quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Grupo OPNI recebe Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura‏

Grupo OPNI recebe Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura, na categoria Territórios Culturais

Coletivo utiliza graffiti como ferramenta de ressignificação territorial na periferia.
Na noite desta segunda-feira (24), em cerimônia realizada no Theatro São Pedro, o Grupo OPNI recebeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura 2014, na categoria Territórios Culturais. Concedida pelo voto popular, a premiação reconheceu a importância da Galeria a Céu Aberto, projeto idealizado pelo coletivo de grafiteiros, que acontece desde 2009, na Vila Flávia e espalha arte e resistência pelos muros do bairro, tendo por objetivo principal, a ressignificação de um território marcado pela violência e exclusão social. Atualmente, a Galeria a Céu Aberto exibe um percurso com mais de 200 intervenções, realizadas por artistas de diversos países.
Além de colorir as vielas, o projeto também beneficia crianças e adolescentes do bairro. Muitos se inspiram nos desenhos vistos de suas janelas e adquirem interesse pela arte. Para auxiliar no desenvolvimento do talento desse público, o Grupo OPNI oferece oficinas gratuitas de iniciação ao graffiti, que são ministradas pelos próprios integrantes, na ONG São Mateus em Movimento. Para mais informações sobre este e outros projetos, acesse www.grupoopni.com.br.
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Sobre o Grupo OPNI – formado na década de 90, inicialmente, o Grupo OPNI era composto por cerca de vinte jovens moradores do bairro de São Mateus, na periferia de São Paulo que se reuniram com um ideal em comum: expressar por meio de arte, a realidade do dia a dia que os tornava invisíveis, para oportunidades e alvo para compor estereótipos. Tal intenção é refletida na sigla que dá nome ao grupo, que já significou Objetos Pixadores Não Identificados, Os Policiais Nos Incomodam e Os Prezados Nada Importantes. Atualmente, o coletivo não pretere definições, significando um grito de guerra pessoal que representa a periferia.  
Parafraseando o poeta, a vida imita a arte e de 1997 pra cá, muita coisa mudou, inclusive, os caminhos trilhados por estes jovens. Alguns abandonaram as atividades artísticas porque encontraram novas opções profissionais ou por influência da família, outros por motivo de força maior, ou mesmo porque foram presos. Apesar dos contratempos, o Grupo OPNI manteve a resistência, e o objetivo inicial permanece vivo, sendo atualmente representado por Toddy e Val, integrantes remanescentes da formação original.
Tendo como inspiração a comunidade onde cresceram e a forte influência da cultura afro brasileira, os traços desenvolvidos pelo Grupo OPNI revelam um olhar periférico e artivista, que passeia por temas variados construindo uma poética visual igualmente bela e impactante.
Durante a trajetória de 17 anos, o Grupo OPNI realizou trabalhos expressivos como a participação na 1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art no MUBE, (2010); interpretação dos painéis “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari, no encerramento da exposição realizada em São Paulo, que homenageou o artista, (2012); foi contemplado na categoria Melhor Grupo de Graffiti, do 1° Prêmio Mundo da Rua, (2012); representou a arte urbana brasileira, na 45° edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival”, nos Estados Unidos (2014), entre outros. O coletivo de grafiteiros também é conhecido por desenvolver trabalhos para diversos artistas da cena atual de musica independente, como Racionais MC’s, Criolo, MV Bill, Dexter, Consciência Humana e De Menos Crime. No cenário esportivo, desenvolveu painéis para a exposição A Vila Como Ela é (2010), desenvolveu painéis para o lançamento do segundo uniforme do Santos Futebol Clube, em ação comemorativa dos 102 anos do clube (2014), e customizou o tênis do astro americano de basquete, Kobe Bryant, (2012). No cinema e TV Nacional, desenvolveu painéis e participou de intervenções artísticas para os filmes Cidade dos Homens, Quanto Vale ou é Por Quilo, e para o seriado Antônia. Desenvolveu o cenário do programa Manos e Minas (TV Cultura) e vinhetas para diversos programas da MTV. Também já realizou ações comerciais, para marcas como Nike, Revista Rolling Stone e Revista Raça.
Atualmente, o Grupo OPNI compõe a ONG São Matheus em Movimento, que fundada em 2008 em parceria com diversos coletivos locais, é a maior articuladora cultural da região, oferecendo, além de apoio para os artistas, cursos e oficinas gratuitos de diferentes linguagens, para crianças e adolescentes. O coletivo de grafiteiros também é responsável por diversos projetos que são realizados na Vila Flávia, mas que também dialogam com comunidades periféricas de todo o Brasil, ente eles, Galeria a Céu Aberto, Esse Graffiti Vai Dar Samba, Quadro Negro, Favela Jazz, Os Muros tem Vida e a Revista Manifestação.

Galeria a Céu Aberto: OPNI CoMvida – fruto do projeto Favela Graffitada começou a ser desenvolvida em 2009 e está localizada no bairro Vila Flavia – no distrito de São Mateus, zona leste de São Paulo. Tem como objetivo principal, grafitar todos os muros, casas e vielas locais, transformando a comunidade em uma galeria de arte urbana.
A curadoria é realizada pelo próprio grupo OPNI, que além graffitis autorais, faz questão de imprimir no projeto, participações de artistas que são referência nacional, como Does, Schok, Finok, Ise, Jhoao Henr, Miau, Zefix, Onesto, Bonga, Binho, Gueto, Etron, Nove, Chivitz, Minhau, Arlin, Haigraff, Graphes, Nitros, Tika, Anarkia, Combo, Bobe, Trampo, Lidhia, Vejam, Rizo e Kajaman, entre outros. Alguns nomes internacionais também já deixaram sua arte estampada na Galeria a Céu Aberto, entre eles, Shalak (Canadá), Shonis (Argentina), Aspi (Argentina), Ayslap (Chile), Baster (Chile), Sato (Espanha), Beli (Bélgica), Atsuo (Japão) e Joel (USA). Atualmente, a galeria conta com um percurso com mais de 200 intervenções urbanas.
Outros Projetos
Esse Graffiti Vai Dar Samba – em parceria com tradicionais comunidades do samba, o Grupo OPNI desenvolve intervenções artísticas inspiradas nas produções musicais que retratam o cotidiano periférico, suas alegrias, tristezas e potencialidades. Entre os trabalhos realizados, destacam-se: “Berço do Samba de São Mateus”, “Comunidade Toca da Onça”, “Samba da Maria Cursi”, “Tia Cida”, “Quinteto em Branco e Preto”, “Pagode da 27” e “Samba da Vela”.
 Quadro Negro – possui como foco a disseminação de histórias a partir da reflexão sobre o universo da cultura negra e sua utilização como forma de resistência. A base de pesquisa são os temas atuais, ou mesmo assuntos tidos como dogmas, que em sua maioria, estão inseridos de forma velada na sociedade. Partindo deste ponto, o Grupo OPNI desenvolve intervenções artísticas de grande proporção (em média 40m²). Atualmente, o projeto conta com uma coluna mensal de nome homônimo, na revista Raça Brasil. O projeto também reúne homenagens para vários ícones da cultura, como, Grande Otelo, Luiz Gonzaga, Nelson Mandela, entre outros.
Favela Jazz – idealizado em 2014, para uma intervenção que representou a arte urbana brasileira, na 45° edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival, maior festival de jazz do mundo que acontece anualmente nos Estados Unidos, o projeto realiza apresentações artísticas que mesclam graffiti, música e conhecimento.
A proposta é criar um ambiente com live painting no qual aconteçam intervenções poéticas, que tem como ponto de partida, o Jazz e outras manifestações culturais oriundas de Nova Orleans, tais como o “Mardi Grass Indians” e o “Funeral With Music”. O Favela Jazz propõe ao público uma reflexão sobre essa mesma ancestralidade, que cruzou o Atlântico, originando no Brasil o samba, a capoeira, o jongo, entre outros.
Os Muros tem Vida – é desenvolvido nas regiões metropolitanas. Por meio de grandes painéis, objetiva transformar o espaço e provocar reflexões no público que o visita. Atualmente, um dos principais painéis do projeto está localizado na Avenida 23 de Maio, em São Paulo.
Revista Manifestação – publicação do segmento de arte, contendo três edições especiais que promoveram o intercambio de ideias entre artistas de todo o Brasil, sobre graffiti, poesia, e reflexões políticas. 

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