segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Quando o Mundo Acabou era Meio Dia | Rômulo Boca lança seu primeiro trabalho solo



Rômulo Boca lança seu primeiro trabalho solo, a mixtape “Quando o Mundo Acabou era Meio Dia” 

Aguardada pelos fãs desde o primeiro anúncio, a mixtape “Quando o Mundo Acabou era Meio Dia” é um divisor de águas na carreira de Rômulo Boca. Natural de Crateús, interior do Ceará, apegado à leitura desde cedo, ele começou a compor porque sentia a necessidade de se expressar. QOMAEMD é o resultado de anos de trabalho e transmite fatos marcantes da vida do artista, mudanças pelas quais ele passou e acontecimentos que o tornaram uma pessoa mais forte e experiente. A mixtape foi lançada hoje (23) no youtube e soundcloud, e estará disponível nas demais plataformas de streaming a partir da próxima semana.

Participações

Ao lado de Lucas Félix e Wendeus, Rômulo forma o grupo A.L.M.A. (Arma Lírica Musical da Alma), criado em 2013. Ambos foram convidados, assim como Teagacê, Chinv, César Masthif, niLL e Isaac de Salú, para participar de algumas tracks. Os instrumentais são de Machion, Fernando Vários, Jay Beats, Cabine 808, Kriolão, Masthif, Ardlez, Tadela Sérgio Estranho e Rodrigo Zin, que também é um dos feats.



Capa

A capa da mixtape é uma fotografia de Rafael Vieira, com edição de Lucas Félix. A ideia de Rômulo a partir dela é que as pessoas consigam “criar” seus próprios conceitos de “caos” diante daquilo que conseguirem ver, sem precisar ser algo “óbvio” demais, mas que cada um observe a partir de sua própria visão.




QOMAEMD

O título faz alusão a um sonho no qual Rômulo disse a frase para a mãe, dona Francisca Cesário de Almeida. Segundo ele, foi uma resposta psicológica a morte dela, sendo que a perda dela lhe causou a sensação de fim do mundo.

“Hoje me sinto como alguém que vive em um mundo que acabou e esse sentimento veio com a morte da minha mãe. Ao mesmo tempo, sinto que me tornei alguém melhor após a morte dela, alguém menos irresponsável comigo e com aqueles que me cercam. Voltei a ter humildade, no sentido de ter pé no chão. Olho para mim e vejo o que represento, em que local estou, sem soberba, sem tirania, sem arrogância, entende? Isso fica evidente nas letras desse CD, fica evidente na odisseia que ele te leva”, explica o artista.

Ouça o álbum no Youtube

Dentre todas as faixas, uma das mais importantes é a homônima ao disco, um áudio de dona Francisca para Rômulo, o qual gostaria que o filho ouvisse em momentos que não estivesse bem, para “conseguir forças nas palavras deixadas por ela”. Ele acredita que isso foi uma das formas mais genuínas de amor deixadas pela mãe. Mesmo em uma cama na UTI, consumida pela doença, não deixou de pensar nele.
“Às vezes ouço esses áudios e choro, mas muitas vezes esses áudios me dão uma espécie de vigor, de energia locomotiva. Então, pensei, 'Bom, alguém vai precisar ouvir isso também para sentir a mesma coisa e sair do canto'. Ao mesmo tempo é uma forma de homenagear o que ela foi, tirar um peso, tirar um nó, sabe?”.

Evolução

Rômulo optou por incluir mais de 10 faixas na mixtape para não dar a impressão de algo limitado. “Tudo ali se amarra. O intuito é exercer a impressão de odisseia mesmo. Minha vida não é muito diferente da vida das pessoas que me ouvem. Penso que levando-as numa viagem assim, talvez elas se sintam menos sozinhas e eu também”.

Da primeira até a última faixa, é possível ver, ouvir e entender a evolução musical que foi causada propositalmente. Para ele, a mixtape tem um crescente. Começa numa ambiência muito baixa, bem melancólica e cresce de acordo com o andamento das faixas, vai crescendo, se tornando mais rápida, mais agressiva e mais positiva.

“Esse crescimento, esse desaforamento, começa com tracks mais densas, mais tensas, é proposital e se dá como um reflexo de odisseia e como reflexo da minha vida também. Como fui fazendo as coisas numa batida mais melancólica e me tornando mais rápido, mais agressivo, mais positivo, até chegar onde estou hoje”.

Música sempre me passou essa sensação, de não estar sozinho, de sentir que alguém lá fora sentia a mesma coisa, sei lá. Acho que tento de alguma forma me ligar com as pessoas a partir desse raciocínio. Sei que quem me ouve por muitas vezes se sente assim, também.

Mudanças

As mudanças vivenciadas por Rômulo deram o impulso necessário para que ele conseguisse se expressar de maneira única nessa mixtape. “Acho que eu e a música que faço somos a mesma coisa. Se eu mudo, automaticamente quero falar disso no que eu escrevo. É uma coisa natural para todo mundo. Então, toda mudança afeta a escrita. A escrita muitas vezes é a mudança sendo colocando em pauta. Tem muita coisa que a gente muda e não fala, só fala quando canta”.

Com o desenvolvimento de QOMAEMD, Rômulo quis se testar como artista. Com tracks que vão do plug ao metal, passam por boombaps de quatro tempos, músicas violão e voz, ele fez uma mistura das coisas que já ouviu e cantou, e pretende alcançar um público ainda maior.

Rômulo se antecipou e soltou algumas faixas da mixtape como single, a mais recente foi com o rapper paulistano niLL, “Multiverso”, produzida por Tadela e Sérgio Estranho. Após o lançamento oficial da mixtape, dia 23 de setembro, ele pretende lançar alguns clipes, fazer shows em São Paulo, onde reside atualmente, e fora do eixo, principalmente na Região Nordeste, onde estão fincadas suas raízes e para um futuro não muito distante, já pensa em um EP.


Ouça o álbum no Youtube


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