quarta-feira, 18 de novembro de 2015

ENTREVISTA - Opinião Periférica com a jovem Ana Calheiro #NovembroPreto






Ana Calheiro é uma mulher negra e assumidamente negra,feminista,bem humorada,engraçada,politizada,futura professora de biologia,amante da musica negra,casada com a paçoca..rsrs e não tenha duvida que ela é demais pro nosso quintal!



Pra começar legal, diga quem é e como é a Ana Calheiro?

R: Cara... acho que essa é a mais difícil ahahahah. É foda quando você se faz essa pergunta em qualquer momento da sua vida. Se me fizesse essa pergunta a alguns anos atrás, eu era o protótipo do tipo de pessoa que eu me privo de conviver hoje em dia, reproduzia inconscientemente machismo, racismo, todas essas coisas ruins que assolam as minhas e os meus. Mas eu sinto que avancei, e isso que é daora.
Sucintamente, eu tenho 20 anos, trampo com inspeção de veículos ainda, porque não dá pra largar e viver de estudo ahahahha, mas eu gosto do que faço, estudo biologia na UFSCar, milito em alguns coletivos, sou apaixonada por paçoca, pelo Hip Hop e pela cultura negra em geral, pelo Corinthians e por Opala!
Ahhhh, e é lógico, eu sou demais pro seu quintal hahahahahahha.

Como e quando você passou a se ver como negra?

R: Não me lembro ao certo, embora eu sempre tenha sido a “Ana Negra” por me colocar assim sempre, eu me declarava como parda em locais de autodeclaração, e achava um problema colocar negra, era como se eu tivesse sendo desonesta ~mas eu nem tenho tanta melanina pra ser negra~ sabe? Depois de ler muito e passar por esse movimento de desconstruções de opiniões e atitudes que eu tava reproduzindo, passar pelo processo de identidade e aceitação, todo esse movimento ajudou no fortalecimento das minhas ideias, aí então eu comecei a me enxergar como mulher negra, feminista, filha de nordestino, e que isso não era um problema, é o que sou e tenho muito orgulho! E aí então muda-se as visões e a gente percebe que desonesto é quem faz a gente não aceitar e repudiar quem a gente é!

Ao se ver e declarar negra, creio que trouxe certos "problemas" pois vem os comentários chatos do tipo "Você não é tão negra assim", como você lida com comentários deste tipo..?

R: Sim, infelizmente quando você se coloca enquanto negra ou negro, as pessoas tendem a tentar fazer você não assumir essa posição em função daquele processo embranquecedor iniciado a tempos atrás. Geralmente tentam usar outro termo, morena, mulata, parda, cor do pecado, e todos esses termos nhé porque elas não se sentem bem te chamando de negra ou negro, como se isso fosse ruim, ou ainda os tipos clássicos que andam com uma fita de quantidade de melanina pra ver se sua cor tá no padrão pra ser considerado negra ou negro. Quando percebo essa situação eu tiro uns minutos pra explicar pra pessoa o quão problemática é aquela atitude dela, e vejo assim a melhor forma pra me colocar no momento.

Hoje saiu uma noticia de um desenho que valoriza a cultura negra vai ser exibido na TV aberta, temos também Tais Araujo e Lazaro ramos protagonizando uma serie na Globo. pra você qual a grau de importância da representatividade negra na TV, ou em outros campos..

R: Mano, representatividade é importante demais! Tanto pra gente, se ver ali, autoestima e tal, e também pra ver o quão séria é essa questão. Essa semana concomitante a essas notícias de representação, surge pro mundo Star Wars com protagonistas negros, e isso gera uma reação em cadeia de críticas sobre descaracterização do personagem, ódio aos brancos e tudo mais. Ou seja, as pessoas levam a sério a manutenção da dominação, os que detém poder se sentem fragilizados quando se sentem “ameaçados” por aquele e aquela que até então embora não estar inerte a opressão está ganhando cada vez mais espaço e voz, e começa a estar presente com maior frequência em lugares de destaque. Mas isso ainda é muito pouco, representação na mídia gera desconforto, mas a nossa verdadeira representação tem que estar presente no desmascarar das mentiras contadas diariamente, seja pelos livros didáticos, seja pelas histórias contadas por não negros. É na nossa formação desde crianças que a representação tem que estar presente, todo dia é necessário resistir, e essa força tem que ser estimulada, com as verdades, com a história de grandes personagens e fatos da nossa história que ousam em ocultar.

O que acha de varias pessoas serem contra projetos de inclusão social, tipo o Bolsa Família, Cotas Raciais e etc e os chamar de projetos de curral eleitoral ou de politica de assistencialismo..? É contra ou a favor ..? Porque..?

R: Eu sou a favor por N motivos, não vou elencar eles, vou rebater alguns argumentos clássicos e isso já vai desenhar meu pensamento. Um argumento típico e geral que as pessoas tem é que um estimula a vadiagem e o outro corre contra a meritocracia, que o aluno negro porque nasceu negro vai tomar a vaga do que também sempre estudou mas é branco.
Pro primeiro é simplesmente ajudar a pessoa a recuar um pouco o foco, que sempre tá apontado pro lado errado, geralmente problematizam os montantes gastos com os benefícios do Bolsa Família, revoltam-se com o lado que em maioria é consequência do outro lado, que fica submerso nas montanhas de cifrões de sonegação de impostos, nas lavagens de dinheiro em outros países, na verdadeira vadiagem sustentada pelo dinheiro do trabalhador e quando não, com o sangue derramado do povo pobre.
Muitas pessoas sequer sabem o valor do benefício e os resultados, que mesmo em pequenos avanços acontecem, além de ignorar o fato que muitas pessoas entregam o cartão de benefício quando por algum motivo não precisam mais daquela ajuda. Existe falsificação? Claro, mas de fato não tem como ignorar todo o lado benéfico. São falhas de fiscalização talvez, mas o programa não pode ser julgado de todo ruim, é importante e muitas famílias dependem dele. Por outro lado, não podemos reconhecer essa importância e tudo ok, existem outras milhões de medidas que devemos cobrar para que sejam tomadas pelo governo para melhorar a vida da população.
Quanto as cotas, eu sou cotista, estudei a vida toda em escola púlica; o ensino fundamental em escolas da prefeitura, o médio na ETEC e agora o superior na Universidade Federal. Chega a ser assustador como as salas que eu fazia/faço parte foram sendo homogeniezadas e embranquecidas ao passar dos anos. A maioria da população do Brasil é negra e mesmo assim, depois de mais de 100 anos da “abolição” da escravidão, você ainda tem que me perguntar se eu acho importante que dois atores negros estejam num papel de destaque. Sabe?Alguma coisa deu errado nesse processo. Ser contra o sistema de cotas é ser conivente com a perpetuação do racismo, porque ignora-se todo o passado escravocrata do nosso país, todo o privilégio alcançado por um grupo racial em razão do sofrimento do outro. É ser conivente com o racismo institucional que priva estudantes negras e negros de chegarem na Universidade. Foram quase 400 anos de escravidão declarada, após o fim da escravidão não se criou nenhum mecanismo de reparação a todo o dano causado a todos os negros e negras trazidos de forma criminosa pra cá. E mesmo depois de mais de 100 anos da declaração da abolição da escravatura isso reflete em nossa sociedade. Eu enquanto futura educadora quero melhorias na educação de base, melhorias em todo o sistema educacional, mas é uma reformulação demorada, é preciso conhecer toda a história ocultada do nosso país pra que se tenha consciência do porque dessas ações emergenciais serem necessárias.

O rap e o samba tem alguma influencia na sua vida..? se sim qual seria esta influência ..? 

R: Ahhhhhhhhhhhh, não sei nem descrever cara, eu ouço muita coisa, e gosto de tudo que eu ouço, R&B, jazz, funk, rock, reggae, enfim, mas esses dois em especial são muito forte em tudo pra mim. A relação que eu tenho com Rap e Samba é foda. Rap é meu norte, orientou meus pensamentos desde muito cedo, é um grande professor e pra mim chega onde escola nenhuma vai conseguir chegar. O primeiro som que eu decorei a letra foi Consciência x Atual – Recanto Obscuro de uma existência, apresentado por um amigo meu que infelizmente eu perdi. E o mesmo arrepio que eu senti quando cantei a primeira vez, é o que eu sinto hoje. Acho que se não fosse a reflexão a cada som que eu ouço e ouvia, talvez minha personalidade não seria metade do que é hoje, é como se eu remetesse sempre a um som , uma rima, um beat, em cada situação da minha vida. É sem explicação. E o samba pô, tem o dom de resolver, deixa tudo no lugaaar hahahahha ah meu, é na roda de samba que eu me renovo mesmo me acabando hahahahahhaha muito amor ao samba, máximo respeito ao partido alto. Mas queria deixar exposto que é um gosto pessoal, eu gosto disso, é nesse meio que eu me sinto bem, que me representa, mas muita gente remete somente a samba e o rap quando fala-se em representação musical negra, como se fossemos limitados a apenas esses dois gêneros musicais, é importante lembrar que podemos gostar de qualquer som e que em qualquer seguimento pode-se ter negras e negros que o fazem maravilhosamente bem.




Quando que você tomou consciência do racismo ..? e como você lidou com isto..?

R: Eu não me lembro ao certo cara, cada vez que você começa a pensar sobre isso você vai lembrando de um episódio diferente que você tenha presenciado quando mais jovem, e que aquilo era uma atitude racista mas você não se deu conta, o mesmo acontece com assédio nas mina, desde muito jovens estamos expostas a isso, mas em alguns momentos tá tão naturalizado em nós que não temos consciência da violência sofrida naquele momento. Não vou me lembrar precisamente quando eu tomei consciência, mas conforme foi passando o tempo e eu fui percebendo como isso tá enraizado firmemente na nossa sociedade a minha forma de lidar com racismo em atitudes do meu cotidiano é problematizar as coisas no momento, mas isso em atitudes do cotidiano mesmo, uma olhada diferente pro teu cabelo, pro teu turbante, uma piadinha babaca, essas coisas que contribuem pra perpetuar racismo. Mas é claro que isso não se aplica a tudo, não tem como chegar de boas em algumas situações, não tem como olhar pro Estado e não apontar o dedo na cara dele e gritar que ele é racista. Infelizmente em muitas das situações é necessário gritar, não necessariamente no sentido literal, mas é preciso expor de forma mais agressiva. Eu acho importante esse movimento nas redes sociais de expor diversas manifestações de racistas e como isso chega a um número considerável de pessoas que se identificam naquela situação conseguem tirar proveito de como lidar.

O aborto é um tema mais que polemico e você como mulher tem total propriedade em dar opinião sobre o assunto.. você é contra ou a favor..? porque..?

R: Eu sou a favor da legalização do aborto. Nesse caso, assim como em outros como o Estado ser laico e tudo mais, as pessoas que são contra, acham que vai interferir na vida delas, e que elas serão obrigadas a fazer qualquer coisa que seja contra. “Ai, o estado não é laico, a maioria do país é cristã, você não pode me impedir de demonstrar a minha fé.” O Estado ser laico, não quer dizer que as pessoas não podem ter religião, mas que elas podem ser o que quiserem, acreditar ou não, no que quiserem, e que isso não vai ser imposto pras outras e nem interferir nas decisões políticas que afetam a todos. Na questão do aborto eu acredito que é a mesma pegada, “Ai eu não faria”, se eu faria ou não, não tem que vir ao caso nessa discussão, mas a garantia de que a mulher que quiser vai realizar o aborto em condições mínimas de dignidade tem que ser assegurada. A mulher que não quiser realizar vai ter o filho independente da lei estar lá ou não. Acrescento mais alguns pontos, o aborto já acontece de três formas, mulheres com condições $$ que o realizam de forma segura, mulheres sem condições $$ que o realizam em clínicas clandestinas horrendas, e o “aborto masculino” que acontece em grande número mas nem de longe os pais são colocados como criminosos, pecadores e todos esses termos que se referem as minas. As pessoas tratam desse assunto com muito egoísmo e falta de compaixão, não é uma escolha de com que roupa vou, pra mina chegar na decisão de abortar é uma série de fatores que tem que ser considerados, não é sossegado tomar uma decisão dessas, tem danos emocionais, psicológicos, além dos físicos. Portanto temos que procurar cada vez mais saber sobre as coisas de fato como acontecem antes de opinar apoiados sobre os ombros do senso comum.

Na musica "Negro Drama" do Racionais Mc's o Mano Brown diz assim "Crime,futebol,musica carai eu também não consigo fugir disto ai", nesta frase o Brown praticamente resume como uma parte dos pretos no Brasil buscam para ascender socialmente.. ai eu te pergunto Ana como fugir disto ..?

R: Meu, tudo que formos pensar hoje em relação a nós tem que ser pensado na visão das condições histórias e o que deu de frutos atualmente. A maior barreira na ascensão da população negra é a discriminação racial velada presente, que fez a sociedade brasileira acreditar que lá atrás quando assinada a lei ficou tudo bem, deu restart na história, todos começamos com as mesmas oportunidades. Essa situação não desfez nenhuma estrutura de “classes” pelo contrário, instaurou-se uma mentira cada vez mais perigosa de democracia racial, onde a partir daí qualquer possível destino do negro era fruto de suas próprias escolhas. Teoricamente as possibilidades estão aí, e apropriam-se delas quem luta por elas, a tal da meritocracia. Apesar do número de negros e negras empreendedores e numa condição social favorável ter crescido, na prática ainda é inviável por conta desse racismo velado que cessa possibilidades e limita o campo. Quando o Brown coloca esse tripé do que ele acredita serem as saídas, acredito que ele queira relacionar a questão da representatividade, nesses três casos muitas das histórias convergem para o mesmo ponto de início. Não saberia ao certo apontar uma fuga, eu acho meio pesado jogar todos os problemas de sociedade que temos pra educação resolver, nesse caso menos ainda, a educação fará parte da ascensão em diversos momentos é óbvio, mas é preciso que a base esteja concreta, acho que transcende um pouco oferecer cursos, graduação essas coisas, tirar esse limite que existe no destino de geral e não de um ou outro pra servir de exemplo.

Vamos falar sobre um pouco sobre você, como você decidiu ser bióloga ..? (espero não esta sendo ignorante..rsrs) mas em que área você pretende trabalhar..?

R: hahaha eu não decidi, aconteceu ahhahahhahah a primeira vez que eu fiz ENEM eu consegui bolsa na faculdade particular perto da minha casa, mas depois de 3 idas lá e 500 mil cópias de documentos eles chegaram a conclusão que uma família que recebe 3 salários mínimos mensais tem condição de pagar a mensalidade da faculdade que custaria mais que um terço do valor rsrsr ai eu fiz cursinho popular durante um ano e prestei ENEM denovo e passei em Ciências Sociais em São Carlos e Biologia aqui em Araras, eu optei por aqui porque ainda não poderia largar o emprego pra ir pra São Carlos, só que por sempre ter gostado muito da área, quando você conhece mais e mais você se apaixona hahahha eu não tinha certeza mas hoje tô feliz demais com o que escolhi. Eu gosto de diversas áreas de pesquisa, mas não tem como eu fugir da educação. Eu dou aula como voluntária no cursinho popular, e quero ser professora mesmo.

Aproveitando que entrando no assunto faculdade, com a facilidade da internet, vemos que o meio acadêmico é muito racista e cruel, como é na sua faculdade ..? existe algum núcleo negro..?

R: Sim, é bem cruel. Fui contemplada, pois o campus que escolhi é bem daora, dá pra se ter uma relação daora com todos. Claro que tem um ou outro com idéias erradas, mas o pessoal disposto a dialogar sobre e que entendem toda a luta é maior. Então, no campus de Araras não tem nenhum núcleo negro específico, em São Carlos eu sei que tem, porem em Araras tem vários coletivos, um deles é o Levante Popular da Juventude, onde temos a frente negra auto organizada.

Tem algum livro que você leu que te marcou..? qual seria..?

R: Um livro que eu deixo sempre na bolsa porque me traz um bem enorme, é Sabedoria de preto velho, é do Robson Pinheiro mas ele escreve pelo Espírito Pai João de Aruanda. É demais. Faz um tempo eu tô entupida de tarefas, quase não tinha tempo pra sorrir, e uma amiga muito importante pra mim me deu, eu lia cada página um dia, e me ensinou coisas maravilhosas, como a gente complica tudo em proporções muito maiores e esquece de viver.

Segue a letra da musica "Deposito dos rejeitados" do eduardo..

Quem sabe se eu tivesse menos melanina,
ou se eu fosse um exemplar da espécie canina.
Atenderia de A a Z todos os requisitos, 
pra ter no registro o nome de pais adotivos.
Há sete anos vegeto no depósito dos rejeitados, 
desde que me encontraram dentro de um saco plástico.
Mesmo sem alimentar balística com Famas, 
fui condenando aos traumas do abandono de incapaz.
Não estou incluso nos dados sobre o adotado pretendido, 
o X é na cor branca e no cabelo liso.

A letra desta musica fala do abandono das crianças negras nos orfanatos, se quiser falar sobre este fato fique a vontade, mas a pergunta é porque você acha que um cão abandonado choca mais que um ser humano na rua..?

R: Quando você me pergunta porque eu acho que um choca mais que o outro acho que está colocando a nossa tendência de nos acharmos a espécie mais importante que todo o resto. Eu na verdade acho que ambos chocam em suas particularidades. Não posso olhar pra uma criança abandonada com frieza, mas eu como bióloga também não posso olhar pra um animal em situação de rua e me sentir ok. Ambos são um problema, e devem ser olhados como coisas diferentes, que exigem soluções diferentes. Mas fazendo a linha entre esses dois pontos, óbvio que não apoio festa de aniversário pra cachorro enquanto tem gente passando fome, mas isso cai dentro de outro problema que é o acumulo de capital por uma parcela muito pequena da população que ao contrário do que muitos dizem, sabem sim ao certo o que estão fazendo com o muito dinheiro que ganham. Não sei como estão os dados hoje em dia, Faz uns 4 anos eu vi que quase metade dos pais que esperavam pra adoção queriam escolher a cor da criança. De fato o número de crianças negras nos orfanatos é muito maior, e como o Eduardo denuncia muito bem na letra, algumas pessoas não estão dispostas a assumir de fato o que crianças, jovens e posteriormente adultos negros e negras são submetidos durante a vida. Acredito que a adoção seria o melhor processo pra solucionar a situação de pessoas em situação de rua, porém sem esquecer de cuidar de todos os possíveis caminhos que levam aquela pessoa a estar ali.

Teve alguma pergunta que você gostaria que eu tivesse feito..? se teve qual seria a pergunta e a resposta..

R: Acho que esqueceu de perguntar se eu tô na pista pô hahahahahhaahhahahahhahahahahhahahah brincadeira, mas fica aí pros irmão que a resposta é sim hhahhahahaha. Sério agora, gostei das perguntas, acho que como futura educadora, talvez faltou perguntar "O que você acha da reorganização da rede estadual de SP proposta pela Secretaria de Educação?" rs. A resposta seria que sou contra, óbvio. Essa reorganização não tem nada de organizada, foi projetada de uma forma totalmente absurda, sem discussão com as comunidades escolares em geral, centenas de escolas serão e muitas outras já estão sendo fechadas, muitos profissionais vão ser submetidos a jornadas exaustivas pra se manterem empregados, além de mais salas de aulas superlotadas. É preciso ter atenção a isso, não podemos deixar que isso caminhe. Não adianta a gente discutir aquilo de como fugir daquele tripé de ascensão quando sucateiam a educação dessa forma, não adianta a gente resolver todos os problemas investindo em educação e esperar que ela opere milagres quando não tomamos partido do que está acontecendo.

Indique um livro, uma musica, um álbum e uma frase que você gosta..

R: Aiiiii, Bateeeeee Bola Jogo Rápido (Marília Gabriela voice) hahahhahahahah ah meu, vou tentar falar um de cada que eu goste, mas eu sou multiapaixonada, não tem como escolher um só. Vários livros são fodas, atualmente eu tenho lido mais acadêmicos, mas eu amo literatura periférica, não tem como eu não indicar o livro do Eduardo, A Guerra Não Declarada na visão de um favelado, é um livro que mesmo que você discorde de algumas coisas, eu achei muito bem argumentado e eu levo várias idéias sempre comigo. Ai que mancada pedir pra indicar uma música só ahhahahah , bom eu não consigo escolher uma, ai olhei a primeira que apareceu na playlist do celular porque são as que eu mais ouço, Quarto de despejo, da Sara Donato, aliás eu amo esse álbum todo, Made in Roça é foda, a Sara é foda, ouçam essa mulher, ouçam as mina do Rap, são boas demais hahaha!!! Hmmm, gosto de tantos álbuns, acho que além dos clássicos, um dos que não saem nunca do meu celular é Ba Kimbuta - Universo Preto Paralelo, aliás, gente eu tenho um gosto musical maravilhoso hahhahahahhahahhahahhahahahahhahahha não tem como indicar um só, mas ok, vou me conter. Pô, uma frase, tem uma que uma amiga me disse quando eu não tava muito bem numas épocas ai, querendo desistir e eu te garanto que virou um mantra hahaha “Tenha foco, olhos de lince, e mantenha sua dignidade!”.



Obrigado pela entrevista Ana e deixe o recado que quiser aos leitores..

R: Eu que agradeço pelo espaço pra expor um pouco das ideias. Meu, eu escrevo muita coisa e mal organizado hahahah então peço desculpas por qualquer resposta que tenha ficado brecha pra interpretação errada, se alguém se sentir ofendido pode me procurar pra eu colocar melhor alguma idéia. Agradecer também os minutos destinados a essa leitura, e façam isso sempre, tirem alguns minutos da nossa rotina louca e leiam bastante, conversem, procurem opiniões de outras pessoas, não pra ser cópia, mas pra pensar, refletir e ter sempre um argumento bom.
As minhas irmãs de luta, força na caminhada, e tenham consciência plena de que vocês não andam só!
Queria mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai, pras minhas irmãs e pra todo mundo que acreditou em mim pra que eu pudesse tá aqui hoje hahahhahahahahhahahah.
No mais é isso ai, eu não sou ET Bilu, mas busquem conhecimento!
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