quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

 


No centro desse ressurgimento negro, Mandamentos Black , a primeira parceria entre Gerson e Getúlio, se tornou um hino à negritude. Juntos, os dois irmãos, criados num subúrbio carioca, perceberam, desde cedo, a importância da arte na construção de uma nova realidade e, ainda, a importância dos laços estabelecidos entre ambos.


Da forte amizade entre os dois, swing e poesia em forma de mensagens contundentes se complementavam, dando origem a verdadeiros manifestos, como a canção que evocava o direito de ser black, em toda a sua verdadeira essência. Assim, Mandamentos Black, um estrondoso sucesso, provocou um despertar para os valores e orgulho negros, sendo completamente absorvidos por afrodescendentes brasileiros e mexendo, profundamente, com as estruturas culturais existentes dominadas, sobretudo, por valores europeus ou, leia-se, brancos. Black is beautiful veio se opor a esses valores, revirando a estética da época.


Passados cerca de 50 anos, mais do que uma reforma estética, a realidade mostra que ainda há muito a ser feito em busca do fim do preconceito e de uma igualdade racial. Os negros continuam sendo a principal vítima da violência no mundo e, particularmente, no Brasil, onde representam 75,7% das mortes, segundo o Atlas da Violência 2020 divulgado em agosto. E, somando-se a essas mortes, o recente assassinato de um homem negro, covardemente espancado por seguranças em um supermercado no sul do País.


Indignados com esse contexto, Gerson King Combo e Getúlio Cortes se uniram, mais uma vez, para clamar por um basta ao racismo. Gravada duas semanas antes da partida de Gerson, “ Tira Esse Joelho Daí” , que faz referências direta à morte de George Floyd, não poderia ser mais direta em sua letra, escrita por Getúlio, que também contribuiu para os vocais da música: 


“O mundo estarrecido, viu, no chão homem caído, porém ninguém lhe deu a mão.

Sou afrodescendente, e muito consciente, é tempo de tomar decisão.

No mundo se diz, que a nossa pele tem raiz, o meu sangue é vermelho (sem distinção de cor).

Não aceito e não tolero, minha tolerância é zero, pra covardia e sua discriminação (comigo não, comigo não)”.


Com lançamento em todas as plataformas digitais, em 30 de novembro, dia do aniversário de Gerson, a sua música de despedida reflete com exatidão sua obra: uma sonoridade rica, marcada pelo funk e soul, com groove e balanço envolventes, somada a força das palavras e mensagens conquistam o público de forma natural, garantindo que a exaltação da cultura e a luta do povo preto permaneçam vivas e se repercutam a necessária e urgente mensagem pelo fim do racismo.


“Tira esse Joelho Daí”, que conta com a produção musical de Marquinho O Sócio, leva o selo Amplifica Records, parte da Amplifica, plataforma que potencializa e impulsiona o trabalho de diversos artistas no brasil e exterior, principalmente artistas pretos e mulheres. Arte gráfica de Ricardo Fernandes.


Ouça:




Terceiro álbum lançado pelo rapper possui 11 faixas e contempla diferentes vertentes musicais


“Pluralidade, isso é Brasil, isso é a periferia”. Assim o rapper Crônica Mendes, de 39 anos, define o seu terceiro disco, intitulado Eleve-se, que chegou às plataformas digitais. Um ano atípico para o lançamento de um disco considerando a pandemia global, mas, segundo Crônica, é preciso se reinventar sempre.

Misturando vertentes e convidados, o álbum aborda temas como a corrida frenética ao topo das plataformas digitais, o jogo dos poderes políticos, as aventuras dos palcos, as experiências e o contato com vertentes musicais de outros estados brasileiros.


Em todos os trabalhos anteriores, Crônica Mendes sempre flertou com diferentes vertentes musicais para além do rap. E neste disco revela suas referências à música nordestina, ao funk, blues, rock, indie e jazz.

Para compor o time de Eleve-se, Crônica contou com músicos e produtores de São Paulo, Distrito Federal e Ceará. Além de Fernando Anitelli e Filho do Justo, participaram do álbum o baixista Glécio Nascimento, o cantor Angel Duarte, Rafah Donato. Quem assina as produções é o renomado Dj Raffa Santoro (DF), Dj Daniel Lamar (CE), Murilo Muraah (SP), Bruno Okuyama (SP), Diego Silva (SP), Filho do Justo (DF) e o próprio Crônica Mendes (SP).

"Escrever para este disco foi um processo de externar toda uma busca por minha identidade musical, o meu jeito de expressar dentro do rap que faço pra mim e para as pessoas que me acompanham", diz Crônica Mendes.

Ouça Eleve-se na sua plataforma de streaming preferida

Ouça:




O Franck é um artista em ascensão na província do Namibe, possui um canto único e uma filosofia transcendental. A sua música diz muito de si. Amante e estudioso da história local, procura em cada canção a representação fiel dos lugares e da gente do litoral mais a Sul de Angola. O rap é o seu distintivo, um rasta man de boas vibrações, uma musicalidade funcional que se enquadra nos costumes da miscelagem do povo que represente e da arte mbali que o mesmo apregoa.




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O rapper angolano, Franck disponibilizou a mixtape intitulada “Reino do Ndongo”

Essa é mixtape fora do comum na província do Namibe, talvez seja uma mixtape fora do comum até em Angolano. Composta por 9 faixas, a mixtape com a primeira faixa de nome BANTU, a segunda CAFÉ e com as faixas de nome Ndongo que vão de I à VII.


“A mixtape busca a identidade dos povos de Angola, a acepção real do sujeito angolano, do preto que descende a matriz real da cultura antes a imposição europeia, realça os aspectos de uma cultura intemporal, história de lutas e conhecimentos ancestrais. Esta Mixtape é uma aula magna de história sobre o reino do Ndongo”, comenta Mateus Catotala.



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Seus lugares são descritos com o espiritismo que se exige, com a ousadia de N'zinga e outros soberanos do reino. A oralidade pregada em África, o Franck encarnou os Griot que pela palavra narram as glórias do reino, as gerações que sucedem umas às outras, não há dúvida sobre a grandeza desta imensa obra que conta com duetos pragmáticos de Dário.


“Cada faixa é uma história que ensina, que educa e nos guarda pacientemente para a próxima faixa, é uma alegria imensa poder ouvir um álbum desta magnitude, uma representação da nossa memória colectiva, da nossa cultura, da nossa luta e da nossa gente. Uma gota de conhecimento num mar imenso de ideias, está Mixtape é um presente para os nossos corações nestes dias de caos”, finaliza Mateus Catotala.

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Ouça a mixtape: 



O produtor do ABC paulista, Safari X traz muitas referências dos anos 90 e elementos da cultura de rua nos seus beats. Safari X, deu início às suas produções em 2016, e lançou seu primeiro projeto, uma beat tape composta por 12 beats de boom bap com influências que passeiam do jazz até a MPB. 

“Safari Sessions Vol. 1” traz com seus instrumentais assuntos cotidianos das ruas das periferias de São Paulo. As faixas contêm uma abordagem introspectiva mas ao mesmo tempo de fácil absorção ao ouvinte. Todas as músicas foram produzidas, mixadas e masterizadas por Safari X. A arte da capa ficou por conta do designer belga Jonas Cozone.





O MC são carlense Guilherme, que cultiva seus trabalhos como Filosofia Rap, no corre desde 2003, e responsável pelo álbum de 2015, O Despertar da Consciência, lançou em setembro deste ano a música "Recordações de incentivo"

Filosofia Rap é a união do saber dos livros com o saber das ruas, da literatura marginal aos clássicos brasileiros e estrangeiros, e nesse boombap clássico, Recordações de Incentivo traz as contribuições de Guilherme na lírica com a marca da produção de Lincoln Rossi. 

Confira:




quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Diretamente da província do Huambo, o rapper INSTINTO COLECTIVO disponibiliza o single "ANTEINVERBIS" (Baixe grátis) que contempla 2 faixas músicas e um Skit. Anteinverbis é um single que vem fazer o cartaz do "INVERBIS" projeto que está em fase terminal. Enquanto se espera pelo projeto propriamente dito, o rapper decidiu manter os seus ouvintes ligados com essas duas músicas e expectantes do "Inverbis".





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Com letra que fala de beleza, poder, dinheiro e sonhos, a música integra o livro de mesmo nome da escritora Carolinne Oliveira.


Na última sexta-feira, dia 27/11, foi lançado o videoclipe de Preta Patrícia, novo single do rapper Mb2 já disponível em todas as plataformas digitais. A estreia do clipe aconteceu depois de uma live no Instagram da escritora Carolinne Oliveira, com participação de Mb2, que juntos comentaram sobre o processo criativo por trás de Preta Patrícia, projeto de estreia dessa parceria que une dois grandes artistas e influenciadores culturais.

Preta Patrícia, livro de Carolinne Oliveira, conta como uma menina preta que nasceu em uma família de classe média baixa, decidiu lutar contra o preconceito racial tornando-se uma referência de preta rica brasileira, vivendo em 5 países diferentes, falando 3 idiomas e desfrutando de uma vida que a maioria das pessoas só viu em revistas.


Assim como no livro, a música tema composta pelo rapper Mb2 fala de beleza, poder, dinheiro e sonhos, e traduz um conflito identitário real vivido hoje no país. Entre versos que exaltam a liberdade da mulher preta de ser quem ela quiser ser, a música, assim como o livro, refletem sobre o abismo cultural e o racismo estrutural entre a elite financeira, formada majoritariamente por brancos, e a população negra, maioria no país, que não está presente no imaginário popular do sucesso econômico e, em muitos ambientes, ainda é vista como incapaz de alcançar seus sonhos e participar da economia de forma vertical.

Assista:



O videoclipe de Preta Patrícia, com imagens captadas na Austrália, em Porto Alegre/RS e em Poços de Caldas/MG, tem roteiro e direção de Mb2, captação de imagens e edição por Lukaz Malaquias e traz como protagonista a própria Carolinne Oliveira. Para conferir, acesse os canais do artista no Youtube (Mb2 Oficial) e Instagram (@mb2oficial).


 


Esse verso (abaixo) do rapper angolano Keita Mayanda é a faixa “Predadores” do álbum “Nós Os do Conjunto e Despertar em Momentos de Incerteza” de 2017. 


Recentemente o rapper anunciou que vai lançar um novo álbum. Segundo a revista Carga, o novo álbum vai se chamar “7 Momentos de Lucidez” e vai ser lançado nesta sexta-feira (04/12) na plataforma angolana “Soba Store”. Depois disso vai estar disponível em outras plataformas digitais, além da edição física.


“Uma obra que descreve várias experiências e traz reflexões sobre a sociedade e a existência do Homem. Contém 10 faixas musicais e pode ser compreendido como uma sequência narrativa do emblemático O Homem e O Artista”, escreve o jornalista Albino Tchilanda.


O álbum conta com participações de Kennedy Ribeiro (produção), Leonardo Wawuti (produção e parte vocal), Verbal Uzula (produção e parte vocal), Damani Van Dunem e CFKappa. Além de Kennedy, Leonardo, Verbal traz ainda produções de Elzo Sénior, Oswaldo Davis e Mad SuperStar.


Discografia do rapper:


“Ngonguenhação” (2004)

“O Homem e o Artista” (2006)

 “Nós Os do Conjunto e Despertar em Momentos de Incerteza” (2017) 


Fonte: Revista Carga


terça-feira, 1 de dezembro de 2020


2020 tem sido um ano atípico, e muitos lançamentos acabaram se perdendo no tempo espaço, e merecem ser exaltados e lembrados.

Marfim é o primeiro single do MC paulistano AK'him. AK'him conhecido nos undergrounds paulistas também pelo seu trabalho no grupo ATTICA!, lança seu som numa  releitura do beat do produtor californiano Ahwlee, e traz junto a doçura da cantora Larissa Nunes, a Larinu. 

Marfim traz o doce toque da melodia, contrastando com lembranças sobre diáspora, colonização e vivências diárias. A captação do som ficou por conta de Lodo Estúdio, a mixagem e masterização por Felipe MUD, e arte por Arthur Garbossa.


 

Geenuino o PAI lançou nas plataformas digitais, "Nada Pra Provar", produzida pelo seu fiel escudeiro, Ykymani.

"Nada pra Provar, foi a primeira track que gravei no meu home studio, durante a pandemia. E foi bem assim, traduz o sentimento meu e de muitos artistas, a indústria tenta fabricar, tudo que a gente já é naturalmente..." resume Geenuino.

Num tom de deboche Geenuino leva a melhor, partindo para o ataque ao mandar uma resposta direta para todos os aprendizados que teve, relacionados a amizades, polícia e maus ventos.

Nada pra Provar, é faixa carregada de synths que faz referência ao rock, mas ao mesmo tempo explora ambientes do club e trap. Acompanhado de visual dirigido por Jon Leão nas ruas da zona sul de São Paulo. 


Assista: