domingo, 16 de agosto de 2020

Fora da Caixinha | Geovana: O amor é uma loucura maravilhosa, maravilhosa

"Fora da Caixinha" é aquele quadro onde vamos trazer artistas que não são do rap e mostrar um pouco da história deles. O primeiro foi com o "Trio Esperança" e agora bora conhecer um pouco da história da sambista Geovana.

Maria Tereza Gomes é o nome da Batismo da sambista Geovana que é carioca, nascida no bairro da Tijuca e criada na favela da Rocinha e filha de pai senegalês e mãe mineira. A poderosa Gegê como é conhecida pelos íntimos, tem o título de “A Deusa Negra do Samba Rock” (apesar de não gostar por achar limitado) e “Rainha do Samba de Partido Alto”. 

Seu contato com o samba começou por conta de seu padrasto tocar cavaquinho. Em entrevista ao Brasil de Fato, a cantora conta um pouco sobre: "Eu sempre ouvi samba. Meu padrasto tocava cavaquinho, mas, lá em casa tinha "macumba", então, da macumba saía samba, entende? Então, foi assim. E depois eu sozinha mesmo comecei a desenvolver, mas a gente sabia mesmo que era samba e depois eu conheci pessoas mais velhas, que diziam que eu tinha ritmo. E eu vivia fazendo samba o tempo todo, até hoje."


Em 1975 a sambista lançou seu álbum Quem tem carinho me leva” que tem sucessos como: “Pisa neste chão com força”, “Amor dos outros”, “Tatarue” e outros. A cantora teve músicas gravadas por nomes importantes como, por exemplo, Clara Nunes, Wilson Simonal e Martinho da Vila. Participou de importantes momentos históricos como os encontros e apresentações do Teatro Opinião, no Rio de Janeiro no fim dos anos 60.


Na mesma entrevista ao site Brasil de Fato a sambista fala como foi e é ser mulher no mundo do samba, espaço dominado por homens. Confira:

"Agora, até eu me tornar Geovana, o bicho pegou, porque é muito machismo, muito preconceito. Mas assim mesmo eu tive uns amigos da antiga que me apoiavam, davam força e aí como eu também era uma criança rebelde, aí eles me protegiam, me davam conselhos e me levavam pra roda de samba também com eles", conta Geovana

"Mas quando eu cheguei no samba eu levei umas pernadas. Às vezes o trabalho era pra mim, eu que tinha que cantar, mas aí botavam gente no meu lugar e aí dizia um preço com um e aí dali a pouco davam um preço menor para ficar no lugar. Essa mamata que aliás tem até hoje. De qualquer maneira, não me fizeram tão mal assim não, mas eu vi acontecer coisas piores com outras pessoas. Certos tipos de exigências, os abusos sexuais, uma série de sacanagem mesmo. Mas eu não cheguei a passar por isso, até porque eu sempre fui independente, sempre trabalhei, então eu cantava meu samba, mas com meu dinheiro na bolsa", finaliza a sambista.

QUANDO TOCAR "IRENE" NA SUA RODA DE SAMBA LEMBRE DESSA MULHER! 🖤

Muita gente não sabe, mas o grande sucesso “Irene” é de sua autoria, que ganhou fama na interpretação do conjunto Fundo de Quintal. E "Beijo Sabor Cerejeira", um clássico do samba-rock, do qual Geovana se tornou uma referência, assim como do partido alto, subgênero do samba.


Após a gravação do seu segundo trabalho solo, em 1987, Geovana caiu no esquecimento e ostracismo. No início dos anos 2000, a cantora mudou-se para São Paulo, onde começou a trabalhar como segurança numa casa noturna no centro da cidade. Foi neste período que a compositora restabeleceu laços e se aproximou do Batalhão da Vagabundagem, movimento de samba paulistano, e também do Coletivo Sindicato do Samba, grupo que iniciou um processo de reestruturação pessoal e da carreira da Geovana.

A Geovana também falou sobre o acolhimento dos terreiros de Candomblé ao samba no período em que o samba era perseguido e a importância das mulheres. Se liga: "A mulher no samba é igual aos Orixás africanos, as mulheres no samba são as mães. E no Candomblé a grande hierarquia não são os homens, são as mulheres. Então pronto, assim que é o samba. A gente acolhe, até porque o samba são os nossos filhos, maridos, amantes, amores, nossos Orixás, isso tá tudo bem agregado"

Após 32 anos de seu ultimo lançamento o álbum “Canto pra qualquer cantar” a Geovana vai lançar um álbum chamado “Brilha Sol”. O álbum só está sendo possível ser lançado porque a cantora financiou esse projeto com ajuda de fãs através de uma “vakinha” virtual pela plataforma Benfeitora.

AQUI
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Confira a entrevista completa com a Geovana ao Brasil de fato AQUI

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