quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Rap Pós-Punk do cyber rapper Yannick Hara em "Caótico/Distópico"


Yannick Hara lançou na última sexta-feira (13), o quinto single num total de seis, que antecedem o seu novo disco “O Caçador de Androides”, a faixa “Caótico/Distópico”. Produzido por Blakbone, Yannick Hara mescla seu rap com elementos do pós-punk. “Me inspirei na banda Bauhaus para misturar rap com punk”, relata o artista.

Tanto a cultura hip-hop e a cultura punk no Brasil e principalmente em São Paulo ocuparam a periferia com a narrativa de protesto contra o sistema. Para quem não sabe a São Bento nos anos 90, foi local de encontro de punks, rappers e b-boys. “O rap e o punk combatem o mesmo sistema que garante a baixa qualidade de vida da população, promovendo a alta tecnologia para a classe favorecida, isto é caótico e a distopia brasileira é real”.

No filme (Blade Runner-1982), Rick Deckard é um mercenário responsável por caçar androides e aposentá-los. Na obra de Philip K. Dick, o personagem é casado com Iran que é dependente da caixa Penfield, um sintetizador de ânimo que programa a emoção sentida pelas pessoas todos os dias. Apesar de também utilizar a caixa como uma droga diária.

Deckard demonstra em seu estado natural um inconformismo. Todos os dias acorda “desordenado ele segue ao trabalho massivo” na missão de aposentar androides e, assim, “escravizado pelo dinheiro” continua com a esperança de comprar um animal. A sua atenção e empatia é concentrada em obter uma nova ovelha, já que a sua tinha morrido e substituída por uma elétrica. Ser dono de um animal é um status social. E assim, ele vai se tornando cada vez mais “um homem depressivo e vê sua vida desperdiçada”.

O personagem é a figura do caótico, “anarquizar é o seu desejo”, sair da lógica de trabalho e consumo que o mantém fazendo o que faz todos os dias. A ansiedade e a falta de encaixe em um mundo completamente desajustado fazem dele uma representação do proletário. O mercenário que vende a sua força de trabalho em busca não só da sobrevivência, mas de uma resposta da qual o sistema trata de oferecer e que não convence.

Em contrapartida, temos a segunda parte da música denominada distópico que pode ser compreendida como uma síntese do personagem K da sequência Blade Runner 2049. K é também um policial que tem como função aposentar replicantes, no entanto, a singularidade é que ele também é um replicante. Apesar do ar apático, percebe-se a sua necessidade de afeto que tem na figura de Joi, um holograma em forma de mulher, o papel de esposa e amante.

Aparentemente alinhado com o trabalho, K passa por provações que o faz ter um despertar da sua condição. Assim, ele atinge “o limiar da existência” onde as suas fragilidades são expostas, o seu desejo por se descobrir humano demonstra, muito mais, uma busca da humanidade que foi negada aos replicantes. O véu sobre essa realidade cai e por trás dele, o futuro parece muito mais com “uma criança com medo de nós” como pontua o verso da música “Plástico“ de Edgar que é referenciada nesta faixa, uma homenagem do artista ao amigo e ídolo.

Ouça agora e reflita:

Nenhum comentário:

Postar um comentário