Ferréz conta no Provocações que vende roupa para poder ser um escritor

provocações_ferréz_foto jair magri
O convidado do Provocações é um nome inseparável da história da cultura das periferias urbanas no Brasil. O escritor Ferréz é reconhecido tanto no bairro do capão Redondo, em São Paulo, como fora do Brasil. Durante a conversa com Antônio Abujamra, ele conta que precisa vender roupas para poder ser um escritor. O programa vai ao ar nesta terça-feira (13/8), às 23h, na TV Cultura.
Ferréz, cujo nome verdadeiro é Reginaldo Ferreira da Silva, faz logo uma provocação, ao dizer: “Sou um mero rascunho do que já fizeram na literatura”. Ele admite que sua obra ficou marcada por temas da periferia e essa temática o incomoda, afirmando que , com essa pressão, um escritor com essa característica não consegue escrever um romance.
Durante a conversa, Ferréz fala sobre a situação dos diversos artistas de periferia que surgiram nos últimos anos e comenta: “Não acho que tudo que vem da periferia é bom. Tem cinema que é bom, tem cinema que é ruim; tem literatura que é boa; tem literatura que é ruim”. As dificuldades dos escritores para conseguirem se destacar é outro ponto abordado por ele. “Tem muitos escritores que estão com a sua obra dentro da gaveta, que não têm uma editora para poder mostrar. Mas nenhum de nós ficou reclamando. Fomos para o combate”, diz.

Reconhecido internacionalmente por sua literatura, Ferréz é consciente sobre esse aspecto e fala que isso não o distancia de suas raízes, explicando que ele acorda todo dia na periferia. “A gente pode até comer na mesa do patrão, mas volta pra casa pra dormir”, sentencia.

A respeito do amadurecimento de seus textos, o escritor diz: “Eu achava que o assunto era mais importante do que a qualidade do texto, acho ainda que o autor tem um cunho social, o assunto é muito importante, mas a qualidade do texto também é a nossa ferramenta. Então, a gente tem que se aprimorar. Hoje sou um cara que estuda muito mais do que estudava lá atrás”.

Crítico ácido, Ferréz é colaborador da edição brasileira do jornal Le Monde Diplomatique e da Revista Fórum, nas quais escreve opiniões sobre diversos assuntos. Quando questionado sobre a educação no país, diz: “os professores tinham que ser treinados para ter amor pela literatura, porque a escola é uma assassina de leitores, quando ela manda resumir um livro em 20 dias ela assassina qualquer tipo de leitor futuro.”

Antonio Abujamra lê Keir Hardie.

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