quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Violento. e Hakili abrem o mês da Consciência Negra em Belo Horizonte

FOTO: PABLO BERNARDO

Projetos independentes de teatro e música se encontram pela primeira vez no Galpão Cine Horto nos dias 02 e 03 de novembro violento., projeto teatral que tem circulado pelos principais festivais nacionais de teatro, se encontra com Hakili, projeto musical do rapper Douglas Din, propondo um novo olhar sobre o corpo negro na sociedade contemporânea, suas contradições e sua poesia. Esta reunião se dará nos dias 02 e 03 de novembro, sábado e domingo, às 19 horas, no Galpão Cine Horto - Rua Pitangui, 3613, Horto.

"Esta união é um primeiro experimento. Os trabalhos que individualmente já têm uma potência poética e reflexiva serão colocados lado a lado. Assim o público poderá experienciar as contradições, particularidades e desequilíbrios que estes corpos propõem. O show musical e o espetáculo teatral, que historicamente são obras irmãs, celebram o início do mês da Consciência Negra no espaço que violento. teve sua estreia." comenta Alexandre de Sena, diretor dos dois trabalhos.

Em violento., na calçada ou no saguão do teatro, a presença do atuante já instiga a encarar a banalidade do racismo praticado ostensivamente no espaço público. Negro, moletom com capuz, ele puxa por um fio o carrinho de brinquedo que mimetiza uma viatura policial. Mas a realidade é mais bruta. Para quem vive nas cidades médias ou metrópoles brasileiras, a ficha não demora a cair: a cor da pele orienta as batidas policiais sobre o jovem negro.

Suscitações assim, desde a largada, vão encadear o silêncio, a gestualidade e o olhar contundente de Preto Amparo sobre esse estado de coisas.

O roteiro conjuga elementos da ancestralidade, como o canto e a dança, e da natureza, como terra, água e fogo. Entre as reflexões, está a desse corpo masculino protagonista no lugar que também é seu por direito: o espaço cênico. Ainda no tocante ao dicionário, o adjetivo do título, violento, designa, entre outras definições, aquele “que perde facilmente o controle sobre si mesmo; irascível, colérico” ou “que contraria o direito e a justiça”.

Aliás, não deve ser por acaso que a língua portuguesa define o verbo alvejar tanto para a cor branca como para aquele que tem como alvo uma caça. A linguagem pode ser violenta, sabemos, e os criadores vão a contrapelo com rigor poético antirracista.

Hakili é um composto de experiências intensas jogadas sobre acordes uma semi-acústica. A complexidade sonora está na digestão dos textos que remontam cenas gravadas na memória do indivíduo, porém abarcam experiências coletivas. O gênero é blues, mas a melancolia é técnica e não-dominante. A referência rítmica é malê/estadunidense, mas a mão da construção é brasileira tanto quanto as histórias c(o)antadas.

Para discutir sobre saudade, perda, perdão, passado, presente e futuro; Douglas Din convida músicos a dividirem experiências, não só com a música, mas de vida. Douglas Din assina as composições e assume vocal e guitarra. Hadassa Amaral na bateria, percussões e vocais é o elemento mais energético, pulsante; fazendo das canções um tanto mais vivas. E na terceira ponta desse triângulo mineiro, Emílio Dragão com seu violão e voz reforça os harmônicos com modulações para equilibrar a relação entre harmonia e ritmo. Se junta ao grupo o músico, compositor e multi-instrumentista Johnny Herno.

O trabalho ainda conta com o olhar cênico do diretor e ator Alexandre de Sena, com o trabalho da produtora, atriz e dançarina Suellen Sampaio e os registros visuais e audiovisuais dos irmãos, Pâmela e Pablo Bernardo, que também colaboram com outros projetos ‘pretos’ da cena cultural belorizontina. Por consequência preenchem a lacuna deixada pelo título, Hakili, que em Bambara (língua materna do grupo étnico bambara) significa ‘memória’.

"Aos poucos estamos rompendo a fronteira da invisibilidade imposta. Com trabalhos independentes, sem patrocínio, sem muita atenção da mídia convencional, criamos e circulamos nossas obras. Novembro se apresentou como uma ótima oportunidade para realizarmos este experimento, porém ressaltamos que existimos e resistimos e re-existimos durante todo o ano." diz Preto Amparo.

:: Ficha Técnica Hakili

Composições, guitarra e vocal: Douglas Din

Bateria e vozes: Hadassa Amaral

Percussão: Johnny Herno

Samples, violão, guitarra e vozes: Emílio Dragão

Iluminação: Preto Amparo

Registro de foto e vídeo: Pablo Bernardo e Pâmela Bernardo

Produção: Suellen Sampaio

Orientação cênica: Alexandre de Sena

:: Ficha técnica violento.

Atuação: Preto Amparo

Direção: Alexandre de Sena

Dramaturgia: Alexandre de Sena e Preto Amparo

Produção: Grazi Medrado

Registro em Foto e Vídeo: Pablo Bernardo

Assessoria dramatúrgica: Aline Vila Real

Preparação corporal: Wallison Culu/Cia Fusion De Danças Urbanas

Assessoria trilha sonora: Barulhista

Iluminação: Preto Amparo

Ilustração: Cata Preta


:: Fotos e vídeo


Créditos: Pablo Bernardo

Créditos: Pablo Bernardo

:: Serviço
Hakili + violento. | espetáculo e show

Data: 02 e 03 de novembro de 2019 | sábado e domingo

Horário: 19h


Endereço: rua pitangui, 3613 - horto

Ingressos: R$ 20,00

* na bilheteria: 1h antes do evento


Informações: (31) 99146-7789

Nenhum comentário:

Postar um comentário