quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Na perspectiva de MC, de parte integrante da cultura Hip Hop, o que se espera é que mesmo tendo toda sua gama de liberdade individual, este artista esteja inclinado as matrizes do movimento no que dizem respeito ao combate as desigualdades e principalmente o racismo


O Brasil é um pais onde a maioria da população é negra, em 2015 dados apontam que 54% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos.
Apesar de oficialmente nossa republica federativa ser laica, na pratica não funciona. Somos um pais de maioria cristã, dentre estes cristãos, os evangélicos protestantes e pentecostais são maioria.
Onde eu quero chegar? Com o aumento destas denominações nas quebradas, atos de intolerância tem aumentado drasticamente a ponto de acontecer atos de violência física e psicológica. 
Sabemos que isto tem um viés racista, pois as únicas religiões que sofrem com preconceito sãos as de matriz africana. Budistas, Hindus ou espiritas kardecista não passam por isto. 

Nós do NP, nunca ficamos em cima do muro e nos posicionamos diante de fatos como este. Mas desta vez achamos importante pegar a opinião de pessoas do rap, pois estes atos de racismo tem acontecido dentro da nossa cultura. 

Algumas semanas atrás, soltamos o artigo - Intolerância religiosa. E o que o Rap tem a ver com isso?. Neste artigo escrito pela Ana Rosa, tem trechos de declarações de: Jair Cortecertu, Lucas D'Ogum, Souto MC, o grupo Omnira, Lázaro (Opanijé), Anarka e Thiago Elniño.


Num trecho do artigo escrito pela Ana Rosa, diz: 
"O movimento Hip Hop é concebido como um movimento de resistência, e principalmente de denúncia contra a figura do opressor. Sim, existem vertentes que não pautam nada disso em suas letras, mas implicitamente levam consigo, o movimento em si leva esse pilar junto dele, ou pelo menos deveria."
Vale lembrar que o Rap e o Hip Hop, são manifestações culturais que são enraizadas na cultura preta e africana. É incabível ato racista ou intolerante dentro da cultura.

Como dito acima, pegamos declarações de algumas pessoas ligadas ao rap e que praticam a religião. 

Entrevistas anteriores:
Lazaro Erê Castro, membro do grupo baiano Opanijé - 

Não adianta arrotar negritude e cuspir na história de nosso povo desrespeitando o candomblé.



Jair Cortecertu, que é bibliotecário, blogueiro e DJ. 




O bola da vez é o rapper mineiro Thiago Elnino.

Perguntamos ao Thiago: Diante desta onda de intolerância religiosa para com as religiões de matriz africana. Qual a importância de rappers se posicionarem diante destes fatos?

Thiago responde: Em uma perspectiva quanto a rappers a gente pode limitar o cara a ser um trabalhador da arte que não necessariamente tenha que emitir uma opinião ou se envolver em questões que combatam a desigualdade seja ela qual for, agora, na perspectiva de MC, de parte integrante da cultura Hip Hop, o que se espera é que mesmo tendo toda sua gama de liberdade individual, este artista esteja inclinado as matrizes do movimento no que dizem respeito ao combate as desigualdades e principalmente o racismo, e neste caso o que vem acontecendo não é apenas intolerância, é racismo religioso, a palavra racismo deve ganhar o destaque por que essa opressão que o nosso pais realiza sobre religiões ou correntes espirituais que não sejam cristãs é muito mais covarde e predatória quando se fala de qualquer coisa que tenha matriz africana e ainda esteja sobre a tutela dos pretos.

Os MCs se silenciarem nesse momento é algo muito negativo, e quando digo se posicionar não digo necessariamente que os caras tem que declarar apoio no Facebook ou fazer raps, eu digo que isso pode ser pautado de alguma forma na construção do seu conceito como artista, deve estar na sua forma de pensar, na sua forma de agir, e ai cada um diante suas estrategias que encontre a melhor forma de se posicionar, mas que se posicione!


Perguntamos também: Tem alguma explicação de onde vem esta onde conservadora, que vem dominando as quebradas e o rap?

Thiago responde: Não é uma exclusividade do rap, é um reflexo principalmente desse momento de desconforto sócio-politico que as pessoas vem sentindo o que gera uma atmosfera de medo muito forte, esse medo faz com que na falta de informação para entender a conjuntura, as pessoas busquem quem historicamente se acostumaram a deixar que pensem para elas, e ai encontram a mídia, que posiciona ali quem esta a favor dos interesses do capital, da elite, e como reflexo a população reproduz o comportamento daqueles que a mídia transformou em referências, nada novo abaixo da linha do equador.

Quanto ao rap, se esperava que fosse formado por um publico politizado e informado e durante determinado período eu ate acredito que foi, mas com a popularização, ele se aproximou muito do mercado do entretenimento trazendo muita gente mais preocupado com propostas esteticamente interessantes mas vazias de informação que proponham uma autonomia do pensar, e ai tu tem um publico tão grande quanto ignorante, que abraça a ideia que grita mais alto, e apoiada pelo capital, hoje a ideia que grita mais alto é a ideia torta!



E pra terminar: De que modo combater tudo isto?

Thiago responde: Ficando vivo, o que já é bem difícil sendo preto e pobre rs, e durante esse processo de ficar vivo, lutar com as armas que pode para manter sua dignidade e a dignidade do seu povo, e se você tem informação você sabe que dignidade passa pelo acesso a mesma, então tu passa a ter a função macro de acessibilizar essa informação aos seus da melhor forma possível, seja se posicionando nas redes, seja criando obras artisticas, seja em conversas cotidianas, seja onde for, e é equilibrar a carga que isso traz para a sua vida, pois quando você tenta tirar o prato da mesa do sistema ele devolve agressivamente fazendo da sua fome um standart a ser exibido em praça publica como forma de exemplo a não ser seguido! É luta diária! Do micro pro macro! De dentro para fora!
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