terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sistema Negro e Ments Criminais " A Renovação do Rap Nacional"


  A parceria que deu certo e trouxe um novo gás ao bom e velho HIP-HOP, que une gerações para a continuação da história. Lenda viva, percussores, monstrões, dinossauros, ícones, esses são alguns dos adjetivos atribuídos ao Sistema Negro, um dos primeiros grupos de Rap de Campinas e referência em todo Brasil.
   Oriundos de uma época em que o Rap era o principal grito de protesto das classes marginalizadas, onde podemos incluir: os negros, os pobres e os encarcerados, o Sistema Negro foi o porta voz de muitos moleques que carregavam no peito um sentimento de revolta, e que se sentiam mais seguros quando cantavam Verão na VR, Cada um por Si, O Livro da Vida, pois viam ali uma representatividade.
  Foi assim para os manos do Ments, que espelharam-se em Eazy Down, Kid Nice e Doctor-X, para escreverem suas primeiras rimas “eu ficava assistindo DVDs deles e queria ter a metade da criatividade de escrever que o Doctor-X tinha e tem, queria ter a metade de timbre de voz que o Kid Nice tinha e tem, queria ter a malandragem e humildade que o Eazy Down tinha e tem, eles eram minha referência”, comentou Bruno Ments Além da admiração do Grupo Ments para com o Sistema Negro, hoje o que se vê entre eles é uma relação de parceria, troca de experiências e principalmente um respeito mútuo, sem o velho clichê de divisão entre velha e nova escola, nota-se que ambos praticam os ensinamentos de Bambaata, que prega a existência de uma única escola, a escola do Rap verdadeiro, feito com essência e humildade, “lembro de um show no bairro Vida Nova em Campinas, minutos antes de cantar, dei uma olhada como de costume no público na frente do palco e bem na primeira fila estava o Eazy Down, foi um barato estranho, fiquei mais nervoso que o normal, e ouvir dele depois nos bastidores que o nosso som era da hora, foi louco, fiquei dando risada sozinho por várias horas”, relata Bruno.
 Campinas na cena, este é o som onde Ments e Eazy Down cantam juntos, nos acordes, nas letras e nas batidas de Campinas na Cena, vemos a renovação do Rap. Gravar uma música com o Sistema Negro sempre foi uma aspiração para o Ments, e com um pouco de esforço e muita cara de pau a utopia virou realidade “meu sonho e o do Xandinho (ex integrante do Ments), era gravar com alguém do Sistema Negro, conseguimos o telefone do Eazy Down e tentamos a sorte, foi na cara de pau mesmo, e ele prontamente aceitou o convite, o cara foi tão zica, que quatro dias depois já estávamos no estúdio”, relembra Bruno. Desde a gravação desta música Eazy Down passou a ser presença certa nos shows do Ments e o ídolo se tornou parceiro, mas tanto Bruno como Thiago descrevem a sensação de estar no palco ao lado de uma referência nacional, como algo ao mesmo tempo tenso e emocionante, a linha que separa o ídolo do companheiro de palco é muito tênue “imagine você tendo alguém como ídolo, referência, alguém que você olha e fala: será que um dia eu vou cantar assim também, será que um dia eu vou conhecer essa pessoa, e de repente você olha pro lado e vê o cara ali, é inexplicável, passa um filme na minha cabeça”, emociona-se Thiago.
  Hoje a relação entre Ments e Eazy Down se tornou mais próxima, o ídolo virou amigo, mas a admiração é algo que nunca acaba, olhar para o Eazy Down é resgatar a história do Hip – Hop, é lembrar de toda luta, das dificuldades enfrentadas por aqueles que abriram os caminhos para que outras gerações viessem e dessem continuidade na escrita deste movimento que mudou a vida de muita gente, que resgatou pessoas, que deu liberdade de expressão para oprimidos, trouxe uma nova razão para seguir pelo caminho correto há muitos que já pegaram em armas e hoje pegam em microfones. Renovar é reafirmar, dar seqüência a algo que já existe, agregando novos valores, numa junção de ideias e sentimentos, com a certeza de que o Hip-Hop vive, com a certeza de que o Rap vive e se Renova, tornando-se imortal.

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