sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Músicas do Racionais inspiram a economista Gabriela a ensinar finanças pra periferia

A economista Gabriela Mendes Chaves, de 24 anos, da escola NoFront Empoderamento financeiro (Foto: Acervo Pessoal)

Ice Blue, Kl Jay, Mano Brown e Edi Rock são os pretos mais influentes nas quebradas do Brasil e digo isso sem hesitar. O Racionais ajudou na autoestima de milhões de negros, ajudou na crise de identidade, ajudou a se desviar do crime, o Racionais salvou vidas. 
Não vou ficar aqui tentando encontrar adjetivos para enaltecer o que o Racionais significa pra mim e pra outros pretos no Brasil. 

Vamos ao que interessa, depois do álbum "Sobrevivendo no Inferno" se tornar leitura obrigatória para o vestibular da PUC, o grupo serve de inspiração para economista ensinar saúde financeira para pessoas de periferia. 

Mais de 30 pessoas se reuniram para falar sobre dinheiro e consumo. O que o grupo tinha em comum? A maioria tinha a conta no vermelho, o desejo de realizar sonhos e a experiência de vida que está nas rimas do Racionais Mc’s. Quem é de quebrada e entende as letras do Racionais sabe que eles não falam de ostentação, mas de viver bem. 

"Não é questão de luxo, não é questão de cor/ É questão que a fartura alegra o sofredor", da música Vida Loka parte II, deixa isso bem claro, tanto que faz parte do material didático dos cursos de economia da NoFront Empoderamento Financeiro. 

Na música "Homem na Estrada” gravada no começo dos anos 90, Brown já cantava em ficar "rico" para sair da pobreza. Mas o ficar rico que deixar claro na música é só de poder levar seu filho para uma área onde ele e o filho vivam bem. 

Sim, ganhar dinheiro, ficar rico enfim 
Quero que meu filho nem se lembre daqui 
Tenha uma vida segura, não quero que ele cresça 
Com um "oitão" na cintura e uma "PT" na cabeça 


Em 2018, quando começou a trabalhar no mercado financeiro, a economista e desde sempre fã de rap Gabriela Mendes Chaves, de 24 anos, passou a interpretar as letras de Mano Brown de uma maneira diferente. "Percebi o quanto os Racionais falavam de economia sob um viés não acadêmico, mas que tocava as pessoas. Eles falam sobre escassez, mas também de projetos de vida, de prosperidade", lembra.. 

E foi assim que nasceu a NoFront, uma escola de educação financeira que tem mais de 90% do público formado por pessoas negras, 65% são mulheres e 60% têm ensino superior completo. "Temos muitos alunos que vieram de uma origem pobre, mas que embarcaram na alta de políticas públicas educacionais e conseguiram se graduar com bolsa", diz.... 

Os cursos falam de saúde financeira com viés na vivencia do povo preto periférico... 

A primeira turma da NoFront, em 2018, que também tem como sócio o cientista da computação Rodrigo Dias, de 42 anos, aconteceu no Terça-Afro, projeto desenvolvido no Parque Peruche, na Zona Norte de São Paulo. A aula atraiu a atenção de jovens e idosos e trouxe a certeza de que o método que criaram fazia sentido. "A discussão sobre genocídio e envelhecimento teve como base a letra da música 'Negro Drama'. Na aula, um jovem de 16 anos revelou: 'não sei nem se estarei vivo, por que vou planejar minha aposentadoria?"', lembra Rodrigo. 


Retirei esses trechos, mas recomendo muito que você CLIQUE AQUI e entre no Blog Mulherias e leia a matéria completa que vale muito apena.

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