quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Projeto que valoriza literatura feita por mulheres é premiado em MG



Idealizado e desenvolvido pela jornalista Jéssica Balbino, “Margens” recebeu o  Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina em Minas Gerais


A jornalista e pesquisadora de Poços de Caldas, Jéssica Balbino foi premiada pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais com o projeto “Margens” que atua na valorização das mulheres na literatura marginal, periférica, saraus e  slams no Brasil. A premiação aconteceu por meio do edital Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina, que buscou a valorização, divulgação e estímulo à produção dos segmentos da cultura hip-hop nas periferias.

O resultado foi divulgado por meio de uma publicação no diário oficial do Estado de Minas, bem como no site da secretaria. Das 72 propostas recebidas, 28 delas foram premiadas. Com a nota mais alta na categoria MC (mestre de cerimônias), o projeto “Margens” da jornalista Jéssica Balbino, que acontece desde 2014 e tem potencial para continuidade.

O projeto é resultado da pesquisa de mestrado feita pela jornalista entre 2014 e 2016 na Unicamp e valoriza a participação das mulheres na literatura. Para difusão de conteúdo, ela criou o blog Margens (www.margens.com.br), fez o documentário Pelas Margens, já exibido em festivais de cinema e literatura, unidades do Sesc e periferias e rodas de conversa, debate, mesas redondas e ciclos em unidades do Sesc em MG, SP, Itaú Cultural e festivais literários do Brasil todo, como Flipoços, Flup, entre outros. 

A iniciativa contou também com um mapeamento de mulheres que escrevem na periferia de todo o país e resultou em um mapa interativo, disponível no blog, onde é possível conferir, identificar e conhecer quem são as autoras da literatura marginal do país. Mais de 400 mulheres responderam ao questionário e participaram da pesquisa. 

Jéssica Balbino está envolvida com a cultura hip-hop desde 1999, já publicou os livros Hip-Hop – A Cultura Marginal (premiado pelo MINC em 2010) e Traficando Conhecimento, além de ter participado de diferentes antologias e trabalhado como repórter para diferentes veículos segmentados, bem como trabalhado com assessoria de imprensa e produção cultural para grupos de todo o país e ganhado outros prêmios de relevância nacional com tais artistas. 

“Fiquei muito feliz com o resultado. Iniciativas como editais de premiação são extremamente importantes, porque valorizam trabalhos já feitos, de forma independente e na maioria das vezes, sem recursos e com resultados visíveis, especialmente nas periferias. Quando criei o Margens, sabia que era um projeto inédito. Foi o primeiro blog do país a tratar da literatura marginal/periférica, dos saraus, slams e de toda esta cena que é efervescente e isso somado à produção das mulheres, que é um viés crescente, tenho muito potencial de crescimento e continuidade. É um projeto amplo e que pode ser ainda mais”, destacou Jéssica Balbino.

O projeto foi enviado ao prêmio através de uma parceria da jornalista com a Pomar Cultural Produtora.


Sobre o Prêmio
Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina busca difundir, aprimorar e consolidar a noção de cultura urbana de periferia, que vêm redimensionando tanto suas identidades étnicas quanto as representações sobre o próprio contexto onde vivem. O nome do edital é uma homenagem a Anderson Luiz de Paula, mais conhecido como MC Canela Fina, que foi integrante do Retrato Radical, grupo referência do rap mineiro, com o qual gravou três discos: "Seja Mais Um" (1995), "O Barril Explodiu" (2000) e "Homem Bomba" (2010). Além disso, integrou em 1997 o grupo Black Soul, com o qual gravou o álbum "Patriamada", o primeiro CD de rap mineiro lançado por gravadora e com distribuição nacional. O disco saiu pelo selo Atração Fonográfica, que na época tinha artistas como Bezerra da Silva, Beto Barbosa e 509-E. MC Canela Fina está entre os rappers com o maior número de registros fonográficos da capital, sendo que o primeiro álbum do rapper foi produzido em vinil pelo DJ A Coisa e lançado pelo selo local "Black White Discos". Canela Fina, ou Black, como muitos o chamavam, foi um MC habilidoso e um letrista versátil, considerado um dos melhores letristas do rap nacional.

Serviço – Mais sobre o Margens pode ser visto nos sites www.margens.com.br ou www.jessicabalbino.com.br

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