sexta-feira, 17 de abril de 2020

Radar NP | Afrobeats | Os sons mais quentes que rola no continente mãe

Da esquerda pra direita: Aya Nakamura, Innoss'B, Yemi Alade, Niniola e Burna Boy


Devido ao meu interesse por música africana, desde o ano passado venho mapeando sons para compor uma playlist. Com a viralização de vários hits africanos por conta de alguns desafios de danças ou de beleza como o “Don’t Rush Challenge”, achei interessante além de montar uma playlist contar um pouco sobre o que vocês vão ouvir nessa seleção musical. 


Meu contato direto com a música africana foi através do rap moçambicano, isso lá pra 2009 ou 2010. Em Moçambique eu conheci o Pandza e a Marrabenta, que são ritmos típicos de Moçambique. Com isso conheci artistas como Mc Roger, Lizha James, Ziqo e outros. Meu segundo contato com a música africana foi ao conhecer o rap angolano e foi quando conheci o Semba e o Kuduro

Mas através do Ugandense Eddy Kenzo e seu mega sucesso “Sitya Loss” me fez ir atrás de outros artistas. Pois no ano de 2014, um vídeo com crianças ugandenses dançando Sytia Loss viralizou no mundo e o Eddy viajou em turnê por muitos países através desse sucesso. As crianças (Ghetto Kids) chegaram viajar para o Estados Unidos para conversar e se apresentar no talk-show The Ellen DeGeneres Show. 

Desde então venho acompanhado artistas africanos (em sua maioria nigerianos) que fazem afrobeats ou afro-pop como eles gostam de definir. Bora falar um pouco sobre. 

AFROBEATS – AFROPOP - AFROFUSION

Afrobeats também é conhecido por Afro-pop ou Afro-Fusion (afropop ou afrofusion), é um termo bem genérico dado para a música pop contemporânea feita na África Ocidental e na Diáspora. Ela se desenvolve inicialmente na Nigéria, Gana e Reino Unido nos anos de 2000 a 2010. Gêneros como Hiplife, Hùjú MusicHighlife e Naija beats, entre outros. Esse mix de gêneros costumam ser agrupados e rotulados como AFROBEATS. O Afrobeats era produzido principalmente em Lagos (Nigéria), Acra (Gana) e Londres (Reino Unido). 

AFROBEATS x AFROBEAT

Afrobeats (com o s) é facilmente confundido com o Afrobeat (sem o s), porem, esses são dois gêneros bem distintos. Afrobeat é um gênero que se desenvolveu nas décadas de 1960 e 1970, com da música Fuji e Highlife, misturando com músicas estadunidenses como o Jazz e o Funk. No Afrobeat, incluem bandas gigantes, solos instrumentais bem longos e ritmos bem jazzísticos. O nome foi propagado por seu pioneiro, o nigeriano Fela Kuti. Fela e seu parceiro, o baterista Tony Allen, são conhecidos por lançar as bases para o que se tornaria o afrobeats. 
Mesmo o Afrobeats assumindo sua influência a partir do afrobeat, atualmente ele tem uma fusão bem mais diversificada com vários ritmos além dos citados acima, como House Music Britânico, Hiplife, Rap, Dancehall, Soca, R&B, Azonto, Palm-Wine e muitos outros. Muito diferente do Afrobeat, que é um gênero bem definido, o Afrobeats é mais um termo que abrange a música pop africana do lado ocidental. O Afrobeats é mais identificável por seus ritmos de batida de bateria, sejam eles eletrônicos ou instrumentais. Essas batidas se assemelham aos estilos de uma variedade de batidas africanas tradicionais na África Ocidental, bem como ao gênero precursor afrobeat. 
“O afrobeats é a maior revolução musical vinda do continente depois de Miriam Makeba e Fela Kuti” 

Disse o músico e escrito angolano Kalaf Epalanga em coluna no site UOL 

O Afrobeats difere de outros ritmos, porque não precisou de grandes investimentos da indústria musical europeia a nomeando como “World Music”, algo que aconteceu em Senegal e Gana que precisou de um aval da indústria francesa para atingir sucesso. A maioria dos artistas alcançou seu sucesso através da tecnologia, a ajuda dos jovens africanos e afro-diaspóricos residirem na Europa e propagarem as músicas por suas redes sociais com desafios de danças ou de beleza. Artistas como BM, Assi, Dj Neptunes e a dupla Young T e Bugsey são exemplos disso. Claro que o Youtube contribuiu MUITO para a internacionalização de vários deles. 





NOMES ATUAIS


BURNA BOY 

Burna Boy é um cantor nigeriano de muito força no cenário nacional e internacional, o cantor teve seu destaque inicial em 2012 com o single ‘Like to Party’, principal sucesso do álbum LIFE. Burna já acumula dois ep’s, duas mixtapes e quatro álbum, além de diversos prêmios. 


AYA NAKAMURA 

Aya Nakamura é um dos fenômenos musicais mais fantásticos dos últimos anos. A cantora nascida no Mali e cidadã francesa, faz parte desse grupo que leva a cultura africana pra uma sociedade totalmente eurocêntrica e sexista. Liberté, égalité, fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) só vale se você for branco, se for homem, melhor ainda. 


YEMI ALADE 

Yemi é outro grande nome do afro-pop, a cantora nigeriana ganhou destaque depois de vencer o Peak Talent Show em 2009 e é mais conhecida por seu hit “Johnny”. A cantora de de 31 anos já acumula 4 álbuns de muito sucesso e indicações e prêmios variados. 


INNOSS’B 

Innoss’B é um cantor, compositor, rapper, percursionista e dançarino congolês de Goma. Ele se adapta a estilos mais modernos como Afrobeats (afropop) e rap, o Inooss’B é um habilidoso tocador de djembe. (um tambor de cálice coberto de pele, afinado com cordas, tocado com mãos nuas, originalmente da África Ocidental. Ele nasceu numa família musical; sua mãe era cantora de igreja, seu pai era dançarino de música pop e ele se apresentou pela primeira vez com seus irmãos no grupo Maisha Soul.


NINIOLA 

Niniola é uma cantora e compositora nigeriana, ela participou da sexta temporada do “Project Fame West África” em 2013. (um tipo de Ídolos ou The Voice) Em 2014 começou oficialmente sua carreira musical e lançou seu single de estreia “Ibadj”, que lhe rendeu uma nomeação ao Nigeria Entertainment Awards de 2015. 




Usamos a arte do nigeriano Adekunle Adeleke para ilustra nossa playlist | Confira a entrevista dele para o site Okayafrica


Nossa Playlist 'Radar NP | Afrobeats | Afropop' reúne artistas de vários países como: Nigéria, Congo, Mali, Reino Unido, Angola, Moçambique, Uganda e Cabo Verde.



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Sites usados como fonte para montagem do artigo

Wikipedia | Afrobeats

Quatro cinco um 'A revista do livros' | Kalaf Epalanga



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