quinta-feira, 30 de novembro de 2017



Idealizado e desenvolvido pela jornalista Jéssica Balbino, “Margens” recebeu o  Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina em Minas Gerais


A jornalista e pesquisadora de Poços de Caldas, Jéssica Balbino foi premiada pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais com o projeto “Margens” que atua na valorização das mulheres na literatura marginal, periférica, saraus e  slams no Brasil. A premiação aconteceu por meio do edital Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina, que buscou a valorização, divulgação e estímulo à produção dos segmentos da cultura hip-hop nas periferias.

O resultado foi divulgado por meio de uma publicação no diário oficial do Estado de Minas, bem como no site da secretaria. Das 72 propostas recebidas, 28 delas foram premiadas. Com a nota mais alta na categoria MC (mestre de cerimônias), o projeto “Margens” da jornalista Jéssica Balbino, que acontece desde 2014 e tem potencial para continuidade.

O projeto é resultado da pesquisa de mestrado feita pela jornalista entre 2014 e 2016 na Unicamp e valoriza a participação das mulheres na literatura. Para difusão de conteúdo, ela criou o blog Margens (www.margens.com.br), fez o documentário Pelas Margens, já exibido em festivais de cinema e literatura, unidades do Sesc e periferias e rodas de conversa, debate, mesas redondas e ciclos em unidades do Sesc em MG, SP, Itaú Cultural e festivais literários do Brasil todo, como Flipoços, Flup, entre outros. 

A iniciativa contou também com um mapeamento de mulheres que escrevem na periferia de todo o país e resultou em um mapa interativo, disponível no blog, onde é possível conferir, identificar e conhecer quem são as autoras da literatura marginal do país. Mais de 400 mulheres responderam ao questionário e participaram da pesquisa. 

Jéssica Balbino está envolvida com a cultura hip-hop desde 1999, já publicou os livros Hip-Hop – A Cultura Marginal (premiado pelo MINC em 2010) e Traficando Conhecimento, além de ter participado de diferentes antologias e trabalhado como repórter para diferentes veículos segmentados, bem como trabalhado com assessoria de imprensa e produção cultural para grupos de todo o país e ganhado outros prêmios de relevância nacional com tais artistas. 

“Fiquei muito feliz com o resultado. Iniciativas como editais de premiação são extremamente importantes, porque valorizam trabalhos já feitos, de forma independente e na maioria das vezes, sem recursos e com resultados visíveis, especialmente nas periferias. Quando criei o Margens, sabia que era um projeto inédito. Foi o primeiro blog do país a tratar da literatura marginal/periférica, dos saraus, slams e de toda esta cena que é efervescente e isso somado à produção das mulheres, que é um viés crescente, tenho muito potencial de crescimento e continuidade. É um projeto amplo e que pode ser ainda mais”, destacou Jéssica Balbino.

O projeto foi enviado ao prêmio através de uma parceria da jornalista com a Pomar Cultural Produtora.


Sobre o Prêmio
Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina busca difundir, aprimorar e consolidar a noção de cultura urbana de periferia, que vêm redimensionando tanto suas identidades étnicas quanto as representações sobre o próprio contexto onde vivem. O nome do edital é uma homenagem a Anderson Luiz de Paula, mais conhecido como MC Canela Fina, que foi integrante do Retrato Radical, grupo referência do rap mineiro, com o qual gravou três discos: "Seja Mais Um" (1995), "O Barril Explodiu" (2000) e "Homem Bomba" (2010). Além disso, integrou em 1997 o grupo Black Soul, com o qual gravou o álbum "Patriamada", o primeiro CD de rap mineiro lançado por gravadora e com distribuição nacional. O disco saiu pelo selo Atração Fonográfica, que na época tinha artistas como Bezerra da Silva, Beto Barbosa e 509-E. MC Canela Fina está entre os rappers com o maior número de registros fonográficos da capital, sendo que o primeiro álbum do rapper foi produzido em vinil pelo DJ A Coisa e lançado pelo selo local "Black White Discos". Canela Fina, ou Black, como muitos o chamavam, foi um MC habilidoso e um letrista versátil, considerado um dos melhores letristas do rap nacional.

Serviço – Mais sobre o Margens pode ser visto nos sites www.margens.com.br ou www.jessicabalbino.com.br


Com participação de Rashid, Daniel Shadow, Issa Paz,Mano Reu e Vinicius Terra,  Underground Lusófono lança disco "DE VOLTA AOS CLÁSSICOS


“De Volta Aos Clássicos” é o 5º projecto do conceituado site de intervenção Underground Lusófono na direcção artistica de Daniel Macedo.

Composto por 6 músicas, com  principal foco de trazer o Rap Underground luso de volta a Essência (origens, mantendo os ideais), o projecto “De Volta Aos Clássicos” conta com as participações de Rashid (Brasil), Miss Skills (Angola), Lancelot (Portugal), Daniel Shadow (Brasil), Rave Master (Cabo Verde), Vinicius Terra (Brasil), Pulga Phil M (Portugal), Catastrófico Lírico (Angola), Issa Paz (Brasil), Mr. B (Portugal), Agente Supremo (Angola) e Issa Paz (Brasil) na rima, e produções de Relatório Autônomo, Intelektu e Dj Machintal.

Underground Lusófono - De Volta Aos Clássicos.

Download ----» https://goo.gl/VRaQJt


Ouvir Online ----» https://goo.gl/atcNqs


Tracklist:

01 - Daniel Shadow (Brasil) | Lancelot (Portugal) - De Volta aos Clássicos

02 - Catastrófico Lírico (Angola) | Rave Master (Cabo Verde) - Realidade Sem Ficção

03 - Miss Skills (Angola) | Issa Paz (Brasil) - Tudo Gira Em Torno Deles

04 - Rashid (Brasil) | Pulga Phil M (Portugal) - Indignados

05 - Mr. B (Portugal) | Mano Reu (Brasil) - Morrer Por Seus Ideais

06 - Vinicius Terra (Brasil) | Agente Supremo (Angola) | Dj Machintal (Brasil) - Progresso em Processo (Remix)

Produção Executiva: Daniel Macedo (Underground Lusófono)

Direcção Artística e Conexão: Daniel Macedo (Underground Lusófono)

Mistura e Masterização: Phillipe Menezes (HBC Records)

Beats: Relatório Autônomo - Intelektu - DJ Manchital


"A coletânea “MOBVID” é o mais novo lançamento do grupo belo-horizontino ZombieMafiaBadSoul (ZMBS). Inteiramente produzida pela DmmK_BR, gravadora conterrânea, conta com CINCO FAIXA INÉDITAS exprimindo a evolução de cada integrante, que foi base para os primeiros anos da ZMBS. "


“Esse sou eu: menino, homem de 19 anos, negro, periférico e bissexual com muito orgulho", logo de cara e com muita atitude é que, Alex Drey - nome artístico de Alexandre Viana – se define. Cantor e compositor natural da zona norte de São Paulo, apaixonado por música desde os 7 anos de idade, agora chega de vez como uma nova aposta na música pop para 2018.

"No começo eu achei que era gay, pois desde criança, tinha isso dentro de mim e eu sofria muito preconceito na escola. Era alvo de piadinhas devido ao meu jeito. Eu não era bem resolvido comigo mesmo sobre esse assunto e aquilo me fazia muito mal¨, releva Alex.

A mãe de Drey morreu quando ele tinha 13 anos e desde então, foi na música que encontrou um refúgio seguro. Com o trauma, enfrentou problemas como depressão e ansiedade logo cedo, e durante esse período, encontrou um talento desconhecido: a arte de compor sobre o que ele sentia.

"Encontrei na música a minha razão de viver! É meu sonho e o meu maior motivo de estar aqui. Meus primeiros passos foram gravando demos com instrumentais da internet e me ouvindo, fazendo vídeos e colocando na internet entre 2012 e 2014. Isso me trouxe um aprendizado muito grande em relação ao som que eu queria colocar ao mundo”.

Entre 2015 e 2017, o paulistano lançou alguns trabalhos e parcerias independentes no YouTube, e no começo de 2017, decidiu assumir o gerenciamento da própria carreira aposta em um trabalho independente e mais verdadeiro.

“Precisava me encontrar e ser eu mesmo, ser transparente com quem iria me ouvir. Dei um tempo, estudei um pouco sobre gêneros musicais, culturas e sobre marketing”.

Ao iniciar os novos trabalhos com o produtor Policeno, Alex Drey começou um processo de experimentação de visuais para chegar a um resultado que o representasse. VICIANTE, primeira jogada do cantor, vem para começar a etapa de inserção do cantor no meio pop.

“As tranças verdes me dão confiança e representa melhor minha proposta. Essa música define o meu momento atual de vida em que quero deixar de lado todas as minhas frustrações, ser eu mesmo e me jogar sem importar com o que vão falar”.

A primeira faixa de trabalho faz jus ao título escolhido e apresenta uma mistura de influências de dancehall e EDM (electronic dance music). O single é uma mistura regional jamaicana e americana voltada para as rádios, baladas e também para o público LGBT.

VICIANTE já está disponível com lyric vídeo no canal oficial de Alex Drey e também nas plataformas de streaming.

Ouça:


REDES SOCIAIS


Instagram: @alexdreyoficial

Twitter: @AlexDreyOficial


O tema “Just stop” extraído da mixtape “First Step” do rapper angolano Krazy, lançado no passado dia 1 de Novembro, acaba de ganhar um vídeo clip. Trata-se do primeiro vídeo que sustenta a obra.

Dirigido por Bobby Striandro, “just stop” foi inteiramente gravado em Luanda pela produtora Gost Voice. O tema, totalmente cantado na língua inglesa, expressa o modo de vida e o desejo do artista de ser um vencedor. “Nessa música eu falo das minhas lutas e de como, por vezes, não devemos dar ouvidos a vozes negativas”, refere o rapper.

“First Step” (primeiro passo) é o primeiro trabalho a solo de Krazy e de acordo com autor, a escolha do título, por ser o seu primeiro registro, tem particular significado e a sua produção é marcado por tristezas e alegrias. Tornar acessível a um maior número de pessoas o motivou a disponibilizar para free download. “Eu decidi partilhar de forma livre com os fãs tudo aquilo que eu fui fazendo nos últimos tempos”, conta Krazy. Com seis faixas musicais, a obra comporta temas variados sobre o quotidiano. Entre os temas mais solicitados destacam-se “desligo” e “just stop” este último cantado inteiramente em inglês. No que diz respeito a produção, Krazy contou com os préstimos de Aliens Trap e Dj Zaty, produtor angolano residente na Namíbia e que já trabalhou com artistas nacionais de top, como Dji Tafinha.

Krazy iniciou a sua carreira na vizinha República da Namíbia, onde residia por motivos académicos. Nos próximos dias pretende divulgar um vídeo clip e posteriormente um EP. A obra está disponível em formato digital para download gratuito nos principais sites e bogs de música.

Assista:


Faixa estará no aguardado álbum “KL Jay Na Batida Volume 2 - No Quarto Sozinho”

O lançamento do single no próximo dia 8 de dezembro é o primeiro passo para a chegada do tão esperado CD de KL JAY. A ideia veio depois que o DJ conheceu MC Guimê através do seu filho DJ Kalfani. Disso KL Jay sentiu vontade de trabalhar na música “Tá Patrão” que MC Guimê fez em 2011.

“Eu curti, pois o cara é seguro cantando. Ele é talentoso, agressivo no vocal, interpreta bem. Fiquei fã e ouvi as outras músicas dele”, explica KL Jay. A música tem participação de Renan Samam e da Lay, que na visão do KL Jay potencializam a música como deve ser. Ter os dois é importante, pois são nomes da nova cena que KL Jay admira. “A Lay é talentosa demais. Eu me identifico muito com ela. Acho muito importante uma mulher estar falando de dinheiro na música. Uma voz de mulher no meio dos discursos dos homens, falando de igual pra igual.”

A faixa “Tá Patrão 2.0” trata-se de uma versão Rap com elementos brasileiros, a música tem elementos de escola de samba, tem o ritmo do samba característico das escolas de samba mesmo. A composição fala de prosperidade, de dinheiro de uma forma política, de um olhar engajado, sério e político. Mensagem necessária, pertinente e atual.

O single chega em todas as plataformas digitais pela distribuidora Altafonte na sexta, 8 de dezembro e o CD vem nos próximos meses. Aguarde!


A muito tempo que os fãs de rap brasileiro vem aguardando o trampo solo da Kmila.
No começo da semana foi anunciado o lançamento do primeiro single do primeiro trampo solo da Kmila Cdd, que vai ser um EP.
E hoje saiu o clipe da música "Guerra", o som foi produzido pelo Insanne tracks e direção musica do Mv Bill.




Música: GUERRA
Artista: KMILA CDD
Produção do Beat: Insanne tracksDireção musical: MV BILL
Direção: Samukera & Brombini Dois GSelo: Vida Longa Co-Direção: MV Bill
Operador de câmera: Brombini Dois GDireção de fotografia: Samukera Edição: Samukera & Brombini Dois G
Produção executiva: Vivian Reis Produção: VIDA LONGA Produções & AWLAWD
Assistente de produção: Sergio Aquino
“Viemos para recuperar a pauta do negro no Rap”  
Relembre o último episódio do projeto: #ReferenciAna - Afrocypher vol. 2

Afrocypher lança seu terceiro capítulo no dia 30 de novembro. A música, Afrocypher III, é o último episódio da trilogia e fecha o mês da consciência negra abordando temas como o racismo, desigualdade social, mídia, estética e história.

A produção contou com os MCs do interior de São Paulo Rhenan Duarte, Daniel Garnet, PeqnoH, Underson Leitty e Rodrigo Buga, com o beat do Dj Duh e produção do Selo Pegada de Gigante. O som mistura groove, berimbaus, scratchs e a composição faz referência aos diferentes contextos da cultura negra.

Para o rapper Rodrigo Buga, a música é uma oportunidade de dialogar sobre as questões negras que ainda não estão explicitadas para a sociedade e funciona como uma ferramenta de formação para os negros que estão na diáspora. “Nada melhor do que estudar a história pela nossa própria ótica para conhecermos as deturpações e mentiras contadas”, afirma.

Musicalmente, a produção também procura utilizar do entretenimento para a geração de conhecimento. Rhenan Duarte relata a técnica usada no Afrocypher, e também em produções como Ponta de Lança, do Rincon Sapiência, que revivem a essência do Hip Hop de levar informação e reflexão de forma envolvente. “Músicas assim são um ato de resistência e precisamos encontrar mais adeptos”, afirma.

A produção musical foi de Eduardo Balbino, também conhecido como DJ Duh, que já trabalhou com diversas produções como os álbuns Corpo e Alma (Inquérito), Até ue Enfim Gugu (Marcello Gugu) e Avise o Mundo (Daniel Garnet & Peqnoh). O DJ também já concorreu ao Grammy Latino ao lado de Emicida e Rashid. A gravação, mixagem e masterização foram realizadas pelo produtor Rodrigo Short no estudo Toca de Gigantes.


Recontando a história

Com referências negras, orixás, ativistas, artísticas e influências de países do continente africano, a música também relembra episódios de racismo e discursos de ódio em versos como: “Pode fingir, sabemos que você sente/ que uma MC Soffia incomoda muita gente”, no qual se refere a rapper de 13 anos de idade que canta sobre empoderamento de meninas negras desde os seis.

As citações históricas também fazem parte desta terceira edição. Desde o primeiro capítulo do Cypher, diversas personagens e momentos históricos importantes para a cultura negra e brasileira foram ressaltados, por exemplo: Eva Mitocondrial, Aquatune, Amarildo, Notorious Big, Tupac Shakur, entre outros. Segundo Daniel Garnet, estas referências são importantes para resgatar a história não oficializada, sendo uma das formas de mostrar que a história ensinada nas escolas é apenas uma das diversas centralidades do mundo. “Nossa ideia é ampliar essa visão por outras vias de conhecimento”, conta. 



   


Sobre o vídeo


O audiovisual ficou por conta do MC e produtor Robson Peqnoh. Desde a sua primeira produção, Com as Próprias Mãos, o videomaker vem dirigindo diversos videoclipes na região de Piracicaba e o mesmo processo aconteceu com o Afrocypher. “Quando o Underson Leitty veio com a ideia, eu me propus a realizar os vídeos. Desde o início a concepção dos vídeos é minha”, disse Peqnoh.

Dessa vez, a inspiração veio da obra A Revolução Não Será Televisionada, de Gill Scott Heron, música que remete à necessidade de as revoluções serem feitas fora da mídia, e também da falta de pertencimento das minorias frente às câmeras. “A revolução não será reencenada irmãos/ A revolução será ao vivo”, diz a música.
No clipe, Robson buscou evidenciar figuras negras brasileiras e internacionais para demonstrar a importância dessas pessoas dentro da nossa cultura e questionar a falta de reconhecimento das mesmas pela mídia e, consequentemente, pelo brasileiro.

Release por Jaqueline Altomani
Equipe Pegada de Gigante

email: pegadadegigante@gmail.com
Site - http://www.pegadadegigante.com

quarta-feira, 29 de novembro de 2017


O Brasil é um pais onde a maioria da população é negra, em 2015 dados apontam que 54% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos.
Apesar de oficialmente nossa republica federativa ser laica, na pratica não funciona. Somos um pais de maioria cristã, dentre estes cristãos, os evangélicos protestantes e pentecostais são maioria.
Onde eu quero chegar? Com o aumento destas denominações nas quebradas, atos de intolerância tem aumentado drasticamente a ponto de acontecer atos de violência física e psicológica. 
Sabemos que isto tem um viés racista, pois as únicas religiões que sofrem com preconceito sãos as de matriz africana. Budistas, Hindus ou espiritas kardecista não passam por isto. 

Nós do NP, nunca ficamos em cima do muro e nos posicionamos diante de fatos como este. Mas desta vez achamos importante pegar a opinião de pessoas do rap, pois estes atos de racismo tem acontecido dentro da nossa cultura. 

Algumas semanas atrás, soltamos o artigo - Intolerância religiosa. E o que o Rap tem a ver com isso?. Neste artigo escrito pela Ana Rosa, tem trechos de declarações de: Jair Cortecertu, Lucas D'Ogum, Souto MC, o grupo Omnira, Lázaro (Opanijé), Anarka e Thiago Elniño.


Num trecho do artigo escrito pela Ana Rosa, diz: 
"O movimento Hip Hop é concebido como um movimento de resistência, e principalmente de denúncia contra a figura do opressor. Sim, existem vertentes que não pautam nada disso em suas letras, mas implicitamente levam consigo, o movimento em si leva esse pilar junto dele, ou pelo menos deveria."
Vale lembrar que o Rap e o Hip Hop, são manifestações culturais que são enraizadas na cultura preta e africana. É incabível ato racista ou intolerante dentro da cultura.

Como dito acima, pegamos declarações de algumas pessoas ligadas ao rap e que praticam a religião. 

Entrevistas anteriores:
Lazaro Erê Castro, membro do grupo baiano Opanijé - 

Não adianta arrotar negritude e cuspir na história de nosso povo desrespeitando o candomblé.



Jair Cortecertu, que é bibliotecário, blogueiro e DJ. 




O bola da vez é o rapper mineiro Thiago Elnino.

Perguntamos ao Thiago: Diante desta onda de intolerância religiosa para com as religiões de matriz africana. Qual a importância de rappers se posicionarem diante destes fatos?

Thiago responde: Em uma perspectiva quanto a rappers a gente pode limitar o cara a ser um trabalhador da arte que não necessariamente tenha que emitir uma opinião ou se envolver em questões que combatam a desigualdade seja ela qual for, agora, na perspectiva de MC, de parte integrante da cultura Hip Hop, o que se espera é que mesmo tendo toda sua gama de liberdade individual, este artista esteja inclinado as matrizes do movimento no que dizem respeito ao combate as desigualdades e principalmente o racismo, e neste caso o que vem acontecendo não é apenas intolerância, é racismo religioso, a palavra racismo deve ganhar o destaque por que essa opressão que o nosso pais realiza sobre religiões ou correntes espirituais que não sejam cristãs é muito mais covarde e predatória quando se fala de qualquer coisa que tenha matriz africana e ainda esteja sobre a tutela dos pretos.

Os MCs se silenciarem nesse momento é algo muito negativo, e quando digo se posicionar não digo necessariamente que os caras tem que declarar apoio no Facebook ou fazer raps, eu digo que isso pode ser pautado de alguma forma na construção do seu conceito como artista, deve estar na sua forma de pensar, na sua forma de agir, e ai cada um diante suas estrategias que encontre a melhor forma de se posicionar, mas que se posicione!


Perguntamos também: Tem alguma explicação de onde vem esta onde conservadora, que vem dominando as quebradas e o rap?

Thiago responde: Não é uma exclusividade do rap, é um reflexo principalmente desse momento de desconforto sócio-politico que as pessoas vem sentindo o que gera uma atmosfera de medo muito forte, esse medo faz com que na falta de informação para entender a conjuntura, as pessoas busquem quem historicamente se acostumaram a deixar que pensem para elas, e ai encontram a mídia, que posiciona ali quem esta a favor dos interesses do capital, da elite, e como reflexo a população reproduz o comportamento daqueles que a mídia transformou em referências, nada novo abaixo da linha do equador.

Quanto ao rap, se esperava que fosse formado por um publico politizado e informado e durante determinado período eu ate acredito que foi, mas com a popularização, ele se aproximou muito do mercado do entretenimento trazendo muita gente mais preocupado com propostas esteticamente interessantes mas vazias de informação que proponham uma autonomia do pensar, e ai tu tem um publico tão grande quanto ignorante, que abraça a ideia que grita mais alto, e apoiada pelo capital, hoje a ideia que grita mais alto é a ideia torta!



E pra terminar: De que modo combater tudo isto?

Thiago responde: Ficando vivo, o que já é bem difícil sendo preto e pobre rs, e durante esse processo de ficar vivo, lutar com as armas que pode para manter sua dignidade e a dignidade do seu povo, e se você tem informação você sabe que dignidade passa pelo acesso a mesma, então tu passa a ter a função macro de acessibilizar essa informação aos seus da melhor forma possível, seja se posicionando nas redes, seja criando obras artisticas, seja em conversas cotidianas, seja onde for, e é equilibrar a carga que isso traz para a sua vida, pois quando você tenta tirar o prato da mesa do sistema ele devolve agressivamente fazendo da sua fome um standart a ser exibido em praça publica como forma de exemplo a não ser seguido! É luta diária! Do micro pro macro! De dentro para fora!

Maximus, membro fundador do Projecto Ascensão, está a trabalhar para o seu próximo trabalho a solo, três anos depois do lançamento do LP “Ritmo, Amor e Poesia“, onde consta músicas como Peso da IdadeDe Mim pra Ti,  Aqui Onde Vivo (ft. Sombra), Amar é, e outras não menos relevantes.
Estou Firme, conta com produção de Octávio Pro, enquanto que o vídeo teve a Direcção e Edição da Makemedia. A faixa abre assim oficialmente, o inicio dos trabalhos para o álbum “Circulando Pelo Movimento” com o selo da Legião Sul Music Digital Music.
ESTOU FIRME 
ÁUDIO Mp3 / DOWNLOAD



"Mutum" faz sensível ponte entre embates sociais e o afeto

​​​​​(Foto: Mariana Ser)


"A clarividência é uma virtude que se adquire pela intuição mas sobretudo pelo estudo. É  tentar ver a partir do presente o que se projeta no futuro." - Milton Santos.
É possível falar de opressão e amor numa mesma obra, com coesão? Jairo Pereira mostra em Mutum, primeiro disco de seu projeto solo, que sim. A obra, gravada no estúdio Medusa, faz ponte entre os embates sociais e a importância do afeto com sensibilidade e destreza através de 7 faixas que misturam hip hop, rock, reggae, jazz e poesia.
A fala acima, do geógrafo e prêmio Nobel Milton Santos, abre o álbum na voz do próprio, recortada de uma entrevista de 1995. "Gosto demais dos caminhos que ele traçou para tentar encontrar soluções para a desigualdade social e racial que existe no Brasil. O trecho que escolhi, mesmo rápido, fala muito sobre o disco, sobre focarmos no momento presente para que possamos ter um futuro digno", conta Jairo.
Mutum começou nos palcos, e após quase dois anos amadurecendo o projeto em espetáculos ao vivo, houve o forte desejo de partir para o estúdio. Assim como o show, o disco trilha os caminhos do afeto como agente transformador para as prisões e embates diários, mas é diferente do que o público tem visto ao vivo, com faixas inéditas. O nome do projeto, e do álbum de estreia, vem de uma espécie imponente de pássaro, que vive na Amazônia e hoje encontra-se em extinção.
"É um disco curto, feito com poucos recursos, mas também porque vai direto ao ponto em tudo que a gente quer abordar. É um abre alas do Mutum", afirma Jairo. Totalmente independente financeiramente, o disco é recheado de participações. Como não poderia deixar de ser, a linha de seleção dessas pessoas também foi pelas relações afetuosas do compositor. Assim foi feita a composição da banda Mutum, em que a maioria dos músicos (a exceção é o guitarrista), também fazem parte do Aláfia, grupo do qual Jairo é um dos três vocalistas há sete anos: o maestro e pianista Fábio Leandro, o gaitista Lucas Cirilo - que trouxeram as influências jazzísticas ao trabalho -, o baixista Gabriel Catanzaro, o percussionista Pedro Bandeira, o baterista Filipe Gomes e o guitarrista Dudu Tavares.
O baixista Gabriel Catanzaro é quem assina a produção musical. A união das visões do produtor com a do compositor se fazem muito presentes no trabalho: Gabriel vem do universo do rock, enquanto o rap foi a escola de Jairo. "Quando o Jairo me pediu pra produzir o disco, meu desafio foi buscar fazer um recorte da figura artística dele fora do Aláfia. Ele tem dois lados muito fortes, um que aborda mais o ativismo racial e outro que discute o afeto, buscando falar abertamente sobre sexo. Para mim, as faixas que mais marcam esses dois extremos são "Química", um reggae com piano, mais sensual, que aborda o sexo sem impôr gênero nem limitações, e "Tá com medo, doutor?", rap com spoken word e uma pitada de rock, que fala sobre o genocídio da juventude negra e é muito forte", conta Gabriel. O poema "Com que mão você afaga", faz a ligação entre essas duas faixas, e entre os  dois pólos do EP, distintos e conectados.
Xênia França e Eduardo Brechó, os outros dois vocalistas do Aláfia, tão importantes na trajetória de Jairo, participam de "O Deserto Em Nós", música que aborda os valores sociais em declínio em buscas superficiais e plásticas. "A Xênia amacia a base de gangsta rap que o Jairo coloca nessa faixa, enquanto o Brechó  traz contexto histórico para a questão do racismo, falando sobre como a África foi saqueada pelo Império Romano", explica Gabriel.
"Candeeiro", primeira música do disco, conta com a participação do cantor e guitarrista Bernoldi e traz um rap com bases e beats pesados e elementos tradicionais do rock, como guitarra e percussão. "É completamente diferente do que temos feito nos shows do Mutum", afirma Gabriel. Outra faixa inédita é "Web Tribunais", um som para pista, com pitadas de funk e dub, vertente do reggae trazida com potência pela participação da cantora Laylah Arruda, que faz parte do coletivo Feminine Hi-Fi.
"Tá com medo, doutor?" é uma das poucas faixas que vieram do espetáculo. Além dela, o poema-declaração "Ame", que é acompanhado apenas de violão (Dudu Tavares) e fecha o disco com saxofone (Vinícius Chagas) e pratos (Janja Gomes), numa exaltação do mais primordial, o amor.
Mutum rouba o fôlego ao nos deixar em profundo contato com adversidades que muitas vezes insistimos em passar batido. Mas é através da luz, tanto ao iluminar tais tensões quanto ao indicar o caminho da cura, que amarra uma obra contemporânea. Propõe um mergulho num recente ditado urbano, pichado em muitos muros pela selva de concreto: o afeto é revolucionário.

Ouça:


Sobre Jairo Pereira
Jairo Pereira, 40, é ator, compositor, rapper, cantor, e poeta.
Na carreira musical, há sete anos é um dos vocalistas do Aláfia, que lançou seu terceiro disco em 2017. Antes disso, entre 2005 e 2007 fez parte da banda Afrodisíakos.
Jairo publica poesia na internet desde 2003, através de blogs e demais redes sociais. Em 2015, começou a compartilhar poemas através de vídeos, no canal online Alpiste de Gente. A inspiração do nome veio dos pássaros engaiolados que são alimentados com alpiste, fazendo assim uma metáfora com a humanidade, repleta de prisões. De 2015 a 2017 foram produzidos mais de 100 vídeos com poemas autorais, com 15 mil seguidores e mais de 400 mil visualizações ao todo. Ao transformar o canal em apresentações ao vivo, cada vez mais musicadas, nasceu o Mutum.
A poesia entrou na vida profissional do artista com o canal online "Diário Preto", em que ele abordou e combateu o racismo entre 2011 e 2014, com mais de 10 mil seguidores. Após três anos de trabalho, Jairo precisou parar de ser um canal vivo de denúncias e de lidar diariamente com um tema tão pesado de maneira combativa. Buscou então um novo caminho visando o mesmo objetivo: união, liberdade, equidade e a queda de opressões primitivas num geral.
Seu primeiro contato artístico foi o teatro, em 1996, ao ingressar na Cia de Teatro “TUMC” da UMC (SP), onde estudava. O ator encenou em peças como “Edmond” de David Mamet, com direção de Ariella Goldmann (Prêmio APCA),  e já foi até assistente do ilusionista Issao Imamura numa turnê por Angola, na África. O teatro também o levou à França, por onde fez turnê com a Cia Parnas, da diretora Catherine Marnas. Para a TV e cinema, já atuou em propagandas publicitárias, longas e curtas-metragens e seriados.
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