sexta-feira, 12 de abril de 2019

Hebreu Indica #1 – Underismo, os pretos chave

Após um período sem atualizar o quadro "Hebreu Indica", venho anunciar que o quadro está de de volta em definitivo. Pra quem ainda não conhece, neste quadro eu mostro um grupo ou mc fora do hype ou do eixo rio são paulo. Basicamente são artistas que eu acho que merece maior destaque na cena. Neste temporada vamos ter 7 artistas ou grupos. 




Underismo é um coletivo musical, poético e artístico baiano de rap formado por 6 mcs: Darlan Oliveira (Senpai), Iago Roger (Trevo), Thiago Damasceno (Alfa), Alef Ramos (Ares), Caio (Kolx) e Filipe Ponciano (Ponci) e 1 DJ: Adilton Moura (DJ Moura) e o Filip Duarte (Flip) é o cara da produção da banca. 
Além do Bruno Sena e o Nobru como Técnico de Som, e Raiza Muniz que também junto com Filipe, trabalha na Produção Executiva.
O grupo é formado por jovens pretos focado em produzir arte de rua e no empoderamento étnico e cultural de suas raízes. 

Pra quem chegou nesta matéria e não é do rap, sim, na Bahia tem rap. Se você é do rap, pois fique sabendo que a cena baiana é bem rica, diversificada e de alta qualidade. 
Acontece algo no rap que eu não vejo em outros ritmos, talvez tenha, e eu não devo ter reparado. 
O rap tem o poder de fácil absorção da cultura regional, que é algo me encanta muito no rap, cada lugar que ele é feito, tem uma característica diferente. Cada estado brasileiro tem um jeito bem particular de fazer rap, cada mc ou produtor/beatmaker usa muito bem ritmos e características regionais de sua cultura e introduz na música. Eu acho isto genial. 


Imagem do clipe "Os Pretxs Chave"

O Underismo é bem isto, os pivetes fazem um tipo de rap sujo, rimas escrachadas e muitas com conteúdo político. Independente se é Boombap ou Trap, você consegue perceber um tempero baiano em seus sons. 

O grupo tem alguns trampos nas redes. 

Em 2018 o grupo lançou a Demotape, trampo que conta com 4 faixas, no mesmo ano lançaram o EP R3Sidu0$. Já em 2019 lançaram o single “Pretx Chave”. O coletivo consegue facilmente transitar entre o boombap, trap e o pagodão da Bahia com muita qualidade.

Mas calma, este é um quadro de indicação, então vamos de música. 

Se liga em algumas linhas de alguns sons do grupo.

Time underground, bala e fogo nos playground (Playboy) Sem ideia pros playground, pouca simpatia então Emocionados contenham a emoção Eles correm pelo ano lírico, pretos correm pra não levar tiro (...) Nem todo preto no mic procede ativismo, pera Esses MCs são mera imagem industrializada Enquanto os porcos fardados fazem presunto toda madrugada E só pra lembrar quem ta plantando a desgraça É a fila do sus que é desgraçada 


Eu quero lazer pra firma, ver as rimas engordar o bolso Olho gordo ofuscado viu que nós brilha sem joia no pescoço Pretos com peso do pulso de ouro Com pulsar de Adhemar Ferreira Perceba, os maiores da história tem a cor de pele que vocês odeia Correndo igual Kylian M'Bappe, pra eles dizer que eu sou vendido Preto destaque igual LeBron, pra eu ir enterrar todos esses fudidos Girando meu capital pra não ter que girar o tambor 



Brancos querem ser Nego Drama, letrista do ano é o Luan Santana Eu quero grana, Skol e não Brahma, avisa ao Fabão que chegou da escama Flow Dimas, me chame de maestro, se eu to no mic é tipo Frank Castle Somos Gucci Mane, cês são Gucci Gang Estão inspirados em ser covardes como Naldo Benny Não sou cordeiro do seu carnaval, sou menino bom Bem malandro e se boiar é vrau Visão Selassie, ouvindo Dazarie Somos Besouros do seu carnaval pondo pra fuder Vemos o futuro, traçamos linhas Mas tire seu nariz daqui que essa porra não é farinha Vemos o futuro, traçamos linhas Mas tire seu nariz daqui que essa porra não é farinha.



Sou matéria prima que fabrica o melhor produto Boy dando tiro na trilha de farinha, nós Fazendo o corre pra não ter só farinha no prato Contrato, tomando o seu condado Se é pra ser vendido Ta ligado qual produto vamos fazer ser comprado 


Redes sociais do grupo:

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