segunda-feira, 8 de junho de 2020

Opinião do Leitor | Emicida foi Martin, Brown foi Malcolm, e os dois estão certos


Opinião do professor e leitor DJ NEEW

Em primeiro lugar, a intenção não é comparar Emicida com Martin Luther King e Mano Brown com Malcolm X, e nem comparar contextos diferentes, tanto culturais, como de épocas e situações, entretanto, a discussão que se deu no meio do hip hop e de militantes de movimentos negros na última semana me fez lembrar dessa situação.
Pra quem não sabe, Emicida publicou no Twitter um vídeo dizendo que não iria nas manifestações e incentivou pessoas a não irem, devido ao perigo de proliferação de COVID e por acreditar que seria um ‘tiro no pé’ nesse momento.
Já outros rappers como Djonga se posicionaram a favor, e Mano Brown, ThaídeDexter entre outros do movimento estiveram presentes nas manifestações do último fim de semana, e muitos foram cobrar o Emicida, ‘se até o Brown estava lá, e você Emicida?’.
Na cultura norte americana existiu em certa época uma discussão sobre qual a forma mais eficaz de lutar contra os racistas, pelo protesto pacífico liderado por Luther King ou pela forma mais contundente e explosiva liderado por Malcolm X e outros militantes.
Malcolm chegou fazer duras críticas a Luther King, inclusive, na histórica marcha que ele apelidou de ‘’Farsa de Washington’’, assim como muitos seguidores de King diziam que o radicalismo de Malcolm levaria os negros a ruína, vale lembrar que, tempos depois após retornar de Meca, Malcolm passou a respeitar as formas de atuação de outros movimentos.

E no final, quem está certo?

Os dois, tanto um quanto outro têm maneiras diferentes de luta, Emicida dizer que não vai na manifestação não o torna inimigo da causa, apesar do erro que o mesmo cometeu ao demonstrar total desconhecimento do nível de organização dos movimentos, assim como Brown indo no protesto, não o torna irresponsável e inconsequente ao ir na manifestação em plena pandemia, posicionamentos diferentes, posturas diferentes, para um mesmo objetivo, uma mesma intenção.

Criar guerra pra saber quem é mais certo que alguém, é sim, ‘a brecha que o sistema queria’, e nos faz esquecer que o inimigo é outro.

Paz

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3 comentários:

  1. Concordo em muitos aspectos do texto, e acretido que esse paralelo traçado inversamente também seria possível. Assim como o ativista Kwame Ture, eu vejo o Malcolm com um perfil de organização e mobilização, e Martin com um perfil somente de mobilização. Ambas são partes fundamentais na luta, mas os protestos de ontem mostraram uma grande mobilização sem organização.

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  2. O princípio da luta é resistência porém uma coisa
    Se deve aprender uma marcha
    Contra o racismo em um país miscigenado como Brasil primeiro o brasileiro tenque se reconhecer brasileiro a única arma contra o racismo é a luta luta pelo conhecimento mostrar que para ser vencedor não precisa passar por cima do outro nem desrespeitar ninguém manifestação é válida desde que se tenha objetivo o povo periférico se deixa bestializar não vota consciente ou melhor muitos vendem o voto e em troca ganha a margem da pobreza

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