quinta-feira, 31 de março de 2011

Encontro de Hip-Hop é destaque no V Flipoços
  
Escritores da Literatura Marginal, rappers, Djs e graffiteiros participam de evento voltado a cultura hip-hop em festival literário nacional


Poços de Caldas, MG – Por acreditar na transformação e na evolução por meio da literatura, a organização do V Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços) organiza, para o próximo dia 5 de maio, um dia voltado, exclusivamente, a cultura hip-hop.
Dentro da programação do festival que tenta abordar todos tipos de assuntos e atingir os mais diferentes públicos, a organizadora do evento, Gisele Corrêa Ferreira, enfatiza a necessidade de explorar mais a literatura marginal, que tem espaço garantido e maior a cada edição.
Neste ano, o evento traz representantes de todos os elementos do hip-hop e debates com personalidades da literatura. 

Flyer do encontro

O início do debate será marcado por Alessandro Buzo, escritor e agitador cultural, autor de sete livros e organizador de quatro coletâneas com escritores de todos estados brasileiros, ele comenta a participação no Flipoços. “É muito bom ter o hip-hop em destaque num evento de literatura, no caso do Flipoços. Não é de hoje que o rap traz vários letristas importantes e aos poucos, nomes do hip-hop se lançam na literatura. A tendência é que cada vez mais essa parceria se consolide. Para mim, é uma honra ter sido convidado. Antes de tudo, sou escritor, mas minha ligação com o hip-hop é total, tanto que vou falar do meu livro mais recente, o Hip-Hop- Dentro do Movimento”, salienta. 

 
Alessandro Buzo: escritor e agitador cultural dentro do movimento hip-hop



Não distante do que ele comenta, está o rapper, poeta e geógrafo Renan Inquérito, que participa do festival e conta que através da poesia se descobriu músico e hoje caminha entre as duas linhas. “Antes de ser rapper eu era poeta. Sempre gostei de brincar com as palavras e meu grupo, o Inquérito, traz nas letras e no contexto, uma forte ligação com a literatura marginal. Participar do evento significa expansão artística e profissional, além de representar reconhecimento por um trabalho de mais de 10 anos. Vida longa a Literatura Marginal”, conta, o rapper que no final de 2010 lançou o terceiro disco – Mudança – e que traz numa das faixas a canção Poucas Palavras, em homenagem aos escritores da Literatura Marginal. 


 
Renan Inquérito: músico, poeta e geógrafo na programação do Flipoços

A programação traz também intervenção do Dj Mancha, poços-caldense que em 2010 passou a freqüentar saraus e descobriu o gosto pela leitura. “Foi através do hip-hop que percebi que poderia juntar literatura e música. Isso é fantástico. Eu tenho adorado”, diz. 

 
Dj Mancha fala sobre a relação da literatura com a música e apresenta performance no evento


No graffiti, um dos elementos da cultura hip-hop, o convidado é Mundano, famoso pelo trabalho com os carroceiros do centro de São Paulo e por graffitis de contexto social, ele é bastante ligado ao movimento literário e imprime isso em suas obras, que já foram destaque em todo país e até fora dele. 

 

Jéssica Balbino com graffiti de Mundano ao fundo

O escritor Sacolinha também vem ao evento e participa do debate, apresentando suas duas novas obras: Estação Terminal e Peripécias de Minha Infância. Bastante ligado ao hip-hop, o escritor foi um dos pioneiros da Literatura Marginal no Brasil.

 
Escritor Sacolinha, presente numa coletânea de textos lançada na França, é um dos destaques do festival

Para finalizar, o evento traz um pocket show do grupo poços-caldense UClanos, mesclando a arte com a literatura.
O encerramento da noite fica por conta da palestra máster com o rapper, escritor e ator MV Bill. Pela segunda vez na cidade, ele traz um debate sobre tráfico, racismo e escolas.
Para mediar os debates e também participar como escritora da Literatura Marginal e pesquisadora do hip-hop, a jornalista Jéssica Balbino é a convidada. 


MV Bill vem pela segunda vez ao festival literário nacional

“Acho fundamental que um evento como o Flipoços, que só cresce, dê espaço ao hip-hop e a literatura. É mais do que provado que o hip-hop pode ser uma ferramenta educacional muito válida e acho que o evento tem introduzido essa ideia com muita propriedade”, destaca. 


UClanos é um dos grupos convidados para pocket show no Flipoços

Já para a organização, essa é a oportunidade de atingir todos os públicos e cumprir o papel social e educacional do Flipoços.  Trata-se de uma literatura que está sendo mais respeita no Brasil e nosso intuito é quebrar o preconceito que às vezes existe sobre a Literatura Marginal. Existem pessoas maravilhosas fazendo um trabalho super profissional. Através da literatura e da cultura hip-hop, muitos jovens tem oportunidade de fazer alguma coisa produtiva e muitas vezes, esta é a chance de resgate que eles têm para serem cidadãos melhores e mais integrados na sociedade de forma digna”, pontua Gisele. 

Serviço – O Encontro do Hip-Hop acontece no Flipoços no próximo dia 5 de maio a partir das 14h30 no Espaço Cultural da Urca – Teatro Benigno Gaiga. Mais informações podem ser obtidas através do site www.feiradolivropocosdecaldas.com.br ou pelo telefone (35) 8807-5741


A mesma tal como o album está a ser gravada no estudio da FBK(Fontes de Beat's Kwalificados) localizado no bairro Hoji ya Henda. Esta mix tape vem espelhar o meu EP - Pés Acentes no Chão gravado em 2003 no meu quarto que não chegou a sair por falta de kumbú dread, e traz algumas track's regravadas em cima de beat's americanos(crunk's e souces) de modos a mostrar que quando não se faz albuns para consumo imediato estas musicas podem ser eternas para o ouvido de quem consegue captar o sentido daquele que faz isto com alma e não por um sentimento capitalista e espirito de sobrevivência imediata, porque eu venho matar a fome do Rap e não matar a minha fome com o RAP.
Esta mixtape traz uma linguagem extremamente explicita, 96% das liric's tenhem mais de 8 anos e talvez as mesmas aguardaram o tempo suficiente para que seijem entendidas, a mesma já contou com os coros de Izrael nesta Track - Parte prá Outra, Teka na track - Abismo Terrestre e poderá contar com uma porrada de cambas que não querem ficar de fora deste projecto (Black historiador, Alazheimer, Molekulas, Ready Neutro, Primow, Extremo, Soberano, Pj , Erudito e por aí niggúz.................). 



O produtor musical Joeblack (The HIT, Sevenlox, Quelynah, Goobie) lança no dia 5 de abril para download em seu TWITTER oficial (@joeblack4ever) o single de divulgação de seu projeto chamado “Mundo Paralelo Vol 1″.
A música “Delorean” é uma amostra do Ep, que traz de volta a sonoridade do synth funk dos 80. A idéia de Joeblack é homenagear as bandas daquela época que fizeram a trilha sonora de muitos bailes blacks como Midnight Star, SOS Band, Shalamar entre outras.
Junto com o EP, ainda sem data de lançamento definida, Joeblack lança seu site/blog onde pretende discutir novidades da música black, bem como resgatar nomes que andam sumidos da cena nacional e internacional.


By Rapevolusom.com

quarta-feira, 30 de março de 2011


Rick Ross explicou recentemente sua motivação para iniciar uma batalha lírica contra 50 Cent. Em entrevista para a revista RESPECT, o rapper declarou ter temido que o líder da G-Unit pudesse atacá-lo a qualquer momento.

Não havia nada pessoal contra o 50 Cent naquela época, explicou. Mas ele estava atacando pessoas, e começou a atacar gente cada vez mais próxima a mim.


Chegou em um ponto onde eu tive que tomar uma decisão. Eu senti que seria o próximo da lista, então tomei a ofensiva, adicionou.



Rick Ross iniciou sua rivalidade com 50 Cent no ano de 2009. Na ocasião, o 'Boss' de Miami disparou ataques contra o líder da G-Unit na faixa Mafia Music, que foi single do álbum Deeper Than Rap. 


By Centraldorap.com
O Rap como musica, O Samba como Ponto de Partida!



Quando os irmãos Emerson Toco e Vinicius Preto decidiram reunir algumas de suas rimas e produções em 2009, para trilharem no caminho do RAP nacional, criaram o ex-grupo Projeto Illuminati, onde fizeram shows em eventos do Catraca Livre, Feira Preta, Ação Educativa, Outubro Independente e outros, e hoje se apresentam como Zamba Rap Clube, Zamba é uma alusão a palavra Samba, que é a grande fonte de inspiração do grupo e Rap Clube para mostrar que o Rap é o nosso time e por ele jogamos. Nascidos e criados na zona leste de São Paulo, a dupla possui um forte envolvimento com a música desde cedo e o campo musical está sendo explorado de forma mais profissional, do que um simples hobby. Na mais pura essência da palavra, os “irmãos” de sangue e sintonia, apresentam em suas letras e beats a influência do samba (de raiz, partido alto, canção, etc.) e também mostram que o rap pode ( e deve ) ser misturado com outros estilos como o jazz, o rock, a bossa-nova e outras mesclas que contribuem para a formação deles como Mc’s e músicos. Contam ainda com as participações do Mc/ beatmaker/ Produtor, Cesar Hostil do grupo Central Brasileira do Flow e da cantora Michelle Roland.

"A música é uma grande parte de nossas vidas, sem ela não somos nada, é a nossa luz. É com ela que mudamos o mundo e nós mesmos." Emerson Toco (Mc e beatmaker).
No ano de 2010 o grupo lançou o single “Jogo Da Vida” com participação da cantora Michelle Roland.

"Nosso propósito é fazer tudo àquilo que o Rap fez por nós: amor á música, força de vontade, passar sempre boas mensagens, combater a discriminação e o mais importante que é a determinação, seja para a música, para a vida... é a chave da vitória" Vinicius Preto (Mc).
Em breve nas ruas "ZAMBA RAP CLUBE"


Contatos:

Fone: (11) 2046-4181 / (11) 8781-4271



Músicas:


DISPONIBILIZAMOS PARA DOWNLOAD NO COMEÇO DO ANO NOSSO PRIMEIRO TRABALHO O EP “BOCADA DE RIMAS” – 3 PILARES, E VAMOS LANÇAR DIA 08/04 (SEXTA FEIRA) NOSSO PRIMEIRO VIDEO CLIPE OFICIAL DA MUSICA “ REIS DA PRAÇA “ .

 3 PILARES
O grupo de rap Santo André(ABC Paulista) foi idealizado em 2006. Formado por Edaum, Junin e Tutu, quis mostrar sua arte e cultura em forma de batidas e letras, visando um cenário em uma diferente estrutura. Lançou seu primeiro trabalho em 2008, Mixtape “REIS DA PRAÇA VOL.1”, com participações de Mahal - Aliança21, Mek - Raciocinio Livree e 10= - Afrika Kidz Crew.

BOCADA DE RIMAS
No inicio de 2010 o grupo lançou um EP, contando uma historia entitulada “BOCADA DE RIMAS”, um roteiro traçado com teasers, layouts de myspace e muita divulgação, produzido pela empresa 67 Canarinho, gravado no estúdio Pau-de-dá-em-doido e mixado no estúdio Casa Um.
O lançamento do EP ocorreu em setembro de 2010 na cidade de Curitiba(PR), organizada pela Trinca Rua Produções com uma imensa aceitação do público.

NOVOS PROJETOS
Em 2011 há previsão de novos trabalhos do grupo, como lançamento do primeiro CD e aos poucos com humildade e simplicidade querem conquistar seu espaço, visando estender o cenário artístico cultura do ABC Paulista.

LANÇAMENTO DO 1º VIDEO-CLIPE
Dia 08/04, será o lançamento audio/visual de “Reis da Praça”, com produção da “Lambe-Lambe”, o evento ocorrerá no Tupinikin Bar em Santo André, contando com Dj Nuts, B8 e Ciriaco, ainda com o grupo de CWB, Mentekpta.

TEASER: 




Evento contou com a exibição do documentário Conexão Cultural SP e do videoclipe Um Brinde


 Alunos do 3º ano do EM do Colégio Municipal

É sempre assim ! Sempre que eu estou super desanimada, surge algo/alguém pra me levantar e me animar ! Hoje foi a palestra sobre hip-hop que o professor Diney Lenon organizou e me convidou. Dentro do ciclo de oficinas Juventude e Cidadania, falei sobre a cultura da periferia, o hip-hop e foi bem bacana.
Cerca de 100 alunos do 3º ano do Ensino Médio, da escola Municipal de Poços de Caldas participaram e foi um dos melhores públicos que já tive até hoje.


 público e Jéssica Balbino durante a palestra


O pessoal foi bem politizado, bem bacana, bem animado, discutiram, participaram, embora boa parte não fosse do hip-hop e não tivesse muito conhecimento sobre a cultura.




 é impossível não ficar feliz com o feedback do público



O curioso foi que eles se mostrarm abertos a aprender e conhecer mais sobre isso e foi ótimo responder as perguntas.
No início, exibi o documentário Conexão Cultural SP, do meu amigo @diegomenegaci ! Foi muito show porque todos gostaram muito e se emocionaram com o que foi falado e exibido, inclusive a Cooperifa chamou bastante atenção do povo.


revista O Menelick - ato 2 que eu aproveitei para distribuir entre os jovens 




Na sequência, contei um pouco da minha história no hip-hop ! Sim, assim mesmo, sem script, sem fala decorada, sem datashow, sem nada. Gosto de olhar nos olhos enquanto falo. E a reciprocidade de hoje foi bem legal !
Exibi, então, o videoclipe Um Brinde, do @grupoINQUERITO e todos gostaram bastante. Rolou um debate sobre a questão do álcool e das drogas no hip-hop e prosseguimos debatendo literatura, a questão americanizada da cultura, entre outros temas.



cena do videoclipe Um Brinde, do grupo Inquérito, dirigido por Vras77


galerinha concentrada na palestra e na cultura popular



A palestra foi finalizada com a participação do grupo @OriginalCrew . Os meninos correm muito e foi bem bacana. A dança deles foi bem apresentada e os professores adoraram. Ao final, todos queriam cópia do documentário, do videoclipe, contatos para outras palestras, etc.
Valeu muito a pena ter estado lá. Receber os alunos depois da palestra é o que me dá ânimo para seguir adiante e ver que estou no caminho certo. Apesar de tudo de errado e desanimador que vem se sucedendo, ver aqueles jovens - exatamente como fui um dia - me agradecendo e desejando boa sorte é mágico !
Voltei para casa bem feliz e completa.

Cena do documentário Conexão Cultural SP


Não posso deixar de agradecer a @ju_simplesassim que mais uma vez representou e esteve presente comigo lá, tirando fotos, dando toda assistência e providenciando toda estrutura, além de me dar uma força incrível (aposto que ela vai ler esse texto e me xingar até esse parágrafo, falando que eu esqueci de citá-la).
E, apesar de nada mudar e eu voltar para casa pegando dois ônibus, ouvindo rap no celular e cantando até chegar aqui em casa, é bom viver assim, de hip-hop,  pelo hip-hop !!!



 Original Crew durante exibição após palestra

Andressa que ganhou meu livro

PAZ

Jéssica Balbino

O rapper Angolano CFKappa, agora a residir nos Estados Unidos, fez uma apresentação durante uma aula, onde explica como o HipHop pode afectar positiva ou negativamente a sociedade. - 
Texto por Andreia Quaresma



Antes de sair o esperado álbum ''Um Em Um Milhão'', o rapper CFKappa disponibilizou para download grauito um CD promocional de 5 faixas, com a participação de luxo de Azagaia e produções de Kennedy e Paiol Sonoro.

terça-feira, 29 de março de 2011


01 - Gutierrez & Liquid silva - Burnin ( Djs tha Corp Remix 85 ) bpm



02 - Djs tha Corp - SET FOREVER 2 ( part final )



03 - Mv Bill - Corrente ( Djs tha Corp Remix 85 bpm )

 

04 - Coo Coo Cal Ft. Baby Drew - Where Dey Do Dat ( Djs tha Corp Remix 90 bpm )

05 - DJS THA CORP L-SET CHARM NACIONAL MIXADO




06 - FOREVER 3 CLASSIC










Prepara seu trampo solo o EP independente RaFRo-U_gOdZiLLa pelo selo Festa Brava e Corrida Maluka ProduçÕes.
Depois de alguns anos de dedicação ao seu trampo coletivo entitulado Sandrão e A Força pela Familia RzO,nesse novo empreedimento RaFRo conta com a participação de varios amigos que fez durante sua caminhada musical como Fox Ahamed (LEões de ISRAEL)na música 3X1,Killa Man (Leões de Israel)na música Toco na Pista,Samambaia (Planta e Raiz) SANDRÃO (RZO)na introdução do EP ,Luana Hansem(A TAL / A Força)na musica Toco na pista e Um Sonho, Mikimba (Demenos Crime)MIsta Pump KILLA(ragga br#) Kiko Latino(Sacramento Mc's) Mc Gra,Chay Odisséia das Flores e Vine Alecrim na msuica Subaco o Rolê ,ele não intitula um genero musical a esse trampo preferi dizer que é apenas Musica,mais noticias confira nos links....


DOWNLOAD de 4 Singles do Rapper 
acesse Rafrougodzilla
 
www.myspace.com/rafrogodzilla

www.oinovosom.com.br/rafrougodzilla


Não é de hoje que Hip Hop se transformou em objeto de estudo para teses de graduações, especializações, mestrados e até doutorados.  O tema Hip Hop passou a ser visto além das linhas que antes delimitavam e marginalizam esta cultura tão popular.
As variadas vertentes dos quatro principais elementos do Hip Hop deram a possibilidade de especialistas descobrirem algo que os pertencentes à cultura já conheciam de longa data, como por exemplo, o poder transformador no Hip Hop, a rica linguagem expressada nas letras e melodias do Rap, os passos criados e perpetuados pelos B. Boys, a importância  e os ótimos resultados da incorporação do Hip Hop nas salas de aula.
Neste mês o Rap foi o objeto de estudo da Revista Língua portuguesa, na coluna Obra aberta a música Negro Drama do grupo Racionais Mc’s  ganhou a percepção e observação de Edgar Murano que destrinchou cada estrofe para entender a ideia que o Racionais Mc’s tentou passar na canção
Crime Futebol e Música
Em Negro Drama, o gênero rap ganha contornos épicos
É com a tríade “crime, futebol, música” que o vocalista Mano Brown, do Racionais MC’s, inicia Negro Drama, tratado na forma de rap sobre a condição social do negro. Na quinta faixa do disco “Nada Como Um Dia Após o Outro”, vencedor do Prêmio Hutúz de melhor álbum em 2002, Edy Rock e Brown se revezam nos vocais para narrar o estigma e os caminhos perigosos que aos negros são dados trilhar.
Versos como “Negro drama, entre o sucesso e a lama / dinheiro, problemas, inveja, luxo, fama…” resumem os extremos da existência dessa população, cuja falta de perspectivas reduz suas chances ao crime, ao esporte ou à música – o fatídico tripé no qual se apoia a composição.
Na primeira metade, Edy canta os traços característicos desse “complexo”: “o trauma que eu carrego pra não ser mais um preto fodido / o drama da cadeia e favela / túmulo, sirene, choros e velas”. A regularidade do ritmo e das rimas dessa parte servirá para aprofundar o contraste com a métrica complexa, os versos longos e as imagens grandiosas de Mano Brown na segunda parte (objeto de análise neste artigo), marcada pelo tom de testemunho.
Com recursos cinemato­gráficos e literários, embalados pelo “cantofalado” do rap, a dicção de Brown se faz sentir em expressões lapidares e num potencial dramático que não se contenta em só descrever ou aludir. “Eu não li, eu não assisti, eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama”.
Crime, futebol, música… Caraio,
Eu também não consegui fugi disso aí.
Eu so mais um. Forrest Gump é mato.
Eu prefiro contar uma história real,
Vou contar a minha…
O trecho é apresentado sob a entonação da fala comum, sem a modulação peculiar do rap. Daí em diante o relato vai adquirindo um tom mais inflamado, mais cantado, numa crescente retórica cada vez mais agressiva e contundente. Brown se vale da alusão ao filme Forrest Gump: O Contador de Histórias para ironizar a ficção, à qual seu relato se opõe.
Daria um filme!
Uma negra e uma criança nos braços,
Solitária na floresta
De concreto e aço.
Veja, olhe outra vez,
O rosto na multidão,
A expressão “Daria um filme!” delimita o início da ação, funcionando como uma claque de cinema. Em seguida o rapper descreve uma cena que, a julgar pelo caráter autobiográfico da letra, corresponde à sua chegada a São Paulo nos braços da mãe. A cidade ganha contornos dantescos, feéricos, como se ambos estivessem perdidos numa selva escura (“solitária na floresta de concreto e aço”).
A multidão é um monstro,
Sem rosto e coração.
Hey, São Paulo,
Terra de arranha-céu,
A garoa rasga a carne,
É a torre de Babel,
Famíla brasileira,
Dois contra o mundo,
Mãe solteira
De um promissor
Vagabundo.
O mito de Babel é uma metáfora da falta de comunicação entre os habitantes da metrópole. A sensação da garoa no rosto torna o retrato mais pungente, aumentando o sentimento de desamparo.
Luz, câmera e ação,
Gravando a cena vai,
Um bastardo,
Mais um filho pardo,
Sem pai.
uma vez a remissão à linguagem do cinema reitera a semelhança do relato a uma obra cinematográfica, ao drama de “mais um filho pardo sem pai”, uma história como a de muitos outros.
Ei, senhor de engenho,
Eu sei bem quem você é,
Com “senhor de engenho” (personificação da elite branca), Brown assinala o abismo entre as classes. Ao mesmo tempo, considera-se um ser anacrônico, aquém das novidades tecnológicas. Para isso, vale-se da metáfora do leão, selvagem e indomável, grande demais para o quintal da elite.
Análise completa no site da revista
Fonte: Revista Lingua Portuguesa

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