quarta-feira, 1 de maio de 2019

Ex-arbitro Mario Chagas diz que o rap ajudou em sua negritude durante seu relato sobre racismo ao site UOL



O Ex-arbitro gaúcho Mario Chagas, atualmente comentarias da RBS TV(afiliada da globo), fez um enorme relato bem realista, sem passar pano sobre diversos casos de racismo que sofreu em quanto árbitro e agora como comentarista. 
Lembrando que em 2014 o árbitro Maria Chagas e o jogador Tinga foram recebido pela presidenta Dilma Rousseff por conta de situações de racismo em partidas de futebol.

Mario Chagas fala de situações de campo, na rua, na TV, na internet, fala que o rap ajudou em sua formação racial e etc. É um relato enorme deixo alguns trechos abaixo.

Mario Chagas começa seu relato com seu filho perguntando o porque tantos negros vivem na rua e passam fome.


Um dia meu filho de cinco anos me perguntou por que os pretos dormem na rua e são pobres. Expliquei que é um resquício da escravatura, que estamos tentando mudar isso, mas que é difícil. Não sei se ele entendeu. Às vezes nem eu entendo. Sendo negro em um estado racista como o Rio Grande do Sul, eu me acostumei a ser o único da minha cor nos lugares que frequento.

Mario continua seu relato dizendo que atualmente os ataques estão mais ferozes e que a galera saiu do armário.


"A galera saiu do armário total, não tem vergonha nenhuma. As manifestações racistas estão vindo cada vez mais ferozes e explícitas. O fato de eu estar na TV agride muito mais as pessoas do que quando eu apitava. O racista não aceita que você ocupe um espaço que você não deveria ocupar. Dá vontade de sair na mão com esses caras, mas sei que se eu fizer isso vou perder a razão...."
"Todo fim de semana escuto gente me chamando de preto filho da puta, macaco, favelado. "Matar negro não é crime, é adubar a terra", eles dizem. Estou de saco cheio dessa história.... "


É um relato de muita dor, cara num momento Mario diz que isto vai prejudicar seu trabalho, mas ele precisa falar e ainda diz que sua formação racial vem por conta do rap.


"Eu posso até me prejudicar no trabalho, mas resolvi comprar a briga porque nos fóruns que reúnem negros, costumamos dizer que os racistas podem nos fazer duas coisas: ou eles nos matam ou eles nos adoecem. Eu me recuso a morrer ou adoecer. Prefiro lutar. Quando esses ataques acontecem, minha mulher, que é negra, me dá a força que ela consegue. Ela sabe muito bem o que é isso. Meus filhos ainda não sabem. Eu fortaleci a consciência da minha negritude principalmente pelo rap, ouvindo aquela música, analisando aquela letra e me identificando com aquela situação retratada. Os racistas não sabem, mas eles só fortaleceram minha consciência racial. Eu falo pro meu menino que ele é lindo... "

Leia o relato completo no site UOL .

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