terça-feira, 28 de junho de 2016

Imigrantes e brasileiros criam a música oficial do VII Fórum Social Mundial das Migrações

Leonardo Matumona no estúdio. Crédito: Ilana Goldsmid.

 
Além de gravar a canção “Meu lugar”, com trechos cantados em diferentes idiomas, o grupo de artistas também filmou um videoclipe; o FSMM 2016 acontece de 7 a 10 de julho, em São Paulo

Artistas brasileiros e imigrantes se uniram para criar a música oficial do VII Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM). A canção, intitulada “Meu lugar”, apresenta trechos cantados em português, espanhol, árabe e lingala (idioma derivado do bantu, falado na região noroeste da República Democrática do Congo). Ela foi produzida e interpretada por 10 artistas de diferentes origens e etnias (Haiti, Bolívia, Costa Rica, França, Síria, Brasil, entre outros), de forma colaborativa. A gravação da música e do clipe foi feita de forma gratuita pelo Coletivo Digital e pelo Visto Permanente, respectivamente. A produção executiva de “Meu lugar” foi desenvolvida por Dayana Araújo, da Cidade Escola Aprendiz, e Ilana Goldsmid, do Abraço Cultural, de forma voluntária. 

A iniciativa surgiu em uma reunião da Comissão de Mídia do FSMM 2016, em março. O objetivo era criar uma canção que desse voz aos imigrantes, ressaltando também a diversidade cultural e étnica. O mentor da ideia, o cantor Leonardo Matumona, propôs fazer a voz principal.  Já Dayana Araújo trouxe o clarinetista, compositor e arranjador André Parisi para compor a canção em conjunto com Leonardo, fazer os arranjos e a produção musical. André chamou mais dois músicos brasileiros, que aceitaram participar recebendo apenas uma ajuda de custo. Ao grupo se juntaram mais cinco músicos imigrantes e uma cantora carioca. E desta mistura de origens e sotaques surgiu a canção “Meu lugar”.

Sobre o FSMM 
A sétima edição do Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM) será realizada em São Paulo, de 7 a 10 de julho. Com o tema: “Migrantes construindo alternativas frente a desordem e a crise global do capital", o Fórum é um espaço aberto, plural e diversificado que busca propor debates e ações concretas para melhorar as condições migratórias da atualidade. O Fórum já foi realizado em: Rivas-Vaciamadrid, Espanha (2006 e 2008); Quito, Equador (2010); Manila, Filipinas (2012) e Johannesburgo, África do Sul (2014). Neste ano, a comissão organizadora espera 3 mil pessoas.

Sobre os músicos 
André Parisi: Clarinetista, compositor e arranjador, André é o produtor musical, arranjador e compositor da canção ao lado de Leonardo Matumona.  Formado em guitarra popular pela Faculdade Santa Marcelina, desenvolve um trabalho de choro autoral com o André Parisi Sexteto. Já trabalhou ao lado de nomes como Altamiro Carrilho, Osvaldinho da Cuíca e César Salgan. Em 2009, gravou seu primeiro CD, “André Parisi - Língua Brasileira” e,  em 2012,  gravou o CD de choro “Movimento Sincopado”.

Anthony David Taieb: O músico francês, de 28 anos, toca saxofone desde os 10 anos de idade. No Brasil desde 2011, ele já viveu no Rio de Janeiro, onde participou de bandas como a Orquestra de Sopros, da ProArte, e da Bandabonô. Em São Paulo há dois anos, ele estuda na Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP) e toca na banda latina Quinteto Guayaba, cujo repertório passa por samba choro, valsas peruanas, lando peruano, boleros e canções francesas.

Leonardo Matumona: Cantor de origem congolesa, ele trabalhou na composição da letra e fez a voz principal de "Meu lugar". Leonardo começou a cantar ainda criança no coral da igreja que frequentava em Luanda (Angola), onde também estudou canto. No Brasil desde 2012, fundou o grupo Os Escolhidos, composto exclusivamente por congoleses e angolanos. O repertório do grupo inclui  músicas tradicionais do Congo e Angola cantadas em kikongo, lingala e swahili, além de músicas autorais em português.

Gabriel Deodato: É paulistano formado em violão popular e violão sete cordas pela EMESP. Já se apresentou no MASP com a cantora lirica Inês Stockler, o pianista Daniel Grajew e o percussionista André Kurchall. Em território estrangeiro, fez turnê na Suécia e na Finlândia acompanhando a cantora mineira Karine Telles e o bandolinista Maik Moura. Em 2010, fundou o Gabriel Deodato Trio, dedicado a obras de Tom Jobim. Atualmente estuda licenciatura em música na faculdade UniSant´Anna.

Geneviève Gherubin: Cantora haitiana de 33 anos, ela chegou a São Paulo em julho de 2015. No Haiti, participava da banda Asakivle, especializada em músicas tradicionais. Ela é formada em Pedagogia e Letras, tendo lecionado nas escolas Collège Canapé-Vert e MEVA e atuado como diretora na escola Tipa Tipa em Porto Príncipe. No Brasil, é professora de francês e cultura haitiana na ONG Abraço Cultural.

Marisol Corteletti: Brasileira, carioca e filha de uma ex-passista de samba e um imigrante uruguaio. No Rio de Janeiro, cantou no projeto Brasil de Cara e no grupo vocal Quarteta, além de estudar na Escola Portátil de Choro e Maracatu Brasil.  Em São Paulo desde 2015, integra o Quinteto Guayaba.  Formada em Ciências Sociais, cursa pós-graduação em gestão pública e trabalha com assessoria parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Miguel Solari: Cantor, guitarrista e compositor costarriquenho, Miguel é conhecido em seu país pela sua banda La Escafandra. Em 2011, a sua canção “1+1” foi escolhida pela ONU/ACNUR para uma campanha em TV e Radio chamada de “1+1 hacemos Costa Rica”, sobre a diversidade e a riqueza da imigração. Miguel já gravou dois álbuns e ganhou prêmios em seu país de origem. Ele veio para o Brasil em 2013 e neste ano formou uma banda de música autoral.

Mildred Rosario Herencia Torrico: Imigrante boliviana, oriunda de Cochabamba. Com 50 anos de carreira como cantora, Mildred já se apresentou em vários países da América Latina como: Peru, Venezuela, Argentina, Equador e Chile. Estudou música no Instituto Laredo, na Bolívia, e participou do dueto Ñustas de Bolivia e do Trio Nostalgias. Chegou ao Brasil em 2013.

Ola al Saghir: Cantora nascida em Homs (Síria) e de família de origem palestina. Ela começou a cantar aos cinco anos de idade sob a influência do pai, que tocava alaúde durante as reuniões familiares. Na juventude, foi integrante de bandas amadoras na Síria.  Após três anos de guerra, resolveu embarcar para o Brasil com o marido e filho na esperança de começar uma nova vida. Desde que chegou ao Brasil, em março de 2015, se dedica à música árabe.


Paulo Oliveira: Baterista e percussionista natural de São Paulo, Paulo estudou música no Conservatório e Faculdade Souza Lima & Berklee e na EMESP, além de cursar Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e  licenciatura em Música na Faculdade UniSant’Anna.  Participou de grupos de jazz e música instrumental brasileira como: Brasil Jazz Trio e o Quarteto Deu Jazz.  Atualmente é professor de música e faz shows com os grupos Trio Ogã e Gabriel Deodato Trio.

Grupo reunido durante ensaio. Crédito: Ilana Goldsmid.

 
SERVIÇO
 
VII FÓRUM SOCIAL MUNDIAL DAS MIGRAÇÕES  
Universidade Zumbi dos Palmares e Centro Esportivo e de Lazer Tietê
AV. Santos Dumont nº843- Armênia, São Paulo.
Data: de 7 a 10 de julho
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