sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Teatro | Pele Negra, Máscaras Brancas no Sesc Belenzinho


SESC BELENZINHO RECEBE CURTA TEMPORADA DE PELE NEGRA, MÁSCARAS BRANCAS

Espetáculo teatral da Cia de Teatro da UFBA (Universidade Federal da Bahia) é inspirado na obra homônima de Frantz Fanon, tem direção de Onisajé (Fernanda Júlia) e texto de Aldri Anunciação

Foto: Adeloya Magnoni

Pela primeira vez em São Paulo, Pele Negra, Máscaras Brancas será encenada pela Cia de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) de 24 de janeiro a 2 de fevereiro de 2020 no Sesc Belenzinho. As apresentações acontecem na Sala de Espetáculos I da unidade, às sextas e sábados às 21h30 e domingos e feriados às 18h30.

A encenação é baseada na obra homônima de estreia de Frantz Fanon, adaptada por Aldri Anunciação. Fanon foi um importante psiquiatra, filósofo e ensaísta martinicano, que pesquisou sobre as consequências psicológicas da colonização e do processo de descolonização, considerando seus aspectos sociológicos, filosóficos e psiquiátricos.

Trata-se o primeiro espetáculo da companhia dirigido por uma mulher negra: Onisajé (Fernanda Júlia). Além disso, o elenco (e equipe de produção) é composta majoritariamente por negros e negras. São eles: Iago Gonçalves, Igor Nascimento, Juliette Nascimento, Manu Moraes, Matheus Cardoso, Matheuzza Xavier, Rafaella Tuxá, Thallia Figueiredo, Victor Edvani e Wellington Lima.

Para Onisajé é muito significativo ter uma equipe formada por artistas pretos e pretas. Ela ressalta que, como encenadora, estar dirigindo esse espetáculo é um espaço importante de afirmação, de empoderar o povo preto. “A fala de uma encenadora mulher, negra, lésbica, do interior do estado, de periferia, que fez parte e faz dessa universidade - graduação, mestrado e agora doutorado – afirma e comprova a necessidade de colocar as nossas questões em todos os espaços”, afirma.

Pele Negra, Máscaras Brancas brinca com elementos futuristas para falar sobre a tomada de consciência da negritude a partir do passado. Neste sentido, trilha sonora, cenário, figurino e maquiagem reforçam a discussão trazida na peça, com desenhos que misturam fontes sonoras, conceitos de afrofuturismo e alta-costura.

Sobre o enredo

Aldri Anuncianção, dramaturgo do espetáculo, explica que Pele Negra, Máscaras Brancas se baseia na tese homônima de Frantz Fanon e tem referências de Os Condenados da Terra, do mesmo autor. O primeiro livro apresenta a ferida da subjetividade negra; o segundo apresenta uma proposta de ação sobre essa subjetividade falhada ou estragada do negro pela colonialidade.

A montagem da Cia de Teatro da UFBA é uma obra de ficção que se vale de quase todas as teorias e ainda traz personagens analisadas pelo psiquiatra e filósofo. O dramaturgo declara que a obra é distópica ao perpassar três períodos – 1950, 2019 e 2888 - para falar sobre como o processo de colonização construiu sofrimentos psicológicos em corpos negros. 

A montagem traz o próprio Frantz Fanon como personagem no ano de 2019 defendendo novamente sua tese de doutorado, rejeitada pela banca examinadora no ano de 1950. Dois artistas interpretam este personagem, Victor Edvani – ator preto e cisgênero – e Matheuzza Xavier – atriz, transgênera e preta.

Além do próprio Fanon, a obra traz uma família formada por seis personagens que vivem em 2888. Nesse tempo-espaço, essas personagens desenvolvem as perspectivas ocidentalizadas de futuro para o negro e estão enclausuradas em uma casa devido à personagem Taiwo ter ultrapassado os limites impostos pelo “Regime Único Mundial”.

Assim como Taiwo outras personagens da sua família já tinham sido infectadas em outros momentos pela “náusea do desejo de saber-ser” e invadiram a velha biblioteca que possui informações a respeito do processo africano pré-colonial. Manter esses livros/informações distantes do povo negro, que foi colonizado e vem tendo sua memória escondida e apagada, é uma forma de controle sob os seus corpos.

A Companhia de Teatro da UFBA, fundada em 1981, é formada por professores, técnicos, alunos estagiários e artistas convidados. É voltada basicamente para a criação e produção de espetáculos. São dois os princípios que orientam sua atuação: realização de montagens de baixo custo e alto valor criativo e divulgação de textos inéditos ou pouco conhecidos, identificando tendências emergentes na dramaturgia, em paralelo com a releitura dos clássicos. Assim a Companhia de Teatro valoriza ao mesmo tempo a tradição e a contemporaneidade. Como grupo que produz contínua e sistematicamente – Pele Negra, Máscaras Brancas é sua 50ª encenação.

Ficha Técnica

Direção: Onisajé (Fernanda Júlia)

Texto: Aldri Anunciação

Elenco: Iago Gonçalves, Igor Nascimento, Juliette Nascimento, Manu Moraes, Matheus Cardoso, Matheuzza, Rafaella Tuxá, Thallia Figueiredo, Victor Edvani, Wellington Lima

Co-direção: Licko Turle

Assistência de direção: Fabíola Nansurê

Orientação de pesquisa: Alexandra Dumas e Licko Turle

Colaboração em Pesquisa: Cássia Maciel, Edson César e Lucas Silva

Estudantes-pesquisadores: Camila Loyasican, Juliana Bispo, Juliana Luz, Juliana Roriz

Trilha sonora: Luciano Salvador Bahia

Preparação Vocal: Joana Boccanera

Operação de Som e Vídeo: Fabíola Nansurê

Coreografia e Preparação corporal: Edileusa Santos

Cenografia, Figurino e Maquiagem: Thiago Romero e Tina Melo

Costura: Márcia Cardoso e Saraí Reis

Cenotécnica: Luiz Antônio Sena Jr., Luiz Buranga, Thiago Romero e Tina Melo

Desenho de luz: Nando Zâmbia

Operação de Luz: Milena Pitombo e Nando Zâmbia

Produção: DA GENTE Produções

Direção de produção: Luiz Antônio Sena Jr

Produção executiva: Anderson Danttas e Bergson Nunes

Assistência de produção: Eric Lopes

Design Gráfico: Diego Moreno

Registro Fotográfico: Adeloyá Magnoni

Registro Audiovisual: André Araújo e Juliana Roiz

Parceria: Fórum Negro de Arte e Cultura, Escola de Teatro, PROEXT e UFBA



PELE NEGRA, MÁSCARAS BRANCAS
Cia. de Teatro da UFBA (Universidade Federal da Bahia)
De 24 de janeiro a 02 de fevereiro de 2020. Sextas e sábados, às 21h30 e domingos, às 18h30 *no sábado 25/01, feriado, a sessão será às 18h30
Local: Sala de Espetáculos I (70 lugares)
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$15,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$9,00 (credencial plena do Sesc - trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes. Venda online a partir de 14/01, à 12h e venda nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 15/01, às 17h30
Recomendação etária: 12 anos
Duração: 100 minutos

Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700

Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 22h. Domingos e feriados, das 9h às 20h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.

Para espetáculos pagos, após as 17h: R$ 7,50 (Credencial Plena do Sesc - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo). R$ 15,00 (não credenciados).

Transporte Público
Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Divulgação: Assessoria Sesc Belenzinho

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