terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Negro em Foco - Além do Samba

Áurea Martins, Alaíde Costa, Graça Cunha e Zezé Motta estão entre as 13 cantoras negras que ousaram ir além do óbvio retratadas no livro Solistas Dissonantes

por Amilton Pinheiro
Foto Márcio RM
Quando morava em campo grande, no subúrbio carioca, áurea martins não sonhava em ser cantora. "não queria cantar, e sim tocar. minha loucura sempre foi o piano", revela no livro solistas dissonantes - história (oral) de cantoras negras. O contato com a música veio de sua própria casa, principalmente pelos tios maternos músicos (o tio nenê tocava sax tenor). Diversos gêneros musicais soaram em seus ouvidos quando ainda era menina. Áurea foi educada com um vasto e irrestrito repertório entre o bolero, jazz e o blues americano
O começo de Áurea Martins foi como o de tantas outras cantoras de sua época; apresentando-se nos programas de calouros. E foi num desses programas, o Tribunal de Calouros, apresentado por Paulo Gracindo, que ela recebeu o seu nome artístico, com a opinião de Mario Lago: Áurea (devido ao seu sorriso farto e dentes brancos) e Martins (por acharem-na parecida com um cantor da época, Abílio Martins). Quando nasceu, em 1940, seus pais a batizaram de Aldima Pereira dos Santos e foi com esse nome que ela, ainda menina, participou de um programa de calouros no parque de diversões no subúrbio onde morava. "Estava tão nervosa que me urinei toda, mas acho que quando se está no palco, não importa a forma em que você esteja, tem que ir adiante. Não pode parar! Na vida eu também não parei...", conta. Por alguns anos ela se apresentou na Rádio Nacional e lá conheceu cantores como Zezé Gonzaga, Elis Regina, Alaíde Costa (um exemplo para sua carreira), Wanderléa, Pery Ribeiro entre tantos outros.
Por ter nascido negra, suburbana e ter escolhido a carreira de cantora, não havia outro repertório para Áurea cantar, que não fosse o samba e suas variações.
Meu Deus do céu! Até gosto de cantar e sei que canto bem, mais tenho outros gostos musicais, como o jazz, o blues, a bossa-nova. Adoro cantar Tom Jobim, Francis-Hime, Chico Buarque, Dalva de Oliveira, John Coltrane, ou seja, gosto de música de qualidade. Se posso ter um sonho, é ver a música brasileira unida, sem guetos. Todas juntas fazendo música de qualidade", diz, completando com sabedoria: "Infelizmente, nos lugares que frequento, quase não vejo negros. Um pouco disso veio da cultura do hip-hop, do funk... Eles convivem entre si e acabam formando guetos". E por não gostar de guetos foi que ela decidiu no começo da carreira, no início da década de 1960, deixar o subúrbio onde morava para viver em quartos alugados no centro do Rio de Janeiro. "No subúrbio ninguém tinha muito consciência do que estava acontecendo e muitas vezes não compreendiam, ou simplesmente, discriminavam o que eu gostava de cantar. Era um lugar meio alienado. Por isso, decidir morar fora dali e nunca mais voltei. Nunca gostei de gueto", explica.

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