domingo, 20 de novembro de 2016

Flavio Renegado faz ensaio para lançar remix sobre orixás e protestar contra a falta do ensino das religiões afro-brasileiras nas escolas



Remix produzido por Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, e Pedro Bedrer, é lançado no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra

Fotos: Daryan Dornelles


Conhecido por ter fotografado os maiores nomes do pop, da música e da cultura nacional, o craque carioca Daryan Dornelles convidou o rapper mineiro radicado em São Paulo Flávio Renegado para um ensaio fotográfico que evoca os orixás das religiões afro-brasileiras e negritude. O material será usado por Renegado para divulgar o remix da música “Black Star”, que apresenta os orixás, em produção musical de Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, e Pedro Breder, está sendo lançado hoje, véspera do Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. O remix ganhou fotoclipe com edição de Joana Swan, da Toca Tudo Produções, a partir das fotos originais do ensaio, que teve produção de Danusa Carvalho, da Casulo, e make de Margo Margot.

“O ensino das religiões afro-brasileiros é obrigatório, pela lei 10.639, de 2003, que nunca foi cumprida. Escolhemos esta data de lançamento para protestar contra o fato de que as religiões afro-brasileiras continuam sendo tratadas como feitiçaria e misticismo, e não como religião”, justifica o ensaio, que traz correntes e maquiagem com carvão e prata. “A ideia foi explorar expressões do corpo e o que a roupa esconde, pois ‘Outono Selvagem”, meu último disco, que eu produzi e no qual apresentei ‘Black Star’, é um disco interno do ser humano”.



“Eu entrei para o movimento negro na escola, aos 11 anos, quando descobri uma roda de capoeira de Angola. Aquilo me fascinou e me fez entender que eu era cidadão e homem negro e vivia em uma comunidade extremamente pobre, porque meus ancestrais tinham ido parar ali. A escola não ensina isso, que este processo histórico foi escravocrata e de exclusão social. A lei 10.639 obriga o ensino da história da África, da luta dos negros no Brasil e da cultura negra brasileira. Imagina como vai ficar depois da reforma do ensino médio?”, explica Flávio, que nasceu na comunidade do Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte, aonde desenvolve ações de empreendedorismo social. “Nascer em um bairro sem saneamento, sem escola, sem saúde, isso é racismo. Não estou sendo tratado como igual. Não poder usar o endereço da favela para procurar emprego, e ter que mentir, isso é racismo”, analisa.


“Black Star” faz parte do disco “Outono Selvagem” (Som Livre), lançado em julho último, e apresenta os orixás da religiosidade africana sem a culpa e a visão em preto e branco do catolicismo. Guiado nestas trilhas por Oxossi, Renegado conta as principais virtudes dos orixás, como diz o trecho “Pra Justiça, chama Xangô / Pra batalha, Ogum é o mais forte”.  A música também fala sobre a subserviência que se espera dos negros. “Querem que a humildade seja a virtude de todo negão”, diz certo trecho. “Somos educados para ser subservientes e não cidadãos”, arremata Renegado. “O racismo é muito maquiado no Brasil, mas a porta do banco continua sempre parando na minha vez de passar”, desabafa o filho de Ogum, Xangô e Oxossi, todos orixás de luta.


Quem assina a produção do remix é Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, e Pedro Breder, marcando nova fase da carreira de Flávio, agora que passa a integrar o casting da Toca Tudo Produções. “A intenção era passear pelos graves e convidativos drops do trap, beber no funk e juntar tudo isso à mensagem eloquente e visceral do Flávio Renegado. Nossa parceria é papo de preto pro mundo, pois também quero contribuir para a nova geração ser questionadora e política", conta Rafael Mike.


“Aos 15 anos de idade, eu já diretor de associação de bairro,, quando eu também fundei a minha primeira ONG, o Grupo Cultural NUC (Negros da Unidade Confiantes). Não consigo descolar a arte do fazer social” conta Flávio Renegado, analisa o artista, que tem projeto voltado para a reabilitação de presos e menores infratores, a oficina Rap-produção. “Tudo usando a música, o violão, a cultura”, conta.

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