segunda-feira, 31 de agosto de 2009



Perfil

Memórias de Loalwa Ex-vocalista do grupo Kaoma - sucesso mundial nos anos 1990 com a lambada - relembra fatos marcantes de sua vida e carreira



Gente

O rei do ritmo Próximo de completar 60 anos de carreira, um dos expoentes da tradição do forró autêntico do Nordeste se entristece por não ser reconhecido como artista e, mais ainda, não ser convidado para tocar e cantar



Cultural

A nova safra da Black Music A música negra ganhou o mundo, algumas variações e muitos ídolos. Por aqui não foi diferente e, agora, uma nova geração de artistas brasileiros invade a mídia para mostrar o valor de um dos ritmos musicais mais admirados e lucrativos do mundo



Raízes

Tocaña a versão afro da Bolívia - Lagunas azuladas adornadas com flamingos rosados, terrenos irregulares e alaranjados do altiplano e indígenas de origem quéchua e aimará com trajes de cores fortes



Sempre na Raça

Dreads na cabeça - Eles são sinônimos de luta, imponência e respeito, porém, exigem cuidados em sua criação e manutenção. A boa notícia é que uma nova técnica em São Paulo permite dreads com aparência de verdadeiros e que podem ser retirados sem cortar o cabelo antigo. Que tal?
Memórias do 3º vagão - Quantos casamentos? Quantos grupos de samba? Quantas festas? Quantas sociedades empresariais e projetos de militância política nasceram naquele carro do horário das 6h08 - o trem dos estudantes - que transportava alunos das três faculdades de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, nas décadas de 1970 e 1980?

O Realidade Cruel há poucos dias perdeu o integrante Flagrante, que saiu do grupo ao se converter em uma igreja evangélica. Mas, Douglas e DJ Bola não vão ficar sozinhos! Carol, que está em liberdade depois de ter cumprido pena por tráfico de drogas volta a fazer parte do grupo.

A volta de Carol foi marcada por uma reunião que aconteceu num restaurante de Campinas. Estavam presentes na ocasião, além de Douglas e Carol, DJ Bola, Gregory e Léo. Segundo Douglas, no encontro todos puderam esclarecer os boatos que haviam surgido desde a prisão de Carol. “Somos amigos e a amizade prevaleceu! O que já passamos juntos ninguém sabe. Então, é fácil quem ta de fora opinar”, desabafa Douglas. Ele garante que o grupo está mais unido do que nunca. Douglas afirma ainda que a agenda do Realidade Cruel está lotada e eles estão ainda mais fortalecidos para fazer o que sabem de melhor “Cantar Rap”.


Fonte:
Assessoria Rap Nacional



1. (00:05:30) The Game - Bang Along (Produced By Kanye West)
2. (00:03:13) The Game - Gangstas Ride (Feat. Jaz-O) (Produced By Jaz-O)
3. (00:04:40) The Game - I'm So Wavy (Jay-Z Diss) (Produced By The Internz)
4. (00:02:09) The Game - Pussy Monsters (Feat. Ludacris) (Produced By Scott Storch)
5. (00:04:39) The Game - Flashback Memories (Feat. Raekwon)
6. (00:04:24) The Game - Better On The Otherside (Feat. Diddy & Chris Brown) (Produced By DJ Khalil)
7. (00:05:10) The Game - Superman (Produced By Just Blaze)
8. (00:04:24) The Game - Hustler's Dream (Feat. Anthony Hamilton) (Produced By Dre & Vidal)
9. (00:05:56) The Game - Mafia Music (Remix) (Feat. Ja Rule, Fat Joe & Rick Ross) (Produced By The Inkredibles)
10. (00:05:06) The Game - Red Magic (Feat. Lil' Wayne) (Produced By Cool & Dre)
11. (00:03:56) The Game - Enemy (Feat. Wyclef Jean & Damian Marley) (Produced By Scott Storch)
12. (00:03:06) The Game - Creepin' (Solo) (Revised) (Feat. Ludacris & Chamillionaire) (Produced By DJ Montay)
13. (00:04:22) The Game - Through My Eyes (Demo Version)
14. (00:03:35) The Game - All My Life (Revised) (Feat. Lil' Wayne & Jay Rock) (Produced By Cool & Dre)
15. (00:04:06) The Game - Number One
16. (00:02:41) The Game - No Love (Feat. Twista) (Produced By Traxster)
17. (00:04:26) The Game - Camera Phone (Original) (Feat. Ne-Yo) (Produced By Cool & Dre)


Graffiti de Dimak
Graffiti de Dimak
Nomes como Bob, Denissena, Dimak, Limpo, Neuro e Peacetu podem não ser figuras conhecidas em todo o país, mas fazem parte do cotidiano e dos muros da cidade de Salvador, na Bahia.

A revista Muito, que vem encartada no Jornal A Tarde, na capital da boa terra, traz como destaque o Graffiti baiano, mostrando as principais características de cada um desses artistas e links para visualização de seus trabalhos.

Clique e saiba mais sobre a cena do Graffiti em Salvador (BA)

Fonte: revista Muito

Tracklist:
01. The Chronic (Intro)
02. Fuck Wit Dre Day (And Everybody's Celebratin')
03. Let Me Ride
04. The Day The Niggaz Took Over
05. Nuthin' But A "G" Thang
06. Deeez Nuuuts
07. Lil' Ghetto Boy
08. A Nigga Witta Gun
09. Rat-Tat-Tat-Tat
10. The $20 Sack Pyramid (Skit)
11. Lyrical Gangbang
12. High Powered
13. The Doctor's Office (Skit)
14. Stranded On Death Row
15. The Roach (The Chronic Outro)
16. Bitches Ain't Shit

Tracklist:
01. what we talkin' about (feat. luke)
02. thank you
03. d.o.a. (death of auto-tune)
04. run this town (feat. kanye west & rihanna)
05. empire state of mind (feat. alici
06. real as it gets (feat. young jeez
07. on to the next one (feat. swizz beatz)
08. off that (feat. drake)
09. a star is born (feat. j. cole)
10. venus vs. mars
11. already home (feat. kid cudi)
12. hate (feat. kanye west)
13. reminder
14. so ambitious (feat. pharrell)
15. young forever (feat. mr. hudson)

sábado, 29 de agosto de 2009



Ao Falar de Mentis Afro, a imagem só pode ser os mais phats do rap Underground kriolo na Tuga. Costituído por Ghoya(Mc), Boss (Mc), Yaroshima(Mc) e Editox(Dj e Produtor) eles vem trazendo cenas quentes e prometem: não param...
Fica aqui o Álbum "Mundo Infernal" disponibilizado para download free.

Download Álbum "Mundo Infernal"
Links:
Myspace Mentis Afro
Myspace Ghoya
Mentis Afro Blogspot


By Dr G do Blog Naçao Hip Hop
http://www.rapnacional.com.br/imagens/destaque/viela17-grupo.jpg

Nascido no ano 2000, nas ruas da Ceilândia - Distrito Federal, o Viela 17 passou por formações diversas, fato que ajudou a formar sua personalidade forte e exuberante. Parte do talento deste grupo vem da abertura musical e da quebra de paradigma do rap – é a democracia musical que une grandes nomes nacionais e internacionais nas influências do grupo. Lá no Morro é um termo que faz referência à comunidade do grupo – Ceilândia/Distrito Federal. Ultrapassando as fronteiras do Distrito Federal e do Rap, com misturas de percussão, guitarras, piano, vozes poderosas, suingue e muito talento, o Viela 17 apresenta seu novo álbum, não só marcado pelo rap tradicional, mas também pela sonoridade que faz a periferia invadir as ruas e avenidas por onde passa. Este álbum foi produzido por Ariel Haller Feitosa, Duck Jay, Beto Batata e DJ Saci, o conjunto necessário para mostrar ao Brasil, o melhor do rap nacional. Neste novo projeto musical alternativo, o Viela 17 traz grandes nomes, como MV Bill, Alexandre (Natiruts), Gog, Angel Duarte, Gabriela Nader, Kiko Santana, Indianna Nomma, Rei (Cirurgia Moral), Ellen Oléria, Lívia Cruz e muitos outros. Esta é a atitude que o Viela 17 coloca em seu novo show: a mistura black, a soma de harmonias, a união entre pensamento, rimas e batidas expressivas. O Viela 17 está em turnê pelo Brasil, com um repertório que reúne seus grandes sucessos, além de interessantes novidades. No repertório, sucessos como “Só curto o que é boom”, “Dupla face”, “O bonde prossegue”, “Assim será (Vamos lá pro baile)”, entre novidades “Pequenos Homens (Part. MV Bill)”, “Mokozin”, “Lá no Morro”, “Problema Nacional (Part. Gog)”, dentre outros. Estas músicas estão entre as mais pedidas nas rádios de rap de todo Brasil, sendo dado a “Pequenos Homens (Part. MV Bill)” o grande destaque do ano. Formado por Japão – vocal/rapper, Don Gerson – vocal/rapper, Denizar Jr. – percussão e DJ Batma.







Nome completo: Carlos Eduardo Taddeo.
Data de Nascimento: 24/08/75
Em que ano começou no Rap: 1989

RAP NACIONAL: Quais as novidades que o público pode esperar para 2009? É verdade que você está preparando um DVD e um livro? Conte um pouco sobre esses projetos.
EDUARDO:
Atualmente, estou trabalhando apenas em um projeto literário. A obra já está na sua fase final de elaboração. Acredito, que em breve o público poderá conferi-la. O que posso adiantar a respeito, é que, como todas as letras que escrevi até hoje, a linha de denúncia, protesto e militância política e social, estará expressa de forma indelével em cada frase do meu livro. Os opressores querem nos entorpecer mentalmente com suas mentiras e nos destruir. O conteúdo do meu trabalho, virá com a missão de ser uma ferramenta de resistência a mais da favela. Uma espécie de segunda opinião sobre tudo que nos é exposto como verdade plena e irrefutável. Além de tentar é óbvio, inserir vários manos que nunca folhearam um livro, no mundo impar da literatura. Chegou a hora de todos compreenderem que o pm lê pra matar, que o juiz lê pra condenar, que o político lê pra dizimar o povo, não podemos mais nos dar ao luxo da ignorância e da desinformação. Sei que é muita pretensão da minha parte, tentar lutar contra órgãos públicos, contra substâncias tóxicas, como o álcool e o tabaco e contra a lavagem cerebral feita por meia dúzia de famílias que administram e comandam a comunicação brasileira, com um maço de papéis repletos de idéias não convencionais. Mas, se cada um fizer sua parte, manifestando sua repulsa ao atual quadro de barbárie que vivemos, já será um avanço muito grande. Em relação à parte musical, os manos que admiram meu trabalho podem ficar tranqüilos que existem vários planos sendo arquitetados. Asseguro, que diversas novidades estão a caminho.

R.N.: Você acredita que 2009 vai ser um ano forte para o rap nacional? Por quê?
EDUARDO:
Quando analiso as atuais condições do rap nacional, sempre procuro fazer uma distinção entre a parte humana e o lado mercadológico. O lado comercial e empresarial, a exemplo de todos outros estilos musicais, sofre severamente as conseqüências nefastas da pirataria. Infelizmente, o rap nacional, além dos estragos causados pelas copiadoras de CD´s e DVD´s, ainda conta com outros problemas que impedem ou retardam a sua evolução. Por ser um grito de revolução saído da periferia, as nossas rimas carregam o estigma atribuído pela sociedade burguesa, de ser a música feita de bandido pra bandido. Não que eu não faça música pra bandido, pelo contrário, faço música pra bandido, pra dona de casa, pra estudante, pra viciado, pra trabalhador, pra presidiários, etc. Enfim, faço rap pra todos que vivem nas camadas mais carentes do Brasil. Não discrimino e nem seleciono as pessoas. Até porque, segregação é coisa de nazista e dos monopolizadores da riqueza nacional. Acontece, que na conotação do inimigo, música para bandido, significa apologia ao crime, e isso definitivamente eu não faço. Não sou nenhum otário usado pelo sistema pra arrastar meus irmãos para a sepultura. De qualquer forma, esse rótulo preconceituoso, faz com que não tenhamos o espaço que deveria ser nosso por direito em todos os grandes veículos de comunicação de massa. Pra completar, poucos dentro do movimento primam pela ideologia, pelo crescimento e pela profissionalização. É inacreditável pra mim, como profundo admirador do Hip hop, constatar que no ano de 2009, século XXI, ainda não temos rádios oficiais especializadas, programas televisivos de grande audiência, locais adequados para a realização de eventos, que acomodem o nosso público tão sofrido de forma segura e confortável, e por fim, é mais do que absurdo, não termos nem equipamentos musicais compatíveis com o valor de nossa cultura. Citei apenas alguns dos inúmeros problemas que visualizo na parte empresarial e comercial. Relatei rapidamente alguns dos nossos erros, que nos fazem mesmo depois de quase três décadas de rap nacional continuar aprisionados no amadorismo. É impossível prosperar, sem saber administrar! Mas, nem só de defeitos vive a nossa cultura. Em relação à parte humana (a que mais me dá esperança na imortalidade do movimento) é visível e notório o crescimento intelectual e musical de diversos rapper´s. A mesma tecnologia que nos trouxe a pirataria, nos trouxe também a possibilidade de nos informamos via internet, de produzirmos ótimos trabalhos em nossas casas. Hoje o rap vive esse dilema; Temos uma pá de valores indiscutíveis, mas no entanto, sem gravadoras e sem mercado. Por isso, como disse antes, como profundo admirador, adepto e defensor ferrenho dessa cultura chamada Hip Hop, torço muito e atuo para que 2009 seja um ano melhor do que foram os anos passados, mas, não posso fazer nenhum prognóstico.

R.N.: Você tem medo do rumo que o rap nacional possa tomar no futuro?
EDUARDO: Claro, que até uns anos atrás, eu vislumbrava um futuro bem mais próspero para o rap, do que aquele que se apresenta na nossa realidade musical atual. Mas, não temo o que virá pela frente, pois, o ser humano é muito capaz de se adaptar a situações adversas. Inclusive, essa foi à tônica da evolução das espécies, sobreviver e se adaptar ao meio ambiente, por mais desfavorável e implacável que ele se apresente. O que eu mais temo na cultura, por mais que eu seja partidário da liberdade de expressão, é a entrada e a proliferação de aventureiros. Daqueles mc´s de fim de semana, que fazem música por diversão (se podemos chamar de música), sem compromisso algum com os bairros invisíveis socialmente. Daquelas maquetes egocêntricas e mau acabadas de BIG e Tupac, que se preocupam apenas em fazer pose e cara de gangsta, sem mensurar a complexidade dos temas abordados e as conseqüências prejudiciais de suas palavras. Com uma letra eu posso salvar vidas ou posso devastar várias famílias. O microfone é uma arma e como toda arma deve ser portada e manuseada somente pelas pessoas que são preparadas.

R.N.: O que mudou na sua personalidade desde o seu inicio no rap até hoje?
EDUARDO: O rap surgiu na minha vida quando eu ainda era um pré-adolescente, em plena formação física e mental. Imaturo, sem senso crítico e analítico, eu estava debutando na compreensão da engrenagem sórdida da sociedade. Nessa época, eu estava começando a entender o significado de palavras como; desrespeito, individualidade, ódio, racismo, tortura e exclusão. Eu era apenas mais um menino, reflexo dos garotos das favelas, que admirava e se espelhava nos criminosos que ascendiam socialmente através da arma e do sangue de terceiros. O contato com o rap representou inicialmente a minha salvação. É mais do que certo, que inevitavelmente eu seria do crime, pois sempre fui inconformado com a minha condição financeira, fruto das falcatruas da alta sociedade. Desde cedo, algo em relação a isso já me incomodava. Eu não sabia dizer com palavras o que era, mas já sentia; era a sede de justiça social em ebulição no meu corpo. Continuando. O rap me resgatou, mas, ao mesmo tempo me fez crescer mentalmente de forma precoce. Enquanto os moleques da quebrada estavam preocupados em jogar bola ou empinar pipa, eu já formulava minhas guerras pessoais para mudar o mundo. Eu já era completamente frustrado e infeliz, pois já compreendia que solidariedade, direitos humanos, direitos individuais, liberdade de ir e vir ou liberdade de expressão, não passavam de propaganda enganosa. Sem o rap, eu me enquadrava no ditado que diz: A ignorância é uma dádiva! Depois de algumas doses de informação, um homem de verdade não consegue ser feliz sabendo as verdades podres do mundo. Posso afirmar, que o rap me trouxe princípios morais sólidos incomuns para a faixa etária em que eu me apresentava. E infelizmente incomuns para a periferia. Antes do rap, eu nunca tinha discutido sobre a luta de classes ou sobre a necessidade de políticas afirmativas relacionadas à questão do cidadão negro. Nunca tinha ouvido falar se quer a respeito de auto-estima, amor próprio, coletividade, unidade, segregação racial e social, guerrilheiros, regimes tirânicos, democracia e revolução. Com o passar dos anos e com as muitas experiências de vida adquiridas, eu fui regando mais e mais essa semente plantada no meu cérebro, pra que eu pudesse colher bons frutos e dividi-los com o povo. A cada nova letra que eu escrevia, minhas opiniões e pontos de vista estavam mais lapidados e fortificados. Pra comprovar o que eu digo, basta o mano ouvir do primeiro cd que eu gravei até o último. Verá que há um grande aprimoramento ideológico. No primeiro disco por exemplo é flagrante que compus focado em problemas mais ligados ao meu bairro, a situações que ocorriam a minha volta. A minha grande preocupação como recém adolescente, era mostrar que eu também sabia falar gírias, que eu também era da rua, que eu também tomava enquadro, que eu também era vitima de preconceitos e que eu também era marginalizado. No meu caso, era até uma questão de sobrevivência musical provar tudo isso. Por ter a pele clara, mesmo sendo um mestiço com genes africanos como todos os brasileiros, eu sofria muita discriminação no cenário. Alguns manos no começo, nem acreditavam que as letras eram criadas por mim. Felizmente, não demorei muito pra perceber a importância do que eu tinha em minhas mãos e o tamanho da missão que o moleque do cortiço havia recebido do destino. Aprendi, que o rap transcendia o Eduardo, os meus manos, a minha quebrada, era mais do que municipal, estadual ou continental, era universal. A percepção da magnitude da grandeza desse estilo musical inigualável, deu contornos finais ao homem que eu sou hoje. O rap me educou, o rap me conscientizou, o rap abriu as portas para a cultura marginal, aquela que contém o livro que nenhum professor te indica, o rap formou a minha personalidade e o meu caráter, o rap desabrochou a minha ideologia, o rap trouxe essa gana sufocante de tentar revolucionar o nosso estado de escravo funcional a todo custo, nem que seja com a própria vida.Eu posso afirmar sem medo de errar, que a única escola que eu tive durante toda a minha existência foi o rap. Dos meus doze anos de idade até hoje, tudo que eu fiz na minha vida estava linkado de alguma forma ao Ritmo e a Poesia dos guetos. Não sei pro mundo, mas pra mim, rap e Eduardo são sinônimos.

R.N.: Qual foi o último livro que você leu? Qual livro você acha que toda pessoa deveria ler?
EDUARDO: O último livro que eu li era a respeito de Karl Marx, se chamava o julgamento do século. Faz parte de uma coleção, onde vários personagens históricos, têm suas vidas profissionais e pessoais expostas para que o leitor possa fazer uma analise não só do mito, mas também do homem e tirar suas próprias conclusões. É bastante interessante. O trágico da história desse livro, não está em seu conteúdo e sim, na forma como ele veio parar em minhas mãos. Minhas filhas estudam na mesma escola. Uma escola publica no bairro do Grajaú, como se o rap permitisse o contrário. Nessa escola, tem uma biblioteca que deve estar em reforma a uns quatro anos. Por causa da reforma as crianças não podem ler. E o mais inacreditável, é que na biblioteca inoperante se encontram vários volumes de textos indigestos para os opressores. Que deveriam ser leitura obrigatória de todos às pessoas da periferia. De tanto as minhas filhas Duda e Gabriela insistirem que queriam ler, uma professora resolveu ajuda-las nessa perigosa empreitada. Então, de forma ilegal, ela traficou o livro de prateleiras empoeiradas direto pro interior da mochila de uma delas. O que possibilitou que o flagrante chegasse em minhas mãos. O foda é saber, que nem armas são criminalizadas dessa forma no ambiente escolar. Minhas filhas e a professora se fossem apanhadas provavelmente seriam torturadas e mortas por alguns gambés filhos da puta. É truta, não se espante, é só lembrar que durante a escravidão o homem negro que soubesse ler era morto. Informação é e sempre será proibida pro povo. Quem deve ter ficado muito espantado, deve ter sido o corpo docente da escola, quando minhas filhas reivindicaram o direito a posse de um livro. Eles devem ter se perguntado; Caralho! A onde foi que eu errei? Porque será que essas faveladas querem ler, se eu fiz de tudo pra que elas assistissem novela, programas de fofoca, ouvissem música sem ideologia e se contentassem em serem diaristas? Moral da história... Só um plano maquiavélico que objetiva a conservação, da imensa massa de manobra, explica a ação criminosa do Ministério da Educação, ao manter uma série de livros desperdiçados num depósito em detrimento de alunos que necessitam de informação e de acesso à história não oficial. Se o problema é o espaço físico, não seria simples leva-los as classes? Que burocracia estúpida é essa, que permite que crianças leiam apenas em determinado espaço. Será que se você não ler dentro de uma biblioteca, as informações não entram no seu cérebro? Isso, é só o aperitivo do ensino público que aprova alunos não por mérito, mas por freqüência escolar. Do ensino publico que dissemina o racismo, ensinando os alunos com material didático que exalta o europeu e inferioriza a ancestralidade africana e seus costumes. Do ensino público que aceita atitudes de discriminação. Crianças negras se tornam alvos de brincadeiras racistas, piadas racistas, atitudes racistas, e todos se omitem. Quando elas reclamam pros professores são aconselhadas a deixar pra lá, aceitar como se fosse natural ser colocado em situações vexatórias. Quando eu digo que temos que tomar o poder via congresso nacional, eu quero dizer que todos os dias os nossos filhos estão nas mãos dessas pessoas incapacitadas, que trabalham veementemente pra sua destruição. E alguns, marionetes dos boys, ainda falam que eu sou exagerado, que eu fantasio pra lucrar com o sangue, pra vender cd através da desgraça alheia. Será que é o Eduardo mesmo que lucra com o sangue derramado nas ruas? A respeito do livro que todas as pessoas deveriam ler, sem duvida nenhuma eu indico a biografia de Malcolm X. Lendo a história desse grande militante da causa negra, o leitor será capaz de perceber o quanto o acesso a leitura é transformador. Verá que não há vicio ou violência que resista a palavras num papel.

R.N.: Existem milhares de grupos de rap, espalhados pelo Brasil, que sonham em gravar um disco e fazer sucesso. Só que o sucesso chega para poucos. Qual recado você deixa para esses grupos?
EDUARDO: O que eu posso dizer é o seguinte; irmão, se o teu sonho é ser o popstar que por intermédio da música compra carros do ano, jóias, apartamentos, come uma pá de mina e tem uma vida glamurosa, esquece, que o seu caminho não é o rap. Agora se o teu propósito é elevar o nível cultural e social da sua gente, se teu sonho é mudar radicalmente a vida das pessoas enclausuradas nos campos de extermínio e nos campos de trabalhos forçados, demoro, pode colar que o rap é o seu lugar. Quanto mais manos nós tivermos, com doses cavalares de indignação no peito e de amor e preocupação com o próximo, mais forte nós estaremos, como músicos, como pessoas e como movimento. É importante salientar que o rap não se limita aos cantores, o que eu falei vale para o grafiteiro, para o parceiro que expressa a sua arte através do break, da pichação, da palestra, dos livros, dos toca discos. Ou até mesmo pros manos que não se manifestam politicamente ou artisticamente, mas agraciam a nossa cultura com um comportamento exemplar, digno de verdadeiros seguidores da ideologia revolucionária. O hip hop é igual coração de mãe, sempre caberá mais um, desde que seja um gladiador que deseja colar na arena pra fortalecer a corrente, pra viver por uma causa e morrer por ela. Não é mais brincadeira de adolescentes preocupados em demonstrar para o mundo, quem vive no bairro mais violento. O rap exige muito mais responsabilidade e bom senso do que talento. Chega de assassinar nossa gente com nossos exemplos errados. Uma pá de truta, acha que eu bato mó sujeira com os parceiros que se drogam. Eu não sou nada e nem ninguém pra julgar ou condenar quem tenta amenizar seu cotidiano desesperador através de substâncias alucinógenas e psicotrópicas. Eu não fumo, não cheiro e não bebo, mas, se eu tivesse esses vícios não seria uma pessoa inferior a quem eu sou hoje. O caráter de uma pessoa, não se mede pela quantidade de baseados ou pelas gramas de cocaína que ela usa, e sim, pelos seus atos. Todos são livres pra fazerem o que bem entenderem. O que eu repudio é usar essa liberdade tóxica e letal na frente das crianças. Os manos que cometem esse erro, tem de lembrar, que os moleques muitas vezes, não tem bons exemplos em casa, pra confrontar com os maus e fazer um equilíbrio, uma compensação. Nunca podemos esquecer, que esses meninos e meninas, na maioria das vezes não tem um pai e uma mãe com um livro na mão, e sim com um litro. Muitos não têm uma referência positiva a seguir. Muitos nem os pais conhecem, são criados por avós. Em grande parte, não estamos lidando com pessoas que abrem a porta de casa e encontram uma família estruturada e esclarecida, que mantêm conversas francas sobre os estragos provocados pelas drogas licitas e ilícitas. Se você acha que não tem nada de mal em enriquecer ainda mais os donos das plantações de coca, de papoula, os empresários da InBev e a família Morris, firmeza! Mais deixa pelo menos as nossas crianças formarem seu cérebro racional pra decidirem a respeito do assunto. Aqueles que derrepente, acharem que as minhas palavras são exageradas, podem traduzir a música Better Dayz do Tupac, pra conferir que o que eu estou tentando expressar é apenas um pensamento universal, de todo o mano preocupado com a sua gente.

R.N.: As grandes mídias, principalmente emissoras de televisão, aos poucos vem utilizando o rap na programação. São personagens de novela, mini-séries, entrevistas, entre outras formas. Você acha que isso pode ajudar ou prejudicar o rap nacional?
EDUARDO: Os benefícios ou prejuízos, dependem muito da maneira em que as pessoas em questão se portam, uma vez, imersos nesse espaço restrito, completamente proibido pra ideólogos. Corrupção moral na televisão é pleonasmo. Nos dias de hoje infelizmente, as portas são abertas apenas para os que querem se vender. Para os que querem reverberar as idéias embranquecidas dos inimigos. De qualquer forma, a nossa inclusão televisiva é mais do que tardia, afinal quem proporciona audiência para as emissoras é o povo carente de cultura. Quem consome os produtos anunciados nos comerciais somos nós. Então nada mais justo do que aqueles que sustentam esse mercado terem seus autênticos representantes na tela. Temos que lutar pra revertermos a injustiça e não pra sermos mais um no papel de escravo ou no papel de motorista. A representatividade do povo pobre fora das telas gira em torno dos 90%, então temos que brigar por essa quantia dentro dela. Eu não quero cota e nem esmola, eu quero o que é nosso por direito. Nós não estamos na Noruega, os brancos com olhos azuis representam uma parte ínfima da população, então, é obsceno que eles componham a parte majoritária dessa vertente da indústria do entretenimento. Cometemos o erro de abrir mão da tv muito cedo, antes mesmo de entender a sua importância. Fizemos o que o inimigo esperava, deixamos a tv pra ele. Pra que ele pudesse nos alienar, formar as nossas opiniões, crenças, religiões, para que ele nos transformasse em marionetes inanimados que não pensam. Apenas respiram, aceitam e sorriem, sem qualquer compreensão do que esta sendo empurrado goela a baixo, pelo portal maquiavélico acomodado na estante.

R.N.: O Brasil tem um presidente que nasceu pobre. O Estados Unidos um presidente que é negro. Isso significa poder para a minoria e melhora para o povo da periferia?
EDUARDO: Tanto o Lula, quanto o Barack Obama, eram sonhos de nações devastadas pelo ódio racial e social, freqüentemente disseminado pelos opressores, na promoção das suas lutas de classes. O Lula era e ainda é, a representação em carne viva do retirante nordestino, expulso de sua terra pela seca, pela falta de reforma agrária e pelas políticas da República Velha, que tanto beneficiaram o sudeste. Como todo bom favelado, eu me senti representado ao ver um homem que se assemelhava a mim ocupando o cargo mais importante do país. Com o tempo aprendi uma dura lição. Não adianta ter um de nós no poder com uma estrutura burguesa. Não adianta esse um dos nossos chegar ao topo financiado com o dinheiro de sangue da classe rica. Nessa circunstância, o máximo que os donos do passe do homem escolhido como salvador da pátria, permitem, é que ele nos dê algumas esmolas assistencialistas. E isso, para nos manter doentiamente felizes. E isso, de preferência em anos eleitorais. O boy permitirá que recebamos R$ 50,00, se em contra partida mantivermos nossos filhos na escola com sistema de aprovação automática. Ele concede R$50,00, apenas com a certeza que em troca receberá mais alguns semi-analfabetos. Nos deixará ter a tv de 29 polegadas, o carro financiado, mas, nunca o acesso às faculdades e aos melhores empregos. Foi foda aprender essa lição! Como todos, eu acreditava que quem mandava no país era o presidente e não o Congresso Nacional. Esses equívocos fazem parte da educação autodidata. Todos favelados esperavam que suas condições miseráveis de vida seriam prioridades do governo federal. Duramente constataram, que a exemplo de todos os presidentes passados, o foco presidencial eram os banqueiros, os industriais, os grandes empresários, enfim os investidores da candidatura. Com o passar dos anos, ficou claro, que o crescimento nacional estava atrelado ao crescimento global. Enquanto os chineses viviam a sua expansão econômica e os norte-americanos consumiam, nós crescíamos. Veio a crise mundial e o sonho acabou. Resumindo, o governo do metalúrgico, líder sindical, revolucionário esquerdista, foi tão corrupto e incompetente como qualquer outro governo burguês. Mas, foi absolutamente válido, pois nos trouxe esse aprendizado; não precisamos apenas de um presidente oriundo da favela, precisamos junto com ele, também de senadores, deputados federais, governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores. Precisamos ter o controle total da máquina pública.

No caso do Barack Obama, eu fiquei muito feliz com a sua escolha. Enxerguei sua vitória como uma espécie de vingança das minorias discriminadas contra a praga do racismo. Uma desforra das nações subdesenvolvidas do planeta ao modelo branco europeu norte-americano. Foi um acontecimento histórico e inacreditável. Digno de um longa metragem, ainda mais, por ter ocorrido em um dos países mais preconceituosos do mundo. Não posso precisar, que se trata de um primeiro passo em direção a uma nova era, mas, é muito importante termos mais esse modelo de superação e conquista para nos espelharmos. A história de Obama é a prova de que podemos, se quisermos. Não vou mentir, eu tenho uma satisfação imensa ao pensar nos filhos da puta da Ku Klux Klan, nos cavaleiros da camélia branca e outros adoradores de Hitler sendo governados por um homem negro, filho de um queniano e de sobrenome árabe. Igual a todos no Brasil, eu cresci importando as histórias made in USA. Cresci cultuando ídolos como Malcolm X, Martin Luther King, panteras negras, Rosa Parks, etc. As lutas dessas pessoas pela igualdade racial, pelos direitos civis e o fim das leis segregacionistas, se tornaram lutas planetárias. Adotamos o desejo de liberdade do afro-americano e seu sonho de ver um homem não branco no posto mais cobiçado do planeta. Sendo assim, no dia que o Barack Obama discursou como o 44º presidente americano e 1º presidente negro da história sangrenta dos Estados Unidos, acredito que cada pessoa do mundo, que já foi vitima da omissão estatal ou de ações repressivas e discriminatórias governamentais, estava em espírito ao seu lado. Mas, de qualquer forma, é bom deixar uma coisa clara, o lucro que teremos com a vitória de Obama, na minha opinião, virá da força do exemplo. Como os americanos ditam as tendências globais, é certo que muitos copiaram a nova ordem. Alguns racistas a partir deste momento devem ter passado a pensar; se um negro é capaz de comandar o país mais importante da terra porque não ocupar cargos de alto escalão. Porque não exercer funções de controle, de responsabilidade e de grandes decisões? Agora, eu creio que não podemos nos iludir que a Obamania mudará a vida dos afro-brasileiros nos morros e nas periferias. O fim do apartheid na África do sul e a eleição de Mandela pra mim foram mais significativos, e mesmo assim não tiveram tal êxito. È um erro na minha visão pensarmos que a partir de agora os problemas de outros povos serão tratados como problemas da Casa Branca. A política capitalista norte-americana consiste apenas numa coisa; manter a hegemonia planetária. Barack Obama não foi eleito para mudar o fanatismo local por poder ou para abrir mão da supremacia. Os americanos, para manter o status de potência militar, econômica, tecnológica e industrial, assim como na era Bush, continuarão financiando guerras, ditaduras, tiranos, pilhando povos, usurpando riquezas e dizimando milhares de opositores.

R.N.: O sistema carcerário está super lotado. As ações em segurança pública são um verdadeiro fracasso. O governo e a sociedade investem mais no combate à violência do que em educação. Na sua opinião, porque as ações do governo não surtem efeito? O que precisa ser feito para reverter esse quadro?
EDUARDO: Creio que na formulação de sua pergunta já foi dada a resposta. Não precisamos de mais arsenais bélicos, de mais celas de segurança máxima e de mais tropas de homicidas carniceiros, precisamos de arsenais de livros, classes de excelência máxima e de tropas de professores por vocação. Digo por vocação, porque aqui, é bastante comum, as pessoas se tornarem educadores porque o magistério é um dos cursos universitários mais baratos. No Brasil, existe uma grande deturpação do termo; investimento social. Políticas sociais, significam apenas manutenção da ordem através do uso da força. Os gestores do dinheiro público, nunca tiveram o crescimento cultural e financeiro do povo como prioridades. A meta pessoal das amebas governistas, sempre foi usar os cargos que ocupam como balcões de negócios. Não é por acaso, que somos um dos países mais corruptos do mundo! Esses psicopatas, não subiram em palanques e mendigaram votos, com a singela intenção de diminuir as estáticas de violência através de ações humanitárias. O jargão; “MEU POVO”, que usam nas campanhas eleitorais, não incluem os habitantes das favelas. A única diferença que fazemos vivos ou mortos, é que, quando vivos estamos dentro das estáticas da miséria, e quando mortos, dentro das estatísticas dos assassinados. As mãos que os alimentam, não se importam com as lágrimas das áreas carentes, ao contrário, exigem medidas de segurança que produzam limpezas étnicas e sociais, justamente nesses pontos geográficos. Não querem uma sociedade pacifica, querem que os moradores dos condomínios de alto padrão tenham uma vida tranqüila. Desta forma, explica-se porque ao invés de tentarem alcançar a paz, por meio da geração de condições básicas de subsistência digna para todos, (o que seria no mínimo mais inteligente) os políticos insistem em abolir a criminalidade, acuando cidadãos pobres em senzalas modernas. Insistem em abolir a criminalidade, aprisionando em masmorras ou eliminando aqueles que se opõem às regras do jogo. Concluindo; estamos sendo afogados num dilúvio de sangue porque os três setores; governo, empresas privadas e sociedade civil burguesa, preferem investir em repressão, em violência e não em educação. Claro, que existem ações mais imediatistas que devem ser postas em prática antes de aculturação total da nação. Você não pode matar a fome daquele que está faminto com um livro didático ou de auto-ajuda. Nem dar um caderno pra um desabrigado e esperar que ele o use como telhado para se proteger da tempestade. Só que é o seguinte; mesmo que seja sanado o déficit habitacional e mesmo que todas as crianças com inanição sejam alimentadas, sem educação, nunca deixaremos nosso estado de país subdesenvolvido do 3º mundo. E porque será que nos privam da educação se ela representa o progresso da população de forma generalizada? Burrice? Negativo! È bíblico, nem Deus quis dividir o conhecimento. Por tanto conhecimento significa poder, significa ser o Deus de seu mundinho. Ninguém quer dividir o poder. Educação representa; eleitores que sabem votar e cobrar. Educação representa; pessoas que não se submetem às ações estatais arbitrárias pacificamente. Educação representa; protesto, reivindicações e busca desenfreada pela cidadania. O atual quadro social, é mais do que conveniente para esses sádicos tirânicos. O povo conhece os seus deveres e obrigações, mas, desconhece inteiramente os seus direitos. O povo se quer sente a necessidade de ter representantes genuínos na política. A educação criminosa, nos doutrinou desde cedo a crer que política é coisa de boy. Somos apolíticos sem compreendermos a necessidade da politização. Fomos educados, adestrados e manipulados, para sermos escravos funcionais. Para sermos a mão de obra da linha de produção do inimigo. O Brasil está condenado ao fracasso, porque, um país só cresce, quando investe no seu povo, do mais pobre ao mais rico. Um povo beneficiado por políticas públicas, que visam alcançar a justiça social não lota presídios ou cemitérios. Enquanto caminharmos contra essa lógica primária, viveremos eternamente em combate. Atualmente, não há planos governamentais de inclusão. O sistema carcerário é pautado na vingança social, não existe para com o preso, o desejo da sociedade em relação a sua ressocialização. O preso que se regenera o fez, não pelo o Estado, o fez apesar do Estado. As favelas são criminalizadas, mesmo tendo comprovadamente apenas 1% de sua população na criminalidade, e isso, para que as ações de extermínio nos morros e bairros periféricos sejam legitimadas e aceitas. Crianças, que poderiam no futuro concretizar o sonho nacional de potência mundial, estão abandonadas nas ruas, estão fumando crack em plena luz do dia, estão engravidando e gerando a próxima geração de abandonados. Esses são apenas alguns exemplos que demonstram a falta de vontade política dos porcos que estão no poder, dizendo que representam nossos interesses. Não é interessante para o playboy educar seus adversários. É mais lucrativo mantê-los calmos a base de quilos de pólvora, esperando o milagre que os pastores e padres em troca de algumas oferendas, dizem que Deus um dia nos enviará. Concluindo, para modificar a atual conjuntura genocida, precisamos de homens públicos que coloquem a educação das escolas dos bairros pobres como primeiro item da lista de emergências.

R.N.: Qual o foco das suas letras? Quando você escreve que tipo de mensagem tenta passar para o público?
EDUARDO: O foco das minhas letras é o povo da periferia e a injustiça social que assola a todos nós. A mensagem que tento transmitir aos que me ouvem; é que esta mais do que na hora de abolirmos o conformismo, a alegria burra e o pacifismo pré-fabricado por nossos tutores. Chega de nos contentarmos em manusear vassouras e pistolas. Quero que os meus manos desejem o topo, o alto escalão, das empresas e dos poderes públicos. Mas, que desejem tudo isso, compreendendo que podem. Desde o berçário nos adestraram para entender que o nosso lugar é na cozinha. Negativo! Meu rap tenta ser a borracha que apaga essa maldita lenda urbana. Esse folclore estúpido. Ser controlado não é nosso estado natural como seres humanos. Não existe supremacia branca ou burguesa. Não carregamos genes de inferioridade. Não somos as presas da cadeia alimentar. Não viemos ao mundo para servir o patrão branco. Somos a maioria e devemos nos portar como tal. A revolta deve estar obrigatoriamente em nosso dia a dia, no trabalho, na escola, nos momentos de diversão, nos momentos de reflexão e nos momentos raros de alegria. Nos ensinaram, que o homem contente é inteligente e que o revoltado e revolucionário é violento e inconseqüente. Por enquanto, eu posso provar que uma legião de robôs feliz produz apenas aquilo que a classe AAA deseja. Os que me criticam não podem afirmar quais seriam as conseqüências da nação de inconformados que eu tanto sonho em ver.

R.N.: Fale sobre a importância do Portal Rap Nacional, e agora da Revista Rap Nacional, para o fortalecimento do movimento.
EDUARDO: O Portal Rap Nacional, assim como a Revista Rap Nacional, são ferramentas de suma importância para a difusão da verdadeira ideologia da cultura Hip Hop. São peças fundamentais, para compor o cordão de resistência contra a ditadura burguesa em relação à informação. Como todos os verdadeiros rapper´s que estão nas trincheiras, tanto o site, quanto a revista, tem a missão fundamental, não, de formar opiniões, mas de criar cidadãos pensantes, livres para que eles sim, formem seus conceitos e idéias a respeito da sociedade tirânica e racista, chamada de Estado Democrático de Direito, a qual, eles infelizmente são pertencentes. Somos negros, somos brancos, somos mestiços, somos favelados, somos periféricos, não podemos renegar nossas raízes, não podemos renegar a nossa luta. Parabéns ao Portal e Revista Rap Nacional e a todos os guerreiros e guerreiras, que fazem parte desse exército de excluídos sociais, que através da inteligência, criatividade e perseverança se auto incluíram num movimento chamado Hip Hop. Paz a todos que mesmo sob as balas da policia e as criticas das marionetes dos playboys, tremulam com coragem essa bandeira. Tenha certeza irmão e irmã, você é a continuação de Gandhi, de Malcolm X, de Oscar Schindler e de tantos outros, que fizeram as bestas de suas épocas dobrarem os joelhos com seus atos de bravura em pró da humanidade.

DOWNLOAD :
Mundo - Eduardo e Sérgio Saas

Papel de Parede exclusivo!

Veja Eduardo nas Histórias em Quadrinhos do
Portal Rap Nacional
Clique aqui

By RapNacional


Lançamento da MixTape
(Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe).

E.M.I.C.I.D.A
www.myspace.com/emicida

Show de abertura//
NEL SENTIMENTUM (CWB)
www.myspace.com/nelsentimentummcee

DJ JEFF BASS (Cambalacho) www.myspace.com/djeffbass
DJ KBC (Ragga HHS) www.myspace.com/selectakbc
DJ NYACK (Sao Paulo) www.myspace.com/djnyack

Ingressos R$ 15 Reais
Pontos de venda na loja ENCORE
(R. Alfredo Bufren 61 Centro//41-3233-4886)
Ou na hora no local!!

Local// JOHN BULL MUSIC HALL
(Engenheiro Rebouças, 1645 - Rebouças)
A casa aceita os cartoes Visa e Master Card!! (Menos para os ingressos)

Mais infos// www.emicidacwb.blogspot.com

Em primeira mão no Blog Curto Circuito, a Mix 808 Sessions vol.1

808 Sessions vol.1 é o primeiro de 4 streets cd's composto pela dupla Kilate - A nova aposta de Sp (Makongo) - e DJ KnowLedge (Dj dos Makongo), que conta com participações de Tekilla, Bruno Mendes e Angela.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Free Mixtape: Excess Bangers 41 - Pablo Doe 4Ever

01. Drake, Lil Wayne, Kanye West, & Eminem - Forever
02. Birdman feat. Drake & Lil Wayne - Money To Blow
03. Raekwon ft. Lyfe Jennings - Catalina
04. Styles P ft. Noreaga & Uncle Murda - Pablo Doe
05. Nipsey Hussle Ft Snoop Dogg-Gangstas Life
06. Brisco Ft Ludacris - Stay Strapped Everyday
07. Jay-Z ft. Drake - Off That
08. Freeway - Love
09. Memphis Bleek - Why They Hate Me
10. Nipsey Hussle - Hussle Is My Last Name
11. Jay Rock ft. K-Dot & Absoul - I Know
12. Raekwon ft. Cappadonna & Ghostface - 10 Bricks (Prod. by J. Dilla)
13. Kurupt ft. Reed Dollaz, Tekneek & Gillie Da Kid - Tha House (rmx)
14. Memphis Bleek - Trust Me
15. Young Buck & All Star - Hit Em Up
16. Kooley High - Can’t Go Wrong
17. Living Proofe ft. Mac Miller, Jev The Ghost, Colicchie, Jasiri X - Leaders of the New School

DOWNLOAD: Excess Bangers 41 - Pablo Doe 4Ever (Mediafire)



Rapper desde 96, Adamastor começou a rimar nas ruas de Benfica sem grande pretensão de um dia entregar-se com mais intensidade a esta arte.

Inicialmente influenciado por grupos como Cella Dewllas, Boot Camp Click e Mobb Deep, Adamastor ia dedicando mais do seu tempo ao Hip Hop à medida que os dias iam passando.

A coisa ficou mais séria em 97 quando criou o grupo Canal 115 com Valete (seu amigo de infância).
Entre 97 e 99 foram vários os concertos, jam sessions e participações em mixtapes. Foram dois anos profícuos que serviram para fazer um bom buzz no meio underground.
Por algumas incompatibilidades de ideias entre Valete e Adamastor, Canal 115 acaba e ambos seguem os seus trilhos a solo, mas sempre unidos e amigos como sempre.
Adamastor aproveitou este tempo para definir o seu estilo como Mc.

Hoje aparece-nos bem mais maduro e dotado. Para além disso, hoje ele também se posiciona como um enérgico defensor da corrente underground, e vai desenvolvendo o seu rap hadcore com letras incisivas como pudemos ouvir no tema Underground da compilação Poesia Urbana lançada pela Horizontal.

E é assim sempre coerente no seu Hip Hop de ruptura, que avançará dentro de pouco tempo com o seu álbum de estreia Politicamente Incorrecto.

Fiquem aqui então com algumas tracks deste grande Mc, e outras em que ele participa...

MySpace Oficial: Myspace/Adamastor



Download Sharex


Download Usaupload

KURUPT front cover


Download:Kurupt ft. Reed Dollaz, Tekneek & Gillie Da Kid – Tha House (Remix)

Drake feat. Kanye West, Lil Wayne & Eminem - Forever


Original version:

Download:Drake ft. Kanye West, Lil Wayne & Eminem – Forever


Integrante da banca Klasse e Korreria, Mr. Pree-mo lança o single "Sente o Poder", música produzida pelo DJ QAP que carrega um beat pesado e uma rima que fala sobre a força de quem comanda o microfone. Mr. Pree-mo é representante da nova safra de MCs que se inspira na linha de produção de artistas como Jay-Z e no Rap do sul dos EUA.

"Sente o Poder" e outras músicas podem ser conferidas no myspace de Pree-mo.

Acesse o myspace do artista


Stereodubs é o resultado da união dos Dj´s e Produtores LX e Leonardo Grijó. O reggae, o ragga e a sonoridade eletrônica predominam no EP do grupo, um dos melhores do gênero, que está disponível para download. Flora Matos, Arcanjo Ras, Pump Killa, Flaui Thunda, entre outros artistas, cantam sobre a vibe instrumental desse projeto, os DJs que ainda não tocam o som do Stereodubs em suas festas estão vacilando.

Baixe o EP

Tony Yayo falou recentemente sobre seus ex-parceiros de G-Unit e atuais rivais, Young Buck e
http://hiphop-n-more.com/wp-content/uploads/2009/04/tony-yayo-3.jpg
The Game. O fiel escudeiro de 50 Cent, que disse ter perdoado Buck, revelou o porquê de ter ignorado os recentes pedidos de desculpas feitos por Game.

Eu aceito essas desculpas, disse Yayo sobre Buck em uma entrevista. Eu nem estou mais bolado com o cara porque, pra mim, esse maluco está sofrendo.

Ele pode levar isso do jeito que ele quiser, mas pra mim ele está sofrendo, continuou. Número um, você não está fazendo shows. Dois, você não tem mixtapes lançadas. Três, você não tem presença na internet. Quatro, você não está presente no circuito de mixtapes. Desde que ele se distanciou da G-Unit que começou a derrocada dele. Agora, as desculpas do The Game, eu não estou aceitando. Ele vai mudar o discurso a cada cinco minutos. Eu não ouço nada que esse palhaço fala.

"Eu realmente gostaria de pedir desculpas a todos meus fãs, especialmente as mulheres, leram ou ouviram alguma coisa sobre mim, e que possa ter perturbados vocês. Acredite em nada que você escuta, e metade do que você vê, e sepre pergunte a você mesmo: Onde essas pessoas arrumam informações?" Disse Santana Via Twitter.

BY DOC
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O cantor de R&B e produtor The-Dream recentemente anunciou via Twitter que foi eleito vice presidente da Island Records no lugar do Christopher Hicks. O selo que é casa de varias estrelas incluindo: Lionel Richie, Mariah Carey, Elton John, Bon Jovi e Babyface é parte do Island Def Jam Music Group uma das ramificações da Universal Records e tem como grande chefe o LA Reid.

O The Dream agradeceu aos seus amigos, fazendo questão de lembrar do seu parceiro de produções Tricky Stewart. O cantor finalizou dizendo que estava se sentindo abençoado pela escolha e orgulhoso pelo grande desafio.


By Rapevolusom
Novo CD do Racionais MCs deve sair em novembro
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Presente de Natal para os fãs: o novo CD do Racionais deve sair em novembro. A obra é tratada pelo grupo e sua produção sob pacto de silêncio. Os fiéis seguidores estão carentes de gravações desde 1.000 Trutas, 1.000 Tretas, de 2006, ao vivo. O novo CD deverá ser o sexto em estúdio.

Faixas, nomes e até arte de capa CD são mantidos como segredos militares. O Racionais é provavelmente o grupo brasileiro com o maior controle sobre a própria obra, e inspirou outros artistas, tais como Marisa Monte, a lutar pela posse e soberania das chamadas matrizes das gravações. O que significa, literalmente, o artista como proprietário de sua obra.

Mas o Racionais vai ainda mais longe. Além de controlar absolutamente tudo que grava e usa, de equipamentos a matrizes, também controla prensagem e distribuição dos CDs. Além de abastecer algumas lojas oficiais, reza a lenda, também fazem questão de facilitar a chegada do CD ao mercado ambulante. E a um preço muito mais em conta do que qualquer major sonhou oferecer (eis, talvez, o porquê da morte lenta dessas arcaicas corporações).

Contra a maré das estrelas da música mundial, que usam cada vez mais a internet para divulgar o trabalho, fugir da pirataria e, principalmente, vender músicas via download, o novo Racionais sairá somente em CD, a princípio. O grupo também não tem site ou blog oficial.

Diário de um talento
A carreira da maior banda de rap e hip hop do Brasil começou no final dos anos 80, na periferia de São Paulo. Em meados dos anos 90, as letras já haviam se transformado em evangelho para milhões de jovens, e seu ritmo sincopado também se virou objeto de culto imitado e reproduzido por outro grupos Brasil afora.

Em 2007, durante a terceira Virada Cultural, uma apresentação na praça da Sé terminou em tumulto e pancadaria indiscriminada da PM sobre a plateia. Dezenas ficaram feridos e houve depredação de lojas, bancas e bens públicos.

Mesmo sem ter culpa alguma no incidente (vá lá, tiveram uma hora de atraso, mas esse não foi o motivo, pois o público brincava, cantava e dançava, à espera do show), sobrou para o Racionais apontado (pela polícia) como o vilão. O resultado foi a punição da Prefeitura de São Paulo, que nunca mais convidou a banda para apresentações, em prejuízo do público.

Além do trabalho no Racionais, Mano Brown também lança artistas todos os anos, tais como Rosana Bronks, UTime e Sabotage, além de manter e integrar o projeto Big Bang Johnson (que tem ainda Ice, Du Bronks Pixote, Sandrão e Helião, entre outros).

Mano deu raríssimas entrevistas até hoje. Quando solicitado, geralmente indica KL Jay, o DJ do grupo e artista mais acessível do clã.


Texto: Ricardo Feltrin (Colunista do UOL)

Fonte: Uol

Ivy é uma das representantes femininas mais fortes na cena Dancehall Brasileira. Faz parte da crew Família 7 Velas, pioneira do Ragga Brasileiro. Nesta entrevista Ivy fala sobre a sua paixão pela música e sobre a sua trajetória até hoje.

Inicio...


Thug - Eu li numa entrevista que você mora aqui na Zona Sul de Sampa. Praticamente só rola Rap, Samba, Pagode. Li até que um dos seus pais era cantor de pagode.A minha dúvida é, como você conheceu o Dancehall Ragga?


Conheci o Ragga Dancehall quando fui morar durante 1 ano na Alemanha, ali foi meu verdadeiro primeiro contato com o ragga.

Andreia - Que importância teve na tua carreira os teus pais trabalharem no meio musical?


Quase 100% de importância, cresci nos camarins das casas noturnas aonde minha mae cantava. Na minha casa sempre teve ensaios e instrumentos, os quais eu desde de pequena passava os finais de semana batucando em algum.

Andreia - Aos 12 anos já subias num palco e cantavas. Isso ajudou-te a saber lidar com público e ter interação com eles?


Concerteza! Lembro como se fosse hoje a primeira vez que subi ao palco, tinha um público de 2 mil pessoas e meus pais ali apreeensivos achando que eu nao iria conseguir, pois sempre fui uma pessoa muito timida. Depois de muitos conselhos dos dois subi ao palco que para a maior surpresa deixei a timidez de lado e deixei que o meu lado artistico falasse mais alto.

Andreia - Foste para Alemanha ainda muito jovem e essa viagem acabou por ser um ponto de viragem na tua vida e na tua carreira.Foi lá que tiveste o 1º contacto com o Ragga. Qual foi a 1ª vez que te lembras de ouvir Ragga e pensar "é isto que eu quero fazer"?


Acho que se talvez eu não tivesse ido para a Alemanha, tavez nao teria conhecido o ragga ate hoje. Eu ouvia muito ragga nas baladas onde eu frequentava, gostava muito do estilo mais até então não sabia exatamente o que era, fui saber ao certo o que era quando voltei e tive contato com os caras da Familia 7 velas.

Andreia - Enquanto estiveste na Alemanha, quais eram as bandas ou cantores que te inspiravam nessa altura?


Na Alemanha eu ouvia muito Gentleman, Cecile, Lady Saw, Capleton, Nina Sky, Buju Banton... foram as minhas primeiras referencias no ragga.

Thug - Quais suas influencias musicais no Ragga e fora do Ragga actualmente?


Bom no ragga eu escuto de tudo... não da pra citar, desde de artistas ja consagrados ate aqueles que nao tem nenhum play no myspace, eu escuto tudo o que eu puder conhecer.... já fora do ragga também fica dificil citar tudo o que eu escuto mais.. gosto muito de grime, r&b, hip hop.

A importância da Familia 7 Velas na carreira de Ivy...


Andreia - Na volta ao Brasil, conheces a Familia 7 Velas e acabas por te tornar num dos membros da banda. Como conseguiste entrar para a crew 7 Velas?


Quando conheci a Familia 7 velas autumaticamente, comecei a frequentar o home studio onde eles gravavam suas musicas, ate entao ninguém nem sabia que eu já tinha cantado, esse processo foi me cativando cada vez mais, ver os caras compondo, gravando... até que um dia pedi para que o Jimmy Luv me mandasse um "riddim", ele mandou e eu escrevi, cantei pra ele no telefone e quando retornei ao home studio, gravei meu primeiro som.

Andreia - O que mais te recordas dessa época em que viajavas com a banda a dar concertos em São Paulo?


Época boa, tive a honrra de poder conviver com grandes pessoas e artistas maravilhosos.

Andreia - Para quem não conhece a Fam 7V e a sua importância para o começo do Ragga Dancehall no brasil, gostaria que explicasses por palavras tuas a importância da banda para o movimento.


Familia 7 velas concerteza foi a primeira crew a realizar o ragga dancehall/ new roots no Brasil. Hoje em dia já surgiram muitos artistas, mais foi a partir de Jimmy Luv, Alexandre Cruz, Fex, Arcanjo Ras, Sambathu, Jr.Dread que o Brasil pôde começar a tentar entender um pouco desse estilo. Big Up 7 Velas ! Respeito Máximo Sempre!!!.

Andreia - Existe algum projecto com a banda para 2009/2010?


Sim, a Familia 7 velas deu uma parada para que cada um possa divulgar o seu trabalho solo, em 2009 não digo, mais e 2010 podem esperar que familia 7 velas estará de volta activamente e dessa vez com muitas novidades.. Aguardem!

O Ragga Brasileiro...


Andreia - Como descreverias a situação do Ragga no Brasil neste momento? A sua evolução desde o início até agora.


Se eu for contar desde de o inico ate agora, até que caminhou basntante. O ruim é que essa trajetória vai de passo a passo, as coisas para o ragga acontecem muito devagar por aqui. Devido ao povo brasileiro ter conhecimento apenas no reggae roots fica dificil deles conseguirem assimilar que o ragga é reggae.. para eles sao coisas distintas, isso dificulta bastante para as pessoas que gostam do estilo.

Thug - O Ragga faz muito sucesso em paises europeus, alguns Asiáticos (destaque pra cena do Japão)...
O que você acha que falta para o Ragga tambem fazer sucesso aqui no brasil como neste paises?

Divulgaçao. O Brasil está carente de coisas novas, mais como quase tudo em nosso pais, as pessoas acabam se acomodando,. Por exemplo, porque não trazer um artista novo de ragga? Eles preferem acreditar em trazer "aquele" artista que sempre veem pelo fato das pessoas ja conhecerem etc. Eles não querem correr atrás de divulgar coisas novas, as pessoas que fazem eventos querem ter os cem $$ garantido sem esforço pra divulgar artista nenhum, por isso sempre os mesmo veem para ca, ou seja, ficamos no roots pra sempre! ou pelo menos ate 2009 está assim! rs.

Andreia - Porque achas que poucas pessoas do meio musical, que trabalham com shows, investem pouco em cantores Ragga? Achas que existe preconceito em relação ao Dancehall?


Como citei acima, não acho que seja preconceito e sim comodidade de trazer os artistas que aqui já sao conhecidos.

Andreia - De todos os cantores de Ragga do Brasil, quais destacarias neste momento, que estão a ajudar a cena Dancehall a ficar mais forte?


Jimmy Luv é o icone do ragga no Brasil, foi ele o pioneiro e sempre está ai pra somar e contribuindo na cena. Umas das revelaçoes pra mim sao: Buykasan - que evoluiu muito do seu primeiro album ao segundo - e o Victor Bhing I , artista do Rio de Janeiro que sempre teve suas musicas voltadas mais ao new roots, agora se dedica e muito bem ao dancehall.

A importância das mulheres no Dancehall Brasileiro...


Andreia - Como é ser uma das maiores representantes do Ragga Brasileiro?


E muito gratificante, melhor será quando surgirem muitas outras mulheres pra somar no movimento, que seja cantando ou dançando.

Andreia - Qual é a importância das mulheres na cena Ragga? O que elas trazem de diferente?


Não diria nem que seja a "importância", mais a presença de mulheres no ragga na pista ou no palco concerteza abrilhanta e completa uma festa de ragga.

Andreia - Existe muita polémica em torno do Ragga por causa da maneira como a mulher é vista pelos cantores.
Tu, enquanto mulher, concordas que existe desrespeito por parte dos homens?

Em todos os estilos musicais, não só no ragga, as pessoas se expressam da forma que querem, nao acho que existe desrespeito, ate porque o que é bom pra uma, pode nao ser tanto pra outra.. Tá ai de vc definir o q gosta de ouvir e selecionar o que te agrada ou nao .. e sempre pensando: isso talvez nao seja legal pra mim, mais pra outra mulher possa ser interressante.

Andreia - O termo punanny é um termo depreciativo para definir as mulheres? O que significa exactamente?


O termo punanny ao pé da letra, refere-se ao orgão genital da mulher... mais é usado tabém como giria pra se referir a uma mulher, ate porque quem possue uma "punannay" automaticamente é uma mulher...

O Ragga vs Rap...


Andreia - Para ti que semelhanças há entre o rap e o ragga?


Toda semelhança. Nao diria nem que o rap e o ragga sao primos.. eles sao irmao mesmo!!! e de primeiro grau. Dois estilos surgidos no gueto, onde cantam a relidade, em cima da batida pesada, resumindo... Musica de Preto.

Thug - Ivy voce nao acha que no Brasil o Ragga devia cola mais junto com Rap..pra ambos se fortalecerem..
Ja que ambos sao ritmos negro do gueto e praticamente primos?

Acho sim, e isso aos poucos esta acontecendo, mais como aqui todos nós sabemos que o processo é lento, vamos indo ao nosso trabalho de formiguinha e um dia isso vai chegar aonde almejamos! Bless Ya!

Thug - Curiosidade Minha..Como voce mora na zona sul..de sampa..regiao capao redondo... Creio que voce gosta de Rap...Ja pensou em fazer uma parceria com algum rapper..? se ja, qual seria este rapper e porquê?


Na verdade sempre escutei mais o reggae do que o rap , mais penso sim em gravar um som com algum rapper.. estou em projeto com isso... Se for pra escolher citaria 3: Racionais Mc's, Rappin Hood, Mv Bill.

Andreia - Achas que o Ragga se deve manter sempre underground?
Ou se fosse comercial, à semelhança do Rap Americano, não seria bom para o movimento e se tornaria demasiado banal?

De jeito nenhum! O ragga tem que ser popular... igual em todos os paises do mundo, musica para o povo. Quanto ao virar banal, nao necessaiamente precisa-se virar popular para se tornar banal, e mesmo underground nao estamos fora de risco quanto a isso.

Novo álbum...


Andreia - Desvenda um pouquinho deste novo álbum. As participações, produções, data de lançamento...


Data de lançamento ainda nao tenho prevista, mais podem aguradar que sera um trabalho feito com muita carinho e variaçao, no meu cd colocarei nao so ragga dancehall, mais também como outros estilos o qual eu gosto e me identifico. Quanto ás participaçoes, serão algumas que ja estão gravadas e algumas surpresas.. pode citar uma delas como o cantor Jr. Dread, o resto é surpresa! rs

Andreia - Para além do Ragga/Dancehall também usas outros ritmos. Que outros ritmos vais usar desta vez?


Continuarei na mesmo linha, todo o som que for bom para os meus ouvidos estará no meu cd.. sendo ragga ou nao.

Andreia - O que este álbum vai ter de especial que os outros não tiveram?


Tera varias musicas desde o começo da carreira ate nos momentos de agora... as pessoas que ouvirem esse disco poderao acompanhar minha evoluçao musical e minha variedade dentro do mundo musical.

Andreia - Fora do Brasil, quem quiser ter acesso ao teu novo álbum, como poderá fazê-lo?


Concerteza vou disponibiliza-lo na internet.

Para além do Ragga...


Como é a Ivy no dia a dia? É diferente da Ivy 'cantora'?


Acho que essa foi uma das pergutnas mais dificeis rs, Ivy no dia dia talvez seja bem diferente da Ms.Ivy, sou bem caseira nao saio muito, só quando necessario, gosto de ficar em casa de boa, ouvindo um som ou escrevendo musicas.

Quais são os teus hobbies favoritos?


A musica e meu hobbie favorito, seja cantando ou ouvindo.Musica concerteza é algo essencial na minha vida.

Que tipo de filmes e livros costumas ver/ler?


Nao leio muito livros, na verdade a maioria das coisas que leio sao duvidas tiradas na internet, mais gosto muito de ver filmes, meus preferidos sao de comedia ou dramaturgia.

Que pessoa mais te marcou na tua vida?


Nossa! dificil essa tabém... nao diria que marcou mais sim que marca ate hoje, minha mãe, irmã e pai são exemplos de vida pra mim.

Deixa uma mensagem especial para quem está a ler esta entrevista...


Valeu pela vibe, espero que tenham gostado de conhecer um pouco a mais sobre mim, que o ragga continue na evoluçao e nós continuaremos na batalha! Jah guide and Protect!

Entrevista feita por Andreia Quaresma e Anderson Thug



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