terça-feira, 4 de agosto de 2020

Assembléia de Eu's o álbum de Rap que dá aulas de inclusão


O artista, rapper, ator e slammer, Isaac de Salú, 25 anos, diretamente de Itapevi, zona oeste de São Paulo, lança pela gravadora 7Cort seu álbum oficial de estreia Assembleia de Eu`s, nesta terça-feira (28/07), com identidade visual de Pegge, mixagem e masterização de Bon Beats, tradução em libras por Mikaela Azevedo e descrição para cego ver por Wzy. São 13 faixas inclusivas, trabalho inédito dentro do gênero musical trabalhado por ele. 

Catártico, versátil, conceitual, melancólico, indígena e meditativo como um mantra de emoções no palco das muitas faces do ego humano, entram em estado de transe os personagens de suas letras. Salú passeia por gêneros musicais diversificados como trap, rap, indie e funk. Artistas como Brisa Flow, Black Alien, Elo da Corrente, Don L e muitos outros são inspiração que lapida com uma identidade própria de forte personalidade. 



Em plena quarentena de 2020 por conta da pandemia do COVID-19 que assusta o mundo, este artista independente revelação no cenário atual paulista, exorciza na odisseia musical - angústias existencialistas, ansiedade, lembranças e depressão presentes na sociedade contemporânea. Suas narrativas falam de amor, sexo, fé, superação, cura, autoestima, solidão e trazem também críticas ao cenário político brasileiro. Uma mensagem de esperança e forças da busca por cura em meio aos caos da humanidade. 



Atuante desde 2011, o MC em seu novo álbum faz do palco um divã dentro de uma assembleia que se converte também em um templo de meditação, ele afirma na música Sobre Eu’s e Budas Cabeludos: “Se creio no amor Meu Deus está no afeto.”, no clipe da faixa O peixe se afoga com ar, revela toda potencialidade performática dramática do seu interior de muitos eu´s e da capacidade criativa em uma mente inquieta, sua face se espalha refletida por espelhos. 



A ideia de lançar uma obra completa acessível para surdos e cegos, foi inspirada por um diálogo com o rapper e produtor Wzy, que possui deficiência visual. Salú percebeu como pessoas com diferentes tipos de deficiência são excluídas do mercado e acesso às milhares de produções em plataformas do setor e o descaso da grande maioria dos artistas com um público que possui necessidades especiais. A sensibilidade artística de seu trabalho faz jus ao respeito com um público amplo, acessibilidade e inclusão são fundamentais para o acesso a música, que apenas é possível quando alguém busca expressar toda multisensorialidade disponível na cena, na língua de sinais cada faixa traduzida, marca o início de uma geração que pode inspirar muitos outros artistas em lembrar que o rap deve ser para todos.

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