segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A paulistana Souto MC lança o clipe "Primeiro Lugar"


"Na cidade da construção "nois" vem pra desconstruir
Falsidade e contradição "nóis" entra pra destruir 
Discurso de opressor no meu rap não vai ouvir, 
aqui é química alquimia pronta pra te diluir"

Assim começa o som "Primeiro Lugar" da jovem mc paulistana de 22 anos, Souto MC.
Desta safra nova de mcs a Souto esta entre as mais foda da cena paulista, o modo que ela rima e constroe as rimas são de mais, pois nenhuma linha dela é algo em vão taligado..? tudo que ela rima tem nexo, contexto e referencia. 
Logo menos "ceis" vão ta ouvindo mais sons da Carol.

Se liga neste verso..

"Rima bem e é gata, fico grata
mas não sou continente esperando ser conquistada
Tamo na estrada, a caminhada nunca travada, 
pra que nenhuma mulher se sinta colonia explorada"

Sentiu..? Este som da Souto me lembrou uma frase do Muhammad ali "Voe como uma borboleta e pique como uma abelha"
O som soa leve como uma Borboleta, mas as rimas picam como uma abelha!

Tive a oportunidade de trocar uma breve ideia com a Carol vulgo Souto MC. 
E perguntado se poderíamos esperar mais som nesta pegada do discurso feminista com puchlines pesadas e se este som é só uma previa do que esta por vir. Ela disse: Sim! Mas não só dessa maneira... Tem muito assunto nessa temática pra ser abordado e vai acontecer!
Ela também fala sobre o som "Primeira lugar" de como ele foi construído.
A principio era pra ser uma cypher, depois virou só uns versos e ganhou vida e forma em Curitiba, no beat e na produção do BFace... Esse refrão eu fiz na hora que eu tava ouvindo o beat a primeira vez e aí ficou,haha.

O VishMidia tem um canal no youtube bem interessante com projetos no estilo deste que saiu da Souto e um site bem dahora sobre rap e cultura urbana. Por isto perguntei como surgiu a parceria.
E ela diz que surgiu quando ela chegou em Curitiba, o Rafael mandou mensagem e ja começou as articulações deste projeto dahora!

E a pergunta que não quer calar.? o que é DMNA..?

Decidimos mover nossas asas é um coletivo e uma produtora composta por mulheres que resolveram se produzir culturalmente usando a militância política e a arte como ferramenta... O nome já diz: Decidimos Mover Nossas Asas.

ASSISTA!

Som produzido pelo Bface


FACEBOOK // SOUTO MC
CANAL NO YOUTUBE // SOUTO MC


SOBRE A MC:

Souto MC – Flow, Engajamento e Resistência
A vida online de Caroline Souto, ou melhor, Souto MC, como costuma utilizar, é marcada por seus posicionamentos políticos e engajamento em causas como o feminismo e a cultura hip hop. Ela tem presença e mostra não se intimidar: a exposição clara das suas ideias, o papo reto e o bom humor são características marcantes desta MC que começou a compor quando tinha de 14 para 15 anos – segundo ela, algo que fazia sem muita seriedade no início, mas que começou a priorizar quando viu a construção e melhoria de suas canções. Suas influências vão “do rock ao samba”, fato que leva seu trabalho para muitos ritmos.

Nem tudo são flores: Souto conhece bem os percalços do caminho. Se colocar a cara para bater e dizer o que pensa já não é uma tarefa fácil de maneira geral, adicione o fato de fazer isso usando o rap e sendo mulher. Não é preciso ser bom de conta para saber o tamanho da dificuldade que ela enfrenta ao cantar suas letras. Ela mesma afirma:

“Mulheres não se sentem confortáveis dentro de um ambiente que continua tendo como principal faceta o homem machista. Além de inúmeras dificuldades que o próprio machismo emprega”
O mais importante para ela, porém, é o empoderamento que isso gera. Ela não pede licença para os homens, tampouco pergunta o que pode ou não ser debatido. Existe espaço para debater o feminismo? “Se não tem, a gente faz ter. Para isso que nós estamos aqui”, completa.

O mais importante para ela, porém, é o empoderamento que isso gera. Ela não pede licença para os homens, tampouco pergunta o que pode ou não ser debatido. Existe espaço para debater o feminismo? “Se não tem, a gente faz ter. Para isso que nós estamos aqui”, completa.

Suas rimas não têm temáticas, nem têm regra específica: “Minha lírica é algo que eu não gosto de definir porque eu sempre vou cair em contradição. O que dá vontade de escrever, eu escrevo”, explica. Mas, se ouvidos distraídos podem perceber o poder da voz e da postura da Souto, ouvidos atentos conseguem ir além e extrair ideias de resistência, questionamento, críticas ao sistema e situações de vivência de uma jovem que segura de si, que não tem vergonha de onde vai e de onde quer chegar.

A família? Essa ainda estranha o envolvimento dela com o movimento, mas talvez isso seja só questão de tempo, já que Souto MC acredita que a marginalização do rap vem perdendo força para um espaço de maior diálogo e abertura para quem acredita na ideologia existente por trás de cada vertente do hip hop. “Novos artistas trouxeram novas perspectivas que são fundamentais pra um movimento que tem força pra ser muito maior”.

Muito mais que viver só de rap, quero viver de arte

Crescer e aprender cada vez mais, fazendo o que gosta. A pergunta que fazemos para a MC é a mesma que se faz para quem está começando de forma geral: é possível viver disso? Dá pra fazer do rap uma meta de vida? “Sim. Muito mais que viver só de rap, quero viver de arte”, finaliza.



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