domingo, 25 de agosto de 2019

Entrevista | DJ Sophia conversa com NP sobre: filme, boiler room, vivências e muito mais


Sophia Lima vulgo DJ Sophia tem apenas 18 anos, mas já acumula muitos corres em seu currículo. 

Moradora da zona sul de SP, Sophia é DJ de sua xará MC Soffia. Cria das oficinais de Hip Hop de São Paulo, Sophia tem como mentores DJ Vivian Marques, Ninja, Tati Laser e Erick Jay, no qual teve a responsabilidade de substituir o Erick no Manos e Minas durante sua ida para competir no DMC. Recentemente a DJ tocou nada mais que um dos maiores eventos de DJ do mundo, o Boiler Room e nos contou como foi a experiência de tocar nesse evento. Sophia além de DJ, é poetisa e está produzindo e dirigindo um filme sobre mulheres no Hip Hop.

Confira tudo isso falado acima e muito mais! Bora pra entrevista!

Apresentação no Manos e Minas


Pra começar bem daora, se apresente. Quem é a Sophia Lima? 

DJ Sophia: Sophia Lima é uma garota de sonhos grandes e com os pés no chão, mantém sempre a fé em Deus. Desde sempre foi dedicada em tudo que fosse fazer, ainda que muitas vezes erre e vem o desânimo sua fé ainda que fosse testada com coisas da sociedade hipócrita, ela se mantém no objetivo do propósito. Que sempre foi levar coisas boas para os corações das pessoas, ainda que elas ainda não enxerguem. 

Como e quando você teve seu primeiro contato com o Hip Hop? 

DJ Sophia: Digo que foi no show da Flora Matos, Ellen Oléria, Emicida em 2013. Dentro de casa eu tinha meu irmão que sempre escutava rap, porem eu só dei a real atenção quando por ventura estava pelo Ibirapuera e entendi o que me motivava de verdade. Ai, eu fui escutar as referências do meu irmão e era só coisa boa. 

Depois desse primeiro contato com o Hip Hop, demorou muito para você se interessar em ser DJ? Como foi isso? Seus pais te apoiaram nesta sua decisão? 

DJ Sophia: Logo que eu conheci o Hip Hop eu queria estar em todos os shows e po eu tinha passe livre então eu viajava por SP de extremo a extremo. Eu trombei o KL Jay na minha rua e comecei a acompanhar muito os shows dele, mas nada que eu pensasse e me tornar DJ. Depois que por engano eu fui em uma reunião de Hip Hop e eu vi a real importância de fazer a arte eu quis fazer parte. Porém, quando eu procurei o curso custava mais de 1000 reais e nunca que meus pais teriam para investir nisso. Então continuei acompanhando os shows e buscando sempre mais referências até que eu vi as oficinas gratuitas do Futuro do Hip Hop. Durou 2 meses e pronto acabou o sonho de ser DJ. Equipamentos são caros e cursos também. Foi quando eu fui assistir um show da Vivian Marques ela me indicou pra tocar nos Jovens Talentos do SESC e continuei com incentivo dela com treinos e etc… Até que em 2015 eu participei do Mês do Hip Hop e meus pais foram e puderam ver que aquilo não era um hobby e sim um trabalho que eu amava fazer. Continuei trabalhando de RH até terminar de comprar os meus equipamentos e foi assim que meus pais me apoiaram. 

DJ Sophia trocando ideia com a Roberta Estrela D'alva

Em sua participação no Manos e Minas ano passado, você disse que a DJ Vivian Marques, Tati Laser e o Erick Jay foram seus professores, certo? Como é ter grandes Djs da cena paulistana como seus mentores? Ter eles como mentores, lhe traz uma responsabilidade maior? 

DJ Sophia: DJ Vivian Marques, Tati Lazer, Erick Jay e o Ninja foram meus mestres. Uma baita de uma responsabilidade, eles são feras e poder contar com incentivos deles é muito gratificante. Eu estava treinando com o Erick quando ele ganhou o DMC. Quando eu comecei a treinar com a Vivian e já fazendo eventos eu nem me considerava DJ, eu sabia que ser DJ é muito sério. Eu assistia os DMC e via que eu ainda não fazia nadaaaa. Porém, quando eu percebi que ser DJ é mixar e trazer emoção, alegria e informação nos dias das pessoas eu vi que já estava constando no elemento DJ do Hip Hop. 

Mas sua primeira aparição no Manos e Minas foi em 2017, não como DJ, mas como Poeta. O Hip Hop te levou para saraus e competições de Slam? Como a poesia entrou em sua vida? 

DJ Sophia: Po, na mesma época que comecei acompanhar o Hip Hop e ainda não era DJ eu fui em um show do Atitude Feminina que me levou conhecer o Inquérito. Ele fez um sarau Parada poética. Ali eu conheci a poesia falada. Ali eu vi que eu podia escrever e botar pra fora tudo que estava no peito. Lá estavam grandes nomes da poesia: Mel Duarte, Jeff, Emerson Alcalde (Os Poetas ambulantes) entre outros... fico muito feliz de eles também terem sido minhas referências. Eu vivia em saraus, até que surgiram os slams e eu pude me explorar nesses espaços também. 

Descobri seu trabalho através de uma amiga que falou de um filme sobre mulheres no Hip Hop que estava precisando de atrizes e tal... que é o filme ‘4 por 4 – O Hip Hop por nós'. Filme no qual você é diretora e produtora. Como é o enredo do filme? Já tem parcerias? Já está em processo de filmagem? Fique à vontade para falar sobre ele. 

DJ Sophia: O 4 por 4 é a PEC para concluir do meu curso de audiovisual no Instituto Criar. Eu sempre quis ver nas telas uma ref. de uma DJ. Porém, não tem, ainda que tenhamos o Antônia ele não contava a história dos outros elementos do Hip Hop. Então pela oportunidade de criar algo eu senti a necessidade e inspiração que surgisse o 4 Por 4. Ele conta a história de 4 jovens que vivem em extremos e se encantam por um elemento do Hip Hop e se conhecem na festa black que acontece no centro de SP. 

É muito difícil fazer um filme de qualidade máxima no Brasil, porém eu sei que como primeira vez foi lindo! Não tínhamos dinheiro só uma ajuda de custo para alimentação e transporte, então foi com força de vontade que fizemos acontecer. Eu sei que meu projeto é bom e eu precisava de ajuda então eu entrei em contato com grandes marcas que apoiaram. Pô, eu nem acredito que eles acreditaram no nosso sonho de por isso nas telas. As marcas foram a Converse, Pantys, Natu Hair, Vandalism81, Rap Burguer, Laboratório Fantasma. Foi lindo saber que eu não estava sozinha nisso, ainda que eu aprendi muito com minha equipe, não é fácil produzir um filme em 1 mês. Então com pouca grana e tempo foram grandes desafios. O filme estava para ser lançado agora em agosto, porém por atrasos vamos lançar em breve. 

Atrizes do filme '4 por 4 -  O Hip Hop por nós'

Poeta, DJ e Cineasta com apenas 18 anos. Vou samplear um trecho da música ‘Acordar (Aviões de Papel)’ do meu parça Yannick. 

E aí, seja bem sincera, olhe pra você hoje, você é aquilo que você imaginou quando criança? 

DJ Sophia: kkkkk, não! Eu já sonhei em ser professora, ser jornalista ou trabalhar com rádio e Tv., mas, pode ter certeza que se eu contasse pra aquela criança que ela seria DJ com certeza ela ia se apaixonar de cara e faria a mesma caminhada. 

Recentemente você tocou no Boiler Room, um dos maiores eventos de DJs do mundo. Como foi o primeiro contato com eles e como foi a experiência de tocar num evento de proporção mundial? 

DJ Sophia: Eles me procuraram através da produtora que ficou na responsabilidade de fazer as coisas andarem. Po, eu nem acrediteeeei! Confesso que não estava preparada com esse convite, mas foi incrível realizar esse sonho. Sonho esse que não era só meu…é aquela responsabilidade que você me perguntou dos meus mestres. Tocar nesse evento foi uma turbulência de emoções saca? Nervosa e ansiosa, eu queria ter feito muito mais k, mas sim foi lindo. Ao conversar com o produtor da boiler, eu vi que primeiro eu preciso falar inglês urgente, mas a única coisa que eu entendi foi que "You are future" Po ele disse que eu sou o futuro e que aquilo era só o primeiro passo, ele até interpretou um dos meus vídeos de performance. Fiquei muito emocionada e motivada pra me jogar nesse mundo. 

Performance no Boiler Room

Majoritariamente os DJ’s tocam músicas de seu gosto pessoal, certo? Mas quero saber, como você decidiu quais músicas tocar no seu set neste evento de proporção internacional. Você montou um set pensando em quem vai estar no role ou nas lives? Ou confiou no seu felling e foda-se! Eu tenho bom gosto pra caralho!? (rsrs) 

DJ Sophia: Boaaa perguntaa!! O evento constava muitos jovens. Eu amo R&B e rap nacional e também estou ouvindo muito ragga… eu estudei as paradas novas e busquei trazer um pouco também o que a galera está escutando o famoso TRAP, mas eu trouxe mais mulheres do rap fazendo o TRAP eu sabia que nas lives do BOILER já tocaram muitas músicas de rap então eu queria trazer algo novo com cara de Brasil (SP) atual. Eu disse ser a nova geração trouxe muita coisa nova até chegar nas minhas referências e meus reais gostos musicais. 

Teu set no Boiler Room foi bem diversificado. Tem Kendrick Lamar, Drik Barbosa, RZO, Tassia Reis, Don L, Dina Dee e valorizando as minas e tal. Transitou entre o Trap, Funk, Ragga e clássicos como a abertura de ‘Um maluco no pedaço’, ‘Dilema’ do Nelly com Kelly Rowland e ‘Back To Life’ do grupo inglês de Soul e R&B Soul II Soul. Não estou te subestimando, longe disto. Mas você sendo tão nova, trouxe um set com uma bagagem musical enorme. 
A pergunta é: Quanto tempo você se dedica para ouvir música e quanto tempo você se dedicou estudando para chegar neste set? 

DJ Sophia: Escutar música é como abrir os olhos e sempre ver coisas novas. Eu sempre quero saber o que tá nos ouvidos das pessoas. Ainda que meu feeling se difere eu busco ouvir um pouco de tudo. Eu já fui da época de tocar só os boombap mais OldSchool, mas eu vi que os tempos mudaram e as pistas também (na verdade, vai muito de cada identidade de eventos né…, porém muitos dos eventos que tenho feito tem sido nessa pegada. Foram duas semanas de dedicação pro boiler, eu ainda estava na pilha do meu filme… então eu tive pouco tempo pra treinar mais performances o que eu queria ter trago. Eu fiquei com medo de trazer muitos estilos e perder o meu feeling, mas eu entendi que eu estava mostrando pro mundo nossa bagagem. Eu vi que no fb está com 364 mil visualizações, gente pra caraca!!! 

Recentemente em seu canal no Youtube, você publicou um vídeo com o título de 'Como o audiovisual mudou minha vida’. Pra quem não viu, diz aí, como o áudio visual mudou sua vida e fale sobre o documentário sobre sua vó. 

DJ Sophia: O gosto pelo audiovisual veio por querer contar a história da minha vó e da Dina Di, no caso da Dina ainda é uns tempos pra pôr em prática né…, mas minha vó ela é forte e enfrentou coisas que me deixaram forte também. Eu precisava que aquilo fosse registrado então eu busquei aprender e ó se aprendi. Fiz minha família se emocionar. 

Além de tudo que falamos nesta entrevista, você é a DJ oficial da MC Soffia. Vocês são grandes e promissoras artistas da cena Hip Hop e sendo mulheres jovens isso tem um certo peso (acho). 
Não falo peso em ser mulher, mas ser mulher negra nesta sociedade machista e racista num meio como o rap e o hip hop que é dominado por homens não deve ser fácil. 
Você tem noção que é inspiração para outras pessoas, mas principalmente para outras meninas? Isso influência em suas atitudes no dia a dia de sua carreira? 

DJ Sophia: Com certeza, eu preciso ser uma boa referência, trazer a real essência e que as meninas não desistam dos seus sonhos. O Erick sempre me disse que eu tenho o poder de impulsionar mais meninas. Po, com 14 anos eu era a DJ mais jovem, agora estou com 18 e ainda sou a mais nova. Isso me abala, quero ver mais meninas jovens gostando disso e fazendo por amor. Estou projetando umas paradas novas pra trazer pra cena e melhorar as redes pra que cheguem em mais pessoas e mais meninas. 

MC Soffia e DJ Sophia

Pegando um gancho na pergunta de cima... 

Qual a maior dificuldade para as mulheres dentro do Hip Hop? 

DJ Sophia: Ser mulher! Os caras ainda nos tiram muito!!! Ano passado eu toquei no Hip Hop Celebration na hora que eu estava pronta pra tocar chegou um MC HOMEM e eles queriam pôr na minha frente e eu tinha acabado de chegar de um show de Brasília e já tinha outro evento na sequência. Po, na hora que ele disse corta ela, eu soltei o som e foi poucas! Essa só foi uma situação, mas também tem a desvalorização de cache que é enorme. Esses dias um produtor/DJ me chamou pra tirar onda numa loja de uma marca grande na Oscar freire. Ele está ganhando pra tocar ali e me chamou pra tirar onda? Me disse que queria me fortalecer e não estava vendo as mulheres na cena. Po, de brincadeira né? Eles fecham os olhos pra ver, porque eu to vendo muitas manas fazendo acontecer e o que tá acontecendo que não estamos pra tirar onda e sim pagar nossas contas. Tirar onda a gente faz role na quebrada pros nossos. Enfim, isso não é sobre feminismo nem quero citar, porque eu também cansei disso. Porém, os caras precisam nos ouvir e enxergar como pessoa além de ser apenas Mulher. Eu sei que tem muito cara firmeza e que correu muito comigo e real somou na minha trajetória, só não queremos que sejamos a única mina na line “porque tem que ter mina”, e sim porque somos boas no que fazemos no Hip Hop. 

Como você imagina sua carreira daqui 10 anos? DMC é uma meta? 

DJ Sophia: RedBull Tr3stlye e DMC são metas!! Mas, eu quero meter uns shows na gringa e fazer grandes roles pelo Brasil, quero viajar levando o que eu mais gosto de fazer que é tocar. 

Pra terminar (acho que perguntei demais..rsrs) 

Quais dicas você daria para quem quer começar a ser DJ? 

DJ Sophia: A primeira: não desiste, porque não vai ser fácil. Já foi mais fácil pra mim do que para as minhas professoras. Então mostre as caras nos roles, faça todas oficinas gratuitas de DJ e com tudo isso você vai conhecer pessoas que vão te chamar e com esse dinheiro você vai investir no seu trabalho. Que no caso é começar a comprar o kit básico de DJ: Fone, agulhas, Time Códe e notebook e só tende a voar!!! 

Muito Obrigado de verdade por ter aceito! Fique a vontade pra deixar seu salve, mensagem e contato pra quem quiser contratar a DJ Sophia. 

DJ Sophia: Grandes perguntas que me fizeram viajar e relembrar e até me emocionar pensando. Po, obrigada eu!!!! Chama a DJ Sophia pra seu role!! contatodjsophia@gmail.com ou me segue no instagram @djsophia_

Divulgação

Redes Sociais da DJ Sophia


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