quinta-feira, 17 de março de 2011

Conheça o trabalho do J.Ghetto.




MC, beatmaker e produtor cultural na área do Hip-Hop  desde 1995 na cidade de São Carlos-SP, Julio Cezar Lopes de Souza, também conhecido como J.Ghetto, ex-integrante da banda de Rap Zero16, banda que fez expressivas apresentações no Festival Hutuz (Rio de Janeiro), Festival Contato Multimidia (São Carlos-SP) entre outros, e MC do grupo Cafofo Rec, lança agora, um material paralelo à atividade musical em grupo, o EP Dinamikrophonia, de maneira independente pelo selo Koropretobeatz. Gravado, mixado e masterizado por Lincoln no estúdio Correra Beats. O EP conta com participações de Peqnoh ( Pegada de Gigante-Piracicaba-SP), MC Bitrinho (Cafofo Rec/Afrika Kidz Crew-São Paulo-SP), Vullgo $au (Cafofo Rec-São Paulo-SP), Lincoln (Sub-Loco Coletividade – São Carlos-SP) e Pump Killa (São Paulo-SP).
Sentindo a necessidade da circulação de sua música, a limitação de poder produzir um formato físico com pouco capital e a possibilidade de autonomia para tal, J.Ghetto decide por fabricar o EP cópia por cópia, a exemplo de Flow MC & Jay-P e Emicida, e vende as cópias a R$3,00.
O show de lançamento será  em 13 de Maio em São Carlos - SP, você terá mais informações sobre aqui no site pode pá.

Nós também batemos um papo com o J.Ghetto, fizemos umas perguntas a ele e você pode conhecer mais o seu trabalho logo ai embaixo, sobre como ele começou no rap, como ve a cena, o que podemos esperar desse ep, enfim continue lendo e escute os sons!


Arnon Função by jotaghetto

Bokão podepa.com - Então mano, quem é o J. Ghetto? Fale um pouco sobre você...
J.Ghetto - O J.Ghetto é um cara simples, gosta das coisas boas da vida. Filho de Ogum, encantado por rimas e por música. Um cara que quando pequeno disse à mãe que queria fazer o que Roberto Carlos fazia. Cantar. Um cara que quando assistiu, aos 5 anos,  Beat Street e ouviu Holiday Rap e viu seu irmão tentando moonwalk, nunca mais conseguiu acordar ou dormir  sem pensar em Hip-Hop e conduziu toda sua vida pelo ponto de vista do Hip-Hop, aprendeu coisas boas e ruins com ele.


Bokão podepa.com - Como que o rap entro na tua vida e quando foi que tu penso “eu tenho que fazer isso também”?
J.Ghetto - Rap, foi o seguinte, quando eu tinha 5 de idade, começava pipocar em toda rádio do Brasil uma ou outra musica gringa com uns versos de rap americano, e eu e meu primo fizemos então o Rap da Formiga. A história foi assim, a gente caçava grilo no quintal quando era criança  e tinha uns formigueiros e as formigas de vez em quando seguravam os grilos, aí a gente fez o refrão, coisa de criança: “Formiga, formiga, formiga é minha amiga”. 1987. Já fazia sem pensar que queria fazer, criança é livre né.

Bokão podepa.com - E esse EP, sabemos das participações, mas o que terá nele, qual a mensagem que você procura passar? Tem uma data de lançamento já? Quantas faixas terá?
J.Ghetto - O EP tem 12 faixas, idealizadas em 2009, gravadas entre 2010 e 2011. A ideia nele é a mais diversa possível, quis fazer um Rap o menos contraditório e hipócrita possível, como eu falo na introdução do mesmo. Ali tem muita ideia direta de quebrada pra quebrada, pra quem tem aquela visão de preconceito contra outros movimentos, falo que o Rap perdeu com isso, um tempo atrás o cara que cantava Rap não conversava com o vizinho que fazia pagode, e o cara que fazia pagode gostava do Rap dele. Já vi isso e a situação me inspirou em fazer um Rap que falasse mais pra quebrada colaborar e contar com ela mesma. Como eu ouvia e ouço Sampa Crew, tem bastante letra romântica também sim. Letras que falam sobre o reconhecimento que o Rap merece enquanto música e que uma boa parcela de rappers precisam acordar, porque se eu me lembro bem, o Rap, nos anos 80/90 era dançante e tinha mensagem de progresso. Perdemos mercado cantando com raiva e base lenta e sem apontar solução na ideia rimada, muitas vezes. Aí minha ideia nesse Ep é isso. E tem muita letra que fala pra molecada usar camisinha, a molecada tá transando a milhão mesmo, pode transar, mas cuidado pra não colocar gente no mundo sem ter estrutura pra tal, liga?
Tem bastante vocal de ragga, que é o primo mais velho do Rap, e eu gosto bastante.


Bokão podepa.com - Influencias musicais, quais são as suas, dentro e fora do rap?
J.Ghetto - Dentro do Rap eu posso citar Fat Boys na gringa, depois Whodinni, KRS One, no Brasil, Pepeu,sem dúvida, Racionais. Tive sorte de conhecer algumas coisas antes da maioria, meu parceiro de grupo Sauenga Santiago é filho do Willian Santiago da Zimbabwe, selo histórico no Brasil, então a gente tinha uma certa facilidade em acessar e adquirir sons. Outros estilos? Posso citar o samba, com certeza, como eu sou percussionista, gosto bastante de baque virado do maracatu, tambor de crioula, Côco, batuque de umbigadae por aí vai. Sempre gostei de Funk Carioca, não gosto de quando ele se disvirtua, mas acho a batida dele da hora, gosto de Rock velho, Jimmi Hendrix, The Doors, Credence Clearwatter Revival, JetroTull, Uriah Heep.Funk 70 é de lei, nem precisava citar eu acho, e os House/Dance da década de 90, Ace of Base, Ice MC, Snap. Música de fm que tocava nos anos 80 também, Guilherme Arantes, Emílio Santiago, Blitz, RPM, tudo aquilo que fazia sucesso acabava virando influencia indiretamente pra o que eu faço hoje em dia.

Bokão podepa.com - O que te motiva a escrever, da onde vem suas letras?
J.Ghetto - De tudo, simplesmente de tudo. Mulher, bebida, problema, alegria, riso, choro, meus sobrinhos, sobre o próprio Rap, religião, fé, falta de fé... Sobre tudo.

Bokão podepa.com - E sobre o rap, como tu vê a cena aqui no Brasil? Falta algo pro crescimento ou estamos no caminho certo?
J.Ghetto - Eu tava prestando atenção na cena e acho legal, só acho uma pena essa história de Cabal, Emicida e letra tirando e resposta. O Rap Nacional briga muito com ele mesmo. Eu acho válida a caminhada dos dois, mas acho uma pena desperdiçar rima pra tirar o cara que faz a mesma coisa que você, saca? Mesmo que seja indiretamente ou explicitamente. Falei com iso sobre um parceiro meu: “Porra, se eu pudesse colocar os dois frente a frente...”Por que é o seguinte, eles são formadores de opinião, arrebanham pessoas, tá ligado? O público de um acaba não indo no show de outro, isso gera uma divisão, cria uma brecha onde um outro tipo de som se insere nisso aí e o Rap acaba perdendo. Acho que o Rap tem que ir pra televisão mesmo, tem que ir pro Rádio, se marcar, pagar até jabá sim, já que funciona desse jeito e não é todo mundo que tem internet em casa pra escutar a música que quer, na hora que quer. O revelação paga jabá e é samba bom, é prejuízo pros caras? É nada, é investimento. A Negra Li paga jabá é investimento. Isso volta para o artista na hora do show. Eu posso falar que o Rap precisa entender como se comercializar, pra deixar de ser um sobrevivente na música brasileira e ser um vencedor de verdade, ser um pólo de emprego. O gueto precisa investir nos seus, assim como um tiozinho fica com o cinto apertado dois, três anos quando inaugura uma merceariazinha na quebrada. Tudo é sacrifício, e o Rap precisa saber como encarar esse sacrifício na forma de investimento.
Bokão podepa.com - Tu já se apresento em festivais como Hutuz e o Contato Multimídia como foi isso? Te acrescento em algo? No que?
J.Ghetto - Muita coisa veio de positivo, com certeza. Todo o aparato técnico tanto do Festival Hutuz como do festival Contato eram de extrema qualidade, observando mais atentamente, você vê todo o esquema de acesso, entrada, segurança, para que tudo corra bem. No caso do Hutuz, em 2008,  a gente se sentiu muito mais feliz, afinal ele foi idealizado por quem faz Rap e eu me sinto muito feliz em ter participado e devolvido o respeito por quem me respeitou naquele evento. No Festival Contato, também, mas não era um evento específico de Rap, mas temo mesmo respeito que o músico de qualquer estilo merece para poder realizar uma apresentação digna.

Você pode entrar em contato com o J.Ghetto:

(11) 6571-1152 – (16) 8119-3939 – Jefferson
twitter: @Arnonfuncao

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