sábado, 27 de junho de 2015

Sarau realizado em manicômio denúncia genocídio da população negra


Não,você não leu errado, existe um sarau realizado dentro de um manicômio,idealizado por clientes do local. 
Mas ai você me pergunta o que genocídio da população negra tem haver com internos de um manicômio.?



O Coletivo AIA inspirado na luta da médica Nise da Silveira pela humanização no tratamento psiquiátrico resolveu ocupar o Hospital Psiquiátrico Pedro II, rebatizado de Instituto Municipal Nise da Silveira. Além do complexo que se encontra no bairro Engenho de Dentro, subúrbio carioca, encontraram também diversos coletivos e indivíduos dispostos a embarcar nessa construção.
A intenção deles é criar um canal de comunicação que fique a disposição dos clientes em tratamento dentro do complexo, a partir daqueles que convivem dentro da ocupação Hotel e Spa da Loucura. Em pouco tempo de pesquisa, eles se depararam com artistas incríveis e atores geniais, incluindo Luciene Adão: a escritora que viria a se tornar o pilar do impresso.

No final de 2014, membros do Coletivo Enegrecer com históricos de violência psiquiátrica estatal na família conhecem o Hotel da Loucura a convite do Coletivo AIA. A harmonia das idéias não poderia ser melhor, era mais do que necessário pessoas negras para enegrecer esse trabalho e denunciar em conjunto a psiquiatria racista que continua mais viva do que nunca. Fazendo parte da construção e dos demais processos desde a 2 edição, o Coletivo Enegrecer juntamente ao AIA, construíram um jornal sobre negritude que foi um divisor de aguas em suas vidas e nas demais vidas das pessoas de todas as quebradas do Rio de Janeiro e de todo o Brasil.

O intuito destes coletivos é humanizar e enegrecer as atividades deste local psiquiátrico, pois um local onde sua maioria é preta obvio que tem que ser coordenado e trabalhado com pessoas negras e pessoas ja vivenciaram estas situações.





Coletivo AIA 

O que é o Hotel da Loucura? 

O trabalho desenvolvido no Hotel da Loucura é inspirado na luta da médica Nise da Silveira pela humanização no tratamento psiquiátrico. No mesmo local em que, hoje, funciona o Instituto que leva seu nome, ela presenciou pacientes recebendo tratamento por choque e realização de lobotomia, durante as décadas de 1940 e 1950. Discípula de Jung, ela decidiu criar no espaço ateliês de pintura e escultura, oferecendo a criatividade como tratamento. Com as obras resultantes, ela criou o Museu de Imagens do Inconsciente, inaugurado em 1952 dentro do próprio instituto. 

A médica se transformou em um dos maiores símbolos pela luta contra a internação forçada, que culminou no Movimento Antimanicomial, inciado nos anos 1980, responsável pela regulamentação de leis que impedem a crueldade no tratamento. 

Os preceitos de Nise são seguidos à risca no Hotel da Loucura. Todas as semanas são realizadas oficinas, peças de teatro e, às quartas, os pacientes são levados para caminhar em uma feira livre próxima do local. Durante esses momentos, todos são iguais - não há o médico, o paciente e o visitante. 

O objetivo final é promover a extinção de todos os manicômios brasileiros (segundo Pordeus, ainda há 5 instituições no Brasil que realizam práticas como contenção e administração de medicamentos forçados). O Instituto Nise da Silveira, um complexo de 5 mil metros quadrados, idealmente se transformaria em uma Universidade Popular, oferecendo cursos abertos à sociedade.

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