quinta-feira, 21 de março de 2019

Buscando reencontrar música baiana na música rap, Eldo Boss lança disco ‘Rebaianizar’


Um disco para resgatar e ressignificar a música rap baiana. Proposta ousada? Talvez! Mas nada que desmotive Eldo Boss em seu desejo de construir canções com elementos do rap e da musicalidade baiana. ‘Rebaianizar’ é o verbo que traz a ação do músico em seu novo disco, numa tentativa de resgatar o rap soteropolitano dos anos 90 das influências sulistas da década atual.

Esse é o primeiro disco de Eldo Boss como rapper, e ele deixa claro o conceito trabalhado nas seis faixas de ‘Rebaianizar’: falar sobre dramas, crônicas e narrativas soteropolitanas utilizando como base instrumentos orgânicos e digitais que traduzem a cultura musical baiana. O trabalho, como ele define, é “um grito contra esse padrão estético que desejam encaixar a baianidade”.

Esse conceito é possível ser visto em faixas como ‘Avião’, uma versão sobre o trabalho dos aviãozinhos do tráfico em cima do ritmo hardcore – muito presente na cultura underground de Salvador-, e na música ‘Baiano não é brincadeira não’, onde ele utiliza como base um sampler da música ‘Deus e o diabo’, de Caetano Veloso, para narrar a vivência e característica dos baianos.

- “O disco é um grito contra esse padrão estético que desejam encaixar a baianidade, comportamento e diretrizes. Devemos fugir de todas as condições, tomar conta do nosso espaço e nos reconhecer nele”, comenta Eldo Boss.

Além de Caetano, o disco ‘Rebaianizar’ trabalha também o sampler de músicas de Dorival Caymmi e Camisa de Vênus, todos extraídos diretamente de discos de vinil para, assim, preservar a roupagem ‘crua e suja’, como bem descreve o artista. Toda a produção do disco, inclusive os samplers, é assinada por Marcelo Santana, da AquaHertz Beats, que é especialista em música baiana e eletrônica.

Outra característica interessante do novo disco de Eldo Boss, essa invisível aos ouvintes do disco, é a participação do músico na produção orgânica das faixas. Ele aparece tocando guitarra, violão, cavaquinho e Derbak – instrumento de percussão tradicional na música árabe. E é com essas experimentações e ousadia que Eldo Boss tenta reencontrar a cultura baiana na música rap, ou, melhor dizendo: ‘Rebaianizar’.

Ouça o disco completo

Youtube:


Deezer: http://bit.ly/RebaianizarDeezer

Spotify: http://bit.ly/RebaianizarSpotify


Aspas Eldo Boss

- “Depois de anos se espelhando na música produzida em escala, principalmente do sul/sudeste do país, a rebaianização do estilo é uma questão urgente. Resgatar dramas, crônicas, narrativas que falem do seu território é crucial em nosso tempo para uma identificação enquanto espectadores desse cenário”

- “As canções foram feitas para dialogar entre paralelos entre o corpo e seu funcionamento e cidade como organismo vivo, e como nós, enquanto fluidos e cidadãos, estamos inseridos nisso como indivíduos pertencentes e representantes desse espaço”.

- “Você conhece sua cidade? O que urge como violência nas periferias? Como seu corpo e visual são expostos, preso a rótulos por causa do seu organismo citadino? Como posso tratar isso dentre amores e vivências sociais de forma sadia? Tudo isso avança nos elementos do rap tradicional, da conduta de padrões atuais que o mercado tenta reproduzir padrões”.

Ficha técnica

1- Cidade, groove e caos

2- É proibido aqui (Feat Elana LaEla)

3- Me deseje sorte (Feat Mari Buente)

4- Avião

5- Baiano não é brincadeira não

6- Amanhã posso ser saudade



Produção, mixagem e masterização: Marcelo Santana (Aquahertz Beats)

Capa e coordenação gráfica: Isadora Furlan

Fotos: Daniele Cezar

Samples: Afoxé - (Dorival Caymmi)/ Deus e o diabo (Caetano Veloso) / Eu Não Matei Joana D'Arc (Camisa de Vênus)

A faixa ‘Avião’ contém relatos extraídos do documentário ‘Falcão meninos do tráfico’, de MV Bill, e de reportagens sobre a chacina do Cabula (2015).

Todas as composições são de Eldo Boss, exceto ‘Avião’, de Sherman e Besouros que fedem.

Participações especiais

* Marcelo Santana voz e guitarra baiana em "Baiano não é brincadeira não",

* Elana Laela (Coletivo Vira Lata) “É proibido aqui”

* Mari Buente (A Cama de Manuela) em “Me deseje sorte”



Assessoria: Pedro Enrique Monteiro | LAB071

Site: www.bossdiscos.com

Instagram: @eldoboss Email: eldobossoficial@gmail.com



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