terça-feira, 11 de setembro de 2007

Figurões da música conseguirão reverter queda nas vendas de CDs nos EUA?


Depois de um ano particularmente fraco, marcado por quedas de dois dígitos nas vendas de discos e sem nenhum CD que pudesse ser considerado um verdadeiro estouro nas vendas nos EUA, a indústria fonográfica espera que os lançamentos dos próximos meses garantam pelo menos parte da tão desejada magia multiplatina.

Há motivos para alimentar essa esperança, já que os artistas que deverão lançar discos até o final do ano possuem um histórico mais recheado de fenômenos de vendas do que fracassos: Mariah Carey, Alicia Keys, Rascal Flatts, Carrie Underwood e até Britney Spears. Nesta terça (11), inicia-se a nova temporada de outono nos EUA com o que está sendo anunciado como uma batalha épica de vendagem: Kanye West e 50 Cent lançando CDs no mesmo dia.

No entanto, é impossível afirmar de antemão se algum deles conseguirá alcançar os números de vendagem gigantescos ostentados pela indústria dois, três anos atrás, ou até mesmo no ano passado. Embora as vendas de música tenham seguido uma tendência de queda nos últimos anos, os deslizes deste ano atingiram níveis alarmantes, e não se sabe ao certo se o lançamento de algum artista, ainda que seja por dois nomes de peso no mesmo dia, fará o consumidor enfiar a mão no bolso.

"Precisamos que esses dois álbuns façam sucesso, são duas superestrelas", declarou o executivo de publicidade musical Big Jon Platt da batalha Kanye x 50 Cent. "Foi um ano desafiador para o setor, sobretudo em música urbana [gênero que engloba basicamente hip hop, rap e R&B]".

"É impossível prever qual artista lançará o hit avassalador para 'salvar' a indústria, mas existem alguns candidatos muito, mas muito fortes", disse Bob Anderson, vice-presidente sênior de vendas nacionais do grupo Zomba da SonyBMG, que inclui a Jive Records, encarregada de Justin Timberlake, R. Kelly e Ciara. "Na verdade, é a soma de todos esses lançamentos que ajudará a fortalecer o setor em 2007".

Segundo o Nielsen SoundScan, as vendas de discos estão 14% mais baixas comparadas ao mesmo período do ano passado (as vendas de 2006 caíram 4,9% em relação a 2005), e as estrelas multiplatina admitem que já não são tão "multi" assim ultimamente.

Por exemplo, o segundo disco de Norah Jones, "Feels like home", vendeu mais de um milhão de cópias na primeira semana quando foi lançado em 2004, mas o mais recente, "Not too late", ficou no topo das paradas com pouco mais de 400 mil vendas, e foi um dos grandes lançamentos do ano.

Até agora, o lançamento de maior sucesso do ano foi o disco "Minutes to midnight" do Linkin Park, que vendeu 623 mil cópias pela Warner Bros.l da Warner Music Group Corp em sua primeira semana. A trilha sonora do fenômeno da Disney "High school musical 2" veio logo atrás, com 615 mil cópias vendidas, segundo o Nielsen SoundScan.

Contudo, executivos do setor ressaltam que a lista de lançamentos de superestrelas deste ano foi excepcionalmente fraca. Até os CDs que pareciam fadados a garantir volumes elevadíssimos de vendas não foram os sucessos que as pessoas esperavam, incluindo discos de T.I. e Kelly Clarkson. O disco recordista de vendas do ano é o auto-intitulado lançamento da banda Daughtry, que, segundo o Nielsen SoundScan, vendeu 1,9 milhão de cópias. Nesse ritmo, é possível que não haja nenhum álbum este ano capaz de vender mais de 3 milhões de cópias.

50 Cent, artista da Interscope, selo pertencente à Universal, vendeu 13 milhões de álbuns com apenas dois títulos: seu lançamento em 2003, "Get rich or die tryin" e "The massacre", de 2005. Este vendeu 1,1 milhão de cópias em apenas uma semana, mas nem mesmo 50 acha que alcançará essa marca com o próximo disco. A realidade agora é outra, diz ele: "Acho que agora 1 milhão equivaleria a 700 mil. Estamos sentindo o impacto da tecnologia".

Apesar de Genovese e Anderson reconhecerem que a indústria foi abalada pelos downloads e por outras tecnologias, eles acreditam que as gravadoras estão se adaptando e que podem acabar aproveitando os benefícios da nova tecnologia. "Eu prevejo que a indústria, em breve, registrará semanas de vendas de milhões de unidades com álbuns físicos e digitais", declarou Anderson.

Entretanto, apesar do otimismo dos analistas em relação à promessa do quarto trimestre, não são poucas as preocupações de que o período de declínio possa acabar se prolongando: "Não acho que muita gente se surpreenderia se a situação não se revertesse", afirmou Platt.

Fonte: G1

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