segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Coluna do leitor | Consciência histórica do (Rap) angolano


Texto de Carylson Alberto 

Saudações e máximo respeito a todos Hiphoppas. Antes de mais, eu peço desculpas pelo silêncio (artigos de opinião). Estou a trabalhar na produção do meu novo projeto "RAProdutivo" (Canal do Youtube) e por este e vários outros motivos eu fiquei ausente dos artigos de opinião ligados ao estado da cultura HIP HOP. 

A "Consciência Histórica" do (RAP) angolano é um assunto que muito pouco se fala, mas, é sem sombra de dúvidas, um dos assuntos que deve-se abordar com bastante urgência nos programas quer sejam televisivos ou radiofônicos, e como o mundo hoje é mais digital, também podemos usar as plataformas digitais para juntos debatermos mais sobre isto. Acreditem é mesmo muito importante. 

O Rap como muitos já sabem, é música da cultura HIP HOP, e toda cultura tem a sua história, sua essência. Falando de cultura, a título de exemplo: É sabido de que a fonte histórica que alguns povos africanos (depois da escravatura) usaram foi a "ORAL" ligados a feitos deixados pelos nossos ancestrais. Hoje, somos um POVO praticamente mortos, por não termos "consciência histórica". Quase tudo que sabemos sobre a História de África são feitos depois da chegada dos Europeus, porque os Europeus escreveram e mataram a nossa fonte Oral. Resumindo, devemos aprender com os erros do passado. 

Hoje, o Rap tornou-se o estilo de música que os Jovens mais ouvem, quer seja a nível global. Mas, 90% dos jovens que ouvem rap não conhecem quem são os pioneiros do Rap nos seus próprios países. É fundamental os jovens saberem quem são os fundadores da Cultura Hip Hop e onde surgiu, mas é também bastante importante saberem quais foram os pioneiros do Rap no nosso próprio país, porque o HIP HOP é uma cultura Global. Se nos Estados Unidos fala-se muito de Afrika Bambaataa e existe um dia próprio para celebrar o dia do Hip Hop, em Angola podemos também usar os pioneiros como referência em tudo que esteja ligado o Rap Nacional e podemos também ter um dia do Hip Hop em Angola e não só. 

Em Moçambique, já se fez a primeira obra literária sobre “a História e as Estórias do Hip Hop Moçambicano”, livro este da autoria do grande investigador de “Hip Hop” em “Moçambique” conhecido por “Emilio Cossa” ou simplesmente “Magus”, como é sobejamente conhecido. Foi apartir do livro e por intermédio do meu mano Dj Asnepas que eu fiquei a saber de que a partir do dia 14 de dezembro do ano 2019 foi declarado a data oficial do "Hip Hop Moçambicano" pois, pela primeira vez na história os factos mais relevantes do movimento Hip Hop Moçambicano encontram-se definitivamente registrados. 

O que Falta para nós angolanos "tentarmos" seguir este grande passo? Temos muitos feitos, Obras lançadas há mais de 20 anos e quase não se fala hoje. Podemos também fazer abordagens baseados em factos colhidos por via de várias entrevistas e Pesquisas, fazendo menção a inúmeros nomes intervenientes do “Hip Hop Angolano” em todas as vertentes do mesmo e as várias fases atravessadas desde a década de 80 (pelo que eu sei) até os dias de hoje, para que a geração futura, até mesmo eu Carylson Alberto, aprender e beber mais sobre como o HIP HOP surgiu em Angola e colocar um ponto final, dissipando dúvidas como os grupos pioneiros ou sobre as primeiras obras discográficas da música Rap em Angola. Até porque os pioneiros na sua maioria ainda se encontram em Vida. 

Hoje temos vários meios que servem como memória para nós, o YouTube é um deles; sites/blogues; livros, a própria música também pode ser usada como memória, etc... devemos falar/escrever é necessário isto. Estamos a matar a História do Hip Hop Angolano, é necessário registrarmos. Há tempos, eu fui contactado por alguém que hoje eu não lembro o nome, e falou-me do livro que estava a ser escrito sobre a História do Hip Hop Angolano (início até os dias de hoje) e conversamos sobre vários aspectos e lembro-me de que dei a sugestão de fazerem várias Edições (Vol.1,2,3,4, etc...), até hoje nunca mais entrou em contacto comigo e não sei se o projeto do Livro sobre a História do Hip Hop Angolano continua ou se está parado. 

Resumindo, é necessário falarmos com mais destaque, escrevermos sobre os feitos de Mutu Moxy; Pobre Sem Culpa; Filhos da Ala Este; Consciência da África; Jeff Brown (SSP); Prince Wadada; Simiminimoyo; Raparigas com Atitude; Kool Klever (Gc Unity); Dread Joseh; Desajeitados Socias; Buda Beca Lekalo; Boom Bap Squad; Father Mack e muitos outros que deram garra para que o Hip Hop se afirmasse até hoje. Só assim a próxima geração saberá sobre a História do Hip Hop Angolano (início até os dias de Hoje). Pensem nisto, porque um POVO sem consciência histórica é um POVO morto, do mesmo modo acontece no Hip Hop. 

Carylson Alberto 
06.01.2020

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