quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


Os pretos chave da Bahia acabaram de lançar o clipe das músicas Peças e Drift. Músicas que estão na DemoTape lançada em 2018. 
Lembrando que esse é o segundo clipe lançando em 2019 pelo grupo baiano. O primeiro foi o clipe "Pretx Chave"

Fundada em 2017, a Underismo introduziu nos vários lados da cidade de Salvador as expressões de sua arte. No ano seguinte ao da sua criação, o projeto "DEMOTAPE" composto de quatro músicas, com histórias interligadas do início ao fim, foi apresentado ao público. A característica ilustrativa das faixas fez com que o sonho pela confecção de um curta metragem surgisse. Desse jeito, os membros do coletivo, munidos de suas ideias, se asseguraram de buscar formas de transformar o devaneio em realidade. 
Dentre alguns acertos, falhas, contratempos financeiros e estruturais, a ideia de curta se transforma em videoclipe duplo. Saciando a vontade geral de contar uma história sem deixar de lado a base cinematográfica. 
Underismo representa o que existe de mais undergrond na cena, não só da Bahia, mas do Brasil, porque não? 

O clipe Peças/Drift, dirigido e roteirizado por Bruno Zambelli, e a direção fotográfica de Ramires AX e Lucas Raion representa muito o que é morar na quebrada. O cenário rustico, sujo (entenda como cru, sem glamour, sem usar a favela de palco). O clipe passa a imagem de pessoas de quebrada, fazendo rap pra quebrada, saca? Os caras quiseram mostrar o conceito estabelecido nos sons da "DEMOTAPE". Faixas que falam de corridas, fugas, cobranças e o anseio pela melhoria coletiva são o cerne do trabalho entregue pela Underismo, do desmanche de peças no ferro-velho a montagem de peças nas melhores oficinas. 

Isso é Underismo! Pretos chaves de quebrada fazendo rap para os seus. 

Assista:

DJ KMINA

Tem campo minado na programação da Semana Internacional de Música. É campo porque floresce na delicadeza da potência feminina. É minado porque as “minas” protagonizam. Mina é não só um jeito popular de se referir à menina, mas também um depósito natural onde pode-se encontrar preciosidades geradas no ventre da terra.

A Noite Feminino Concreto unirá dois coletivos de diferentes estilos e sonoridades, mas onde a mulher tem voz. O evento acontecerá em um espaço cultural alternativo gestado e gerenciado por mulheres, Alvenaria Espaço Cultural Colaborativo. A proposta foi idealizada pela produtora independente Barbara Ivo e faz parte da programação noturna oficial da Semana Internacional de Música de São Paulo.
Vozeiral

A Noite Feminino Concreto não se trata do clube da Luluzinha, muito ao contrário, propõem a integração através da música como ponto de encontro para a troca, composição e compartilhamento. A mistura promete a suavidade e força das interpretações de Vozeiral com as composições de embate e harmonia de Colab. Será a apresentação de música brasileira mixando diversidade e respeito.

Colab

A DJ K-Mina abrirá a noite e fará toda a ambientação que integrará os repertórios dos dois coletivos. Formado por Amabile Barel, Ana Luiza Caetano, Daniela Alarcon, Luisa Toller, Marina Teles, Naoma Kimachi, Raiça Augusto, Val Kimache e Ritamaria, o grupo Vozeiral apresentará repertório dedicado a autoras femininas, com temas feministas e composições próprias, ritmos brasileiros e improvisações. Colab é um projeto colaborativo composto de duetos de rap formados pelo MC Mano Réu com as MCs Barbara Crystina, Gabriellê, Joy Amaru, Nomah Diê, Rê Lopes e Tina Cratz. Essa mistura levará ao palco os temas presentes na estética negra da periferia paulistana em versão urbana das emboladas e repentes nas formas de rimar desafiando parceiros. 

A mistura de sons é convite para transformação de vidas. É flow, flavor e feeling.


Serviço da Noite:
Nome da noite: Feminino Concreto
Data: 07/12/2019
Horário: 19h
Local: Alvenaria Espaço Cultural Colaborativo
Endereço: Rua Turiassu, 799, Barra Funda
Ingresso: colaboração consciente
Capacidade: 80 pessoas
Censura: 12 anos
Programação:
- Dj Kmina

- Vozeiral (SP) – 19:30h

- Colab (SP) – 21h

Fodas Casuais é o novo single do rapper Rocha Man. Música curta de versos livres, misturando sintetizadores, batuque e 808, faz parte de uma série de singles que o mc vai lançar nos próximos meses. O próprio mc assina o beat, a filmagem e edição do clipe fica por conta do Andersoulraps.

Assista: 


Os de bom coração estão sensibilizados com o ocorrido no baile da Dz7, no bairro de Paraisópolis em São Paulo.

Wesley Barbosa, que é um escrito de quebrada comovido com tudo escreveu um conto para dar voz as mães que perderam seus filhos nesta tragédia por culpa do Estado.

Dona Maria da Conceição representa todas as mães...


Reprodução | IMAGEM TOTALMENTE ILUSTRATIVA


Dona Maria da Conceição 

Justiça seria encontrar todos os culpados por aquelas mortes e puni-los, mas em toda a minha vida, nunca vi justiça andar de muletas como aqui, não senhor. Para nós, restam às desculpas esfarrapadas, o fundo da panela queimada de arroz, em que a gente vai raspando com a colher. 

- Não tem problema – eles dizem – morrer de fome essa gente não morre, aguentam ficar com o estômago vazio durante dias. 

Caminhar aqui no bairro um tal de João nunca caminhou, nem saber que os Joãos daqui carregam o mundo nas costas: não nasceram com a bunda virada para a lua, nem foram mimados. Cada homem desses sabe a dor da vida, o valor do pão amanhecido, descendo na goela. João daqui não tem segurança não, senhor. João daqui não é Jão, entendeu seu doutor? 

Meu filho tava lá no meio sim senhor. Eu disse pra ele não ir, que essas festas de viela um dia levavam ele embora. Precisava suplicar? Me jogar nos pés dele? Trancar a casa? Amarrar a força, ao pé da cama? O Murilo trabalhava e me ajudava, não é porque ele era preto que eles tinham o direito de ir empurrando, dando tiro, chutando... Em filho meu ninguém nunca tocou a mão! 

Aqui todo mundo via o esforço dele, do meu Murilo: acordava cedo e ia trabalhar, às vezes de domingo a domingo. Esse dia ele estava feliz. Havia marcado com alguns amigos de ir para esse tal de baile, no meio da rua. Porque aqui é assim mesmo: diversão é só quando dá. Eu, dona Maria da Conceição, que não ia segurar o meu filho. 

Eu lhe disse apenas: 

- Murilo! Você não viu na televisão, eles estão matando a gente meu filho, por favor, fica em casa. 

Então... Eles dizem que é excesso de sentimento, que aqui se chora por tudo. Duvido o senhor trabalhar o dia inteiro carregando bloco e ainda ter tempo para a família. Sair daqui de madrugada, voltar somente à noite e manter esse sorriso no rosto. 

A policia quer lavar o nosso bairro com sangue, por quê? Pobre por acaso não têm direito de sorrir sem ter que lutar por isso? 

Encurralar a meninada na viela, dar tiro de bala de borracha, bater com madeira e ainda rir, isso não se faz! Justiça mesmo era deixar esses cretinos sem farda, sem colete, sem nada, a míngua pelas ruas da favela e ver no que ia dar. 

Quem irá comprar as flores e ficar ouvindo à noite o menino ou a menina, dizendo que tinha o sonho de estudar para chegar a ser alguém, na vida? 

Qual de vocês senhores, irá se responsabilizar por cada corpo desses pisoteados na esquina e colocar os culpados dentro da prisão? 

Se eu protestar eles me bate, cospem na minha cara, dizem que sou favelada e que o meu dinheiro é pouco por isso não presta pra nada. 


04/12/19 Wesley Barbosa 




Usando e abusando da liberdade de expressão sem perder o groove e o balanço da música baiana, “Reconstrução” é o terceiro álbum do grupo, que chega mais uma vez pesado na cena. Encerra a trilogia que teve também os álbuns “Revolução Além do Plano Matéria” (2016) e “Reação” (2018), ambos lançados dia 2 de novembro em homenagem a todas as pessoas vitimadas na guerra racial não declarada no Brasil, e principalmente na Bahia, estado de origem dos integrantes.

"Reconstrução é um nocaute na hipocrisia do sistema político brasileiro que através da negação de direitos básicos empurra os seus jovens à marginalidade e depois os condena como culpados de uma ordem social perversa, excludente, que os antecede e que se sustenta através da violência contínua promovida pelo Estado. Mais do que um compilado de músicas, o álbum é uma mistura de sentimentos, vivências, livramentos, histórias e luta pela sobrevivência, num cenário de guerra onde a arte e a cultura se configuram enquanto ferramentas potentes de transformação, dignidade e representatividade." diz o grupo.


Ouça:


Além de se apresentar em palcos e casas de shows o coletivo também espalha sua mensagem através do projeto Semente, iniciativa do próprio grupo que tem como objetivo dialogar sobre questões sociais e raciais através de oficinas e intervenções artísticas em escolas e comunidades.

Um pouco sobre o corre do grupo:

O grupo soteropolitano Militância Poética foi constituído em 2015 com o objetivo de levar mensagens de conscientização e autoestima através da música e da poesia. Formado por Deise Maria, Igi Emi, Omin Onawale e Dj Abalsanga, o grupo apresenta uma identidade musical única, enraizada na mistura de diferentes vertentes rítmicas, unindo a sonoridade do rap/trap com o pagodão baiano, reggae, ragga, dub, jazz, samba, black music, mpb, entre outros.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019



Madyer Fraga, artista natural de Porto Alegre lançou na última sexta-feira (29/11), o videoclipe do som "Solidão Propícia a Arte" que aborda um assunto muito importante no meio artístico, dos jovens e da nossa geração... que é a depressão e a automedicação. 

"Quando paramos para refletir para onde fomos podemos perceber que nem sempre é aonde queríamos estar. Essa perspectiva madura navega entre a falta de certeza do amanhã e a busca de entendimento. Como será? Por que mudei de planos? São questões presentes na vida do jovem que narra sua história.

A sensação de estar sozinho cresce e se compreende que vestir uma armadura na tentativa de ser forte todo o tempo não é possível, muito menos saudável. Quando ficamos a frente dessa dura realidade buscamos alternativas de tornar ela mais leve, por vezes errando em um ponto importante, se auto medicar.

Essa música tem como objetivo fazer as pessoas refletirem e buscarem não só alternativas rasas, mas concretas! Isso é uma carta, uma conversa de um amigo para outro.

E não tenho medo ou um preconceito imposto pela nossa sociedade de procurar ajuda de um profissional, cuide de saúde mental. Você não está sozinho, as pessoas te admiram, te amam e se inspiram através do que você faz. Não somos substituíveis, reflita: não há vida como a sua.

Romantizar problema nem sempre é poesia.."


Assista e preste atenção!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Aqui estou eu mais uma vez depois de fazer aquele café bem preto pra escurecer as ideias e assimilar esta obra de arte africana em diáspora do Amiri. 

Na noite de quinta (28/11) o rapper fez uma audição do O.N.F.K gratuita no Rap Burguer, onde colou muita gente para ouvir o álbum. Vou até deixar o link de algumas fotos porque foi algo bem foda, receber fãs para audição de um álbum e não só jornalistas é bem inclusivo, afinal são eles quem realmente vão ouvir e sentir o álbum. 




Algumas horas depois passou da meia noite (29/11), eis que sai nas principais plataformas digitais O.N.F.K. 

Este álbum salvou minha sexta-feira, pois foi dia de Black Friday, eu sabia que o dia ia ser longo estressante e cansativo. 
Eu fiquei sexta, sábado, domingo, segunda ouvindo e provavelmente vou estar ouvindo no decorrer deste texto. 

Esse álbum é muito denso, tenso, dramático, pesado, mas com momentos de descontração quando o rapper resolve soltar suas puchlines mostrando o porque ele é um dos melhores mc’s da cena, seja por sua métrica na escrita ou por sua interpretação. 

Primeiramente quero deixar explícito que são impressões minhas e talvez não seja a visão do Amiri, certo? vocês podem ter tido outra impressão e comentar sobre, aliás. E eu não vou comentar sobre todas as faixas pra não ficar muito cansativo. 

Vamos ao álbum! 

Amiri sempre que possível insere diálogos nas letras, isso nos faz criar uma imagem (clipe) na cabeça de acordo com o decorrer do som. 

Mas vamos começar pela intro que parece não dizer nada, mas ao mesmo tempo diz muita coisa! Entenda. 

Antes de eu saber o significado de O.N.F.K, ouvindo atentamente a intro, ela soa como um escravo fugindo para sua liberdade. 

Daí perguntei para dois parças (Bruno Godinho e Barão U) no Facebook se eles sabiam. 
E graças a Yah perguntei para as pessoas certas, que me mostram uma postagem do Amiri sobre. 

Melhor do que eu explicar vou reproduzir o que o Amiri disse sobre: 

“Nesse meu recomeço, musiquei um pouco do que aprendi sobre amor através da ancestralidade e sobre a reconquista de força e confiança através do amor próprio. "Odo Nniew Fie Kwan", do sistema de escrita filosófica de Gana, Adinkra, significa "O amor nunca perde seu caminho de casa". Esse capítulo é sobre o poder do amor mesmo." 
O.N.F.K- Odo Nniew Fie Kwan (O amor nunca perde seu caminho de casa) começa com uma Intro com sons de tambores e um grito (canto) que soa como um prenuncio de uma ação de fuga. 

No decorrer da trama (som), do ritmo do tambor se ouve canto de passarinhos e passos e até uma possível luta que leva a passos rápidos e a uma corrida. O personagem dá uma cuspida, como se botasse sangue pra fora resultado de sua luta com seu algoz. 
No fim o personagem dá um suspiro de alivio que soa como se não estivesse em perigo. E o Amiri diz: Brigado Mamãe; e o álbum começa e já engata a “Não Mete o Loco (O rei)”. 

Observação: recomendo que ouça essa intro de olhos fechados. 

Na intro já demonstra que ele começa respeitando nossa ancestralidade, que é a de resistência, liberdade e respeito as nossas matriarcas. 
  • NÃO METE O LOCO
“Não Mete o Loco”, o Amiri gasta demais nas rimas e puchlines, céloko! 

O Amiri colocas vários de seus complexos do passado neste som e mostrou que hoje está bem resolvido e que sua autoestima está bem, obrigado. 
Na escola eles me tirava de burro
Me zoavam de "Saci", de "Bongô"
Hoje eles que não entende nada, pai
Eu vou tão fundo nas ideias que eu quase escrevi esse aqui em Nihongo
Eu roubo a cena, não adianta fazer seguro
Faço o Rap Genius parecer anta, parecer burro 
Tem uma pá de gente que diz que não gosta do Amiri porque não entende suas rimas. Mas isso se deve à falta de paciência em sentar e ouvir com calma. 

Neste verso o Amiri mostra que superou o preconceito e o racismo sofrido no tempo de colégio. E que hoje aquele moleque sem autoestima, hoje é bonito e inteligente a ponto deles nem entender mais suas ideias de tão profundas que são. 

Num som mais à frente o Amiri fala sobre que no tempo de escola ele não era considerado bonito. 

Precisamos entender, que o homem e a mulher negra não são considerados bonitos na infância, pois tanto meninos como meninas, sempre acham bonito o galã de novelas ou aquelas atrizes loiras capa de revista. Negros e Negras só passam a ser visto como bonitos quando seus corpos esculturais mostram toda sua beleza de ébano. Na verdade, são hiper-sensualizados, essa é a real. 

Por isso o Amiri termina a primeira parte do som dizendo: 

“Imagina o MC mais bonito calando quem diz que preto é feio, pronto, agora 'cê tem uma foto minha” 
Basicamente o som de fala de uma parte da vida do Amiri que eu acredito que sejam traumas e complexos de sua juventude. Porque o Amiri está a todo momento mostrando confiança e autoestima no seu talento e intelecto e ao mesmo tempo nos dando referências de experiencias passadas. 

“Essa é a história do Amiri, não, é só o índice
Sendo modesto, pois significa príncipe
Que eles não vira, nem se elas beijar vinte sapo
Percebi que eu tô pra mais rei dessa fita, fim de papo!” 
  • PANTERA PRETA
Este som é uma ode a força da mulher preta e respeito a cultura matriarcal africana. Mas a trama é contada de uma forma trágica, pois ele trata do genocídio do povo preto no brasil fazendo referência ao tempo da escravidão. 

Lembrando que a Pantera em diversas culturas é um símbolo feminino de força, inclusive na HQ do Pantera Negra, a Pantera, a deusa Bast é retratada como feminina. 

Bast aparece recorrentemente nos quadrinhos do herói, e no Egito era adorada como a deusa da proteção ou da guerra, dependendo de sua representação. 

O Amiri começa o som questionando porque homens pretos são a maioria dos mortos pela polícia e em seguida ele fala para o policial largar a mãe dele, mas de fundo tem um grito: África! Com isso, entendo que está fazendo uma ligação com o tráfico negreiro. 

Porque o senhor atirou em mim? Não confundiu nada, apenas mirou e fim É porque das senzalas, quilombos e guetos vim É porque sou preto, sim E vim de onde tinha migalhas, não tinha pães Vinha jato, vinha cães Viatura, arma em punho, tira as mãos da minha mãe (África) A minha mãe (África) A minha mãe (África) E eu não vim sozinho, vim com os Deuses, vim com Iansã e Sangô Minha mãe, sangrou, filho arrancado a força Nem tinha estourado a bolsa Minha mãe, se chamou Tereza de Benguela Nem grilhão e nem cela Prende eu, sou que nem ela Minha mãe mandou força ancestral e nada mata ela Pantera preta, esse é o peso de cada pata dela Por mim nada trata ela, igual lata velha Ela é Maria, Afenia, Angela, Assata, Armélia E eu Huey! Huey, huey, huey 
*Huey Newton, líder e um dos fundadores do Black Panther Party (Partido dos Panteras Preta) 

Depois de puchlines no melhor estilo freestyleiro, sons introspectivos, anti-racista/ódio a branquitude, depressivo e superação, o rapper paulista alivia o clima com o som "Eu deixo um salve” 
  • EU DEIXO UM SALVE
Como disse lá no começo, o Amiri tem um tipo de escrita em que ele cria e insere diálogos no meio do som. Mas este som é todo em diálogos, o Amiri interpreta diferentes personagens neste som. 

O som é bem clima de festa, quando eu fecho os olhos e imagino um clipe na minha cabeça ele seria assim: O Amiri está num rolê que poderia até ser um show dele, e as coisas vão acontecendo e tal e o Amiri além de fazer o seu papel, ele interpretaria todos personagens que ele já interpreta no som e na refrão eu já imagino os pretos e as pretas mandando uns passinhos e tal. 

  • UM AMOR (ODARA)
E não pense que o Amiri não ia falar de amor, afinal amor está no nome do álbum. 
Depois do clima de festa, ele lança a braba, o lovesong chamado “Um Amor (Odara) 

Este som é uma linda declaração de amor, e um grande som para exaltar o amor entre pessoas pretas. 

Recentemente ouvindo o som “Muito tempo é pouco" da Indy Naise eu escrevi: “Em tempos de auto ódio por culpa do colonialismo, claro. Cantar sobre amor e afeto preto é um ato mais que político. É um resgate de nossa autoestima em meio ao caos dessa diáspora que nos odeia e faz com que nós nos odiemos” 

Isso que eu escrevi vai muito de encontro com esse som e com o enredo do álbum. 

Pois se você ouviu o álbum e se atentou na faixa “Não mete o loco", o Amiri já entrega o enredo do álbum. Se liga. 

No fim da música ele diz: “É sobre autoamor, é sobre autoconfiança, é sobre autoestima” 
Odara é o que sinto é lindo, me sinto tão ninguém sem você
Esse amor sara mais um pouco, não quero nenhum outro eu só penso em você
Eu só penso em você, penso em você
Eu só penso em você, penso em você 
Na cultura Hindu Odara significa paz e tranquilidade, no candomblé, Odara é um tipo de EXU, que significa infinito, que não tem começo nem fim. Existe diversos tipos de Exu, Odara é um exu bom, um exu guia, que mostra o caminho para as pessoas, que vai na frente. 

Em todas as faixas o Amiri trata de todos estes temas: se amar, ser confiante e saber que você é bonito, capaz, bom no que você se propõe a fazer. Eu não vejo como arrogância, mas como um fortalecimento, pois, pelo menos você tem que acreditar em você e se amar, para poder estar bem para enfrentar os vermes racistas, o sistema e praticar amor entre os nossos. 

Espero que tenham gostado e ouçam O.N.F.K- Odo Nniew Fie Kwan (O amor nunca perde seu caminho de casa) nas principais plataformas digitais

Ouça no Youtube:



Da esquerda pra direita: Naaya Lelis, Warley Noua, Bruna Black e Timm Arif

Noite Magia Negra

Na noite do dia 5 de dezembro, o selo "Wimbi- Uma Onda Sobre a Outra" realizará o showcase "Magia Negra” no espaço Aparelha Luzia, integrando a programação oficial da Semana Internacional da Música de São Paulo. E para celebrar a potência da música independente e alternativa contemporânea, o evento contará com os shows dxs artistas Timm Arif, Naaya Lelis, Warley Noua e Bruna Black ,que trazem em seu repertório autoral ritmos como o RAP, MPB e SOUL, além de influências de ritmos regionais como o coco de roda. 

Serviço da Noite:
Nome da noite: Magia Negra
Data: 05/12/2019
Horário: 19:00
Local: Aparelha Luzia
Endereço: Rua Apa, 78 – Campos Elísios, São Paulo- SP
Ingresso: Colaborativo
Capacidade: 300
Censura: Livre
Programação:
- Bruna Black (SP)
-Warley Noua (SP)
-Naaya Lelis (SP)
-Timm Arif (SP)

Este evento é promovido pelo selo “Wimbi – Uma onda sobre a outra”e faz parte da programação noturna oficial da Semana Internacional de Música de São Paulo. Credenciados da SIM SÃO PAULO têm acesso liberado apresentando a pulseira da SIM na porta e respeitando a lotação de cada espaço. Saiba mais sobre a SIM São Paulo em www.simsaopaulo.com

Evento no Facebook | SIM 2019 - Noite Magia Negra

Zumb.boys apresenta o espetáculo Mané Boneco em diversos espaços e convida o público para um momento de encontro com a beleza e a simplicidade do brincar através da dança.

Grupo Zumb.boys leva espetáculo de danças urbanas para Escola Estadual no Jaguaré!

No dia 04 de Dezembro de 2019 (quarta-feira), às 16h00, com entrada gratuita, o Grupo Zumb.boys realiza uma apresentação especial de “Mané Boneco” na Escola Estadual Henrique Dumont, que fica no Jaguaré, São Paulo.

Mais recente trabalho de intervenção artística do Grupo Zumb.boys, Mané Boneco é um projeto que dialoga com a beleza e a simplicidade do brincar, tendo como inspiração “Mané gostoso”, boneco brasileiro encontrado em feiras nordestinas, que fez e faz parte da infância de muitas pessoas. 

Uma das propostas de Mané Boneco é que seja gostoso de assistir, da mesma maneira que nos divertimos ao brincar, livres de julgamentos, abertos a viver o encontro. E para que este espaço de encontro se estabeleça, foram criados códigos simples e de fácil reconhecimento, para que as pessoas se sintam à vontade em fazer parte do que está sendo apresentado.

Com este trabalho o grupo criou o termo “Uma dança que faz convites”. A platéia é convidada a um momento de brincadeiras e histórias construídas corporalmente. 

O Grupo Zumb.boys foi criado em 2003 na periferia de São Paulo, com bailarinos que possuem diferentes históricos na dança contemporânea, participando do processo criativo de importantes companhias. 

Em 2016, recebeu o Prêmio Denilto Gomes 2016, da Cooperativa Paulista de Dança, nas categorias Produção em Dança e Melhor Designer de Luz, com o O que se Rouba. Dança por Correio foi eleito Melhor Espetáculo (Não Estreia) pela APCA - Associação Paulista de Críticos de Artes. 

Em 2017, foi novamente indicado ao Prêmio APCA na categoria Melhor Espetáculo, com O que se Rouba e vencedor na categoria Melhor Intervenção Urbana do Prêmio Denilto Gomes 2017, pelo projeto Mané Boneco.

Contemplado com o projeto Rastro na 26ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança, o grupo dá continuidade à sua pesquisa, explorando novas possibilidades de criação e produção em dança. 

Conheça o trabalho deste grupo que segue buscando caminhos para visibilidade/protagonismo periférico e das culturas marginais. Mais informações em: www.facebook.com/grupozumbboys e www.instagram.com/zumb.boys


Ficha técnica 


Direção: Márcio Greyk de Lima Ferreira |Dançarinos: Danilo Rodrigo Ferreira Nonato, David Castro Serra, Ednelson da Silva Guedes, Eriki Hideki, Igor Wilson de Souza, Márcio Greyk de Lima Ferreira |Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini |Produção: Júnior Cecon | Assistente de Produção: Márcia Ferreira


Mané Boneco


Inspirado no boneco brasileiro “Mané gostoso”, feito de madeira com pernas e braços articulados, movimentados por cordões, ao ser tracionados por duas madeiras que os sustentam. Uma intervenção que se estabelece através de um corpo virtuoso, brincalhão e articulado, que a todo momento deseja dialogar com as pessoas valorizando cada instante vivido, compartilhando momentos, brincadeiras e histórias construídas corporalmente. 

Duração – 40 minutos - Entrada Grátis - Classificação Livre 

Quando: 04 de Dezembro de 2019 (quarta-feira) - Horário: 16h00

Onde: Escola Estadual Henrique Dumont

Endereço: Av. Pres. Altíno, 1131 - Jaguaré, São Paulo - SP, 05323-002

Informações: Contato – Professora Patrícia - (11) 3714 3328

Conteúdo produzido por Luciana Gandelini
Foto: Arô Ribeiro

Espetáculo Relampião revisita histórias de Lampião – O Mito do Cangaço aproximando-as de questões cotidianas de nosso tempo e revelando muitos traços da cultura e da própria história do Brasil

Relampião revela múltiplos Lampiões e Marias Bonitas que cruzamos diariamente

De 04 e 07 de dezembro de 2019 (quarta-feira a sábado), às 15h00, a Cia do Miolo e a Cia Paulicea realizam uma temporada com apresentações gratuitas do espetáculo Relampião no Largo Treze de Maio, em Santo Amaro. E no domingo, dia 08 de dezembro, às 15h00, a apresentação acontece no Parque do Carmo, na Zona Leste de São Paulo.

As apresentações fazem parte do Projeto Relampião contemplado na 9ª edição do Prêmio Zé Renato de Apoio à Produção e Desenvolvimento da Atividade Teatral para a Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. 

Ao todo serão realizadas vinte apresentações gratuitas em praças e parques de São Paulo que tem em comum a grande circulação de pessoas. Relampião visitará espaços como Largo da Batata (Pinheiros), Elevado Presidente João Goulart - o Minhocão, Parque da Juventude (Zona Norte), Praça Miguel Del’erba (Lapa), Praça do Patriarca (Centro), Parque da Aclimação (Centro), Largo Treze de Maio (Santo Amaro) e Parque do Carmo (Zona Leste).

Na peça, Cia do Miolo e Cia Paulicea se juntam para revisitar histórias de Lampião – O Mito do Cangaço, aproximando-as de questões cotidianas de nosso tempo e revelando muitos traços da cultura e da própria história do Brasil. Uma obra que transpõe o mito sertanejo para as pelejas urbanas, relacionando o cangaço à luta contra injustiça social.

O que há em comum entre a luta do cangaço e as lutas pela vida na contemporaneidade? A montagem faz uso de uma cantiga de concreto para revelar os múltiplos Lampiões e Marias Bonitas que cruzamos diariamente em nossas cidades. Gente comum que insiste em lutar para sobreviver em meio a tantas desigualdades. 

A dramaturgia de Solange Dias converte o bando mitológico em trabalhadores informais que configuram uma comunidade no espaço público. É ali que os direitos básicos serão reivindicados (saúde, educação, moradia, trabalho ...). 
A criação do espetáculo partiu de uma pesquisa voltada para a Cultura Popular Brasileira: o Cavalo-Marinho, o Samba, as Carrancas de São Francisco, os tipos populares do Brasil. Uma estética que remete ao imaginário de Lampião, ou Virgulino Ferreira da Silva. “Acreditamos que assim se estabelece uma oportunidade singular para que nossa cultura seja apresentada, discutida e experimentada” diz o diretor do espetáculo Alexandre Kavanji.

Relampião tem como foco ocupar o espaço público artisticamente, ressignificando seus espaços de fluxo cotidiano. Um encontro significativo com um público que cotidianamente atravessa as ruas; com aqueles que se viram como podem para sobreviver em meio a maior cidade da América Latina.

FICHA TÉCNICA: Direção: Alexandre Kavanji |Direção de Atores: Renata Lemes |Dramaturgia: Solange Dias |Direção Musical: Charles Raszl |Figurino, Adereços e Ambientação: Luiz Augusto dos Santos |Preparação Corporal: Alício Amaral, Juliana Pardo - Cia Mundu Rodá | Maquiagem: Guto Togniazzolo |Sonorização e Técnico de Áudio: Gabriel Kavanji |Atores: Aysha Nascimento, Francisco Gaspar, Dudu Oliveira, Edi Cardoso, Flávio Rodrigues, Harley Nóbrega, Val Ribeiro, Marcos di Ferreira |Músicos: Fabrício Cardial, Glauber Coimbra|Composições: Charles Raszl, Antonia Mattos, Daniel Rodrigues e Harley Nóbrega |Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini |Assistente de Produção: Rafael Procópio |Direção de Produção: Iarlei Rangel

Relampião

Relampião traz a história de personagens que trabalham como ambulantes em uma praça, cada um carregando seu sonho e seu modo de resistir; cada um driblando sua maré, para não se entregar à deriva do “azar”. É com essas histórias, entre músicas, narrativas e poemas que Virgulino, um artesão de carrancas, espera somar forças para avançar em seu dia a dia, para manter a cabeça presa ao pescoço e para com outros tornar-se um bando, capaz de enfrentar os macacos covardes que desprezam a importância dessa gente.

Teaser:




Duração: 50 Minutos | Grátis | Livre

Quando: 04, 05, 06 e 07 de dezembro de 2019 (Quarta-feira à sábado) - Horário: 15h00

Onde: Largo Treze de Maio – Santo Amaro 

Quando: 08 de dezembro de 2019 (domingo) - Horário: 15h00

Onde: Parque do Carmo - Zona Leste - São Paulo


São Paulo recebe primeiro espetáculo de dança afro-contemporânea Déjá Vu Afrofuturista

Com pré-estreia agendada para o 1 de dezembro na Casa de Cultura de Parelheiros, o espetáculo terá mais dois dias de apresentação – 13 e 14 de dezembro - na Galeria Olido, Centro de São Paulo

Qual a ligação das vivências atuais com as experiências em África? Você pode não saber, mas seu corpo se lembra. Essa é a proposta do primeiro espetáculo de dança afro-contemporânea apresentado em São Paulo.

O Déjà Vu Afrofuturista 1º Ato - Ancestralidade High Tech mostra ao público o nascimento da humanidade e como a construção social do imaginário ocidental sobre o ser negro travou uma guerra pela autoafirmação e pelo cuidado com o próprio Ori (que significa cabeça no idioma Yoruba).

Criado pela bailarina, coreógrafa, jornalista e astróloga, Leandra Silva, o espetáculo é concebido a partir dos ensinamentos da filosofia africana, em que passado, presente e futuro não estão divididos por uma linha temporal, acontecendo ao mesmo tempo. E a partir daí, as lembranças do corpo sobre as vivências ancestrais se tornam ainda mais latentes na relação com a saúde, com a espiritualidade, no convívio entre os bailarinos e em cada passo da dança.

Outra representação marcante dessa linha tênue entre passado e futuro é a interação que coloca os tambores em consonância com as pick-ups do DJ, mostrando que sons tradicionais e contemporâneos estão interligados pela mesma origem e também se relacionam de maneira harmônica.

Se Sun Rá, músico e precursor do Afrofuturismo, já dizia que pretos não são desse planeta, o Déjà Vu reafirma a máxima, apresentando os conceitos que transcendem o lugar comum que conhecemos como a vida na terra e mostram que outras realidades e jeitos de pensar o mundo existem e não dependem do pensamento científico eurocêntrico, mas da força vital que só quem passou por uma grande ruptura, como os negros da diáspora, podem exemplificar através de tecnologias ancestrais fundamentais para a sobrevivência, como a dança.

O corpo de baile é composto por bailarinos formados no curso de imersão em dança afro-contemporânea idealizado e ministrado pela coreógrafa Leandra Silva através de sua companhia de arte negra, a Verve.

Os responsáveis pela direção musical e trilha ao vivo são o DJ KL Jay (Racionais Mc’s) e os percussionistas Edvan Mota, Guilherme Ribeiro e o músico Matheus Marinho.

A pré-estreia acontece no dia 1 de dezembro, na Casa de Cultura de Parelheiros e em 13 e 14 de dezembro, na Sala Paissandu, na Galeria Olido, no Centro de São Paulo. O evento é gratuito e aberto ao público. Os ingressos começam a ser distribuídos com uma hora de antecedência.

Conteúdo produzido por Isadora Santos