sábado, 14 de novembro de 2015

ENTREVISTA - Opinião Periférica com a blogueira e estudante de direito "Stephanie Araujo" #NovembroPreto


A primeira entrevistada do quandro "Opinião Periferica", especial Novembro Preto, é a jovem,Blogueira e estudante de direto Sthepanie Araújo.

Nesta entrevista foi abordado temas cotidianos,racismo, questões étnicas dentre outras.


Como você descreveria a Stephanie? Não precisa ser em poucas palavras...

R: Sou alguém que pelo menos no atual momento, tem muito mais para aprender do para ensinar, uma pessoa que busca conhecer suas raízes, o saber dos ancestrais e das irmãs e irmãos para poder ter não somente forças, mas também estratégias para combater as mazelas do mundão.

Eu sou um cara muito observador, e vejo que você é nova e já tem certa maturidade, quando você começou a tomar consciência não só da sua negritude, mas no geral.. Foi dentro ou fora de casa..?

R: Na minha casa, racismo até era um tema discutido, mas sempre em terceira pessoa. Comecei a aprender sobre o que chamam de história do negro aqui no Brasil, ou seja, a “escravidão” e sobre como se deu o processo de miscigenação aqui no brasil. Nesse momento de descobertas e consequentes duvidas, o rap foi crucial na formação da minha identidade “nova”. Ver pessoas como, por exemplo, Mano Brown, que tem o mesmo tom de pele que eu, se autodeclarando negras foi tipo “um choque de realidade”.

Empoderamento é uma palavra muito utilizada nos fóruns negros e femininos, você como uma mulher negra, o que esta palavra significa pra você?

R: No momento, emponderamento para mim tem significado, compreender que se passo por determinadas situações e ocupo determinado lugar na sociedade piramidal, por ser mulher negra, o problema não consiste no que sou e sim no sistema que é capitalista, patriarcal e racista, dentre outras formas de opressão. Uma pessoa que ainda não compreende o quem é e o que representa na estrutura social, naturaliza a opressão que sofre.

Como eu disse acima, sou um cara observador, o fato de você ter o cabelo afro tem haver com a descoberta de sua negritude? Conte-nos como foi esta transição do cabelo alisado pro afro.

R: Na verdade passei por dois processos de transição. No primeiro influenciado pela “moda das cacheadas”, ainda não tinha nem consciência da minha negritude, o resultado foi que sucumbi às pressões estéticas do padrão vigente e acabei voltando ao alisamento com o intuito de ser “mais” aceita. Já, no segundo processo de transição, eu já tinha ciência da minha negritude e de que esse ato não era meramente estético e sim, sobretudo, politico. Foi uma mudança radical na minha vida e uma das coisas das quais mais me alegro de ter feito.

Aqui no brasil, existe um tipo de "Negro Padrão", pele escura e cabelo crespo se fugir disto nos chamam de tudo "quanter" nome menos preto, eu confesso que em algumas situações já cheguei a ficar sem reação. Como você lida com comentário do tipo "você nem é tão negra assim" ..?

R: No inicio, a minha reação era ficar muito triste porque de fato tais comentários me abalavam. Hoje em dia, tenho ciência de que tudo não passa de mero linchamento para nos dividir enquanto povo negro. Sinceramente, respondo na hora com “Negro não é cor e sim identidade politica dos afrodescendentes que não são lidos como brancos e que sofrem racismo mesmo que em diferentes graduações” e não me afeto mais.

Você é dona da Pagina "Sinha Rad", porque do nome, com qual intuito resolveu criar esta pagina?

R: O termo “rad” faz referencia ao feminismo radical e “sinhá” faz uma analogia entre o comportamento de muitas feministas brancas com o comportamento das sinhás. O intuito da pág de inicio era denunciar tal realidade, mas com o tempo foram acrescentados outros tipos de posts. Confesso que se fosse criar essa pág hoje, o nome seria outro, pois percebi que racismo no feminismo não é exclusividade da vertente “radical”.

Há um tempo atrás você ficou entre as 25 blogueiras mais influentes na internet, como você lidou com isto? Trouxe-te mais problemas do tipo perseguição ou mais responsabilidade..?

R: Lembro que fiquei muito honrada na época. De fato, a visibilidade da página aumentou e como decorrência mês e consequente a perseguição e a responsabilidade.

O que te levou cursar direito? E qual profissão pretende seguir?

R: Sempre quis estudar Direito e isso “tipo” desde pequena. Quando estava no terceiro ano do ensino médio, ao ler um livro cujo tema era nada mais, nada menos que “Luiz Gama”, tive a certeza de que era no Direito que queria atuar e fazer pelo menos 1% do que ele fez por nós, para outros irmãos e irmãs pretas.

Um tema mega debatido dentro do movimento negro é o relacionado inter-étnico, principalmente do fato de quando o homem negro quando ascende socialmente ele procura uma mulher branca, e recentemente os homens também têm questionado que mulheres negra também quando ascendem socialmente não se casam com homens negros, eu vejo este tema muito complexo porque teria que analisar caso por caso, mas qual seu posicionamento sobre este tema..?

R: Acredito que a raiz de todo esse problema de auto preterir-se está no auto ódio que o sistema, branco e racista, implanta nas mentes negras. Desde pequenos, nós homens e mulheres da raça negra, aprendemos que não temos beleza e aprendemos a cultuar o padrão eurocêntrico como superior belo e almejável. Por outro lado, a hiper sexualização dos corpos negros também contribui para que tenhamos uma visão ainda mais negativa de nós mesmo.

Tem uma frase da Sueli Carneiro que acho foda!! "Eu ,entre esquerda e direita eu continuo sendo preta", o que acha desta frase..? você tem algum posicionamento politico..?

R: Super assino embaixo. Lutar embasado em teorias brancas, não fará surtir efeito nenhum para problemas que afetam o povo preto. Perde-se muito tempo lutando por voz dentro de movimentos liderados por brancos. O racismo da direita existe também na esquerda. No momento, tenho procurado me aprofundar nos estudos pan-africanos e isso tem me acrescentado e muito.

Vejo muitas mulheres feministas no meu facebook, falando em Sororidade e confesso que não sabia o significa e um dia fui ver o significado no dicionario informal e esta assim: "Sororidade é o pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo." Mas ja observei que muitas irmãs negras reclamam do racismo dentro do feminismo. A pergunta é não existe Sororidade entre feministas negras e brancas..? é um relação difícil.?

R: Aqui no brasil, desigualdade entre mulheres existiu desde sempre. Opressão entre brancas e negras é algo não somente cultural como também estrutural. A julgar que na pirâmide, as mulheres brancas estão acima e que elas detêm 500 anos de privilégios diante de nós, é inevitável que essa sororidade seja na maior parte das vezes, algo seletivo e que não sai do papel.

Teve alguma pergunta que você gostaria que eu tivesse feito..? se teve qual seria a pergunta..? e qual seria a resposta..?

R: Primeiramente, parabéns por todas as perguntas, mas se você me perguntasse, qual foi o encontro politico que mais adorei vivenciar, responderia sem sombra de duvidas: conhecer o ilustre Carlos Moore.

Para terminar, cite 3 personalidade negra que você admira, 3 músicos e 3 musicas..

R: poxa, são tantas figuras ilustres. Mas, bem, vamos lá: Huey Newton, Malcolm X e a nossa ilustre Carolina Maria de Jesus. Quanto aos três músicos: Billie Holiday, Nina Simone e Leci Brandão. Já ás musicas: “Negro Drama”, do Racionais Mc’s, “Mulheres Negras” da Yzalu e “Falsa Abolição” da Preta Rara.



Obrigado pela entrevista Stephanie e deixe seu salve, sua mensagem aos leitores.

R: Agradecimento ao Noticiário Periférico por ter me dado a oportunidade deste veículo de informação que diferentemente dos demais, representa o nosso povo, O papo é esse, negritude, lutar sempre e jamais perder a fé em nós. Um dia o quadro vai mudar e as coisas vão melhorar pro povo preto. 4P. 
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