quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Cronica Mendes Desabafa - O PROBLEMA É NOSSO


Crônica Mendes

Não temos mais problemas.
O problema não é meu.
Cada um na sua.

Em qual dessas você se encaixa?

Pra ser sincero eu não me vejo em nenhuma dessas. Nem naquela idéia tosca de cada um no seu quadrado. Tá tudo uma bagunça só, que dá medo em muitos de se posicionarem, e isso de fato é preciso. Tal como li num livro de nome "De que lado você esta?" do autor André Ebner. E ai meu irmão, minha irmã, qual é?

Estive no último domingo, 22, em um ato cultural beneficente na Favela do Moinho, a favela no coração da maior metrópole brasileira. O ato, o festival, foi em prol das famílias vítimas do incêndio ocorrido nas vésperas do Natal, 22 de dezembro do ano velho, que devastou metade da favela, deixando mais de 300 famílias desabrigadas e sem nada.

Foi íncrivel ver a força da Favela, as suas pessoas articuladas, organizadas, unidas. E como toda favela, o Moinho também tem suas contradições, mas nada que deixa no breu a luta e o exemplo de garra dessa gente nossa. Eu vi, eu estava lá.

O rap foi convocado pela Mãe Favela, a literatura com força respirou o mesmo ar... Não foi o estado, prefeitura, não foi o funk... Foi a Favela do Moinho, o povo quem convocou e o Rap é do povo e com o povo é que ele vai pra luta.

Tem muitos ignorantes por aí dizendo que o Rap agora não tem, nem precisa falar mais de problemas sociais, de comunidade ou de suas pessoas. Querem nos dizer que devemos falar apenas do nosso umbigo, do nosso ego e deixar de lado a nossa indignação. Falar disso pra que? Com um desprazer por este tipo, eu apenas discordo desses ignorantes e vos digo - Não temos que cantar sobre os problemas? Não temos mais problemas? Olhem a nossa volta, veja o que o Moinho está passando, o Pinheirinho, e tantas outras famílias de tantas outras quebradas. Nem mesmo os intelectuais da grande mídia aceitam esses mentirosos ignorantes. Estão sendo usados, aproveitem, pois cada um sabe o que vale, cada um sabe o seu peso. E antes que alguém pense que estou generalizando quando escrevo sobre isso, a resposta é simples - Eu apenas estou assumindo um lado, assim como outros estão fazendo. Lhe convido a fazer o mesmo. Lhe garanto que respostas surgirão, mascaras cairão, líderes tombarão e você se encontrará melhor consigo mesmo.
"Meu rap não ficou acoado, escondido. Ele saiu do meu caderno e conquistou pais e filhos."

Eu acredito nas periferias, nessa gente nossa, e como disse Milton Salles lá no MOinho - "Vocês não estão sozinhos."

Ah, aproveito para fazer um pedido - Não nos abandone, "continue ouvindo rap, o rap."

Sem mais no momento,

Crônica Mendes

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