segunda-feira, 22 de junho de 2020

Abordagem policial nas periferias | Parlamentares e movimentos sociais se reúnem na ALESP para mudar protocolo


Mandata Ativista

Parlamentares e movimentos sociais se reúnem na ALESP para mudar protocolo de abordagem policial nas periferias

Em razão dos recentes episódios de violência policial nas periferias, parlamentares, movimentos sociais e organizações da sociedade civil retomam as discussões (prejudicadas devido a pandemia) da Frente Parlamentar de Igualdade Racial, no qual possui um grupo que busca mudar o protocolo de abordagem policial. O encontro aconteceu neste sábado (20) pela internet.

Na madrugada do sábado (13), moradores do bairro de Jardim Fontalis, periferia da Zona Norte de São Paulo, divulgaram vídeos denunciando a brutalidade de uma abordagem policial ocorrida contra um jovem. Dois dias depois, desta vez na Vila Clara, periferia da Zona Sul, moradores promoveram protestos contra a morte de um jovem causada, supostamente, por Policiais Militares.

Por outro lado, no final do mês de maio, um policial militar foi até a residência de um empresário acusado de agressão doméstica contra a própria mulher. Na ocasião, o policial foi humilhado pelo suposto agressor sem esboçar reação de violência.

Para o Grupo de Trabalho, esses episódios mais recentes apenas demonstram a necessidade de discutir a diferença da abordagem policial quando elas ocorrem nas periferias de São Paulo, em comparação aos bairros mais nobres.

Segundo o Co-Deputado Estadual da Mandata Ativista e membro da Frente Parlamentar de Igualdade Racial, Jesus dos Santos, os casos recentes "Estão distantes de ser uma novidade, a única diferença é que nesses novos casos, os moradores conseguiram filmar as cenas de violência".

"O mesmo policial garantidor de direitos que circula nos bairros nobres, é o mesmo policial agressor que circula nas periferias [...] isso não é exclusividade de um ou outro policial, mas sim uma ação institucionalizada da Policia Militar", descreve o parlamentar.

Vale destacar que um exemplo desta seleção racial dentro da instituição da PM foi quando, em 2013, o capitão Ubiratan Beneducci, da cidade de Campinas, São Paulo, deu uma ordem para abordar somente pessoas pretas e pardas = negras em determinada região da cidade.

Cresce mortes pela PM durante Pandemia

Apesar da pandemia do coronavírus (covid-19) pelo Brasil, a mortalidade da PM não diminuiu. Segundo dados divulgados pelo Governo de São Paulo e publicados no Diário Oficial, o número de mortes envolvendo policiais no mês de abril foram de 116 casos, 1 óbito a cada 6 horas.

Se compararmos o mesmo número com o mês março, houve um aumento de 54,6% em abril. Em contra partida, houve uma queda drástica em crimes cometidos durante este período.

Segundo dados da Secretária de Segurança Pública, o número de roubos caiu cerca de 37% quando comparado no mesmo mês do ano passado. Já os furtos, a queda foi quase pela metade.

Vale destacar que um dado divulgado no início de fevereiro revelou que a letalidade dos agentes da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) praticamente dobrou em um ano.

A pesquisa foi apresentada pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, órgão independente responsável por receber as queixas e cuidar do monitoramento de ações policiais, que mostrou de 2018 a 2019 houve um crescimento de 98% de mortes praticadas por policiais da Rota.

Mandata Ativista

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