domingo, 24 de junho de 2012

CorreioBraziliense - Livia Cruz solta o verbo e fala sobre machismo e feminilidade no rap




A cantora e compositora de rap Lívia Cruz guarda muitas identidades dentro de si. Nasceu em Pernambuco, foi criada em Brasília e mora em São Paulo há dois anos, desde que se casou com o também rapper e apresentador de tevê Max B.O. Escrevia poesias até os 14, quando se encontrou com o hip-hop e resolveu incorporar rimas poéticas nas canções sobre ser mulher, mãe e guerreira urbana. Sofreu preconceito por ser um pouco disso tudo e ainda uma garota branca e de classe média. Resistiu. Com Flora Matos e Karol ConKá, ela forma a nova geração de cantoras de rap a assumir feminilidade vaidosa. Recentemente, inscreveu o projeto de gravação do álbum Muito mais amor nas redes de crowdfunding (financiamentos coletivos feitos pela rede) no endereço Movere.me. Aos 26 anos, Lívia solta o verbo sobre o novo momento das mulheres no hip-hop e a saída do estilo de dentro do gueto para o mundo.


A liberdade é feminina

Muito já se discutiu sobre o machismo no hip-hop. Houve evolução em relação a isso?
O fato de o hip-hop ser machista acontece porque a sociedade é machista. Existe machismo no rap e no ponto de ônibus. Hoje em dia, pode ser diferente para mim e outras meninas porque a gente levou muito na cara. Nós aprendemos a lidar de uma forma melhor com a questão. A experiência faz a gente melhorar em todos os aspectos. A menina que começa agora vai enfrentar dificuldades. Mas houve uma evolução. O que sempre me chocou foram as propostas indecentes pela troca de favores sexuais. No resto, o ruim é ter de provar ene vezes que você é melhor do que um cara para conseguir fazer um show.

Você publicou um texto recentemente abordando a questão da feminilidade assumida pelas cantoras de hip-hop. Isso é sinal dessa evolução?
Participo de encontros da rede hip-hop nos quais trocamos experiências entre mulheres. Todas passaram pela fase de usar roupas largas masculinas e esconder o corpo. Isso acontece em outros meios sociais. Por exemplo, uma mulher inteligente e bonita é sempre desacreditada. Seria preciso que ela escondesse as formas e maneirasse na maquiagem para ser levada a sério. Gosto de surpreender, gosto de causar. Não me esconderia para sempre. Muitas meninas assumiram a feminilidade também.



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