sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Jota 3 lança disco de reggae, falando sobre revolução, dirigido pelo sound system carioca Digitaldubs



O álbum tem participações especiais de BNegão e da dupla jamaicana Sly and Robbie, entre outros artistas e produtores

A capa do disco, assinada pela dupla de artistas mexicanos Gran OM & El Dante

O cantor Jota 3 lança o álbum “Amplificado por Digitaldubs”, com direção artística e mixagem de Marcus MPC, do tradicional sound system carioca, e participações pra lá de especiais de BNegão, da dupla de baixo e bateria jamaicana Sly and Robbie, do cantor Jeru Banto e dos produtores Twilight Circus (Canadá), G.Corp e Reality Shock (UK). O disco fala de resistência, amor e consciência, passeando por várias vertentes da música jamaicana, como reggae roots, rocksteady, dub, lovers rock e dancehall.

Revolução é um dos temas centrais desse disco, uma militância que faz parte das raízes do reggae, a luta do cidadão comum. É um chamado para resistir às armadilhas do sistema, mas também promover uma transformação interior." resume o artista, retratado na capa, entre as caixas de som do sound system do Digitaldubs, na ilustração assinada pelos artistas mexicanos Gran OM & El Dante, com  uma linguagem gráfica que faz referências aos revolucionários zapatistas. “A capa mostra os bailes e o sound system, tocando alto as músicas, divulgando o artista, e também como o Digitaldubs funcionou como um catalizador e impulsionador do trabalho”, explica o diretor artístico Marcus MPC.

Fotos: J. Vitorino

O processo de criação contou com muitos produtores, e  passou por vários estúdios entre Rio de Janeiro, Barcelona, Birmingham, Kingston e Vitória. Todo o trabalho teve direção artística do Digitaldubs, que também criou alguns dos instrumentais e mixou todas músicas, dando uma unidade estética e conceitual ao disco.

A música que abre o disco, “Tempo de revolução”, teve o instrumental produzido pelo canadense Ryan Moore, mais conhecido como Twilight Circus, que tocou baixo, guitarra e teclado e deixou a bateria nas mãos do lendário músico jamaicano Sly Dunbar. No Rio, foram acrescentados cuíca e outros elementos de percussão que dão um toque brasileiro. Essa música ganhou clipe com imagens cedidas pela Mídia Ninja, mostrando diversas manifestações por todo Brasil, dos movimentos feminista, da Juventude Negra, das periferias, do MST e da Marcha da maconha.”É tempo de revolução no centro / É tempo de revolução no gueto/ Mais um brasileiro lutando por seu direito/ Exigindo ser tratado com respeito”, diz o refrão.


“Flores e Ervas”, parceria com BNegão, tem um clima mais enfumaçado, com o instrumental pesado e chapado do Digitaldubs. É um sutil hino anti-proibição da erva que “perfuma o ambiente / tem efeito natural”. “Positivo e Operante” nos leva à Jamaica dos anos 70, em mais uma produção do Twilight Circus com participação do baterista Sly, mas dessa vez junto do parceiro e baixista Robbie Shakespear e do veterano guitarrista Chinna Smith. Essa base foi gravada em Kingston, Jamaica, ao vivo e sem edições, e teve voz e percussão adicionadas no Brasil. Pra quem não conhece, Sly and Robbie participaram de algumas das gravações mais importantes da história do reggae, além de terem acompanhado Peter Tosh, Grace Jones, Serge Gainsbourg, Sinéad O'Connor e Rolling Stones, só pra citar alguns.


“Me diz quem ganha” traz uma sonoridade vintage, influenciada pelo ska e pelo rocksteady, ritmos jamaicanos precursores do reggae. A letra discute a violência, policial e contra a mulher, e o preconceito racial. “Raiou” é um reggae roots que mostra o lado mais solar do álbum, enquanto “Essa eu fiz pra você” é uma canção romântica, um legítimo lovers rock, inspirado nos clássicos de Gregory Isaacs, Sugar Minott e Dennis Brown.

“Balada do Justiceiro” critica a justiça com as próprias mãos, à partir do choque com casos que aconteceram no Rio de Janeiro: “Cuidado com quem / se diz um homem de bem”, avisa a letra. “Favela Raggamuffin” é a música dançante do disco, tem instrumental criado pelo coletivo inglês Reality Shock. A letra, metade em inglês, metade em português, faz um link entre as favelas da Jamaica e as do Brasil. “Porque eles não sabem” é parceria com Jeru Banto, voz conhecida de outros discos do Digitaldubs.

O disco ainda traz um bonus track, "Não corte seus dreadlocks", originalmente lançada em 2013, produzida e gravada pelos ingleses do G.Corp, que já assinaram produções de UB40 e Overproof Sound System.

Mais sobre Jota 3


Nascido no Rio e criado em Vitória, Jota 3 é fruto da cena underground capixaba dos anos 90, assim como as bandas Dead Fish e Mukeka di Rato. Em meados dos anos 2000, conquistou um público fiel na cena hip hop do Espírito Santo, abrindo shows para os principais nomes nacionais. Chegou a ter projeção nacional com seus dois álbuns lançados, Freestyle (2003) e Rap Rasta (2008) e ter participado de coletâneas, como o DC "Caldeirão do Huck HipHop Nacional". Em 2006, teve uma faixa incluída na trilha sonora do jogo Fifa Street II (Playstation e X-Box).

Depois de sofrer um acidente, ficou um ano e meio sem andar e teve que parar de cantar. Foi o tempo de repensar a sua música, que voltou mais espiritualizada. Recuperado, em 2010, estava prestes a desistir da música quando foi chamado por amigos músicos pra ir a Barcelona, aonde formou o grupo de reggae Acadêmicos da Rua, e gravou um disco. Depois de um período de três anos morando entre Birmingham e Londres, de 2011 a 2014, conheceu de perto os sound systems da cultura jamaicana, muito viva por lá, por conta dos imigrantes.

Lá, participou de eventos importantes dentro deste universo, como o festival United Nations of Dub (UNOD), One Love Festival, Reggae City e se apresentou no famoso pub Hootananny, em Brixton. Foi na Europa que os laços com o Digitaldubs se fortaleceram, quando se esbarraram numa das diversas turnês europeias do sound system. Voltando ao Brasil, Jota convidou o produtor Marcus MPC, cabeça do Digitaldubs, para ajudá-lo a fazer um disco que traduzisse todas essas experiências.


Mais sobre o Digitaldubs

O Digitaldubs foi criado em 2001, sendo o primeiro sound system especializado em reggae e dub do Rio de Janeiro. O coletivo revolucionou o cenário da música independente carioca, colocando suas potentes caixas de som na ruas da cidade, inspirando também a criação de vários outros sound systems pelo Brasil.

Além dos bailes, também tem um trabalho intensivo de produção musical que se caracteriza pela mistura original de dub, dancehall e elementos brasileiros, material presente em diversos álbuns e singles lançados tanto por seu selo independente quanto em renomadas gravadoras internacionais.


As colaborações do coletivo incluem lendas do reggae mundial, como Ranking Joe, Sugar Minott e The Congos, e grandes nomes da música brasileira, como BNegão, Mr. Catra, Black Alien e Otto.

Mais infos:

Jota 3

Digital Dubs
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