kayne faz, o Sampa já fazia a cotas kkk), Erykah Badu e  hoje  Frank Ocean, James, Travis Scott, Blake, Kendrick, The Internet  e por ai vai. 

NP:  Qual estilo vocês acreditam seguir? O que tem nas suas letras? Quanto tempo estão nos corres?
Nos não temos uma forma tá ligado Tipo a nossa forma e não ter forma, é ter liberdade de criar.
A gente fala do que a gente quiser falar, nos expressamos da maneira que a gente enxerga as coisas. É a nossa vivência, não falamos sobre verdades absolutas porque verdades são incertas, então a gente aborda um ponto de vista que muitas pessoas podem ter sobre um assunto, expressamos a nossa maneira como vemos tal assunto.
O legal da gente é isso, não ter forma. A nossa forma pode ser qualquer forma, a gente não se prende numa caixa dizendo que iremos falar só sobre determinado assunto, isso pode ocasionar a gente falar de muita coisa ou dependendo da situação às vezes não falar nada e falar tudo ao mesmo tempo em questão de musicalidade. Sempre trabalhamos em bases de coisas que gostamos, às vezes não precisa ser necessariamente ligado ao rap, mas a gente traz para o rap pra poder sempre agregar naquilo que a gente quer fazer.

NP: Como vocês enxergam a cena do Rap no Brasil
Hoje a cena está emergente, isso é muito bom para os artistas novos que vem aparecendo em questão. O rap hoje atinge públicos que não atingia a anos atrás, porém é bastante estereotipado.
Atualmente parece que os 4 elementos do Hip Hop são a Supreme , Instagram, Hype e Lean. 
Nada contra, gostamos disso também, mas isso esta mais presente na cena do que o rap, DJ, Grafiti e os B.Boys e B.Girls. 
A cultura Hip Hop não pode morrer, falta apoio de quem diz curtir música independente em geral. É fácil tá com latinha na mão na Augusta pagando de cultura, mas ajudar nesse processo quase que ninguém desses caras ajudam, é do Oasis ao suplício.

NP: No momento quais são os principais objetivos profissionais de vocês? Projetos, visões e tal?
Continuar a fazer música, estamos só no começo ainda mas temos muito que aprender, evoluir e desenvolver. Não falamos só na questão musical, precisamos amadurecer como pessoas também. 
Ter visão ampla enxergar e entender aonde estamos, onde queremos chegar e como vamos fazer isso.
Nossa arte é igual nossa vida, imprevisível!

NP: Algo que eu não perguntei e vocês queiram falar? Bom, o NP agradece a disposição, e deixem o recado aos leitores.
Tenham empatia fora da internet, meritocracia não existe no Brasil!
O retângulo agradece o espaço cedido! Ouçam o som divulguem, é pra quem tá no corre ou pretende começar: só faz parça!
Saia do retrato seja abstrato.

Carranca Records
https://www.facebook.com/carrancarecs/

Retângulo de Ouro 
https://www.facebook.com/retvngulodeouro/

Soundcloud
soundcloud.com/carrancarecords