Já se passaram 12 anos de sua morte, em 13 de Setembro de 1996, mas ainda não apareceu um rapper tão complexo e com tantas facetas quanto Tupac Shakur.

Um ator carismático, um letrista brilhante, um revolucionário. Shakur ainda fascina multidões mesmo após a sua morte. Embora tivesse apenas 25 anos quando faleceu, sua vida é, até hoje, tema de diversos livros, filmes e documentários.

Como ator, Tupac mostrou seu talento em filmes como Juice e Poetic Justice. Sua vida pessoal expunha seus mais probsilemáticos traços. Em 1994 foi acusado de assédio sexual e gastou os últimos dias de sua vida envolvido em uma guerra lírica contra seus desafetos.

Ele foi um ser humano muito especial, disse Danyel Smith, editor-chefe da revista Vibe, que conheceu Tupac antes dele se tornar um super astro do rap. Tupac foi uma espécie de figura heróica, muito passional, carismático e talentoso, daqueles que aparecem uma vez na vida. Ao contrário de muitos rappers de hoje em dia, ele representava um caráter real, não uma caricatura. Suas mensagens tinham muita força e ele era verdadeiro.

Sua mãe, Afeni Shakur, estava grávida de Tupac quando foi presa e criou o filho sozinha. As qualidades revolucionárias de Afeni Shakur são citadas em diversas letras de Tupac, como Souljah's Revenge ou Words of Wisdom.

As letras de Tupac refletem ainda sua infância difícil, a batalha de sua mãe contra as drogas e a pobreza na qual vivia.

Ele tinha uma visão muito ampla sobre assuntos sociais, humanistas e morais, disse Marcyliena Morgan, professora da Stanford University e diretora/fundadora do Hiphop Archive da universidade de Harvard.

Embora tivesse estudado em uma escola para jovens talentosos enquanto vivia em Baltimore, Tupac logo cairia na vida das ruas na Califórnia. Logo, seu talento para o rap o conduziria a um novo e turbulento mundo.

A cada álbum multi-platinado, Tupac arrumava mais problemas. Foi criticado por figuras como C. Dolores Tucker e pelo vice-presidente Americano Dan Quayle, além de se envolver em um tiroteio com policiais em Atlanta. Enquanto sua música Keep Ya Head Up subia rapidamente nas paradas, Tupac foi acusado de assediar sexualmente uma jovem em um motel, além de ter sobrevivido a um atentado a tiros, realizado em um estúdio que também tinha presença de Biggie Smalls e Sean (Diddy) Combs.

Tupac então seria preso. Acusado de assédio sexual, cumpriu alguns meses em uma penitênciária de segurança máxima até Suge Knight pagar sua fiança em troca de um contrato com sua gravadora, a Death Row Records.

No último ano de sua vida, Tupac estava no auge da sua carreira e popularidade. O rapper inflamou uma guerra entre as costas Leste e Oeste apontando Biggie e Diddy como os responsáveis pelo atentado a tiros que sofreu (enquanto eles negavam).

Na última noite de sua vida, Shakur, Knight e sua banca se envolveram em uma violenta briga com um membro de uma gangue rival em um cassino de Las Vegas. Horas depois, a BMW onde estavam Tupac e Knight foi baleada. A polícia prendeu e interrogou o membro de gangue (Orlando Anderson) que foi espancado por Tupac no cassino, mas nada foi provado.

Enquanto muitas celebridades mortas são celebradas com atos nostálgicos pelo que representaram, Tupac ainda mantém uma presença vital no rap em todo mundo nos dias de hoje. Talvez pela quantidade imensa de material que deixou. Vários álbuns e músicas lançadas após sua morte, o que fez com que muitos acreditassem que ele não tinha morrido.

Tupac era único, disse Smith da Vibe magazine. Eu acho que você nunca deve se perguntar sobre quem foi Tupac. Não procure a mídia para saber quem foi Tupac, vá pela sua música. Você não se arrependerá.

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