segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A criminalidade marginalizada é a maior expressão da luta de classes.


Mesmo não partindo de uma visão marxista, palavra "luta de classes" se explica por si só. Porém, é preciso de uma definição mais clara, direta e contextualizada para explicar o tema à seguir. 

O termo "Luta de classes" é a expressão que o filósofo e pensador alemão Karl Marx adotou para denominar o conflito constante entre as classes sociais, seja ele econômico político, social ou cultural. Segundo o filósofo, "a historia de todas as sociedades até hoje é a historia das lutas de classes". No livro em que ele usa essa expressão - O Manifesto do Partido Comunista - ele exemplifica essa conclusão usando como instrumento de estudos a constante oposição econômica, social e política das mais diversas classes sociais nas suas determinadas épocas e contextos. Sendo assim, embora tenhamos passado por grandes mudanças se formos comparar com o capitalismo do século XIX, na sociedade burguesa, a qual vivemos hoje no Brasil, as duas classes que estão em constante oposição seria a burguesia (a classe a qual detém os meios de produção, comunicação e comércio) e a classe proletária (a classe trabalhadora assalariada).

Na sociedade atual, o "constante conflito" o qual Marx se refere seria, por exemplo, no quesito social, a luta por moradia, direitos trabalhistas, etc; no quesito cultural, também podemos usar o rap como exemplo, visto que é usado como forma de protesto contra a opressão de uma classe por outra. 

No nosso atual contexto, onde a classe trabalhadora se encontra em sua maior parte nas periferias das grandes metrópoles, surge mais uma forte expressão da luta de classes: a criminalidade marginalizada. 

O crime é um fator social que encontramos nas mais diversas sociedades e classes sociais. Mas na sociedade capitalista, como ela promove a exclusão e segregação social (no caso do Brasil, por ter sido um país escravocrata, também se inclui a segregação racial), os criminosos acabam surgindo da classe trabalhadora, visto que é uma classe excluída socialmente, oprimida economicamente e não-representada politicamente. 

Sendo assim, o crime se caracteriza de acordo com o modo de viver e a cultura da classe trabalhadora - o povo da periferia. Esse sistema marginaliza a periferia a ponto do crime ser um fenômeno quase que exclusivo dela, fazendo com que a grande maioria dos criminosos sejam periféricos e, consequentemente, negros. 

O sistema carcerário brasileiro abriga cerca de 500 mil presos. Os dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) mostram que desses 500 mil presos, a maioria são negros, pobres e de baixa escolaridade. Os principais crimes cometidos pelos "marginais" são crimes como furto de bens materiais, o que muitas das vezes parte da necessidade de consumo, que no capitalismo é sinônimo de poder, felicidade e existência, e o tráfico de drogas, que na periferia representa dinheiro, respeito e poder.   Partindo de um olhar mais amplo e geral, arrisco com toda convicção de certeza que a grande maioria dos presos por esses crimes são da periferia. 

O crime como é caracterizado hoje (sendo exclusivo da classe trabalhadora/periférica) é nitidamente um sintoma do capitalismo. Logo, o crime e a marginalidade não é um simples fator social, tampouco pessoal, como afirma alguns "defensores da família" que justificam pelo "livre arbítrio" (vergonhosamente ignoram os fatos), é uma questão de classe; a maior expressão da LUTA DE CLASSES. 

Texto do estudante, negro, periférico e militante marxista Janderson Silva.
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