sexta-feira, 31 de agosto de 2018


Na tarde dessa quinta-feira (30), a artista curitibana Karol Conka, dona dos hits “Tombei” e “É o Poder”, assinou contrato com a Sony Music.

Karol Conka agora se prepara para lançar o segundo álbum de estúdio da carreira, intitulado “Ambulante”, com previsão de lançamento para ainda este semestre. Com dez faixas inéditas, o novo trabalho traz parceria com o produtor Boss In Drama. O primeiro single do álbum já foi escolhido e será anunciado em breve. 

Por meio uma produção musical contemporânea de Ricardo Móck, com elementos eletrônicos que relembram os anos 80, que os Mc´s Tico QDP e Sasquat versam sobre os desafios e o choque entre expectativa e realidade da vida, enquanto que o Refrão de Negrífero reforça a necessidade de se ter base sólida para seguir em busca dos sonhos. Consolidando todas essas informações, Emerson Costa, dá visibilidade aos temas com uma película moderna cheia de cores e cenografia que remetem o expectador a sensação de viagem reflexiva. E é nesse clima que música se desenvolve e sugere um conteúdo interativo, bem peculiar sobre convicções. Convite feito, sinta-se a vontade para saber o que resta, depois que o vento "SOPRA POEIRA".
Assista:

Direção e Roteiro: Emerson Costa (Up Studio)
Letra: Tico QDP e Sasquat
Beat: Ricardo Móck
Captação, Mix e Master: Kafofu Records
Texto: LuizPreto


*Sopra Poeira é musica integrante do EP Deguste, ainda sem data de lançamento*




MCs do Brasil e Portugal se juntam em “Língua dos Campeões” para falar de suas visões e vivências em cypher inédito


Laboratório Fantasma e a produtora portuguesa Faded montam um time de artistas representantes do rap dos dois países em faixa lançada em streaming e videoclipe

Várias nações possuem ligações ao redor do globo, mas Brasil e Portugal, além da língua, têm um passado que guarda laços culturais e a dor causada pela colonização que forjou o povo que somos hoje. Não teria forma melhor de unir artistas para botar o dedo na ferida e também celebrar esse elo do que pelos versos do rap. Trazendo oito MCs, sendo metade vindos do Brasil e a outra de Portugal, a Laboratório Fantasma (BR) e a Faded (PT) se uniram e lançam hoje o single "Língua dos Campeões". O formato escolhido foi o cypher, em que o instrumental conduz a ideia que os rappers desenvolvem em forma de rimas.

Enquanto a música serve para apresentar as vozes e as ideias, o clipe, dirigido por Pedro Simões (Opac Studio) e gravado em Lisboa,  mostra o rosto e um pouco da personalidade de cada um dos artistas. Do lado do Brasil, KamauRincon SapiênciaRashid e Drik Barbosa formam o time de rimadores, fechando o bonde com o DJ Nyack. Pelo lado de Portugal estão os MCs PapillonSir ScratchHolly Hood Gson, além do DJ Big. A ideia da música veio do empresário e CEO da Laboratório Fantasma, Evandro Fióti. “Quando surgiu a ideia do show em Portugal - que juntou no mesmo palco do Summol Fest, em julho desse ano, um time de rappers brasileiros e portugueses -  senti que faria sentido gravarmos uma música inédita para registrar essa colaboração transatlântica de forma a aproximar ainda mais o rap feito no Brasil do rap feito em Portugal, mostrando os sotaques, as semelhanças e as diferenças”, conta.

O time de artistas foi escolhido em parceria, sendo que Fióti fez o selecionado "zuca", forma como os brasileiros são chamados em Portugal, enquanto Vasco Ferreiratambém conhecido como Sensi, fundador e co-proprietário da Faded, escolheu o time "tuga", jeito que os portugueses são chamados pelo público de rap. “Optamos por escolher artistas do gênero que representassem bem o que de melhor vem sendo produzido nos dois países”, reflete Fióti. No entanto, a integração do rap português com o feito no Brasil serve também para mostrar que estamos mais próximos do que distantes. Em Portugal, a música brasileira é muito consumida e o rap lá tem uma força muito grande, inclusive aquele feito no Brasil. “A intenção é cada vez mais unir os mercados de língua portuguesa, não só ficar restrito a Portugal, mas trabalhar a questão da lusofonia, incluir os mercados africanos lusófonos também no futuro, levar a língua portuguesa mais longe por meio do rap”, completa.

Pensando em dar uma unidade musical para diferentes talentos, o produtor convocado foi o florianopolitano Nave Beatz, que já trabalhou com Emicida, Marcelo D2, Karol Conka e outros grandes nomes do rap brasileiro. “Há muitos tipos de rappers nessa faixa, precisávamos de um produtor que conseguisse ter a leitura de cada um individualmente, mas que conseguisse unir esse caldeirão em uma produção forte e marcante. Não foi fácil, mas o Nave tirou de letra”, pontua Fióti.

União

Entre os MCs o que prevaleceu foi a união. “Fico feliz com a união que o hip-hop proporciona no mundo, em como o movimento (e no nosso caso, o rap como elemento) tem essa força de unir, trazendo essa ligação mesmo com pessoas de outros países. Foi incrível fazer parte do cypher, poder passar minha mensagem e conhecer MC’s que amam o hip-hop tanto quanto eu”, explica Drik Barbosa. O tema escolhido para os versos foi livre, mas a comparação de visões e vivências de cada artista acabou falando mais alto. “O mais legal de ter feito esse som foi entender as semelhanças e diferenças que temos falando o mesmo idioma, em diferentes continentes. E a abordagem de diferentes gerações. Foi importante retomar essa conexão com nosso pessoal do outro lado”, conta Kamau.

O rapper Gson conta  que sempre foi um sonho seu poder levar as vivências e a arte feita em Portugal para o público brasileiro. “Gostaríamos que essa música se tornasse uma ponte capaz de ligar os dois países e estabelecer uma rota saudável de comunicação, usando o hip-hop como nosso anjo da guarda. É claro que precisamos de mais eventos e mais oportunidades para apresentarmos a nossa arte e tornarmos a nossa música um produto válido num território não nosso. Mas os primeiros passos já foram dados, vamos ver o que o futuro nos reserva”, sonha. Sir Scratch, outro MC português, acredita que essa união possa ir muito além. “Um motivo pra que se unifiquem mais estes dois países que tanto têm em comum, não só a língua, mas mesmo a história, a cultura, e nada melhor do que a música para estreitar essa ponte”, diz.

Juntando um time com tantos talentos, a responsabilidade de escrever uma boa rima aumenta. “A verdade é que na hora de compor meu verso pra esse som, eu já tinha em mente que nossos irmãos tugas têm uma técnica apurada na escrita, então eu queria mostrar que isso também faz parte da nossa cultura. Sabia que eles viriam pesado e já me antecipei pra manter o nível“, finaliza Rashid.

“Língua dos Campeões” é uma realização Laboratório Fantasma Produções e Faded e já está disponível em todas as plataformas de streaming e também no canal do YouTube da Lab Fantasma.



Ficha Técnica - Música 
Compositores: 
Papillon, Sir Scratch, Rashid, Kamau, Holly Hood, Gson, Drik Barbosa, Rincon Sapiência e Nave
Vozes: Papillon, Sir Scratch, Rashid, Kamau, Holly Hood, Gson, Drik Barbosa e Rincon Sapiência 
Direção artística: Evandro Fióti, MIguel Aires e Vasco Ferreira
Produção executiva: Raissa Fumagalli
Gravadora: Laboratório Fantasma e Faded
Vozes de Rashid, Kamau, Drik Barbosa e Rincon Sapiência gravadas no Estúdio Lab por Tofu Valsechi
Mixado no CTS Studio, Brooklyn, NY, por Maurício Cersósimo
Masterizado no estúdio Maurício Gargel Audio Mastering por Maurício Gargel

Ficha Técnica - Clipe
Direção e edição: Pedro Simões (Opac Studio)
Operador de Câmara: David Cardoso
Elenco: Papillon, Sir Scratch, Rashid, Kamau, Holly Hood, Gson, Drik Barbosa, Rincon Sapiência, Dj Nyack e DJ Big
Stylist Drik Barbosa: Thais Farage
Realização: Laboratório Fantasma Produções e Faded (PT)

quinta-feira, 30 de agosto de 2018



SODRÉ libera o seu mais novo EP #CSCSP e já adianta que uma das faixas ganhará um
Clipe em NYC!

SODRÉ liberou no dia 16 de Agosto o seu mais novo EP intitulado “CADA SONHADOR
COM SEUS PROBLEMAS” trazendo uma lírica e uma musicalidade que já estava fazendo falta.

Após sua excelente estreia com o EP “A Prole Do caos”, SODRÉ inicia os trabalhos de
2018 trazendo uma proposta de som bem fora da curva e com muita técnica nas rimas.
O primeiro single divulgado foi ao ar no dia 19 de Julho, com uma releitura de "Minha Vez"
acompanhado do videoclipe e com uma participação de respeito do baterista Cobus
Potgieter (nascido na África do Sul, e que atua hoje em Los Angeles).

Além dessa, #CadaSonhadorComSeusProblemas traz mais 05 musicas inéditas e conta
também com as participações impecáveis da Cantora Lay Soares e do músico Victor
Cupertino. Uma das faixas ganhará um clipe inteiramente gravado na cidade de NOVA
YORK, Viagem feita no início do ano e que marca uma nova fase para o SODRÉ.

Sodré que já vinha realizando excelentes projetos com a Meio do mato Produções (coletivo
e gravadora que ajudou a fundar), vem agregando em 2018 mais uma parceria de muito
valor com a SKILOS Produções e afirma sem dúvida que essa conquista trará grandes passos
em sua caminhada.

Capa do EP

O EP #CSCSP foi AO AR na noite de Quinta-feira do dia 16/08 e já se encontra
disponível nas plataformas digitais e em seu canal oficial. Ouça!

Ouça o EP:


Ouça pelo Spotify:  https://spoti.fi/2POIZI5

A música ''Enquadro de Polícia'' é uma nota de repúdio a militarização da Polícia que mais mata e morre no mundo!

O grupo Preferencial Mc's foi formado no ano de 2016 em Sorocaba. Hoje a formação é composta por 4 integrantes: Brunão, Balta, MR2 e Leozão. O trabalho do grupo é focado no gênero musical do hip hop, através de músicas, intervenções poéticas, apresentações de eventos e também faz parte da FENCE, que atua como federação progressista e participativa de ações sociais. A proposta é mostrar a força da voz do interior paulista, rap consciente! 

Assista:


Direção/Edição/Roteiro/Câmera: Stay High Records
Gravação/Masterização/Mixagem: CASA 1


Andrew Fya e Luiz Góes são dois artistas matogrossenses que atualmente residem na ilha de Florianópolis. Membros do grupo Original Cerrado Dub, lançaram recentemente em um trabalho paralelo o videoclipe da love song "Nóis Que Vigora (Eu Espero)". Com produção audiovisual da FlowripaNaLente, o clipe gravado foi gravado Floripa e conta com a participação de artistas da cidade na composição do elenco.

ASSISTA:

.
Ficha Técnica:
Artista: Andrew Fya feat Luiz Góes
Música: Nóis Que Vigora (Eu Espero)
Produção Audivisual: FlowripaNaLente
Roteiro: Andrew Fya & Luiz Góes
Direção: Andrew Fya, Luiz Góes & Flowripa na Lente
Fotografia & Edição: Flowripa na Lente
Gravado em Florianópolis - SC, 2018.
Elenco:
Sarah Motta & Andrew Fya
Camila Fernandes & Luiz Góes.
Igor Rolim | Simone Koerich | Vinicius Sussego | Hiléia Ávila Ricardo Paixão | Rub Dub ( Rubinho )

Música. Nóis Que Vigora ( Eu Espero )
Instrumental: Andrew Fya
Produção musical: Andrew Fya & Zion Lab.
Composição & voz: Andrew Fya & Luiz Góes
Mix e Master: Zion Lab.
Gravado no estúdio ZionLab. 

Agradecimento: Paiol Café e Jardim



O rapper angolano, Keith B Angola faz um regresso às raízes e nos brinda com um Boom Bap clássico na companhia do seu companheiro de guerra do Brasil Phantom de las Kallez (Dragões de Komodo).

"Lusofonia Literária" é uma viagem pela língua portuguesa onde os poetas através de jogos de palavras, métricas e flows nos fazem viajar pelo liricismo lusófono.

Ouça:

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


Rimas implacáveis são a cara do trio que vem no comando do som “Ta no jogo”.

Após 14 anos de representatividade no rap, Preta Ary lança seu primeiro clipe e convidou Killa Bi e Ju Dorotéa para essa composição bombástica no rap, com produção musical da Símio Produções, elas largam linhas afrontadoras.



O clipe foi lançado dia 27 de agosto e vem numa atmosfera diferente da que estamos acostumados a ver mulheres, num ambiente majoritariamente masculino mostram que as minas estão onde querem estar. 
A produção Audiovisual ficou por conta de Bianca Hoffman e Isa Hansen uma dupla que vem se destacando nas produções. 
Ta no jogo é um grito de todas as minas que estão no Rap tendo que enfrentar as barreiras de serem mulheres na cena, dando recado que estão no jogo para ocuparem seu lugar.




A dupla Gil Santos e W.Loud, dando continuidade a sua série de capas de rappers inspirado em heróis em quadrinhos,  e escolheram o Rodrigo Ogi como John Constantine, o anti-herói da DC Comics.

Palavras do Gil Santos

Olha ai o vovô Rodrigo Ogi na série #Rapemquadrinhos de hoje, bom eu eo wagner achamos que o Ogi é um cara que tem uns pontos bem interessante com o John Constantine, ambos tiverem 2 estilo de vida, Constantine já teve uma banda e vive envolvido com magias e feitiços e aventuras cabreiras, assim como nosso aventureiro Ogi que canta mas se envolveu muito no universo da pichação e em suas musicas chega a contar algumas aventuras, ele se refere muito a Constantine por ter lutado muito contra seus próprios demônios, como ele diz em uma de suas faixas!
"lá no inferno eu sou visto como Constantine, o Diabo inveja o jeito de rimar sublime"

Alias a fase que usamos de base pra capa é uma dad melhores.


Sobre John Constantine:

John Constantine (Nasceu em Liverpool, em Lancashire, agora Merseyside, em 10 de Maio de 1953) é um anti-herói, protagonista da série de banda-desenhada Hellblazer (algo como "desbravador do inferno", em inglês). John Constantine foi criado por Alan Moore, Stephen Bissette e John Totleben, tendo aparecido pela primeira vez em Swamp Thing #37 (junho de 1985), revista própria do Monstro do Pântano. As histórias de John são, geralmente, ligadas à magia, ocutismo e/ou ao sobrenatural. É uma publicação do selo Vertigo pertencente à editora DC Comics.



Siga os trabalhos no instagram e youtube. 


Isso divide a força e nos enfraquece como consequência
Veja bem!
Quem tá metendo a mão no dinheiro e pegando de banco
Não preto, não é pobre, não é favelado, é branco e rico
Muito rico!
E nós pagando mico
Muita merda sendo falada e nosso ouvido virando pinico
O gigante dormiu fechou os olhos de vergonha
Nem coxinha nem mortadela nós é tudo pamonha!


Registro único feito em uma só tomada de Mv Bill performando "Ficha Suja" na entrada da Cidade de Deus. Material extra "B-Roll" que faz parte da série de documentários UniVERSOS ONErpm.
UniVERSOS apresenta 4 artistas que temo verso como essência. Mesmo sendo de estilos e lugares distintos tem algo em comum além da linguagem das ruas; a mensagem de que é possível construir algo sólido através de seus versos.


Assista:


Faixas:
01.Chegou a Hora - Prod. Tambor dos Beats
(Robinho/Careca/Neguinho/Dj Juninho)
02. De Terra - Prod. Tambor dos Beats
(Robinho/Careca/Neguinho/Dj Juninho)
03. Na Verdade a Vida é Assim - Prod. Tambor dos Beats
(Robinho/Careca/Neguinho)
04. Vai Vencer - Part. Tiago Malokos (Familia IML) - Prod. Tambor dos Beats
(Robinho/Careca/Tiago)
05. Dinheiro - Prod. Maloca Music
(Robinho)
06. A Terra em Paz - Prod. Tambor dos Beats
(Robinho/Careca)
07. Volto Já - Prod. Tambor dos Beats
(Robinho)
08. Dez pras Onze - Prod. MonraBeatz
(Careca)
09. Palavras - Prod. Maloca Music
(Robinho)
10. Algo a Dizer Part. Federação Repúbli-k - Prod. Maloca Music
(Robinho/Gafanhoto/Careca/Zero Meia/Dj Banga)
11. Na rima - Prod. ChapaBeats
(Careca)
12. Cabulosamente - Prod Gangueragem
(Robinho/Careca)


Ouça Cabulosamente:



Ficha técnica:

Produção Musical: Maloca Music Produção Executiva - Ornp44
Artistas Convidados: Tiago Malokos(Familia IML), Federação Repúbli-k Beatmakers - Gangueragem , Monrabeatz , ChapaBeats e Tambor dos Beats Mix / Master - Maloca Music Foto - Inverso Clicks  

APÓS SUCESSO DE PÚBLICO E CRÍTICA NO RIO DE JANEIRO E BELO HORIZONTE, EXPOSIÇÃO “MÃE PRETA” ABRE TEMPORADA EM SÃO PAULO NA GALERIA MARIO SCHENBERG, DA FUNARTE, ENTRE 4 DE OUTUBRO E 25 DE NOVEMBRO





Idealizada pelas artistas visuais Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa, a mostra reúne vídeos, fotografias, instalações e contará com performance de Glauce Pimenta Rosa e Jessica Castro na abertura, oficina com Jarid Arraes e lançamento de catálogo com textos de Lilia Moritz Schwarcz, Martina Ahlert, Qiana Mestrich, Temi Odumosu, Alex Castro e Júlio César Medeiros da Silva Pereira

As conhecidas imagens das amas-de-leite negras, registradas desde meados do século 19 ao início do século 20, são o ponto de partida da pesquisa das artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa para a realização da exposição “Mãe Preta”, que recebeu o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais de 2016.  Após grande sucesso de público e crítica no Rio de Janeiro, em 2016, quando foi exibida na Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea (dentro do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, na capital fluminense), com cerca de 2 mil visitantes, e também em Belo Horizonte,em 2017, no Palácio das Artes, a exposição chega a São Paulo, na Galeria Mario Schenberg, da Funarte. A abertura ocorre em 4 de outubro e seguirá em cartaz até 25 de novembro, reunindo fotografias, vídeos, instalações, performance e literatura.

O projeto surgiu de uma pesquisa artística de Isabel e Patricia, iniciada em 2015, que busca, visto que é um trabalho em constante progressão, traçar os elos e as ressonâncias entre a condição social da maternidade durante a escravidão por meio de releituras de imagens e arquivos do período, o desaparecimento da história escravocrata na malha urbana das cidades brasileiras e as vozes de mulheres e mães negras na contemporaneidade. O intuito da mostra é discutir a questão da memória da escravidão e o legado da mulher negra na formação da sociedade brasileira dentro da história visual do país.

“A exposição objetiva contrapor a representação romantizada das “mães pretas” e da maternidade em arquivos históricos do período escravocrata ao protagonismo real e crescente exercido pelas mães negras de hoje. Iniciamos este projeto dentro de um contexto histórico com as escavações arqueológicas e a memorialização da escravidão da região portuária do Rio de Janeiro nos últimos anos. À medida que foram se revelando diversos achados, começamos a buscar elementos que se articulassem com o papel da mulher negra – focando na sua função dupla como mãe de seus próprios filhos e como amas-de-leite de crianças brancas – na formação social da cidade. Essas vidas, marcadas pelo terror da separação e mesmo morte de seus filhos em prol da criação dos filhos de outrem, deixaram marcas indeléveis como uma das grandes injustiças da história do Brasil e de toda a sociedade escravocrata. Com a exposição propomos como reflexão as lacunas históricas em relação ao papel fundamental da maternidade tal como exercido pela mulher negra na nossa história urbana, social e visual, buscando pontos de inflexão com as lutas na sociedade contemporânea”, afirma Isabel.

Inédita em São Paulo, a exposição - que ainda seguirá para São Luís, no Maranhão, em dezembro – inclui o lançamento de um catálogo com contribuições de nomes nacionais e internacionais, como a antropóloga e curadora-adjunta para histórias e narrativas no Masp, Lilia Moritz Schwarcz (USP); a antropóloga e pesquisadora Martina Ahlert (UFMA); o escritor Alex Castro; o historiador e diretor do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, Júlio César Medeiros da Silva Pereira (UFF); a historiadora da arte, educadora criativa e curadora britânico-nigeriana Temi Odumosu (Universidade. de Malmö - Suécia); e a fotógrafa, escritora e professora do ICP-Bard (EUA), a norte-americana Qiana Mestrich.

Um dos pontos altos da exposição é a vídeo-instalação “Modos de Fala e Escuta” (com 27 minutos de duração), que reúne o depoimento de sete mães negras sobre maternidade, racismo, memória, ancestralidade, violência e lutas cotidianas. Nesse sentido, outro destaque da mostra é a obra “Mural das Heroínas”, com 20 retratos de líderes negras, desdeLuísa Mahin, Tereza de Benguela e Nzinga de Angola às feministas Lélia Gonzalez e Beatriz do Nascimento, além de figuras políticas como Laudelina de Campos e Marielle Franco, entre outras, que simbolizam as conquistas sociais, a luta, a resistência, a voz e o lugar histórico da mulher negra no Brasil.

A exposição também conta, ainda, com a minibiblioteca Mãe Preta, que conta com publicações de autoras negras contemporânea se uma seção voltada para a literatura infanto-juvenil com títulos sobre protagonismo negro para consulta do público.

Dividida em oito séries, “Mãe Preta” apresenta instalações, colagens e intervenções em gravuras e fotografias, que, reunidas, propõem uma reinvenção poética da iconografia relacionada às mães pretas dentro de uma linguagem contemporânea tendo como ponto de partida imagens fotográficas do acervo do Instituto Moreira Salles, do Rio de Janeiro, e releituras de livros com gravuras de Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas e outros artistas. Isabel e Patricia criaram intervenções nessas imagens com objetos óticos, como lupas e lentes, que destacam a complexidade das relações das amas-de-leite com as crianças brancas de seus senhores e das mulheres escravizadas e seus próprios filhos dentro de contextos domésticos, urbanos e rurais.
De tão conhecidas, estas imagens são vistas de forma superficial e contribuem para um olhar normalizado sobre a vida dessas mulheres que desempenharam um papel fundamental na formação da sociedade brasileira, mas que não revelam as histórias de violência sofridas por elas. Os trabalhos propõem uma nova forma de olhar essas imagens, de modo que a figura materna apareça no primeiro plano e não apenas como um detalhe da vida cotidiana e familiar nos tempos da escravidão”, explica Patricia.

Nesse sentido, marcas naturais do tempo em reproduções de negativos de Marc Ferrez e outros fotógrafos do século 19 são aproveitadas para simbolizar cicatrizes expostas em composições fotográficas em substituição a cópias perfeitas. A dupla também levantou, em jornais de época, anúncios sobre o aluguel de amas-de-leite, assim como artigos em publicações abolicionistas denunciando escândalos e abusos diretamente relacionados à questão das amas-de-leite no século 19, sobre os quais também intervêm com diversos objetos.

Para esta edição, as artistas fizeram uma imersão nos contextos específicos de São Paulo e São Luís, para onde a exposição viajará após a etapa paulistana. Na capital paulista, as artistas seguiram o debate sobre o apagamento da história negra da cidade e, no Maranhão, realizaram entrevistas com lideranças femininas dos Quilombos Santa Rosa dos Pretos e Santa Joana, que resultaram em obras inéditas que serão apreciadas pelo público.

A abertura da exposição em São Paulo, em 4 de outubro, contará com uma performance da carioca Jessica Castro (professora de Dança Educação, pesquisadora do Jongo, intérprete do movimento da dança afro-brasileira, artista de rua e militante do movimento negro) e da maranhense radicada no Rio de Janeiro, Glauce Pimenta Rosa (cantora, artista, gestora criativa de projetos culturais de arte e educação e ativista negra feminista), que também são protagonistas da vídeo instalação. Em 6 de outubro, às 11h, haverá visita guiada e bate-papo com Isabel e Patricia.

O catálogo da exposição será lançado em 10 de novembro, na Galeria Funarte, em São Paulo. Na ocasião, haverá uma oficina gratuita com a escritora, poetisa e cordelista Jarid Arraes, cearense radicada em São Paulo e autora da coletânea “Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis”, lançado pela Pólen Livros em 2017.



“Este projeto foi contemplado pelo Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais – Galerias Funarte de Artes Visuais São Paulo / Maranhão / Chão SLZ”

SERVIÇO

“MÃE PRETA”
Concebida pelas artistas visuais Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa

Local: Galeria Mario Schenberg, Funarte, São Paulo
Endereço: Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos
Telefone: 3662-5177
Abertura: 4 de outubro,das 18h às 21h
Visitação ao público: 5 de outubro a 25 de novembro
Horário de visitação: segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados e domingos, das 11h às 21h
Entrada: gratuita
Acesso a cadeirantes: sim
Estacionamento: conveniado

RECAPITULATIVO DAS ATRAÇÕES:

4 de outubro: abertura,das 18h às 21h, com performance de Jessica Castro e Glauce Pimenta Rosa
6 de outubro: às 11h haverá bate-papo e visita guiada com as artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa
10 de novembro: das 16h às 18h, oficina com Jarid Arraes (convites serão distribuídos meia hora antes do início da atividade)
10 de novembro: às 18h30 acontecerá o lançamento do catálogo


SOBRE AS ARTISTAS

As artistas cariocas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa trabalham juntas há mais de uma década e realizaram a pesquisa e a exposição “Banco de Tempo”, na Galeria do Lago/Museu da República, no Rio de Janeiro (em 2012), com publicação homônima lançada em 2015. A dupla busca, em sua pesquisa artística, criar maneiras de relacionar lugares históricos e arquivos de imagens a debates atuais por meio da arte contemporânea. “Mãe Preta” é a segunda pesquisa delas de longa duração e foi contemplada com o Edital Fomenta, da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro (2016), Edital de Exposições da Fundação Clóvis Salgado (2017) e Prêmio Funarte Conexões Circulação Artes Visuais (2016).

SOBRE O PRÊMIO

O Prêmio Conexão Circulação Artes Visuais da Funarte tem como objetivo fomentar a realização de projetos de pequeno porte realizados nos espaços da instituição em Brasília, São Paulo e Minas Gerais, com circulação por outros Estados brasileiros.

MÓDULOS DA EXPOSIÇÃO

Em conjunto, as séries convidam para um percurso sobre o protagonismo da mulher negra e mãe na sociedade brasileira desde a diáspora africana até a atualidade.

Modos de Navegar – Intervenção feita em um mapa-múndi que pontua a relação de dependência entre a América do Sul e a África ao unir os rios São Francisco e Niger por meio de uma fita de möbius com um verso do poema “Vozes-Mulheres”, de Conceição Evaristo.

Modos de Revelar – Expõe um scan do negativo de uma das imagens mais icônicas de Marc Ferrez, raramente visto em público. A imagem, que revela as tessituras e impurezas do processo fotográfico em daguerreótipo, serve como metáfora para todas as imagens e vidas que, ao longo dos anos, ficaram confinadas às memórias individuais e que raramente se tornam visíveis publicamente. Ao torná-la pública, revela-se o avesso da fotografia, a sua materialidade e o que o meio é capaz de revelar ou esconder – o que convida a pensar o papel da fotografia na escrita e interpretação da história.

Modos de Olhar –Destaca a posição materna da mulher negra na sociedade colonial por meio de intervençõe sem imagens de importantes gravuristas e fotográfos. Nesse contexto, por exemplo, uma conta de Oxum, orixá ligada às águas e à fertilidade, é usado para destacar uma mulher negra que carrega o filho ao mesmo tempo que diamantes e vidros são usados para ocultar o rosto dos senhores dos escravizados.

Modos de Reportar –A série consiste em páginas de jornais de época que trazem artigos de venda e aluguel de amas-de-leite em algumas das principais cidades e vilas brasileiras do período assinaladas por guias e objetosóticos.

Vênus de Gamboa – Ressignificação de fotografias de uma mulher grávida escravizada feita por August Stahl em 1885 e usada como modelo para os estudosdo biólogo suíço Louis Agassiz, um dos principais defensores do racismo científico no século 19, com o objetivo de justificar o racismo e a eugenia. As artistas Isabel e Patricia intervêm na imagem com diversos objetos, incluindo conchas, material muito significativo em rituais.  Em uma das duas obras, a mulher aparece acompanhada de dois homens, um negro e um indígena.

Modos de Habitar – Série de colagens com fotografias de August Stahl contrapostas à paisagem do porto do Rio de Janeiro por Marc Ferrez e outros fotógrafos, especificamente o ponto de chegada do cais do Valongo, onde o Cemitério dos Pretos Novos é localizado, como forma de traçar um elo com a travessia desde a África por meio da grande água, após a qual acreditava-se ser a terra dos ancestrais.
Modos de Fala e Escuta – Constitui o trabalho central da exposição com histórias contemporâneas. O trabalho é uma vídeo-instalação com entrevistas de mulheres e mães negras, na qual são reveladas as diversas questões enfrentadas por mulheres negras, entre elas o racismo e a violência.

Modos de Recordar – Mural das Heroínas –Destaca as heroínas negras com fotos e biografias, de Anastácia até Marielle Franco. Ao todo, são 20 mulheres de um recorte de centenas de heroínas.

Modos de Encantar – Retratos de lideranças femininas dos Quilombos Santa Rosa dos Pretos e Santa Joana, no Maranhão, onde as artistas realizaram pesquisa em julho de 2018.

Modos de Apagar– Uma obra sobre lugares contestados na malha urbana paulistana onde a memória da escravidão se encontra em fase de deterioração e/ou apagamento.

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