terça-feira, 9 de junho de 2020

Produtora contratada por Mãolee oferece 100 reais por locação de casa na favela


"Fetiche de plaboy é colar com barrabás” o Criolo já dizia, lembra? 

Em pleno 2020, ainda temos pessoas querendo usar a favela como palco de fundo para seu clipe e não remunerando com seu devido valor artistas periféricos. 

Antes de tudo vamos falar do Raphael Cruz, que é morador do Complexo da Maré, produtor cultural e um talentosíssimo artista plástico. 

O Raphael tem como norte em sua arte uma influência africana com um ar bem urbano, bem de quebrada como dizemos aqui em São Paulo. O artista usa tela, muro, corpo, roupas e etc. A criatividade e o talento do Raphael é algo de se orgulhar 

Algumas artes:

Ver essa foto no Instagram

Essa é a minha casa, divido ela com meu mano @derrete77 e eu sempre sonhei com uma casa assim. Enquanto a gente nao vira mais um número pra conta do estado genocida, a gente posta foto pra vc dar like e nos valorizar só quando estivermos mortos. Espero que nao aconteça isso, mas pra quem vive do lado de cá as coisas nao estão boas irmão. To tomando rumos diferentes pra tentar uma vida menos pior pra nós e quem sabe pra quem mora por aqui tambem. Uma saúde mental é valiosa, percebi isso e não merecemos toda essa carga. Ninguem liga, entao to ligando o fodase no sapatinho. Quem me guarda sou eu, minha familia, meus amigos e os orixas. não conto mais com ninguém. Nem sei se eu volto. Saco ta cheião já

Uma publicação compartilhada por @ rphl.cruz em

 

BORA PARA A NOTICIA: 

O produtor cultural e artista plástico Raphael Cruz expôs em seu Instagram uma situação clássica de racismo estrutural. De como grandes empresas lidam e tratam e não valorizam pessoas de favela. Acham que somos meros manequins ou figurantes de suas produções. 

Uma produtora que trabalha na Camacho Produções entrou em contato com o Raphael para a locação de uma casa, com laje, caixa d’agua e piscina para alocar 15 pessoas para gravação de um clipe. (detalhe: em plena pandemia) A produtora também ofereceu mais 100 reais para um guia que fosse mostrar as vielas e que fosse o contato com o trafico para autorizarem a gravação do clipe. 

Obviamente o Raphael achou uma falta de respeito e mandou o papo reto sem curva e só não foi a bolota do zóio porque foi via Whatsapp. 

Segue um trecho da fala do Raphael: 

"Eu duvido você abrir sua casa pra 15 cabeça que você nem sabe quem é, tá ligado! Todas elas não serem faveladas, pra utilizar de sua casa, da sua laje, da sua favela, do seu contexto... Pra colocar 15 pessoas durante uma pandemia... E todas essas pessoas tem dinheiro... (...) Se fosse outro favelado é uma parada, agora você esta me dizendo de gente que tem dinheiro... Eu tô vendo sua cara e estou vendo que você não é favelada e tenho certeza que você não aceitaria que as pessoas entrasse sua casa pra fazer dinheiro... (...) Além do momento de pandemia, além do momento de crise racial, você me vem com essa, minha parceira! Com todo respeito... (...) eu não vou abrir minha favela, eu não vou abrir minha casa. Porque a merda que der, quando vocês ralá, vocês vão estar gastando seu dinheiro lá na Europa, lá em Paris que é o sonho de vocês. Eu vou tá aqui segurando a pica que vocês arrumaram". 

Abaixo você pode acompanhar toda a conversa: 


Logo em seguida o MãoLee se pronunciou via Instagram dizendo que não sabia do ocorrido e que contratou a produtora e disponibilizou 10 mil reais para a gravação do clipe e não estava por dentro de quanto ia ser usado detalhadamente. Mãolee se mostra indignado e não tira sua culpa do ocorrido.

Confira o vídeo abaixo:


Ver essa foto no Instagram

ATENÇÃO

Uma publicação compartilhada por Mãolee (@maoleenobeat) em

Nenhum comentário:

Postar um comentário