domingo, 25 de outubro de 2009

Negro Em Foco "Angola"

Desde os primeiros anos de conquistas da terra africanas, tornou-se sementeira de resistência contra o invasor branco, contra o homem civilizado que lhe ia transformar as terras livres e barbaras em palco de tristezas e de dores, pois a liberdade que desfrutavam os negros na sua vida errante e nômade e o mais precioso legado que ficara dos primitivos povos como integrantes das colmeias de tribos errantes ou fixadas, sabiam amar e tinha a sua família poligamica e numerosa, onde o homem era macho, deus e senhor e respeitado por todas as suas mulheres, as tribos preferiam viver nos estados bárbaro, selvagem e livre do que a receber a civilização dos brancos Por isto Angola teria que ser, assim, nunca os congolenses, ambundos e embundos se submeteram ao jugo do reinado do Congo.


Insubmissão que passou de geração a geração , o túmulo vingador de milhares de negros tombados ou carreados para os mercados de escravos de outra terras.

Se havia trégua entre os pretos e brancos era um hiato forçado pelas circunstancia do momento pois ódio aos portugueses permanecia latente no espirito dos negros constantemente. Paulo Dias Novaes, o chefe invasor que ficara prisioneiro juntamente com a missão de Jesuítas enviada pela Rainha Dona Catarina de Portugal, sentira esse ódio durante a sua longa e dura prisão e que jurara, depois de conquistar a liberdade, castigar os angolenses. A vingança cristalizou-se no espirito do capitão e em 1575 voltou a terra negra levando régios presentes para o Rei do Angola e por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva estabeleceu uma aliança ente os portugueses e angolenses e nesta época o rei de Angola via-se envolvido com a revolta do soba Quiloango-Quiacongo, foi o Capitão Paulo Dias de Novaes se ofereceu para desbaratar o soba, para poder executar a sua vingança a ferro e fogo. A vitoria das armas portuguesas sobre os rebelados e a violência de seu chefe mutilando hediondamente os vencidos, abriram caminho para melhor entendimento entre invasores e congolense e uma longa trégua se seguiu daí por diante.

O Capitão Paulo da silva Novaes nomeou o Cabo de Guerra Pedro da Fonseca como seu embaixador junto ao rei negro e estabeleceu o resgate franco e aberto dos negros que eram enviados para a metrópole, São Tomé e para o Brasil.

Os portugueses que mercadejavam no Congo e em Angola livremente com os sobas e régulos amparados e apoiados por estes, que não viram com bons olhos a chegada do Governador Paulo Dias de Novas com imensos poderes sobre a terra negra e desde logo tramaram toda espécie de intrigas, chegando a criar uma descordai entre invasores e congolenses, quebrando a paz estabelecida e estancando o comércio existente entre eles. Devido a influência dos Jesuítas pertencentes a Companhia de Jesus onde predominavam a mentalidade espanhola que era bem diferente as dos portugueses em matéria de colonização e pelo massacre efetuado contra os portugueses, Paulo Dias Novaes tornou-se para os negros um tremendo flagelo, deixou de ser civilizado e transformou-se em um bárbaro, mais bárbaro que a raça negra, ambicioso e vingativo, com os olhos fixos nas lendárias minas de prata da Serra de Cambambe, por isto invadiu o sertão angolense e espalhou o terror por toda a parte entre os Ambundos e Embundos. E no ano de 1589 Paulo Dias de Novaes armou uma grande expedição ao Congo para destruir a cidade de Baassa aonde residia o Rei do Congo, porém a morte o colheu repentinamente antes dos ataques, porém com o correr dos tempos vários governadores militares lhe sucederam e todos eles quando pisaram no solo angolense sempre vieram sedentos de sangue e ávidos de vitória. A degradação moral que contagiava os invasores em busca de riquezas, nivelando governo e governados no mesmo plano imoral do trafico e dos negócios escusos, que enfraquecia pouco a pouco os colonizados e fortalecia os bárbaros sedentos de vinganças e devido aos fatos as hostes dominadoras, dia a dia, passaram a ser dominadas pelos negros, que nesta época mais coesos e forte,Pois estavam sendo dirigidos pela mais soberana das mulheres africanas: Ginga Bandi que surgira inopinadamente para salvação de seu povo, culta, de rara beleza de espirito, esbelta de físico, de família nobre de Matamba

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Descendente diretas dos N`gola, foi embaixatriz de seu irmão o Rei N`gola e durante os acontecimentos políticos e militares de Angola no governo de João Correia de Souza que devido a má política da administração de Angola e as guerras com os portugueses, ela se refugiou numa das ilhas do Cuanza e envenenou o seu irmão e assumiu o poder, coroando-se rainha dos Jagas e tornando-se a mulher mais poderosa de toda a África, após conquistar o trono de seu irmão, faltava apenas sacudir o jugo dos invasores, sabedora que era que seu povo era carreado para os mercados da escravidão e vendidos aos portugueses. Era tempo de pôr um paradeiro em tudo aquilo para evitar que Angola tivesse o mesmo destino do Império do Congo que fora avassalado, tutelado e transformado em mercado negro, fornecedor de outros mercados. Foi quando Ginga Bandi levantou o seu povo contra o inimigo e seu grito de rebelião não se perdeu no deserto e as tribos se uniram para a liberdade ou para a morte. Ginga Bandi cristalizada e batizada com o nome de Dona Ana de Souza, uma vez no trono deu inicio ao seu gênio heróico e aventureiro, invadindo o reino do Congo que estava avassalado a Portugal no intuito de reconstituir domínios separados da antiga monarquia dos angolas, subleva os povos de Cassanje e da Matamba e põe em cheque as forças portuguesas com as quais lutou com pequenas intermitência durante os governos de João Correia de Souza, Pedro de Souza Coelho, Frei Simão de Mascarenhas e Fernão de Souza que a impôs a primeira derrota, apesar disto conseguiu se manter autônoma dos invasores e sob o seu comando ou exemplo, os povos de Cassanje, Cafuxe, Jagas, Quigilo, Sambangombe, Calumbo, Molundo e Acamahoto se revoltaram contra os portugueses, lutaram por todos os ângulos das terras ensangüentada e os negros vencidos e sacrificados são levantados pela heróica rainha que magnetizava as massas, reuniu as tribos dispersas e descrentes de liberdade para lutar e combater durante anos de dores e de desesperos com grande vontade de libertar o seu povo da odiosa opressão estrangeira.

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Os povos mais em evidencia em civilização como os holandeses, ingleses, franceses e espanhóis disputavam com os portuguesas o grande mercado de escravo das terras africanas nesta época e no mais aceso das lutas, os holandeses fizeram causa comum com a rainha dos Jagas, derrotando os portugueses que só viram no mar uma saída, um caminho para vergonhosa fuga.

Deixando apenas um grupo de portugueses no Forte de Massangano, porém a Rainha Ginga Bandi não queria mudar de opressor. Portugal nesta época era um instrumento nas mãos da França, campo aberto a exploração inglesa, burlado pela Holanda. Portugal restaurado sem gente, sem dinheiro, sem colônias, sem vida, sem caráter era o cadáver sobre o que os Jesuítas imperava, e a herdade de Dom João IV, as armas, o dinheiro e os soldados e a coragem da raça nascente no Brasil fora a salvação de Angola e com ela, pelas conseqüências decorrentes das demais colônias portuguesas na África. E no dia 26 de Julho de 1645 chegou ao porto de Quibombo Francisco de Souto Maior comandando uma expedição militar brasileira para socorrer os bravos de Massangano, que fora organizada com os mesmos homens que haviam batido os holandeses de Recife nas fulgurantes Batalhas dos Montes Guararapes, após a derrota dos holandeses chegou outra expedição constituída de doze navios sob o comando do governador nomeado para Angola Salvador de Sá e Benevides que pôs fim a resistência dos holandeses em terras africanas. Guinga Bandi lutou desesperadamente para levantar o seu povo do caos, mas era muito tarde, pois a raça africana já estava oprimida pela destruição e envenenada pelo trafico nefando e a rainha negra depois de longos anos de resistência, estendeu a mão aos invasores portugueses, fazendo causa comum com ele, para poder dirigir o rebotalho humano a que fora reduzido o seu povo.

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