quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Thiago Elniño rima sobre a retomada da identidade negra e religiosa no clipe "Diáspora"

A RETOMADA DA IDENTIDADE E RELIGIOSA NEGRA ATRAVÉS DO RAP



Quando motivado por uma grave eternidade o rapper de Volta Redonda, RJ, Thiago Elniño, 30 anos, foi parar em um terreiro de umbanda ele ouviu de um guia as seguintes palavras: “Tudo isso foi preciso para que você viesse aqui encontrar sua identidade, o sentido das coisas que você canta” ele não esperava que isso fizesse sentido tão rápido. Um ano depois, com o lançamento do clipe da musica Diáspora, que tem produção musical do curitibano Vinicius Nave e visual de Fabricio Mangel, a experiência passa a fazer todo sentido.

Gravado no mesmo terreiro onde o rapper teve seu encontro com a umbanda e ate hoje é frequentador, e em uma antiga fazenda no interior do Rio que já abrigou mais de dois mil escravos e hoje da espaço a uma escola, o clipe é bem direto ao mostrar elementos da religião misturados a já tradicional estética de clipes de hip hop onde o MC quase que o tempo todo rima para a câmera, a urgência com que isso é feito busca um equilíbrio entre a beleza das locações e a agressividade com que o Elniño rima no muito bem trabalhado instrumental produzido por Nave, importante nome da cena Hip Hop que atualmente produziu os discos de Karol Conka e Ogi, e singles de sucesso para EMICIDA e Marcelo D2. Diáspora é o primeiro single do EP Filhos De Um Deus Que Dança, também produzido por Nave e que busca a síntese entre tambores ligados a religiões e culturas de matrizes africanas, pontos cantados e versos de rap que abordam a retomada de identidade do povo negro e suas raízes africanas! Link para o clipe: 



Release sobre o Thiago Elniño



Natural de Volta Redonda, cidade do interior do Rio de Janeiro, e crescido em Belo horizonte, capital o estado de Minas Gerais, Thiago Elniño, 30 anos, faz rap há 8 anos e assim como outros MCs ligados a cultura HipHop nas periferias dos países de terceiro mundo, faz a trilha sonora dos absurdos co-tidianos.

Entenda-se como absurdo: homens negros e mulheres negras não se identi-ficarem e se reconhecerem nas identidades e culturas que seus ancestrais criaram, porque tomaram deles e as deixaram distantes; trabalharem oito ho-ras por dia e ficarem com a menor parte do lucro desse período; receberem uma educação construída para os deixar reféns da falta de possibilidade de ascensão, sem que saibam disso. Todos esses temas ganham espaço nas suas músicas, que se considera um acidente positivo, destes que só a educação e a cultura podem proporcionar, quando mesmo em situação desfavorável. Teve acesso a elas através da cul-tura HipHop e hoje, através de sua música, serve de veículo de transformação social a serviço da retomada de identidade do seu povo.

O primeiro trabalho de Thiago foi o EP Prólogo. gravado em 2007, meses depois de conhecer a ONG ECFA- Espaço Cultural Francisco de Assis França, em Volta Redonda, na instituição que prestava assistência a jovens músicos. Elniño, nome que Thiago ganhou nas batalhas de MC da cidade por alternar temperamento hora agressivo, hora calmo em suas rimas, em alusão ao fenômeno que promovia mudanças abruptas no clima na época.

Conheceu a banda Sapiência e ali teve suporte para gravar e lançar as 7 mú-sicas que cantavam sobre as características da cidade industrial que viviam sobre uma influencia muito forte de samba e música jamaicana. Mesmo com bom alcance local, a banda não durou muito e o MC foi buscar outros par-ceiros, dessa vez o Coletivo CASA.

Formado por membros da banda Amplexos, o Coletivo e Espaço Criativo CASA ajudou Thiago a encontrar uma identidade onde seus temas fortes eram acompanhados de batidas eletrônicas dialogando com instrumentos or-gânicos criando uma musicalidade muito forte e marcante, sempre com uma proximidade do DUB. O resultado disso foi o EP Cavalos de Briga, onde contando com 3 faixas Thiago conseguiu ir um pouco para além de sua ci-dade natal e dialogar com outros espaços. Em 2013, Thiago lança Amigo Branco, música até então com maior destaque da sua carreira e que contou com um muito bem aceito clipe produzido pelo diretor Rabu Gonzalez, que vinha de trabalhos com artistas como Seu Jorge e Ed Rock, dos Racionais. Se na música que conta com ótimo beat produzido pelo produtor goiano Victor Beats, Thiago já conseguia de forma certeira e suingada, agredir com força elementos do racismo. As imagens de Rabu só enriqueceram a experiência, quando propuseram a inversão de valores e um mundo fictício onde o negro era o opressor e o brancos passavam pelas mes-mas dificuldades que a população negra hoje sofre em um mundo extrema-mente racista, como a busca de empregos, a perseguição por autoridades de segurança publica, relações amorosas interraciais entre outras. Com o sucesso do clipe, uma nova faceta de Thiago se destacou, a de edu-cador, quando professores de diversas partes do País comunicavam que uti-lizavam o seu material em salas de aulas. Elniño então intensificou um tra-balho que já fazia e se firmou como um arte educador atuante em espaços de educação com palestras e oficinas ligadas a cultura Hip Hop e a temática negra. Com o clipe de Amigo Branco, Thiago também passou a frequentar a programação de importantes espaços musicais, como os Festivais Grito-Rock, Conexão Vivo e Black2Black, dividindo espaço com artista como Marcelo D2, Emicida, Criolo, Milton Nascimento, Femi Kuti e Tonny Alen.

No inicio de 2015, após uma intensa turnê no ano anterior que atendia prin-cipalmente espaços públicos e ações de SESCs, Thiago lança a coletânea Fundamento, onde reuniu toda sua obra solo já lançada, incluindo parcerias com os músicos Cadu Tenório e Gabriel Mondé, se destacando nesta a versão de Primavera Nos Dentes , musica anteriormente lançada no disco Armazém 73, que reuniu novos nomes com A Banda Mais Bonita da Cidade, Maglore, Mahmundi e Nevilton em versões que homenageiam o Secos e Molhados e o aniversário de 40 anos de seu disco homônimo.

Atualmente Thiago acaba de lançar o clipe da musica Diáspora, single do EP Filhos De Um Deus Que Dança, que narra a aproximação do rapper com as religiões de matrizes africanas e conta com a produção de Nave, tido por muito como o maior produtor de batidas de rap do pais e produtor de discos já clássicos, para artistas como Karol Conka e Ogi e singles para Marcelo D2 e EMICIDA. Para o segundo semestre, Thiago tem já finalizado o disco A Rotina do Pombo, que após 5 anos de trabalho, promete entregar o trabalho mais elaborado deste musico, que apesar de experiente na cena, apresenta sinais de que está em sua melhor e mais madura fase criativa.

Contatos:

(24) 98142 1191

Email: thiagoelnino@gmail.com

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Instagram: www.instagram.com/thiagoelnino

Soundcloud: www.soundcloud.com/thiagoelnino
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