terça-feira, 23 de julho de 2019


'Na Terra da Pilantragem' é um single do duo Senzala Hi-Tech, lançado em na última sexta-feira (19/07), faz parte do novo disco em vinil do grupo que será lançado em agosto de 2019. Foi produzido por Minari e tem composição de Diogo Silva e Sombra.

Ouça:



Ficha técnica:

Arte: Junião. 
Composição e voz: Diogo Silva e Mc Sombra. 
Percussão: Gustavo da Lua e Didi. 
Guitarra: Mizão. 
Baixo: Davi Índio. Mpc/Synths: Minari. 
Trompete: Natan Oliveira. 
Captação: Minari. 
Edição: Minari 
Mixagem: Evaldo Luna. 
Masterização: Leo Shina

Com seu álbum 'Platinum O.G’ previsto pra sair nesta sexta-feira (26/07), a lenda da Bay Area, Spice 1, nos surpreende com outro single. 

Depois de lançar o som ‘Since 85’ com Kurupt e Devin the Dude e o single 'Who You Wanna Be Like' com Too $ hort, Yukmouth, Money B e Kiki Supastar, Spice 1 lança o single 'Doing What The Playas Do' com participação de Too $ hort, o falecido Pimp C e Lee Royal. O som é produzido por Elder, Ace 1 e N.O. Joe

Ouça:





Espetáculo traz à tona estigma aplicado às pessoas negras: o fato de serem sempre suspeitas aos olhos da Lei

Do dia 01 de agosto até o dia 04 do mesmo mês, o Espaço Cênico do Sesc Pompeia recebe o espetáculo “Rituais de Suspeição” da Cia. Sansacroma. A pesquisa de linguagem da Cia. fundamenta-se na Dança da Indignação. O conceito surgiu da necessidade e do amadurecimento estético da Cia durante os últimos anos de produção e responde ao anseio de se criar um processo de fruição da dança que dialogue com as questões e interesses coletivos, juntamente com a apropriação de diversos meios de produção artística. Após apresentações no Sesc o espetáculo segue turnê em várias regiões de São Paulo.

“Rituais de Suspeição” pretende ser um relato, uma cartografia, um escurecimento de todos os atravessamentos que os corpos negros e/ou periféricos vivenciam em seus processos de construção de suas singularidades sendo inseridos na lógica estruturante da falsa ideia de direitos civis universais e racismo cordial.

“Este projeto é importante à medida que consolida os 17 anos de trabalho e produção da Cia. Sansacroma. Ao longo deste tempo, e na perspectiva da estética marginal, a Cia vem fincando raízes de resistência no cenário da dança paulistana”, explica Gal Martins, fundadora e coreógrafa da Cia.

O espetáculo compõe o projeto da Sansacroma denominado “Entre corpos negros e homens de bem”, baseado na pesquisa de doutorado do sociólogo paulistano Uvanderson da Silva. Com esse trabalho, a Sansacroma pretende refletir acerca do corpo negro e/ou periférico como suspeito, suas “coreografias” sociais para camuflar processos de suspeição e como este corpo atravessa a sua existência na tentativa do acesso à cidadania plena e aos direitos civis.

Além de trazer à tona estigma aplicado às pessoas negras, o projeto procura abordar uma temática que se torna necessária diante das atuais discussões em que a Cia Sansacroma está inserida: o estigma das pessoas negras como suspeitas aos olhos da Lei. Nem sempre isso é percebido pela sociedade, a não ser diante de casos que se tornam notórios na imprensa, como o caso de Barbara Querino, acusada de assalto na cidade do Guarujá, litoral paulista. A modelo foi condenada a cinco anos de prisão, mesmo após provar que não estava na cidade na ocasião. Temos ainda inúmeros casos como Amarildo, sequestrado e assassinado pela polícia, Marielle Franco e Anderson que foram assassinados por denunciar a intervenção federal no Rio de Janeiro são alguns do população negra é condenada injustamente, não só no Brasil, mas como em outras partes do mundo.

O Ritual de Suspeição do negro é mascarado por rotinas e práticas assimiladas pela nossa cultura, sem a devida reflexão. O preconceito racial, sem dúvida, constitui uma violência que, muitas vezes, não apresenta a visibilidade necessária para ser identificada. No Brasil, o preconceito assume a natureza de preconceito de marca, contrapondo-se ao preconceito de origem. Este último é caracterizado pela forma contundente como se apresenta, havendo uma explícita política segregacionista, sem flexibilidades, enquanto o primeiro se manifesta “em relação à aparência, isto é, quando toma por pretexto para os seus julgamentos os traços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, o sotaque, havendo mesmo uma tendência de flexibilizá-lo e dissimulá-lo”. Apesar de o mito da democracia racial dar sustentação à concepção de que não há conflitos nas relações raciais no Brasil, todos sabem que existem preconceito e discriminação racial.

No livro “Rota 66 – a história da polícia que mata”, o jornalista Caco Barcelos divulga uma pesquisa que realizou dentro dos arquivos da polícia sobre vítimas abordadas e mortas em confrontos com policiais. Ele constatou que “O perfil das vítimas: “Homem jovem, 20 anos”. Negro ou pardo. Imigrante baiano. Trabalhador sem especialização. Renda inferior a 100 dólares mensais. Morador da periferia da cidade. Baixa instrução, primeiro grau incompleto". O tempo mostra que, dentro deste conceito de suspeição, de uma forma geral, nada mudou. Uma pesquisa realizada pela Fundação Abrinq mostra que as vítimas de homicídio no Brasil têm cor. Em 20 anos, o número de jovens negros assassinados aumentou 429%, ante 102% de jovens brancos.

Ficha Técnica:

Direção Artística: Gal Martins

Direção Coreográfica e Concepção do espetáculo: Gal Martins e Djalma Moura

Intérpretes Criadores: Aysha Nascimento, Érico Santos, Ciça Coutinho, Flip Couto, Marina Souza, Tiago Begins, Malu Avelar, Victor Almeida e Djalma Moura

Trilha Sonora: Renato Gama

Musicistas Convidadas: Fefê Camilo (percussão)

Figurinos e Adereços: Gil Oliveira e Mariana Farcetta

Projeto e Operação de Luz: Fernando Melo

Orientação de Pesquisa: Uvanderson da Silva

Direção de Produção: Vanessa Soares

Assistentes de Produção: Danilo Santana e Lua Santana

Operação de Som: Danilo Santana

Assessoria de Imprensa: Lau Francisco

Mídias Sociais: Érico Santos

Designers Gráficas: Bárbara Leite, Mafê De Biaggi e Ricardo Pocinho

Agradecimentos: Fábrica de Cultura Jardim São Luís



SERVIÇO:

Rituais de Suspeição

Do dia 01 até o dia 04 de agosto de 2019, quinta a sexta, às 21h30 e domingo às 18h30 - Espaço Cênico

Ingressos: R$6 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$10 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$20 (inteira).

Classificação indicativa: 14 anos.

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.

Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal: sescsp.org.br/pompeia

instagram.com/sescpompeia facebook.com/sescpompeia twitter.com/sescpompeia Para credenciamento, encaminhe pedidos para imprensa@pompeia.sescsp.org.br

Turnê “Rituais de Suspeição”

Centro de Referência da Dança, dia 20 de agosto, terça-feira, às 20h - Galeria Formosa Baixos do Viaduto do Chá s/n – Centro Histórico de São Paulo (11) 3214-3249

Centro de Formação Cultura Cidade Tiradentes, dia 22 de agosto, quinta-feira, às 20h R. Inácio Monteiro, 6900 - Conj. Hab. Sitio Conceicao, São Paulo (11) 3343-8900 Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha , dia 28 de agosto, quarta-feira, às 19h30 Teatro Flávio Império, dia 31 de agosto, sábado, às 20h - R. Prof. Alves Pedroso, 600 - Cangaiba, São Paulo - SP, Telefone: (11) 2621-2719 Fábrica de Cultura São Luis, dia 03 e 04 de setembro, terça, às 20h - R. Antônio Ramos Rosa, 651 - Jardim São Luís, São Paulo Funarte Sala Renné Gumiel, dia 06 de setembro, sexta-feira, às 19h - Alameda Nothmann, 1058 - (11) 3662-5177 Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, dia 08 de setembro, domingo, às 18h Teatro de Contêiner Mugunzá, dia 10 de setembro, terça-feira, às 20h - R. dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia
Foto: Icaro Luan

Rap Nova Era, formado por Ravi, Moreno e DJ Kbça, acaba de divulgar seu terceiro registro de estúdio, “Renovação”. Como o próprio título sugere, esse é um marco para  a identidade do grupo baiano. Se antes o objetivo era ressaltar a vivência contínua da violência, principalmente policial, agora a proposta é outra, menos agressiva e muito mais preocupada com a musicalidade. 

Sucessor de Nem Tente Contar com a Sorte (2009) e Brutality (2015)”, disco conta com 13 faixas e reúne grandes nomes do rap nacional. Entre eles, DJ Cia, DBS Gordão Chefe, Yzalú, Lord (ADL), Godines e Vandal, além de produtores como Gedson Dias, beatmaker que já trabalhou com Racionais Mc’s.

"Esse trabalho é sobre enxergar as coisas de outra forma. É sobre querer superação e uma vida melhor para os nossos. Esse é o estilo do rap que fazemos, rap gangsta, de protesto, pesado. Nossa ideologia é o resgate de almas. Queremos ver as pessoas acreditando que podem. Essa é a missão... Devolver a autoestima do povo preto e periférico”, explicam.

Sendo produzido desde 2018, projeto já soma quatro videoclipes. O primeiro, “Terror e Verdade”, ultrapassou mais de 160k visualizações no Youtube e faz uma conexão entre as ruas de Salvador e os becos do Capão Redondo, em São Paulo. Logo depois, “Vai Cair” e Treta. Essa última critica o hype da ostentação. Já Poesia Marginal, que vem em seguida e com atuação do MCs Shook e Felzem, retrata a realidade de quem exerce suas funções, de maneira autônoma, nos ônibus e metrôs soteropolitanos.


Fechando esse ciclo que esquentou para o álbum completo, Rap Nova Era entrega o lançamento oficial de "Renovação".  Bráulio Passos gravou, mixou e masterizou. Os estúdios dessa jornada foram WR, Luizinho Assis e Fernando Sor (Bogotá, Colômbia) 
As artes da capa são de Raphael Brito. 

Entre shows por todo o país, desde Sescs, grandes festivais, faculdades e casas de detenção, Ravi, Moreno e DJ Kbça seguem identificando as diferenças sociais a partir do olhar de quem vive e conhece o subúrbio. 


Ouça aqui também: https://bit.ly/2xOMIgY 

Nivek chegou com novidade! Dessa vez, trata-se do videoclipe do single “Refém”, onde o MC paulistano expõe questões às quais precisava muito desabafar. Inicialmente, colocou os sentimentos para fora em forma de poesia, adaptando o texto e concretizando a canção após ouvir um beat de EmiKá.

A produção, que possui mix e master de Tan Beats e audiovisual assinado por Bruno La Praga, aborda como nos tornamos reféns dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, muitas vezes criando situações que se transformam em armadilhas e nos tornam reféns de nossos atos.

“Estou sempre disposto a aprender, com qualquer pessoa, não se apegar a um estilo e nem a seguir a moda. Eu faço o que eu estou sentindo e curtindo no momento, gosto de inovar, testar coisas novas e passar o que estou sentindo no momento”, afirma Nivek sobre seu processo de produção e diferencial artístico.

Para o futuro, o MC garante que lançará conteúdos diversos mensalmente e que pretende trabalhar fazendo algumas participações. Nivek adianta que já começou a trabalhar em um projeto novo, que será fundamental para o crescimento de sua carreira em 2020.

“Eu comecei a compor no final de 2018, nunca foi algo que passou pela minha cabeça, mas algumas coisas foram acontecendo e eu fui vendo na música uma forma de desabafar e acabei me encontrando no mundo da música. Depois de ter escrito minhas primeiras letras, comecei a procurar por beats, até que encontrei um do Kweller. Depois disso fui gravar a minha primeira música na AsfaltoRec, estúdio do Ecologyk, e desde então não parei mais. Estou lançando um som todo mês, o primeiro saiu em fevereiro deste ano. Agora, venho trabalhando muito com o Wes di Castro, produtor aqui de São Paulo. Estamos desenvolvendo um trabalho para elevar o nível de minhas composições”, conclui.

Confira “Refém”:



A cantora senegalesa Marieme está na faixa de Shaheed & Dixa 'Fi Moy Senegal' disponível em todas as plataformas digitais. O vídeo foi lançado em abril para homenagear o Dia da Independência do Senegal e desde então, o single se tornou a música do verão com o time de futebol do Senegal, 'The Lions of Terangaha' adotando a música como um hino não oficial. 

Novidade da cantora: com apenas um EP lançado no ano passado, Marieme já dividiu o palco com cantores notáveis, incluindo lendas da música africana como Youssou N'dour e Baba Maal, além de Akon com quem ela planeja trabalhar muito em breve. Ela deixou sua terra natal quando jovem, quando irrompeu a guerra entre a Mauritânia, onde sua família morava, e seu país natal, o Senegal. As tragédias do conflito desde uma idade tão jovem e suas viagens ao redor do mundo inspiraram Marieme a se tornar mais consciente sobre o mundo ao seu redor e como ela poderia trabalhar para conectar as pessoas com o potencial de cura com a música. Agora, dividindo seu tempo entre Nova York e Los Angeles, espere muito mais de Marieme

Marieme está atualmente no estúdio com planos para um LP de estreia a ser lançado no início do próximo ano.

Assista:


A premiada rapper é um dos nomes atuais mais fortes do RAP da Lusofonia e apresenta pela primeira vez o novo disco em São Paulo.

Um dos maiores nomes da cultura hip hop angolana, Eva Rapdiva é uma das artistas do momento no rap lusófono (cuja língua oficial ou dominante é o português) e estará em São Paulo para participar da12ª edição do Festival Latinidades, o maior festival de mulheres negras da América Latina. A rapper faz o show de lançamento do seu novo disco EVA dia 26 de julho no Centro Cultural São Paulo comentrada gratuita.

A artista vem acumulando prêmios de prestígio, como o de melhor artista no Angola Music Awards, e recentemente se apresentou no Rock in Rio em Portugal. A carreira consolidada em Angola teve início nas ruas, onde participava de batalhas de freestyle. Gravou suas primeiras músicas em 2013 e desde então vem ocupando espaços do underground ao mainstream.

O disco “Eva” fala de amor, de realidades sociais e, principalmente, do que é ser mulher nos dias de hoje. O álbum está disponível em todas as plataformas digitais.

'Favela', último lançamento da Eva


'Beleza não é tudo' lançando em 2017


'Final Feliz' lançando em 2016


Serviço 
Show - Eva Rapdiva no 12ª edição Festival Latinidades
Data: 26 de julho (sexta-feira)
Horário: 19h
Local: Arena Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso, São Paulo - SP
Telefone: (11) 3397-4002
Classificação etária: livre
Entrada gratuita

12ª edição Festival Latinidades
Dias: de 23 a 26 de julho de 2019 (terça-feira à sexta-feira)
Horário: 23/07 a partir das 14h, demais datas a partir das 10h 
Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso, São Paulo - SP
Telefone: (11) 3397-4002
Classificação etária: livre
Entrada gratuita

Latinidades - Festa de Encerramento
Data: 27/07/2019
Local: Casa Natura Musical
Endereço: Rua Artur de Azevedo, 2134 - Pinheiros
Horário: 20h (abertura da casa: 19h)
Classificação etária: 16 anos
Ingressos: lote 1: R$ 30,00/R$ 15,00 (meia-entrada). Lote 2: R$ 40,00/R$ 20,00 (meia-entrada). Lote 3: R$ 50,00/R$ 25,00 (meia-entrada). Lote 4: R$ 60,00/R$ 30,00 (meia-entrada).
Venda oficial de ingressos online apenas pelo site:https://bileto.sympla.com.br/event/61297/d/65863/s/341653
*Para descontos de portais parceiros, informe-se no site dos mesmos.
BILHETERIA OFICIAL - sem cobrança de taxa de conveniência (Terça a Sábado das 12h às 20h. Segundas e Domingos, somente em dias de show).

Conteúdo produzido por Cais

segunda-feira, 22 de julho de 2019


Como noticiado semana passada, a cantora Hanifah lançou o single “Pra mim”.

Hanifah que é a filha mais velha do KL Jay do racionais mc’s, no último dia 18 julho lançou o single e no dia 19 lançou o clipe do som “Pra mim”, single do EP que será lançado nos próximos meses. 
O single foi produzido pelo talentoso produtor musical Deryck Cabrera, que já trabalhou com Tássia Reis, Drik Barbosa, Don L e Muzzike.

O trabalho sai pelo selo KL Música, que é o coletivo do DJ dos Racionais MC`s, onde atuam vários nomes da nova cena do rap nacional. 

O single é um R&B bem romântico com um clipe produzido pela produtora BeatsFilms. O clima do clipe mostra casais reais onde a cantora através da sua voz encarna a função de um cupido para os apaixonados. 


"A letra fala do início de uma relação, que é fruto de uma amizade que virou amor, algo mais profundo e dessas expectativas. A inspiração veio de uma experiencia que eu vivi, sem muitos segredos". 


O single precede o EP que deve vir em agosto. "Será meu primeiro projeto importante onde eu estou colocando toda a minha identidade" conta Hanifah.


Assista:



Los Angeles, 2019 e São Paulo, 2019: a primeira, o cenário de um filme de ficção científica de 1982. Já a segunda, um futuro-presente que pertence a realidade de muitos brasileiros. São Paulo é, sem dúvidas, uma cidade cyberpunk onde drones são utilizados para fins policiais ao passo que mais de 2 milhões de pessoas vivem na dependência de uma droga criada há quase quarenta anos. A baixa tecnologia e a alta qualidade de vida é um resumo fatídico dos dias atuais e serve de substância para a nova música de Yannick Hara.

A terceira faixa do disco “O Caçador de Androides” conta com as participações de Moah da banda Lumière, Rike do NDK e Keops & Raony é uma referência direta ao livro de Philip K.Dick “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?” que também deu origem a saga de filmes “Blade Runner” (1982) de Ridley Scott e de “Blade Runner 2049“ (2017) do diretor Denis Villeneuve. O disco que tem o lançamento marcado para novembro faz um paralelo entre o universo do livro e dos filmes com assuntos como o cenário político brasileiro, a escravidão tecnológica, a libertação animal, a vida e a morte.

No romance de Philip K.Dick, o mundo distópico surgiu por meio de uma “explosão/ a poeira” comandada pela Guerra Mundial Terminus. O autor resume como uma terra de ninguém onde ninguém lembrava o motivo da guerra ou o que ou quem havia vencido. Yannick Hara explora aqui o abismo onde se compreende o fim e o começo de um processo civilizatório. Na história, a estranha morte das corujas que caíram dos céus marca o início do falecimento do velho mundo. Esses animais que apareciam somente após o crepúsculo não tiveram o seu desaparecimento inicialmente notado. Assim, o disco se apropria de uma forte narrativa política e se agarra na metáfora da coruja que enxerga na escuridão enquanto os outros animais dormem. Entretanto, a coruja também carrega o agouro da morte na cultura romana: um símbolo sobre o definhamento intelectual da nossa sociedade, onde o pensamento crítico dá lugar a figura do fascistóide que “cunham nossas orelhas com falsas métricas”.

O livro coloca a mídia como o braço de um estado fascista ao mesmo tempo em que ajuda a preencher o silêncio dos lares. Há a personificação do infotenimento sensacionalista simbolizada pelo programa Buster Gente Fina e seus Amigos Gente Boa. O apresentador escarnico nem existe de verdade, no entanto, apela para uma fala “higienista, alienada, manipulada” conforme pontua a letra da música. O “ismo”, sufixo utilizado para determinar um sistema político, religião ou crença parte de um holograma como são os telejornais e as novelas. Nesse mar das certezas midiáticas algo rompe com o entendimento sobre nós mesmos: os replicantes que matam seus patrões e fogem de uma vida de exploração. Afinal, androides também sonham?

OUÇA O SINGLE NO SPOTIFY: ANDROIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS?