sexta-feira, 26 de julho de 2013

ENTREVISTA - Opinião Periférica com o Dj Neew



Confira esta ótima entrevista com mano Dj Neew...

Pra começar bem.. se Apresente.. pra geral conhecer um pouco o Nilton Francisco de Oliveira vulgo "DJ Neew"

R: Tenho 27 anos, sou de Embu das Artes região metropolitana de São Paulo, DJ, beatmaker e estudante do curso de História, trabalho na área da educação atualmente além dos projetos envolvendo musica, também sou colaborador dos blogs MacacosMeMordam e RapLongaVida e contribuo com o Núcleo de HipHop Zumaluma juntamente com o projeto Rua a Dentro.

Qual sua Primeira Lembrança do Rap ..? e quando foi..?

R: Foi na sala de aula quando vi um pessoal que ficava no fundo cantando musicas do Gog, Racionais, RZO, algum tempo depois passei a notar a roupa diferente, os grafitis e tags no caderno cheio de adesivos, me interessei e comecei a escutar algumas fitas, a 105 fm e a ver YO na MTV. Só muitos anos depois comecei a ir em shows.

Quando você percebeu que queria ser DJ, e soube que tinha aptidão. Pra Arte ..?

R: Na verdade passei a ser Dj por um convite do meus amigos Deauto e Everton pra fazer parte do grupo Dê Loná, eles me viam andar pela vila com umas roupas mais largas e me viram num show, foram na minha casa e me chamaram pra ser dj, não sabia nada e não tinha equipamento nenhum, aprendi técnicas com o dj que morava próximo , o Sérgio. Eu fui desenvolvendo olhando os mais experientes, peguei muito gosto pela coisa mas com certeza o fato de eu ser DJ foi graças ao Deauto e ao Everton.

Você fez parte de algum grupo.. ou ainda faz..? quais são ..?

R: Faço parte do Dê Loná a cerca de 6 anos, e contribuo com os trabalhos solos do Ronaldinh1.

Quem é referencia como DJ pra você ..? pode ser mais que um..

R: Assim como vários DJs, pra mim, KL Jay e Cia, mas citando também DJ DanDan, Erick Jay, Tano e um dos DJs que mais gosto de ver tocar chamado DJ Cjay.



Fale um pouco da sua carreira como DJ ..?

R: De inicio tocando com o grupo e fortalecendo com outros, toquei em algumas festinhas de amigos, já me apresentei na Rinha dos Mcs, Livraria da Esquina, Feira Cultural de Embu, Ação Educativa entre outros projetos. Sempre tive enorme dificuldade na aquisição de aparelhagem ( até hoje), achava que poderia compensar isso tendo conhecimento das musicas e passei a pesquisar e ouvir muita coisa, automaticamente comecei a pegar gosto pela produção musical, e agora estou próximo de começar a ministrar oficinas de dj.

Como você analisa o o cenário do rap brasileiro atualmente ..?

R: Na minha opinião existem dois tipos de rap no Brasil hoje, um deles é o pop, e existem aqueles raps que não são conhecidos da grande massa mas que tem um conteúdo fantástico e compromisso com a comunidade onde vive, não sou tão pessimista quanto ao rap nacional atualmente, acredito em muitos talentos que vejo por aí, existem pessoas com compromisso.



O trampo de DJ tem sido valorizado..?

R: Comparado ao dinheiro gasto em equipamento, tempo pra ouvir sons, selecionar e a dedicação, no Brasil, não é totalmente valorizado, pelo contrário, as vezes chega a ser banalizado.

Ultimamente o "Funk Ostentação" esta em alta muitos funkeiro em SP pelo menos já ganham muito bem.. alguns até conquistaram seu primeiro milhão...e ja vejo alguns rapper e pessoal do rap tipo dizendo que o rap tem que embarca nesta onda também igual a do Funk.. você concorda que o rap brasileiro tem que entra nesta onda de ostentação e letras fúteis e sexuais..?

R: Primeiramente acho que a questão de ostentação vai alem da musica, acredito ser consequência de uma falta de estrutura social provocada pelo sistema capitalista que preza pelo acumulo de riqueza, quem nunca teve, quer ter um dia e ter muito. O rap do EUA já é assim a muito tempo, olhe os vídeos clipes do LL Coll Jay de 1989/90 e perceba o cordão no pescoço dele, veja os carros nos clipes gringos. O rap brasileiro não pode embarcar nisso, a ideia do hiphop sempre foi outra, como falar pra um menino de 12 anos que mal tem o

que comer estudar e trabalhar quando ele vê o seu vizinho cantor com carro importado e outro no pescoço?

A ostentação cria inveja, cria ambição desenfreada, cria ódio.

Nos estados unidos é meio que comum e faz até parte da cultura do rap ter as famosas "Diss e Beef" ou seja as tretas entre os rappers.. ultimamente quem acompanha as redes sociais vê uma certa rincha entre os ditos rappers Gangsta contra alguns rappers da nova geração que fazem um som mais suave.. o que você acha desta Treta..?

R: Acho normal existirem rixas, não acho legal transmitir isso , gera ódio e controvérsia. Em outros estilos musicais e outras culturas também existem rixas. Eu sou totalmente a favor da diversidade de ideias dentro do rap, pois a própria cultura hiphop sempre pregou a liberdade de expressão, existem tambem algumas patifarias que ocorrem nos ‘’bastidores do rap’’, só acho que certas coisas devem ser resolvidas num diálogo frente a frente.

No brasil quando um rapper começa a ganhar dinheiro, ou ir na Tv começam a chamar ele de vendido e que mudou a ideologia.. como você analisa esta situação.. ?

R: Eu não vejo problema em ir na TV, o problema é o que ele vai fazer la. Sempre dizem que a TV é alienante mas então , quando um grupo de rap vai em algum programa não seria a oportunidade de mudar um pouco isso? O problema não é ir na TV, se a pessoa for la e representar aquilo que ela sempre pregou acho genial, o problema é que alguns se tornam nada mais nada menos que palhaço de circo pra alguns apresentadores mostrarem como é o rap,como é a periferia, parece que o rap é algo exótico pra eles, impressionante como todo programa de TV faz isso quando alguém do hiphop esta la, é óbvio, com exceção daqueles que são estritamente ligados ao gênero.

A literatura marginal Já seria o 6 elemento do hip hop..? ou você acha que ela já esta incluso no 5 elemento que é o conhecimento..? e qual a importância dela dentro do rap e do hip hop..?

R: Acho que a literatura marginal assim como os saraus estão exercendo uma função social muito importante atualmente, pois o hip hop dança, pinta, canta, ouve mas o elemento da literatura e poesia surge como leitura, discussão e reflexão.




Como você analisa esta onda de Protesto .. O Gigante Realmente Acordou..?

R: Achei bom, mas existem protestos aqui a muito tempo, o que houve agora foi a adesão de grande numero de pessoas. Muita gente estava la pela emoção, muito mais do que pela razão, mesmo assim foi válido, só não acredito que ‘’o gigante acordou ‘’ como dizem, acho que o nível de insatisfação e acomodação é exatamente o mesmo, o brasileiro esta tão

carente de ver manifestações de massa pela solução de problemas sociais que aderiu. Existem movimentos fortes se organizando, movimentos ligados a periferia, movimentos que destacam a questão afro brasileira, sempre houve luta e sempre haverá enquanto houver insatisfação e injustiça. Houve uma enorme manipulação em certos momentos, a mídia fez uso em excesso da palavra ‘’pacífico’’ e passou apoiar o protestos que teve momentos fascistas ao queimar bandeiras de outros partidos e associações, conversando com amigos até hoje, a grande maioria deles é contra ter partidos nos manifestos, mas poucos sabem que as grandes ditaduras também proibiam partidos e associações contrarias a ela de se manifestarem. As manifestações foram boas mas vendo agora, um mês depois, infelizmente boa parte estava pela emoção do momento e nada mais, mas muitos ainda seguem na luta.

Se você fosse presidente do Brasil e se o presidente realmente mandasse no brasil.. qual seria seus primeiros atos..?

R: Primeiro colocar pessoas da minha confiança como ministros, secretários e etc, não adianta ter um presidente bem intencionado se muita coisa não é ele quem decide totalmente. Faria mudanças na constituição, mudanças que realmente dessem poder ao povo de votar leis e medidas e cria lãs também tendo maior diálogo com os movimentos sociais, bem diferente do atual sistema que é apenas representativo. Faria um corte enorme nos gastos da câmara, do senado, assim teríamos dinheiro pra investir em coisas sérias como saúde e educação. Ou seja , primeiro limparia a bagunça dentro da casa, e depois começaria uma mudança drástica sempre em diálogo com a população, cuidar da questão da distribuição de renda menos desigual ( o que até hoje nenhum candidato nem sequer propôs) e investimento incondicional em renovar o sistema educacional.

Diz ai mano Tem Projetos novos vindo ai..? quais são..?

R: Estamos pra lançar o cd do Dê Loná que inclusive esta pronto com quase 90 porcento produção minha, estou trabalhando em parceria com o produtor Hadjisuinara e estamos preparando uma mixtape, em breve começarei as oficinas de DJ pela Canto Cultural de Hiphop Zumaluma, estou em parceria com o cantor Jah Cleber em seu trabalho que será lançado esse ano e também os trabalhos do Ronaldinh1 e Luciano Rocha entre outros e também penso em lançar uma mixtape de instrumentais esse ano mas a idéia esta sendo bem lapidada ainda, enfim, trabalhando rs

Um Ídolo..?

R: Meu falecido pai Vicente

Um Livro ..?

R: Negras Raízes – Alex Haley

Indique algum ou alguns álbuns..

R: São muitos pra falar rs mas tenho 5 especiais que tenho como referencia

Pharcyde- Labcabincalifornia (1995)

Racionais mc's - Raio-X do brasil (1993)

Curtis Mayfield - Superfly (1972)

Fela Kuti - Expensive Shit (1975)

Djavan - Lilás (1984)

Uma Pessoa ..?

R: Heloisa ( Dona Helo ) mãe

Deixe seu salve e uma mensagem aos leitores do Blog parça..

R: Agradeço muito a consideração e o espaço na entrevista, seria injusto eu citar nomes mas agradeço demais o apoio da família, dos amigos, dos conhecidos, e as vezes, até de quem mal conheço, seja profissionalmente ou no lado pessoal. E estamos na luta juntos!

‘’ Quando as teias de aranha se juntam, elas podem amarrar um leão.’’

Provérbio Africano


DJ Neew Dê Loná
Núcleo Cultural 
Zumaluma www.zumaluma.org/

Twitter @djneew

Instrumentais e grupos produzidos soundcloud.com/djneew

De Lona  soundcloud.com/delona

Unidos somos mais que fortes, somos a força

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